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ben webster

Ben Webster (1909-1973), é considerado um dos três grandes saxofonistas do swing, os outros sendo Lester Young e Coleman Hawkins. Nascido em Kansas City, começou tocando violino, depois piano, e acabou adotando o saxofone por volta de 1930 por sugestão de Budd Johnson. Fez sua estréia discográfica acompanhando a cantora Blanche Calloway. Nos anos 30 tocou em diversas orquestras, incluindo as de Bennie Moten, Andy Kirk, Fletcher Henderson, Benny Carter, Willie Bryant, Cab Calloway. Em 1940, entrou em caráter permanente para a orquestra de Duke Ellington, na qual já havia feito participações ocasionais em 1935 e 1936. Foi o primeiro grande solista de sax tenor de Ellington, e participou de gravações famosas, como ‘Cottontail’ e ‘All too soon’. Embora tenha permanecido na orquestra apenas por três anos, tornou-se muito popular e passou a ser um paradigma para a maioria dos jovens saxofonistas, que procuravam imitá-lo. Depois de deixar a orquestra de Ellington, tocou com grupos pequenos, tanto na função de líder como acompanhando músicos como Stuff Smith, Red Allen, Raymond Scott, John Kirby e Sidney Catlett. Voltou a se juntar a Ellington por um breve período, em 1948-1949, e fez parte do projeto ‘Jazz At The Philarmonic’ em diversas temporadas ao longo da década de 50. Gravou com Art Tatum em 1956. Fez diversas turnês à Europa, e acabou se estabelecendo na Dinamarca em 1964. Ali, desfrutando de grande popularidade, tocou e gravou à vontade, seja com músicos locais, seja com músicos norte-americanos. As principais características que chamam a atenção no som de Webster ao sax tenor são o seu vibrato e a grande quantidade de ‘ar’ na emissão sonora, especialmente nos finais das notas. Mas isso não desgrada seus fãs, que apreciam tanto a agressividade exibida nos blues rápidos quanto o romantismo demonstrado nas baladas. Essas duas faces de sua música correspondiam, segundo os que lhe eram próximos, aos dois pólos que coexistiam em sua personalidade, ora cordial, ora irascível. As baladas lentas, executadas de forma lânguida e expressiva, foram o gênero que Ben passou a privilegiar com o passar dos anos, e pelo qual ficaria famoso. leia +...



django reinhardt

Django Reinhardt (1910-1953), nascido como Jean Reinhardt, em um acampamento cigano, na Bélgica, até os dez anos viajava pela Bélgica, França, Itália e norte da África com sua família e a caravana de ciganos à qual pertenciam. Seu pai era violinista, e desde criança Django demonstrava grande habilidade com o instrumento, por vezes fazendo pequenas apresentações junto com a banda liderada por seu pai. Aos quinze já era a estrela do espetáculo cigano. Alguns anos mais tarde, quando tinha dezoito anos, a caravana onde dormia pegou fogo e Django sofreu queimaduras graves. Parece que naquele dia sua mulher havia enchido a caravana com flores secas e, ao se levantar à noite, Django chutou uma lamparina, pondo fogo nas plantas secas. Sua perna direita ficou tão queimada que os médicos chegaram a considerar a amputação - que foi enfaticamente descartada pelo paciente. A sua mão esquerda também ficou bastante queimada, deixando os dedos anular e médio praticamente sem movimentos. Django ficou bastante deprimido, e seu médico recomendou que tocasse violão, por exigir da mão esquerda menos que o violino, e também como forma de terapia física e mental. A medida teve grande efeito, e dois anos depois Django já havia desenvolvido uma incrível técnica própria adaptada a sua deficiência.

Por volta de 1930 Django ouviu pela primeira vez os discos de Duke Ellington e Louis Armstrong. Ficou tão encantado com o swing do jazz que decidiu formar, em 1934, junto com o violinista Stéphane Grapelli, o ‘Quintette du Hot Club de France’. Participavam do quinteto, além de Grapelli e Django, seu irmão Joseph e Roger Chaput no violão, mais Louis Vola no contrabaixo. A fama do quinteto começou a se espalhar, inclusive além-mar, e músicos americanos como Benny Carter e Coleman Hawkins não perdiam a oportunidade de tocar com ele em suas visitas a Paris. Quando começou a segunda guerra mundial o quinteto estava excursionando pela Inglaterra e voltou imediatamente para a França, com exceção de Grapelli, que ficou por lá. De volta a Paris, o violino foi substituído pelo clarinete de Hubert Rostaing. Em 1943, Django casou-se com Sophie Ziegler. Consta que Django era um grande gastador, geralmente em algum tipo de aposta ou na mesa de bilhar, onde também demonstrava muita habilidade. Com o fim da guerra, Grapelli voltou a integrar o quinteto, que agora se preparava para partir em uma excursão pelos EUA organizada por Duke Ellington. A visita culminou com a apresentação do quinteto no Carnegie Hall ao lado do bandleader. Na segunda metade da década de 40, Django fez inúmeras gravações, tanto nos EUA como na França, que lançaram seu estilo definitivamente para o resto do mundo e para sempre na história da música. Era uma das figuras mais respeitadas de Paris. Porém em 1951, aparentemente cansado dos aborrecimentos que cercavam a comercialização de sua música, pôs seu violão de lado e aposentou-se na pequena cidade francesa de Samois-sur-Seine, onde passou o resto de seus dias a pintar e pescar. Só voltou a gravar um mês antes de sua morte causada por um derrame fulminante. (Fernando Jardim)



benny goodman

Benny Goodman (1909 – 1986), nascido Benjamin David Goodman, era filho de um alfaiate e sua família tinha poucos recursos. Começou seus estudos musicais na sinagoga que freqüentava e na ‘Hull House’. Menino prodígio, fez sua primeira apresentação aos 12 anos, no Teatro Central de Chicago, e logo passou a tocar com músicos adultos. Goodman estudou clarineta desde cedo, tendo formação musical clássica na época em que Chicago entrava na era do jazz, vindo de New Orleans. Em 1926, aos 16 anos, juntou-se à banda do baterista Ben Pollack, fundada dois anos antes, e com ela fez seu primeiro disco. No início dos anos 30, passou a participar de gravações com diversos grupos de jazz, entre os quais os de Red Nichols, Joe Venuti-Eddie Lang e Jack Teagarden, até poder formar a sua própria orquestra, em 1934. Um programa de rádio divulgou a orquestra, que se tornou muito popular, sobretudo depois do sucesso obtido na apresentação no Palomar Ballroom de Los Angeles, em 1935, e no Congress Hotel de Chicago, entre 1935 e 1936. Goodman, com estilo, precisão e inventividade, foi reconhecido como ‘O Rei do Swing’ e o mais genial clarinetista de todos os tempos. Sua fama não demorou a correr o mundo, iniciando a era do swing, que se estenderia por dez anos. Sua orquestra foi o primeiro grupo de jazz a se apresentar em público integrando músicos brancos e negros com Teddy Wilson, Lionel Hampton, Cootie Williams e Charlie Christian. No dia 16 de janeiro de 1938, Benny Goodman e sua orquestra foram consagrados no histórico concerto realizado e gravado no Carnegie Hall de Nova York. Nos anos 30 e 40, Goodman ajudou a projetar, além dos já citados, solistas como Harry James (trompete), Georgie Auld (sax tenor) e Jess Stacy (piano). Sua orquestra tornou-se, em 1962, a primeira ‘jazz band’ norte-americana a visitar a União Soviética. Como não poderia deixar de acontecer, sua clarineta e sua orquestra seriam requisitadas pelo cinema, em vários filmes. A história de sua vida foi contada no filme ‘The Benny Goodman Story’, e o clarinetista atuando na trilha sonora. Após 1945, Goodman limitou-se a tocar em grupos pequenos, além de ter atuado em orquestras clássicas como solista. Por motivo de doença, de 1970 a 1985 fez um intervalo em sua atividade artística. Sua volta se deu no ‘Kool Jazz Festival’ de Nova York, vindo a falecer pouco depois. leia +...



