stan getz

Um dos maiores saxofonistas de todos os tempos o grande tenor Stan Getz era conhecido como ‘the sound’, por ter um dos tons mais bonitos já ouvidos. Getz, cuja principal influência foi Lester Young, cresceu para ser uma grande influência para si mesmo e nunca parou de evoluir. Getz teve a oportunidade de tocar em uma variedade de principais e grandes bandas de swing, enquanto adolescente durante a II Guerra Mundial. Esteve com Jack Teagarden, quando tinha apenas 16 anos, e também tocou com Nat King Cole e Lionel Hampton. Seguiu com Stan Kenton, Jimmy Dorsey e Benny Goodman com quem solou em alguns registros. Getz, que teve sua primeira gravação como líder em 1946 tornou-se famoso durante esse período com o clarinetista Woody Herman, onde recebeu grande atenção como um dos saxofonistas conhecidos coletivamente como ‘The Four Brothers’, sendo os outros Serge Chaloff, Zoot Sims e Herbie Steward.

Depois de deixar o Woody Herman, Getz foi, com a exceção de algumas apresentações com ‘Jazz at the Philharmonic’, um líder para o resto de sua vida. Durante o início dos anos 50, Getz rompeu com o estilo de Lester Young para formar a sua própria identidade musical e logo estava entre os mais populares jazzistas. Nesta época, na Escandinávia, tornou-se popular tocando cool jazz com Horace Silver, Johnny Smith, Oscar Peterson e outros. Seus dois primeiros quintetos eram notáveis por seu pessoal, que incluía na seção rítmica o saxofonista Charlie Parker, o baterista Roy Haynes, o pianista Al Haig e o baixista Tommy Potter. O pianista Bob Brookmeyer também fez parte do seu quinteto. Após uma turnê na Suécia, em 1951, ele formou um emocionante quinteto com o guitarrista Jimmy Raney; cuja interação e mistura de tons em baladas foram memoráveis. Tocou com o guitarrista Johnny Smith, em seu álbum mais aclamado ‘Moonlight in Vermont’, considerado pela revista ‘Down Beat’, como um dos melhores discos de jazz de 1952. Em 1953 o line-up do Dizzy Gillespie/Stan Getz Sexteto era composto por Oscar Peterson, Herb Ellis, Ray Brown e Max Roach. E, apesar de alguns problemas com drogas durante a década, Getz era o vencedor nas pesquisas constantes. Getz envolveu-se com drogas e álcool, ainda enquanto adolescente. Em 1954, foi preso por tentar roubar uma farmácia para obter morfina. Getz tentou escapar de seu vício em narcóticos mudando-se para Copenhague, Dinamarca. Em 1956, casou-se com Monica Silfverskiöld, filha do médico sueco e ex-medalhista olímpico Nils Silfverskiöld.

Stan Getz (New York - 1949)

Depois de passar 1958-1960 na Europa, voltou para os EUA e gravou seu álbum pessoal favorito, ‘Focus’, com o arranjador de orquestra Eddie Sauter. E em 1961, Getz tornou-se a figura central na introdução da bossa nova para o público norte-americano. A parceria com o guitarrista Charlie Byrd, que tinha acabado de voltar de uma turnê ao Brasil, resultou no álbum ‘Jazz Samba’, em 1962, e tornou-se um sucesso. E Getz ganhou o Grammy com ‘Desafinado’, do mesmo álbum e foi premiado com um disco de ouro. Em seguida, gravou o álbum, ‘Samba Jazz Encore!’, com a big band de Gary McFarland e com os brasileiros Laurindo Almeida e o guitarrista brasileiro Luiz Bonfá, um dos criadores da bossa nova, recebendo o seu segundo disco de ouro.

Mas, foi o álbum ‘Getz/Gilberto’ com colaboração de Antonio Carlos Jobim e João Gilberto, o seu maior sucesso, graças em grande parte à ‘Garota de Ipanema’ com os vocais de Astrud e João Gilberto. O álbum recebeu dois Grammys, melhor álbum e melhor single. Com a sua versão de ‘Garota de Ipanema’ recebeu um Grammy Award. E a música se tornou uma das mais conhecidas faixas do jazz latino. Um caso de amor com Astrud Gilberto trouxe um fim à sua parceria musical com o casal, e Getz começou a se afastar da bossa nova e voltar ao jazz cool. Seu grupo regular durante esta época era um quarteto com o vibrafonista Gary Burton, e gravou com Bill Evans e com Eddie Sauter a trilha sonora para o filme noir ‘Mickey One’, e fez o clássico álbum ‘Sweet Rain’ (1967), com Chick Corea.