roy eldridge

Roy Eldridge (1911 – 1989), nasceu em Pittsburgh, Pennsylvania, e faleceu em Valley Stream, New York. Começou a se interessar pelo jazz desde muito jovem, dedicando-se primeiro à bateria, durante seis anos, e depois ao trompete. Em 1930 foi para New York e trabalhou com as orquestras de Elmer Snowden, Charlie Johnson e Teddy Hill. Três anos depois voltou a Pittsburgh, onde formou com seu irmão a ‘Eldridge Brothers Orchestra’, com Kenny Clarke na bateria. Em 1935 reintegrou-se na orquestra de Teddy Hill para tocar no ‘Savoy Ballroom’, fazendo um duo de solistas com Chu Berry. Ambos voltaram a se encontrar na orquestra de Fletcher Henderson, onde depois formaram um grupo em Chicago para tocar no ‘Three Deuces’. A fama só veio nos anos quarenta ao ser contratado por Gene Krupa como trompetista entre 1941-43 e seus duos com Anita ODay chamaram a atenção de todo o país. Em 1945 começou sua longa colaboração com o ‘Jazz at the Philarmonic’ e com a qual excursionou pela Europa e Estados Unidos. Em 1949 voltou a trabalhar com Gene Krupa e em seguida entrou para a orquestra de Benny Goodman para uma excursão pela Europa. Passou a morar na Europa onde tocou em muitos conjuntos, dentre eles os de Charlie Parker e Sidney Bechet. Voltou a trabalhar com Norman Granz, atuando tanto no ‘Jazz at the Philharmonic’ ou ‘JATP’ quanto nos combos de Oscar Peterson e de Ella Fitzgerald. Também tocou em grupos próprios, sempre com Coleman Hawkins. A partir da década de 50 decidiu trabalhar só em colaborações com grupos para festivais e excursões ao lado de jazzmen como Gillespie, Earl Hines, Bob Freeman e Illinois Jacquet. Gravou com Art Tatum, Dizzy Gillespie, Chu Berry, Teddy Wilson, Fletcher Henderson, Gene Krupa, Artie Shaw, Sonny Stitt, Ella Fitzgerald, Benny Goodman, Count Basie e naturalmente, com seu próprio grupo. Eldridge tem sua importância por ser o instrumentista que recebeu a herança de Armstrong e a passou para Gillespie e Miles Davis. Eldridge se antecipou ao seu tempo, como Lester Young, Charlie Chnistian e Jimmy Blanton. Com o nascimento do bop é fácil ver que, juntamente com Christian e Blanton, Eldridge foi um dos precursores do jazz moderno, o trompetista que inspirou a Gillespie e a todos os trompetistas modernos, direta ou indiretamente.



the ultimate jazz archive 19



19-1: Ben Webster (1932-19440)

Tracklist
01. The Blue Room 02. New Orleans 03. Milenberg Joys 04. Lafayette 05. Rug Cutter's Swing 06. Dream Lullaby 07. Tea For Two 08. Early Session Hop 09. Cotton Tail 10. Linger Awhile 11. Raincheck 12. Perdido 13. Woke Up Clipped 14. After You've Gone 15. Sleep 16. Memories Of You 17. Just A Riff 18. Blues Skies 19. Kat's Fur 20. I Surrender Dear


19-2: Django Reinhardt (1936-1937)

Tracklist
01. After You've Gone 02. I Can't Give You Anything But Love 03. Limehouse Blues 04. Oriental Shuffle 05. Nagasaki 06. Swing Guitars 07. Georgia On My Mind 08. Shine 09. Sweet Chorus 10. Exactly Like You 11. Charleston 12. You're Driving Me Crazy 13. Ain't Misbehavin' 14. Rose Room 15. When Day Is Done 16. Runnin' Wild 17. Chicago 18. Minor Swing


19-3: Benny Goodman (1935-1936)

Tracklist
01. After You've Gone 02. Body And Soul (Take 1) 03. Body And Soul (Take 2) 04. Who? 05. Someday, Sweetheart 06. China Boy 07. More Than You Know 08. All My Life 09. Oh, Lady Be Good 10. Nobody's Sweetheart 11. Too Good To Be True 12. Moonglow 13. Dinah 14. Exactly Like You 15. Vibraphone Blues 16. Sweet Sue - Just You 17. My Melancholy Babe 18. Tiger Rag Take 1) 19. Stompin' At The Savoy (Take 1) 20. Stompin' At The Savoy (Take 2)


19-4: Roy Eldridge (1935-1941)

Tracklist
01. When I Grow To Old To Dream 02. (Lookie, Lookie, Lookie) Here Comes Cookie 03. Big Chief De Sota (Grand Terrace Swing) 04. Stealin' Apples 05. Blue Lou 06. Warmin' Up 07. Blues In C Sharp Minor 08. Mary Had A Little Lamb 09. Heckler's Shop 10. Florida Stomp 11. Wabash Stomp 12. After You've Gone (2nd) 13. Where The Lazy River Goes By 14. That Thing 15. Wham! 16. Fallin' In Love Again 17. I'm Nobody's Baby 18. Let Me Off Up Town



bobby womack

bobby womackBobby Womack é um dos artistas mais respeitados da ‘black music’, com uma longa carreira no rhythm & blues e soul. Como muitos outros cantores negros, Womack começou na música gospel, cantando nos coros das igrejas e, em seguida, se firmou como compositor, guitarrista e cantor. Womack é imensamente popular entre os afro-americanos e um verdadeiro superstar na Europa, onde seus álbuns frequentemente vendem na casa dos milhões. E segundo alguns críticos, está entre os melhores da música pop moderna. Mas, nem sempre foi assim. Bobby Womack é um veterano que pagou suas dívidas por mais de uma década antes de ter a chance do estrelato próprio. Bobby Womack perseverou através da tragédia e da dependência e emergiu como um dos grandes sobreviventes da soul music. Capaz de brilhar sob os holofotes como cantor ou nos bastidores como instrumentista e compositor, Bobby Womack nunca teve o seu devido lugar, mas durante os anos 60 e boa parte dos anos 70, ele foi consistente nas paradas de R&B, com um alto padrão de qualidade. Suas gravações tinham emoção que aprendeu com Sam Cooke, Wilson Pickett e Sly Stone, que trabalharam com ele em um momento ou outro. Um guitarrista subestimado, Bobby Womack ajudou a criar uma abordagem minimalista semelhante ao de Curtis Mayfield, e foi uma influência precoce sobre o jovem Jimi Hendrix. Além disso, suas canções foram gravadas por vários artistas.

Bobby Womack Dwayne nasceu em Cleveland, Ohio. Sua educação foi rígida e religiosa. No início dos anos 50, ainda criança, Bobby juntou-se aos seus irmãos Cecil, Curtis, Harry e Friendly Jr. para formar o quinteto gospel ‘The Womack Brothers’. Eles foram escolhidos para abrir um show local para os ‘The Soul Stirrers’ em 1953, ocasião em que Bobby fez amizade com o vocalista Sam Cooke; e depois o grupo percorreu o país como banda de abertura para diversos grupos gospel, cantando e pregando o evangelho. Cantar qualquer coisa além de gospel era o caminho para o inferno. Apesar de sua profunda fé, Womack sentiu algo diferente em meados do final da década de 50 com o movimento da soul music que lhe forneceu dinheiro e fama muito além dos limites do gospel.

bobby womack - the valentinosQuando Sam Cooke formou seu próprio selo, SAR, ele recrutou os irmãos Womack para transformá-los em um grupo de R&B. Ao saber que seus filhos estavam se movendo para a música secular, - música destituída da temática religiosa, música que as igrejas evangélicas ainda adotam, cultura de que qualquer tipo de música que não seja evangélica, é secular, e portanto, considerada inadequada para seus seguidores -, seu pai esbravejou que eles iriam enfrentar a danação eterna e os expulsou de casa. Sam Cooke emprestou-lhes dinheiro para comprar um carro e dirigir até seus escritórios de Los Angeles. Os irmãos Womack fizeram várias gravações para a SAR e logo Sam Cooke convenceu-os a mudar o nome do grupo para ‘The Valentinos’. Em dois anos, o grupo estava lotando as salas no circuito de R&B, liderado pelo vocal suave de Bobby e suas composições. E Bobby Womack eventualmente se juntava à banda de apoio de Cooke como guitarrista.

O maior sucesso veio em 1964, com ‘It’s All Over Now’, composição de Bobby que vendeu quatro mil exemplares. A canção também foi gravada pelos ‘Rolling Stones’ que tiveram seu hit número um pela primeira vez com esta canção em 1964. Mais tarde, outra canção de Womack, ‘Looking for a Love’ foi o maior hit de ‘The J. Geils Band’, banda muito popular na década de 70. Womack nunca se importou com o fato de que artistas brancos eram capazes de fazer mais sucesso com suas músicas do que ele próprio. Ele tinha consciência de que havia um bloqueio por ele ser negro. Mas, depois de 30 anos teve que se perguntar: Por que não eu? E se fazia essa pergunta o tempo todo.

bobby womack & ronnie wood 1975

Bobby Womack & Ronnie Wood (1975)

A morte trágica de Sam Cooke em dezembro de 1964 deixou Womack muito abalado e a carreira do seu grupo com os irmãos no limbo. Apenas três meses depois, Womack casou com Barbara Campbell, viúva de Cooke, que lhe rendeu má fama na comunidade R&B e muitos o viram como um oportunista já que Barbara era significativamente mais velha que ele. E na sequência do escândalo, ele foi incapaz de dar continuidade a sua carreira solo, suas composições foram evitadas como a peste apesar de sua qualidade. Para sobreviver, Womack se tornou um guitarrista de apoio, primeiro com Ray Charles, depois para artistas tão variados como Aretha Franklin, Janis Joplin e o guitarrista húngaro Gabor Szabo. Ele também manteve laços estreitos com os ‘Rolling Stones’, contribuindo com a sua guitarra e até mesmo nos vocais para mais de um álbum dos Stones.

bobby womack & ronnie wood 2009

Bobby Womack com o guitarrista dos ‘Rolling Stones’, Ron Wood, na cerimônia em 2009
quando foi introduzido ao ‘Rock and Roll Hall of Fame’

A carreira solo de Womack teve picos e decaídas. No final dos anos 70 um elenco de novas estrelas praticamente o sepultaram. Sua carreira foi perdida na enchente de lançamentos de novos artistas negros. E o uso de drogas começou a tomar um rumo mais sério quando seu irmão Harry foi assassinado por uma namorada ciumenta em 1974, no próprio apartamento de Bobby. Depois de um hiato doloroso causado pela morte repentina de seu filho recém-nascido em 1979, recuperou-se rapidamente na década de 80 com a produção de um dos seus mais conhecidos álbuns, ‘The Poet’. O lançamento de ‘The Poet II’ foi adiado até 1984, e contou com vários duetos. No início de 90, Bobby Womack garantiu uma audiência dedicada tanto na América quanto no exterior. Seu dueto de 1986 com Mick Jagger, na versão da música ‘Harlem Shuffle’, o apresentou para os telespectadores da MTV, enquanto seus álbuns ‘Womagic’ e ‘The Last Soul Man’ o tornaram querido para seus muitos fãs afro-americanos. ‘So Many Rivers’ (1985) e ‘Save the Children’ (1990) são obras com temática social e problemas do cantor com o abuso de drogas. Nos anos que se seguiram, Womack retornou ao mundo da música apenas esporadicamente. Lançado em 1994, ‘Resurrection’ foi gravado com uma série de astros convidados incluindo Ron Wood, Keith Richards, Rod Stewart e Stevie Wonder. Em 1999, ele cumpriu uma promessa de longa data feita a seu pai que faleceu em 1981, gravou um álbum gospel primeira vez, ‘Back to My Roots’. Bobby Womack, o veterano cantor de soul que deu aos ‘Rolling Stones’ o primeiro hit, foi diagnosticado com câncer de cólon. Womack, então com 68 anos, estava no hospital se recuperando de uma pneumonia quando recebeu o diagnóstico.

bobby womack - the poet (1981)    bobby womack - the best of (2008)

The Poet (1981)    |    The Best Of (2008)

The Poet
01. So Many Sides Of You 02. Lay Your Lovin’ On Me 03. Secrets 04. Just My Imagination 05. Stand Up 06. Games 07. If You Think You’re Lonely Now 08. Where Do We Go From Here

The Best Of
01. Across 110th Street 02. Woman's Gotta Have It 03. I'm A Midnight Mover 04. That's The Way I Feel About 'Cha 05. You're Welcome, Stop On By 06. Lookin' For A Love 07. I'm In Love 08. I Left My Heart In San Francisco 09. Communication (Single Version) 10. Fact Of Life/He'll Be There When The Sun Goes Down (Medley) 11. Fly Me To The Moon (In Other Words) 12. Harry Hippie 13. I Can Understand It 14. The Preacher/More Than I Can Stand (Medley) (Live) 15. I'm Through Trying To Prove My Love To You 16. It's All Over Now 17. California Dreamin' 18. How I Miss You Baby 19. Nobody Wants You When You're Down And Out 20. Daylight 21. Check It Out (Single Edit) 22. Fire And Rain

Bobby Womack - Across 110th Street



elvis presley

Final dos anos 40. Para os mais conservadores membros da promissora sociedade norte-americana, nada poderia ser considerado pior do que o surgimento do rock´n´roll, música com 'alto potencial para perverter os jovens'. E foi com horror que essa sociedade teve que engolir em seco quando viram o cenário das rádios recheado de negros talentosos que subiam ao topo das paradas: Chuck Berry, Fats Domino e Bo Diddley. Mais assustador para esses conservadores, foi Little Richard, que além de negro, era homossexual assumido, usava maquiagem e um penteado exótico, e cravou nas paradas o hit 'Tutti Frutti', que se tornaria um hino do rock. Maquinou-se então, toda uma movimentação por parte das gravadoras na busca de figuras que reduzissem essa polêmica em torno do novo estilo musical, que pelo menos os jovens brancos de classe média tivessem heróis brancos, e preferivelmente com um 'comportamento mais razoável'. E assim, as gravações feitas por músicos negros foram relançadas, mas com intérpretes brancos, usurpando dos negros a sua gigantesca contribuição para o desenvolvimento do rock.

elvis presleyEsse desejo de encontrar algum rapaz branco capaz de cantar como um negro foi realizado pelo produtor e dono de um pequeno selo, Sam Phillips, que contratou o jovem Elvis Presley que só cantava baladas countries. Sam lançou o primeiro sucesso de Elvis, o hit, 'That´s All Right'. Em 1955, Elvis rompeu com Sam e assinou novo contrato com uma grande gravadora. Este foi o momento que marcou a real reviravolta na carreira de Elvis, com a gravação 'Heartbreak Hotel', lançada em 1956. A partir daí, Elvis gravou um sucesso atrás do outro, inclusive ‘Tutti Frutti’ de Little Richard, e ingressou no cinema. Em 1958, era o artista mais popular, arrastava multidões de jovens em seus shows. Suas atitudes se tornaram símbolo da rebeldia e a sensualidade de sua dança era objeto de culto desses jovens. Estava na hora de transformar Elvis em um 'artista mais respeitável', aos olhos da sociedade branca americana, o astro branco também tornou-se uma influência venenosa para os seus jovens. Neste mesmo ano, Elvis alistou-se 'voluntariamente' no exército americano para cumprir seu dever de cidadão; atitude que foi aplaudida por toda a classe média e imprensa norte-americana.

elvis presley

Presley recebeu sua convocação em 20 de dezembro de 1957...