Embora nem todas as gravações de Getz do período 1966-1980 sejam essenciais, ele provou que não tinha medo de arriscar: ‘Dynasty’ com o organista Eddie Louiss (1971), ‘Captain Marvel’ com o pianista Chick Corea (1972), e ‘The Peacocks’ com o pianista Jimmy Rowles (1975) são os pontos altos. Depois de utilizar a pianista Joanne Brackeen em seu quarteto de 1977, Getz explorou alguns aspectos do fusion com o tecladista Andy Laverne. Getz ainda usou em um par de músicas um Echoplex no seu saxofone, mecanismo usado pelos mais notáveis guitarristas da época, que permitia um efeito repetitivo. No entanto, os puristas ficaram aliviados quando ele assinou com a ‘Concord’ em 1981 e começou a usar um trio de backup puramente acústico na maioria das gravações. Getz como sidemen em anos posteriores incluiu os pianistas Lou Levy, Mitchel Forman, Jim McNeely e Kenny Barron. Sua última gravação de 1991, ‘People Time’, apesar de sua falta de fôlego, é um brilhante dueto com Kenny Barron. Ao longo de sua carreira Getz gravou como líder para as mais renomadas gravadoras para não mencionar sessões com Lionel Hampton, Dizzy Gillespie e Gerry Mulligan.

Stanley Gayetsky nasceu na Filadélfia, Pensilvânia, em 1927. Seus pais eram judeus ucranianos, que emigraram de Kiev em 1903. A família mudou-se para Nova York para melhores oportunidades de emprego. Getz trabalhou duro na escola, e terminou no topo da sua classe. O grande interesse de Getz sempre foram os instrumentos musicais, e ele sentiu a necessidade de tocar todos que via. E tocou vários deles antes que seu pai lhe comprasse o seu primeiro saxofone aos 13 anos de idade. Mesmo que seu pai também lhe tenha dado um clarinete, Getz imediatamente caiu de amores pelo saxofone e começou a praticar oito horas por dia. Ele frequentou a ‘James Monroe High School’ no Bronx e em 1941, foi aceito na orquestra da ‘All City High School’ de New York. Isso lhe deu a oportunidade de receber aulas particulares de Simon Kovar que tocava fagote na Filarmônica de Nova York, mas continuou a tocar saxofone. E finalmente saiu da escola a fim de prosseguir na carreira musical. Getz morreu de câncer de fígado em 1991.


Stan Getz & Dizzy Gillespie

Stan Getz & Chet Baker

Stan Getz & João Gilberto

    

Diz and Getz (1954)    |    Getz Meets Mulligan in Hi-Fi (1957)

Diz and Getz
Personnel: Dizzy Gillespie (trumpet); Stan Getz (sax tenor); Hank Mobley (sax tenor); Herb Ellis (guitar); Oscar Peterson (piano); Wade Legge (piano); Ray Brown (bass); Lou Hackney (bass); Charlie Persip (drums); Max Roach (drums)
Tracklist: 01. It Don't Mean A Thing (If It Ain't Got That Swing) 02. I Let A Song Go Out Of My Heart 03. Exactly Like You 04. It's The Talk Of The Town 05. Improptu 06. One Alone 07. Girl Of My Dreams 08. Siboney (Part I) 09. Siboney (Part II)


Getz Meets Mulligan in Hi-Fi
Personnel: Gerry Mulligan (tenor saxophone, baritone saxophone); Stan Getz (tenor saxophone, baritone saxophone); Lou Levy (piano); Ron Carter (bass); Stan Levy (drums)
Tracklist: 01. Let's Fall in Love 02. Anything Goes 03. Too Close for Comfort 04. That Old Feeling 05. This Can't Be Love 06. A Ballad 07. Scrapple from the Apple (bonus track) 08. I Didn't Know What Time It Was (bonus track)


‘Jazz Samba’ é, historicamente, o primeiro disco nos Estados Unidos a se dedicar exclusivamente a bossa nova. Quando Charlie Byrd voltou de uma viagem que fez pelo Brasil em 1961 ele já era um reconhecido guitarrista de jazz da cidade de Washington, com três discos gravados e já chamava a atenção da critica especializada pelo fato de introduzir técnicas de guitarra acústica ao jazz. De volta de sua viagem o que Charlie Byrd conheceu no Brasil chamaria mais ainda a atenção da crítica americana. Ao chegar aos EUA ligou para seu amigo saxofonista em New York, Stan Getz, e anunciou que conheceu no Brasil um tipo de música mágica, cheia de sinuosidade, chamada Bossa Nova. E assim o jazz acariciou o samba e em 1962, Charlie Byrd e Stan Getz lançaram o disco ‘Samba Jazz’. Eles se juntaram a dois baixistas, Keter Betts e Gene Byrd irmão de Charlie Byrd, e dois bateristas, Buddy Deppenschmidt e Bill Reichenbach para a gravação na igreja ‘All Souls, Unitarian’ em Washington, DC. A participação é apenas de músicos americanos que aprenderem as músicas brasileiras através dos discos que Charlie Byrd trouxera. Das sete músicas gravadas apenas ‘Samba Dees Days’ é de autoria de Charlie Byrd, as restantes são de Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça, Ari Barroso, Baden Powell e Billy Blanco. O disco foi um sucesso e ganhou o Grammy de melhor disco de jazz de 1963 e Stan Getz ganhou o Grammy de melhor performance de jazz com a faixa ‘Desafinado’. ‘Jazz Samba’ abriu as portas dos Estados Unidos para a Bossa Nova e para vários músicos brasileiros. Mais tarde, Stan Getz e Charlie Byrd trabalharam diretamente com João Gilberto, Tom Jobim e Astrud Gilberto, e a música mais famosa foi ‘The Girl From Ipanema’, daquilo que se denominou pelos norte-americanos como samba jazz.