elvis presley...e voltou para os EUA em 2 de março de 1960

Não demorou muito para o rock´n´roll entrar em rota de colisão com o moralismo político, sexual e religioso então vigente. O macarthismo estava no ápice de sua histeria, e certamente não daria ao rock um tratamento diferente do que era dado aos demais setores culturais, como a imprensa, a literatura, os quadrinhos e o cinema. Era preciso então promover uma 'higienização' do rock´n´roll, sem afetar, porém, os lucros dentro do grande mercado que o estilo movimentava até então. Uma imensa pressão vinda de diversos setores políticos e religiosos da direita se abateu então sobre os músicos. No final da década de 50, os poucos que não haviam sucumbido à pressão desses setores acabaram vítimas de episódios trágicos. Os músicos mais progressistas terminaram então renegados, marginalizados, presos ou mortos. O primeiro a pagar seu preço foi o próprio Elvis Presley, domesticado e submetido às gravadoras. Ao voltar do exército, Elvis nunca mais foi o mesmo, trocando a agressividade de seus primeiros anos pelas baladas românticas que caracterizaram todo o resto de sua carreira, que culminou com o astro apoiando a guerra e os programas governamentais do governo Nixon. No início dos anos 60, o rock encontrava-se domado e surgiram uma série de músicos 'limpos', como Neil Sekada, Paul Anka e diversos outros. E Elvis Presley, frustrado e decadente, tocando nos cassinos de Las Vegas.

elvis presleyElvis Aaron Presley nasceu na cidade de East Tupelo, no Estado do Mississippi, um centro do racismo americano. Possuia ascendência escocesa por parte do pai Vernon Elvis Presley, e sua mãe Gladys Love Smith, que posteriormente ficou conhecida como Gladys Presley. Vernon Presley foi um meeiro e motorista de caminhão e Gladys era costureira. Nos seus primeiros anos de vida, Elvis cresceu em meio aos destroços de um furacão que devastou sua cidade e privado da figura do pai, preso por estelionato. Com dez anos, Elvis participou de um concurso de novos talentos onde conquistou o segundo lugar. Na ocasião, cantou ‘Old Shep’, canção que retrata o desespero de um menino pela perda de seu cão. Elvis morou por bastante tempo em condições precárias, com 13 anos já trabalhava em várias atividades, foi lanterninha de cinema e motorista de caminhão. Nas horas vagas, cantava e tocava o violão que ganhou do pai. Reza a lenda que apreciava cantar na penumbra e até em breu total. Cantou no coro da igreja e recebeu a influência do blues.

elvis presleyTornou-se o ‘Rei do Rock'n'Roll’ e ponto de partida do rock e do pop atuais. Rebelde, agressivo e ruidoso, embora pudesse também parecer nostálgico e sonhador; mas, acima de tudo, era sexy. Por essas características, a juventude identificava-se com ele, embora fosse simultaneamente desprezado pelas gerações adultas. Sua carreira foi extraordinária em todos os sentidos. Os grandes sucessos sucediam-se sem parar, ora baladas melancólicas, ora músicas para dançar. Os seus mais de 30 filmes têm raízes nesta fama de cantor e ídolo de adolescentes. Com seu carisma e sensualidade, o cantor provocava reações histéricas nas platéias. O sinuoso movimento que executava com os quadris ao dançar valeu-lhe o apelido de ‘Elvis the Pelvis’. Em poucos anos transformou-se numa lenda, embora tivesse revelado perturbações de personalidade bem cedo. A partir do início da década de 70, entrou em franca decadência artística e pessoal. Sua morte em 1977, foi lamentada profundamente por seus fãs, oito milhões de cópias de seus discos esgotaram-se em apenas cinco dias. Graceland, a suntuosa mansão do cantor transformou-se em museu e ainda hoje é local de peregrinação de seus admiradores. Elvis Presley fascinou e inspirou imitadores que perambulam, com sucesso, pelo mundo. Elvis foi sem dúvida, um dos maiores fenômenos da música mundial. Não é exagero dizer que Elvis não morreu, sua figura carismática e sensual continua viva em suas músicas e nos corações dos fãs.

elvis presley - heartbreak hotel


The Essential Elvis Presley (2007)

The Essential Elvis Presley (2007)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Suspicious Minds 02. Blue Suede Shoes 03. Jailhouse Rock 04. Love Me Tender 05. Don't Be Cruel 06. King Creole 07. Hard Headed Woman 08. All Shook Up 09. Hound Dog 10. Too Much 11. Heartbreak Hotel 12. (Let Me Be Your) Teddy Bear 13. (Let's Have A) Party 14. That's All Right 15. One Night 16. (Now And Then There's) A Fool Such As I 17. A Big Hunk O' Love 18. Wear My Ring Around Your Neck 19. Crying In The Chapel 20. Stuck On You 21. Wooden Heart 22. Viva Las Vegas 23. (You're The) Devil In Disguise 24. Guitar Man 25. A Little Less Conversation 26. Welcome To My World

Tracklist CD 2
01. In The Ghetto 02. Burning Love 03. Always On My Mind 04. The Wonder Of You 05. I Just Can't Help Believin 06. There Goes My Everything 07. You Don't Have To Say You Love Me 08. An American Trilogy 09. Are You Lonely Tonight? 10. My Boy 11. Green Green Grass Of Home 12. Can't Help Falling In Love 13. Rock A Hula Baby 14. Return To Sender 15. Don't 16. (Marie's The Name) His Latest Flame 17. Good Luck Charm 18. Surrender 19. She's Not You 20. A Mess Of Blues 21. It's Now Or Never 22. Fever 23. Moody Blue 24. Way Down 25. My Way 26. If I Can Dream

pink floyd

pink floydMagnífica, insuperável, 'Pink Floyd', é banda inglesa de rock progressivo, uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos, além de uma das mais bem sucedidas. Famosa pelo seu estilo progressivo e pelos espetáculos ao vivo extremamente elaborados, o ‘Pink Floyd’ evoluiu de uma banda de rock formada em 1964 que fazia um folk-rock e que teve vários nomes: ‘Sigma 6’, ‘The Meggadeaths’, ‘The Abdabs’, ‘The Screaming Abdabs’, ‘The Architectural Abdabs’. Quando a banda se separou, os guitarristas Rado ‘Bob’ Klose e Roger Waters, o baterista Nick Mason e o instrumentista de sopro, Rick Wright formaram uma nova banda, chamada ‘Tea Set’. Depois de um pequeno período com o vocalista Chris Dennis, o guitarrista e vocalista Syd Barrett se juntou a banda, com Waters mudando para o baixo. Quando o ‘Tea Set’ descobriu que outra banda tinha esse mesmo nome, Barrett deu a idéia de um nome alternativo, ‘Pink Floyd Sound’, devido a sua admiração pela arte dos músicos de blues Pink Anderson e Floyd Council. Por um tempo a banda oscilou entre os dois nomes, até se decidirem pelo segundo. O ‘Sound’ foi deixado de lado rapidamente, mas o ‘The’ continuou sendo usado regularmente até 1968.

pink floyd - David Gilmour, Syd Barrett, Nick Mason, Roger Waters, Rick Wright (1968)Com a entrada de Syd Barret, que era compositor, pintor, artista performático e consumidor inveterado de drogas, o grupo tinha um modesto sucesso na segunda metade da década de 1960 produzindo rock psicodélico. Um ano depois de lançarem o seu primeiro álbum, a banda teria que se conformar com uma terrível baixa: a falta de condições mentais de Syd. A linha que limitava a genialidade e a loucura de Syd Barrett se tornava mais tênue a cada momento. Problemas mentais provenientes de uma infância conturbada se agravaram em virtude do uso excessivo de alucinógenos e Syd Barrett começou a apresentar um comportamento algumas vezes esquizofrênico e algumas vezes alienado. A situação se agravou até o ponto em que ele não conseguia mais tocar ou compor e no palco limitava-se a um único acorde e a olhar para um ponto perdido no espaço. O comportamento de Barrett forçou seus colegas de banda a afastá-lo e substituí-lo pelo guitarrista e cantor David Gilmour. Com a saída de cena de Barrett, o baixista e vocalista Roger Waters tornou-se o líder e com David Gilmour assumiu as composições, tornando a banda mais próxima do pop. Esta fase foi marcada pela produção de álbuns conceituais como ‘The Dark Side of the Moon’ (1973), ‘Wish You Were Here’ (1975), ‘Animals’ (1977) e ‘The Wall’ (1979). Mas após o álbum, ‘The Final Cut’ (1983). O grupo separou-se e em 1985, Waters declarou que o ‘Pink Floyd’ estava extinto, mas os demais membros, agora liderados por Gilmour, mais o tecladista Rick Wright e o baterista Nick Mason, após briga judicial, retomaram a banda com o nome oficial e seguiram gravando e se apresentando. Em 2005 e pela primeira vez em 24 anos, a formação mais clássica do ‘Pink Floyd’ voltou a tocar no concerto ‘Live 8’, em Londres. Em 2008, o tecladista Richard Wright morreu, pondo um fim no sonho de um possível retorno do ‘Pink Floyd’.

pink floyd - Waters, Mason, Wright e Gilmour

Waters, Mason, Wright e Gilmour
(formação clássica do Pink Floyd nos anos 1970)

Syd BarrettEra Syd Barrett (1964–1968)

Os primeiros lançamentos no Reino Unido da banda, durante a era do Syd Barrett, vinham creditados como ‘The Pink Floyd’. Rado ‘Bob’ Klose que era bastante influenciado pelo jazz, saiu depois de ter gravado somente uma demo, deixando uma formação diferente com Syd Barrett na guitarra e vocais principais, Roger Waters no baixo e vocais de apoio, Nick Mason na bateria e percussão, e Rick Wright revezando nos teclados e vocais de apoio. Barrett logo começou a escrever suas próprias composições, influenciado pelo rock psicodélico norte-americano e britânico, com extravagância e humor. O ‘Pink Floyd’ se tornou favorito no movimento underground. Lançado em 1967, o primeiro álbum da banda, ‘The Piper at the Gates of Dawn’, é atualmente considerado um ótimo exemplo da música psicodélica britânica e é visto como o melhor primeiro álbum por muitos críticos. As faixas, predominantemente escritas por Barrett, mostram letras poéticas e surreais, às vezes fazendo referência ao folclore. O álbum foi um hit no Reino Unido, mas não foi muito bem na América do Norte. O disco foi gravado simultaneamente ao aclamado ‘Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band’ dos Beatles, no estúdio da Abbey Road, e os integrantes das bandas frequentemente se encontravam no corredor e conversavam sobre influências musicais. Ambos os álbuns são citados como o início do rock progressivo.

Roger WatersEra Roger Waters (1976-1985)

Durante essa era, Roger Waters tomou cada vez mais controle do trabalho do ‘Pink Floyd’. Demitiu Rick Wright depois que o ‘The Wall’ foi terminado, argumentando que Wright não estava contribuindo muito, em parte por causa do vicio de cocaína. David Gilmour e Nick Mason foram contra a demissão. Nas músicas desse período, Waters explora os sentimentos sobre a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial, e sua crescente atitude de cinismo, contra figuras políticas como Margaret Thatcher. A música é orientada pela guitarra com teclados e saxofones. Uma orquestra completa faz um papel significante em ‘The Wall’ e especialmente ‘The Final Cut’.

‘Animals’, no entanto, é mais orientado pela guitarra do que os álbuns anteriores, e pela influência do movimento punk rock. Foi o primeiro a não ter uma composição feita por Wright. Contém canções longas ligadas por um tema, tirado do livro ‘Animal Farm’ de George Orwell, em que usou ‘Pigs’, ‘Sheeps’ e ‘Dogs’ como metáforas dos membros da sociedade contemporânea. Apesar da relevante guitarra, sintetizadores ainda fazem uma importante parte de ‘Animals’, mas é carente de saxofone e vocais femininos. Muitos críticos não receberam muito bem o álbum, considerando-o tedioso. O porco no entanto se tornou um dos mais memoráveis símbolos do ‘Pink Floyd’ e porcos infláveis são utilizados em concertos do desde então.

A ópera rock de 1979, ‘The Wall’, concebida por Roger Waters, lida com temas como solidão, falha de comunicação, que foram expressos pela metáfora de um muro construído entre um artista de rock e sua audiência. Um filme intitulado ‘Pink Floyd: The Wall’ foi lançado em 1982, incorporando toda a música do álbum. O filme, escrito por Waters e dirigido por Alan Parker. É considerado o maior video de rock do mundo, e certamente o mais depressivo. O álbum ‘The Final Cut’ de 1983 foi dedicado ao pai de Waters, Eric Fletcher Waters. Ainda mais sombrio em sonoridade que o ‘The Wall’, incluindo a raiva de Waters da participação da Inglaterra na Guerra das Malvinas, a culpa que ele colocou nos líderes políticos.

David GilmourEra David Gilmour (1987-1995)

No final de 1985, Waters anunciou que estava saindo do Pink Floyd e descreveu a banda como ‘uma força criativa desgastada’. Uma disputa legal foi inciada por Waters, reivindicando que o nome ‘Pink Floyd’ deveria ser colocado de lado, mas Gilmour e Mason seguraram sua convicção que eles tinham direitos legais para continuar com o nome. O processo acabou se acertando por um acordo fora dos tribunais. Sem Waters, que foi o letrista da banda por uma década, a banda recebeu ajuda de escritores de fora. Como o ‘Pink Floyd’ nunca havia feito isso antes e essa atitude recebeu muitas críticas. Por causa das poucas contribuições de Mason e Wright, alguns críticos dizem que ‘A Momentary Lapse of Reason’ deveria ser considerado como um trabalho solo de Gilmour, do mesmo jeito que ‘The Final Cut’ seria um trabalho solo de Waters. Um ano depois, a banda lançou o álbum ao vivo ‘Delicate Sound of Thunder’ (1988). Em 1995, a banda recebeu seu primeiro e único prêmio Grammy para Melhor Performance de Instrumental de Rock com ‘Marooned’.

‘The Piper at the Gates of Dawn’ (1967) foi o único álbum da banda que foi feito sob a liderança de Syd Barrett. O álbum tem letras caprichosas sobre espantalhos, gnomos, bicicletas e contos de fadas, juntamente com passagens instrumentais de rock psicodélico. O título é baseado no conto infantil ‘O vento nos salgueiros’, de Kenneth Grahame, onde o rato e a toupeira, enquanto procuram um animal perdido, têm uma experiência religiosa: ‘Este é o local do meu sonho, onde eu ouvi a música,’ segredou o rato, como se estivesse em transe. ‘Aqui é o meu local sagrado, se O pudermos encontrar nalgum lado, é aqui’. O flautista (piper) é identificado com o deus grego Pan.

Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn (1967)

The Piper at the Gates of Dawn (1967)

Tracklist
01. Astronomy Domine 02. Lucifer Sam 03. Matilda Mother 04. Flaming 05. Pow R. Toc H. 06. Take Up Thy Stethoscope And Walk 07. Interstellar Overdrive 08. The Gnome 09. Chapter 24 10. Scarecrow 11. Bike

Antes do novo disco de estúdio, a EMI resolveu lançar no mercado uma coletânea, contendo músicas dos tempos de Syd Barrett e coisas inéditas. ‘Relics’ (1971) é notável, pois pela primeira vez, um LP trazia os clássicos ‘See Emily Play’ e ‘Arnold Layne’, além de outras preciosidades, tais como ‘Paintbox’, ‘Julia Dream’, ‘Careful with That Axe, Eugene’ e a inédita ‘Biding My Time’. ‘Relics’ teve duas capas, a norte-americana (da esquerda) e a inglesa que é um desenho feito pelo baterista Nick Mason, nos anos em que estudou arquitetura na ‘Regent Street Polytechnic’.

pink floyd - relics (1971)

Relics (1971)

Tracklist
01. Arnold Layne (Syd Barrett) 02. Interstellar Overdrive (Syd Barrett/Roger Waters/Rick Wright/Nick Mason) 03. See Emily Play (Syd Barrett) 04. Remember a Day (Rick Wright) 05. Paintbox (Rick Wright) 06. Julia Dream (Roger Waters) 07. Careful with That Axe, Eugene (David Gilmour/Roger Waters/Rick Wright/Nick Mason) 08. Cirrus Minor (Roger Waters) 09. The Nile Song (Roger Waters) 10. Biding My Time (Roger Waters) 11. Bike (Syd Barrett)

‘Meddle é um dos meus discos favoritos. Para mim, é o começo de tudo o que o Pink Floyd faria’. Palavras ditas por David Gilmour, que, finalmente, parecia feliz com um álbum de estúdio de sua banda. Gravado aos pedaços em vários estúdios, o disco traz uma das músicas mais emblemáticas da banda, a belíssima ‘Echoes’. A banda começava a encontrar o que tanto buscava. ‘Meddle’ (1971) trazia uma capa diferente, um ouvido embaixo d'água, que foi usado como base para o desenho final, feito por Storm Thorgerson.