    

Jazz Samba (1962)    |    Getz/Gilberto (1963)

Jazz Samba
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Charlie Byrd (guitar); Keter Betts (bass); Buddy Deppenschmidt (drums); Gene Byrd (guitar, bass); Bill Reinchenbach (percussion)
Tracklist: 01. Desafinado 02. Samba Dees Days 03. O Pato 04. Samba Triste 05. Samba de uma Nota Só 06. E Luxo So 07. Baia


Getz/Gilberto
Personnel: Stan Getz (tenor sax); Joao Gilberto (guitar, vocal); Antonio Carlos Jobim (piano); Tommy Williams (bass); Milton Banana (drums); Astrud Gilberto (vocal)
Tracklist: 01. The Girl from Ipanema 02. Doralice 03. Para Machuchar Meu Coracao 04. Desafinado (Off Key) 05. Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars) 06. So Danco Samba 07. O Grande Amor 08. Vivo Sonhando (Dreamer) 09. The Girl from Ipanema 10. Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars)


    

Jazz Samba Encore! (1963)    |    Stan Getz & Bill Evans (1973)

Jazz Samba Encore!
Personnel: Stan Getz (saxophone tenor); Don Payne, George Duvivier, Tommy Williams (bass); Dave Bailey, Jose Carlos, Paulo Ferreira (drums); Antonio Carlos Jobim, Luiz Bonfa (guitar); Maria Toledo (vocal)
Tracklist: 01. Sambalero 02. So Danco Samba (I Only Dance Samba) 03. Insensatez (How Insensitive) 04. O Morro Nao Tem Vez 05. Samba de Duas Notas (Two Note Samba) 06. Menina Flor 07. Mania de Maria 08. Saudade Vem Correndo 09. Um Abraco no Getz (A Tribute to Getz) 10. Ebony Samba (second version) 11. Ebony Samba (first version)


Stan Getz & Bill Evans
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Bill Evans (piano); Richard Davis (bass); Ron Carter (bass); Elvin Jones (drums)
Tracklist: 01. Night and Day 02. But Beautiful 03. Funkallero 04. My Heart Stood Still 05. Melinda 06. Grandfather's Waltz 07. Carpetbagger's Theme 08. Wnew (Theme Song) 09. My Heart Stood Still (alternate take) 10. Grandfather's Waltz (alternate take) 11. Night and Day (alternate take)


        

Focus (1961)    |    Sweet Rain (1967)    |    Captain Marvel (1975)

Focus
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Steve Kuhn (piano); John Neves (bass); Roy Haynes (drums); Alan Martin, Norman Carr, Gerald Tarack (violin); Jacob Glick (viola); Bruce Rogers (cello); Eddie Sauter (arranger); Hershy Kay (conductor)
Tracklist: 01. I'm Late, I'm Late 02. Her 03. Pan 04. I Remember When 05. Night Rider 06. Once Upon A Time 07. A Summer Afternoon 08. I'm Late, I'm Late Stan 09. I Remember When


Sweet Rain
Personnel: Stan Getz (tenor sax); Chick Corea (piano); Ron Carter (bass); Grady Tate (drums)
Tracklist: 01. Litha 02. O Grande Amor 03. Sweet Rain 04. Con Alma 05. Windows


Captain Marvel
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Chick Corea (electric piano); Stanley Clarke (acoustic bass); Tony Williams (drums); Airto Moreira (percussion)
Tracklist: 01. La Fiesta 02. Five Hundred Miles High 03. Captain Marvel 04. Times Lie 05. Lush Life 06. Day Waves


insensatez (how insensitive)
Stan Getz (saxophone tenor); Antonio Carlos Jobim (piano), Luiz Bonfa (guitar);
Maria Toledo (vocal); Tommy Williams (bass); Jose Carlos (drums);

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