Pink Floyd - Meddle (1971)

Meddle (1971)

Tracklist
01. One of These Days 02. A Pillow of Winds 03. Fearless 04. San Tropez 05. Seamus 06. Echoes

‘Dark Side of the Moon’ (1973) é um álbum baseado em concepções de astronomia sobre a face oculta, ou escura da lua, o disco propôs analogias deste fenômeno com teorias psicanalíticas, onde temas mundanos como dinheiro, loucura, ética, vida, morte e outros são tratados de modo reflexivo. A capa do disco consiste em um prisma dispersivo usado para transformar um feixe de luz em vários espectros de cores, uma brincadeira alusiva ao ato de esclarecer aquilo que está obscuro. É considerado por muitos críticos e fãs como sendo a obra prima da banda. O álbum é uma ponte entre o blues rock clássico e a música electrônica. No entanto são os tons mais suaves e as nuances líricas e musicais que fazem com que este álbum seja uma obra à parte. ‘Dark Side of the Moon’ é o nono álbum mais vendido de todos os tempos no mundo inteiro. Foi considerado uma inovação em termos de engenharia e mixagem, contém alguns dos mais complicados usos dos instrumentos e efeitos sonoros existentes à época e até hoje é uma referência para os audiófilos que o usam para testar a fidelidade dos equipamentos de áudio.

Relação com o filme 'The Wizard of Oz' (O mágico de Oz)
Quando o álbum é tocado simultaneamente com o filme de 1939 ocorrem algumas correspondências entre o filme e o álbum.
- Quando Dorothy está na fazenda e ela olha para o alto, no audio surge barulho de avião.
- O som da caixa registradora no princípio de 'Money' aparece exatamente quando Dorothy pisa pela primeira vez a estrada dos tijolos amarelos; que é também o momento em que o filme passa de preto e branco para cores. Outra referência é a aparição da fada dourada;
- No momento em que a bruxa do Oeste aparece, é tocada a palavra 'black';
- A cena em que Dorothy encontra o espantalho (personagem que alegava não ter cérebro) é acompanhada pela música 'Brain Damage' (dano cerebral), e quando a letra da música começa a tocar: 'the lunatic is in my head...' (o lunático está na minha cabeça), o espantalho começa a dançar freneticamente como um lunático;
- O bater de coração no fim do álbum ocorre quando Dorothy tenta ouvir o coração do homem de lata;
- No momento em que a bruxa do oeste lança uma bola de fogo contra Dorothy e seus companheiros, a música grita 'run!' (corra);
- No momento que Dorothy encontra Oz, entra a música 'Us and Them', soando 'Us' como 'Oz' bem quando aparece a primeira imagem de Oz;
- Várias frases das letras contidas nas músicas coincidem com os mesmos atos sendo executados pelos atores no mesmo momento;
- A duração da maioria das músicas coincide precisamente com a duração das cenas no filme.

A banda insiste que isso são puras coincidências. Quando este fato começou a vir a público em 1997, iniciou-se um enorme interesse pelo fenômeno. Quer as correspondências sejam verdadeiras ou imaginadas, alguns fãs do álbum gostam de ver 'Dark side of the rainbow', como é chamada muitas vezes esta combinação.

Pink Floyd - Dark Side Of The Moon (1973)

Dark Side Of The Moon (1973)

Tracklist
01. Speak to Me 02. Breathe in the Air 03. On the Run 04. Time 05. The Great Gig in the Sky 06. Money 07. Us and Them 08. Any Coulour You Like 09. Brain Damage 10. Eclipse

‘Wish You Were Here’ (1975) fala sobre a ausência e em duas das suas faixas, ‘Welcome to the Machine’ e ‘Have a Cigar’ sobre os aspectos negativos da indústria musical. O álbum é melancólico. Diz-se que a faixa que dá título ao álbum ‘Wish You Were Here’ fala sobre o que eles pensavam ser o desmoronamento da banda, e é também um tributo a Syd Barrett. ‘Shine On You Crazy Diamond’ é uma peça dividida em nove partes e uma homenagem a ele. A qualidade musical do álbum é tão grande que alguns dos fãs da banda o consideram superior aos álbuns ‘The Dark Side of the Moon’ e ‘The Wall’.

Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)

Wish You Were Here (1975)

Tracklist
01. Shine on You Crazy Diamond, Pts. 1-5 02. Welcome to the Machine 03. Have a Cigar 04. Wish You Were Here 05. Shine on You Crazy Diamond, Pts. 6-9

‘Animals’ (1977) é o 12º álbum de estúdio. É um disco conceitual, isto é, todas as músicas abordam um mesmo assunto. O conteúdo é inspirado na obra ‘Animal Farm’ (A Revolução dos Bichos), do britânico George Orwell. O livro narra a história metafórica de uma fazenda em que os animais se libertam dos humanos para retratar as condições injustas da sociedade capitalista. Todas as músicas recebem nomes de animais. ‘Dogs’, por exemplo, fala dos capitalistas selvagens, e ‘Sheep’ refere-se ao povo oprimido. ‘Animals’ marca o início do monopólio de Roger Waters sobre a banda: das cinco canções, quatro são composições do músico.

Pink Floyd - Animals (1977)

Animals (1977)

Tracklist
01. Pigs on the Wing (part 1) 02. Dogs 03. Pigs (Three Different Ones) 04. Sheep 05. Pigs on the Wing (part 2)

A inspiração de Roger Waters para a criação do álbum ‘The Wall’ (1979) aconteceu em Montreal, Quebec, durante um concerto para a divulgação do álbum ‘Animals’ em 1977. Waters cuspiu no rosto de um fã que o estava perturbando. De imediato, repugnado com o seu ato , surgiu-lhe a ideia de construir um muro entre ele e o público, idéia essa desenvolvida mais tarde para a produção de ‘The Wall’. O conceito do álbum, tal como a maioria das músicas, pertence a Roger Waters. A história retrata a vida de um anti-herói, ‘Pink’ que é martelado e espancado pela sociedade desde os primeiros dias da sua vida: sufocado pela mãe, oprimido na escola, ele constrói um muro em sua consciência para isolá-lo da sociedade, e refugia-se num mundo de fantasia que criou para si. Durante uma alucinação provocada pela droga, Pink transforma-se num ditador fascista apenas para que a sua consciência rebelde o ponha em tribunal, onde seu juiz interior ordena-lhe que mande abaixo o seu próprio muro e se abra para o mundo exterior.

Pink Floyd - The Wall (1979)

The Wall (1979)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. When the Tigers Broke Free 02. In the Flesh? 03. The Thin Ice 04. Another Brick in the Wall (part 1) 05. The Happiest Days of Our Lives 06. Another Brick in the Wall (part 2) 07. Mother 08. Goodbye Blue Sky 09. Empty Spaces 10. What Shall We Do Now 11. Young Lust 12. One of My Turns 13. Don't Leave Me Now 14. Another Brick in the Wall (part 3) 15 .Goodbye Cruel World

Tracklist CD 2
01. Hey You 02. Is There Anybody Out There? 03. Nobody Home 04. Vera 05. Bring the Boys Back Home 06. Comfortably Numb 07. The Show Must Go On 08. In the Flesh 09. Run Like Hell 10. Waiting for the Worms 11. Stop 12. The Trial 13. Outside the Wall

'Echoes: The Best of Pink Floyd' é uma compilação da banda britânica que atingiu o ouro, platina e dupla platina em 2001 nos EUA, onde foi recentemente listado como tripla platina (3 milhões de cópias vendidas). 'Echoes inclui boa parte do trabalho da banda, desde 'Arnold Layne', de 1967, até 'The Division Bell', de 1994. Possui músicas de todos os álbuns, exceto do 'Atom Heart Mother', 'Ummagumma', 'Obscured by Clouds' e do 'Music from the Film More'. Considerando que os dois últimos são trilhas sonoras, nota-se certo descontentamento da banda quanto ao conteúdo dos outros dois discos, apesar de o produtor James Guthrie ter cogitado a inclusão de 'If' e 'Fat Old Sun', do 'Atom Heart Mother', e de 'Grantchester Meadows' do 'Ummagumma'. As músicas do álbum são seqüências umas das outras (não há espaço entre uma música e outra) e todas foram remasterizadas para a compilação. A capa traz diversas referências a outros álbuns da banda.

pink floyd - echoes (2001)

Echoes (2001)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Astronomy Domine 02. See Emily Play 03. The Happiest Day of Our Lives 04. Another Brick in the Wall (Parte 2) 05. Echoes 06. Hey You 07. Marooned 08. The Great Gig in the Sky 09. Set the Controls for the Heart of the Sun 10. Money 11. Keep Talking 12. Sheep 13. Sorrow

Tracklist CD 2
01. Shine On You Crazy Diamond (Partes 1-7) 02. Time 03. The Fletcher Memorial Home 04. Comfortably Numb 05. When the Tigers Broke Free 06. One of These Days 07. Us and Them 08. Learning to Fly 09. Arnold Layne 10. Wish You Were Here 11. Jugband Blues 12. High Hopes 13. Bike

pink floyd - us and them
(com cenas do filme '2001:Space Odyssey' de Kubrick)



ABC of the blues 05: big bill broonzy, scrapper blackwell & blind blake

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big bill broonzyBig Bill Broonzy (1898 - 1958) foi cantor, compositor e guitarrista. Nascido William Lee Conley Broonzy na pequena cidade de Scott, Mississippi, do outro lado do rio Arkansas, em uma família de meeiros itinerantes e descendentes de ex-escravos aprendeu a tocar violino em uma caixa de charutos de seu tio, e quando adolescente tocou em igrejas locais, em bailes da comunidade, e em uma banda de cordas. Durante a I Guerra Mundial, Broonzy se alistou no Exército dos EUA, e em 1920 ele se mudou para Chicago onde trabalhou nas fábricas. Em 1924 ele conheceu Papa Charlie Jackson, um nativo de New Orleans e bluesman pioneiro a gravar para a Paramount. Jackson tomou Broonzy sob suas asas, e lhe ensinou tocar violão, e usou-o como acompanhante. Em 1926, Broonzy foi rejeitado pela gravadora, mas retornou no ano seguinte e conseguiu seu primeiro disco, ‘House Rent Stomp’. Como o disco saiu com o apelido ilegível de Big Bill Broomsley, ele decidiu encurtar o seu nome para Big Bill, até depois da Segunda Guerra Mundial. Outros nomes utilizados para Big Bill em seus primeiros lançamentos foram Big Bill Johnson, Sammy Sampson e Slim Hunter. Em 1930, quando ‘The Hokum Boys’ se separou, ‘Georgia’ Tom Dorsey decidiu trazer Big Bill e o guitarrista Frank Brasswell para substituir Tampa Red. Através de Geórgia Tom e Tampa Red, Big Bill conheceu Memphis Minnie e excursionou como seu segundo guitarrista no início dos anos 30, mas não gravou com ela. Quando retomou as gravações em 1934 foi para o estúdio da recém-criada gravadora de Chicago, ‘Bluebird’, sob a direção de Lester Melrose. Com Lester, Big Bill fez exatamente o que Willie Dixon fazia na ‘Chess Records’ nos anos 50. Big Bill tocou em centenas de registros para 'Bluebird' no final dos anos 30 e nos anos 40, incluindo as feitas para Memphis Slim e Sonny Boy Williamson. Quando o blues elétrico começou a aparecer, Big Bill Broonzy decidiu, por algum tempo, ficar fora da música, e conseguiu um emprego como zelador na 'Iowa State University of Science & Technology' em Ames. Em 1951 foi procurado pelo DJ e escritor Studs Terkel e apareceu na série de concertos ‘I Come for to Sing’, chamando a atenção da imprensa, e no mesmo ano, ele estava em Paris para gravar na ‘French Vogue’. Nesta ocasião Broonzy foi finalmente capaz de gravar ‘Black, Brown and White’, uma canção sobre as relações raciais que há anos as gravadoras tinham rejeitado. Na Europa, Broonzy era incrivelmente popular, mais do que em qualquer momento nos Estados Unidos. E dois documentários foram feitos sobre sua vida, um na França e outro na Bélgica, até que finalmente despediu-se da música em 1957 quando soube que tinha câncer na garganta. Bill Broonzy Big morreu aos 65 anos, e deixou um legado gravado que, em tamanho e profundidade, é superior ao de qualquer artista de blues nascido no ano de 1900.

scrapper blackwellScrapper Blackwell (1903 - 1962) foi guitarrista e cantor, e é mais conhecido por seu trabalho com o pianista Leroy Carr durante os anos 30. Scrapper foi um guitarrista excepcional do estilo ‘piedmont’, um dos mais importantes dos anos 20 e 30, com uma técnica que antecipou o tipo de blues que surgiria em Chicago, o blues elétrico nos anos 40 e 50, nas pessoas de Robert Nighthawk e Muddy Waters. Francis Hillman ‘Scrapper’ Blackwell era de descendência Cherokee, nascido em Siracusa, na Carolina do Norte. Seu pai tocava violino, e Blackwell foi um guitarrista autodidata, tendo construído o seu próprio instrumento com caixas de charutos. Ele também tocou piano profissionalmente. Quando adolescente já trabalhava como músico em tempo parcial, e viajou tão longe quanto para Chicago. Pela maioria dos relatos, Blackwell tinha uma personalidade forte, e de difícil trato, embora ele tivesse um relacionamento excepcionalmente bom com o pianista Leroy Carr, que ele conheceu em Indianápolis, em meados dos anos 20. Carr e Blackwell viajaram por todo o Centro-Oeste e partes do Sul, e eram notavelmente bem sucedidos. Com Blackwell, Leroy Carr tornou-se uma das estrelas do blues no início dos anos 30, e os dois gravaram mais de 100 discos juntos entre 1928 e 1935. Blackwell também gravou sem Carr, tanto como guitarrista solo e também, ocasionalmente, com outros parceiros e bandas de blues. Quando Leroy morreu, Blackwell abandonou a música por mais de 20 anos, mas com o renascimento do blues, ressurgiu no final dos anos 50. ‘Redescoberto’ vivendo em Indianapolis retomou sua carreira novamente e certamente teria sido um excelente candidato para o estrelato diante do público jovem branco de estudantes universitários e entusiastas populares que abraçaram o blues se sua vida não tivesse sido tirada em uma aparente tentativa de assalto. O crime nunca foi resolvido. leia +... (Scrapper Blackwell & Leroy Carr)

blind blakeBlind Blake (1896 – 1934) é uma figura de enorme importância na música norte-americana. Ele não só foi um dos maiores guitarristas de blues de todos os tempos, como parece ter sido o principal precursor do ‘fingerstyle’, técnica que consiste em ‘puxar’ as cordas com as pontas dos dedos ou unha. Blake dominou esta forma como poucos, e os guitarristas que aprenderam este estilo foram incapazes de se igualarem a ele. Blind Blake foi o guitarrista de blues que mais gravou para a ‘Paramount’ em seu próprio nome e em acompanhamentos para vários outros artistas como Ma Rainey e Ida Cox. Depois de mais de cinco décadas de buscas sobre Blake, realizadas por peritos e críticos, praticamente tudo o que é ‘conhecido’ sobre ele é uma combinação de conjecturas, boatos, difamações e absurdos. Especulou-se que o seu nome verdadeiro era Arthur Phelps, informação facilmente negada por ele mesmo em 1929 afirmando que o seu nome era Arthur Blake. No entanto, é de conhecimento que sua família era da região de Jacksonville, Florida, e que provavelmente tenha nascido aí e crescido na Geórgia. Sua data de nascimento é considerada entre 1895-1897. Foi visto pela primeira vez em Chicago em meados de 1920 e a única foto existente dele foi tirada em sua primeira sessão de gravação na Paramount em 1926. Em entrevistas com alguns dos músicos familiarizados com Blake revelaram que ele tinha um apetite aparentemente inesgotável para o licor. E não existe qualquer relato confiável do que aconteceu com ele depois de sua última sessão na Paramount em 1932. A história de que tinha sido assassinado em Chicago pouco depois dessa última gravação não se sustentou após uma intensa busca nos arquivos da polícia local. A teoria mais razoável sobre o que poderia ter acontecido depois de 1932 é de que ele voltara para Jacksonville e viveu mais alguns anos, sendo sugerido o ano de 1937 como uma possível data de sua morte. Muitas das gravações feitas por Blind Blake são consideradas clássicos do blues antigo.


Tracklist
01. Big Bill Broonzy - Mississippi River Blues
02. Big Bill Broonzy - Long Tall Mama
03. Big Bill Broonzy - Worrying You Off My Mind (Part 1)
04. Big Bill Broonzy - Rising Sun Shine On
05. Big Bill Broonzy - Come Home Early
06. Big Bill Broonzy - Good Jelly
07. Big Bill Broonzy - Bull Cow Blues
08. Big Bill Broonzy - I Can't Make You Satisfied
09. Big Bill Broonzy - How You Want It Done
10. Big Bill Broonzy - Hattie Blues
11. Scrapper Blackwell - Kokomo Blues
12. Blind Blake - Come On Boys, Let's Do That Messin' Around
13. Blind Blake - Hard Pushin' Papa
14. Blind Blake - Skeedle Loo Doo Blues
15. Blind Blake - Georgia Bound
16. Blind Blake - Too Tight Blues, No. 2
17. Blind Blake - Diddie Wah Diddie
18. Blind Blake - Southern Rag
19. Blind Blake - C.C. Pill Blues
20. Blind Blake - Rope Stretching Blues, Pt. 1



ABC of the blues volume 05

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earl 'fatha' hines

Earl ‘Fatha’ Hines (1903 - 1983), nascido Earl Kenneth Hines em Pittsburgh, Pensilvânia, foi compositor, líder de bandas e um dos mais importantes pianistas da história do jazz. O seu pai era cornetista, e chefe da banda ‘Pittsburgh's Eureka Brass Band’; sua mãe faleceu quando ele tinha três anos e então foi criado pela sua madrasta, que era organista numa igreja. Sua irmã Nancy e seu irmão Boots também tocavam órgão e piano, respectivamente. Inicialmente, Hines tentou seguir a carreira do pai, tocando trompete mas logo cedo o trocou pelo piano, que aprendeu a tocar com sua mãe. Teve aulas de piano, onde aprendeu os clássicos, mas sua paixão eram as músicas populares que ele ouvia nos teatros. Com quinze anos, Hines teve a sua primeira banda, um trio que incluía um violinista e um baterista. Para tocar várias vezes até tarde nos clubes noturnos, Hines deixou de estudar. Em 1922, saiu de casa para tocar com 'Lois Deppe & His Serenaders', em clube noturno. Recebia 15 dólares por semana, e duas refeições por dia. As primeiras gravações de Hines foram com esta banda, em 1923. Das quatro composições que gravou, uma era de sua autoria, ‘Congaine’, ao estilo do 'foxtrot'.

Em 1924, mudou-se para Chicago, época em que era a capital do jazz, onde tocavam Jelly Roll Morton, King Oliver e Benny Goodman. Em Chicago conheceu Louis Armstrong e, juntamente com Zutty Singleton, tocaram no ‘Sunset Café’. Em 1927, esta torna-se a banda de Louis Armstrong, e Hines o seu diretor. Armstrong apercebe-se do estilo 'avant garde' de Hine ao tocar piano como um trompete, recorrendo ao uso de oitavas para que o seu piano pudesse ser mais facilmente ouvido. Nesse mesmo ano, Armstrong renovou contrato com a gravadora, e susbtituiu no piano, a sua esposa Lil Hardin Armstrong por Hines. Em 1928, gravaram ‘Weatherbird’, o que alguns críticos consideram como um dos melhores trabalhos de jazz, um dueto de trompete e piano. A partir desse ano, Hines gravou algumas das suas principais obras. No seu 25º aniversário, Hines lidera a sua própria banda. Foi no clube de Al Capone, o ‘Grand Terrace Ballroom’, que estreou como líder de banda e, durante onze anos, a sua banda foi a principal do clube de Capone. No período que trabalhou no 'Grand Terrace', a sua banda foi a mais ouvida na rádio. E por ela passaram Nat King Cole, que o substituía no piano, Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan e Charlie Parker, que seria despedido por chegar, habitualmente, atrasado ao trabalho. Earl Hines liderou a sua banda até 1947, e depois passou temporariamente a liderar a banda de Duke Ellington, enquanto este se encontrava doente. O tempo das grandes bandas e orquestras encontrava-se no fim.

O pós-guerra trouxe tempos difíceis e, em 1948, Earl Hines foi obrigado a terminar a sua banda. Entre 1949 e 1951, Hines e Armstrong se unem novamente na banda deste último, a ‘All Stars’. No entanto, Hines ocupava um lugar secundário, não se mostrando satisfeito. De volta à liderança, desta vez, de pequenos grupos, faz vários concertos pelos EUA e pela Europa. No início dos anos 60, Hines era um músico esquecido. No entanto, em 1964, graças ao seu amigo Stanley Dance, escritor de jazz, Hines é ‘redescoberto’ em New York. Em 1966, ficou em primeiro lugar no ‘Hall of Fame’, da revista ‘Down Beat’, que também o elegeu como o melhor pianista de jazz, em 1966, sendo eleito mais cinco vezes. No mesmo ano, Earl Hines juntou-se ao departamento do Estado dedicado ao jazz, e viajou até à Uniáo Soviética, como Embaixador da Boa-Vontade. Earl Hines morreu em Oakland, uma semana depois do seu último concerto em São Francisco aos 77 anos.



lester young

Lester Young (1909-1959) foi um homem tímido, sensível e de poucas palavras e começou sua carreira musical tocando na banda mambembe de sua família, liderada por seu pai Willis Young. Tocava violino, trompete e percussão, passando finalmente para o sax tenor aos 13 anos de idade. Nascido no Mississipi e criado em Nova Orleans, Young e sua família excursionavam pelo sul dos Estados Unidos, tendo de fugir muitas vezes da KKK. Cansado das surras do pai e dos freqüentes embates com grupos racistas, Young abandonou a familia para tocar o sax tenor. Mudou-se para Kansas City, a cidade do momento, e em 1932 juntou-se aos ‘Original Blue Devils’. Tocou na banda de Count Basie, substituindo Coleman Hawkins, e cerca de um ano mais tarde, após a dissolução dos ‘Blue Devils’, entrou definitivamente para a banda, participando de sua primeira formação. Lester Young era excêntrico em todos os aspectos, na maneira de tocar, falar, vestir e andar. Tocava o sax inclinado, quase na horizontal, e pendia a cabeça de modo a ajustar a embocadura. Usava um chapéu de feltro achatado e tinha um vocabulário todo próprio. Uma de suas melhores amigas, por toda vida, foi Billie Holliday, a quem deu o apelido de ‘Lady Day’, sendo chamado por ela ‘The President’. Com o tempo o apelido encurtou e Young era chamado pelos amigos de ‘Pres’. Dessa amizade saiu um dos mais felizes casamentos musicais do jazz: o som de seu sax era o acompanhamento perfeito para a voz de Billie Holliday. Em 1944, foi recrutado pelo exército, onde foi levado à corte marcial e encarcerado por alguns meses por uso de maconha. Quando saiu do exército estava mudado. Voltou a tocar em 1946 e excursionar com o conjunto ‘Jazz at the Philharmonic’. No começo dos anos 50, seu problema com o álcool se agravou, influenciando sua música, por vezes inconsistente, por vezes extremamente sentimental e profunda. Lester Young foi hospitalizado várias vezes por sua dependência antes de morrer em um hotel em Nova York aos 50 anos de idade. leia +...



teddy wilson

Teddy Wilson (1912 - 1986) foi um pianista, descrito como ‘o definitivo pianista de swing’. O estilo sofisticado e elegante de Wilson aparece nos registros de muitos dos maiores nomes do jazz incluindo Louis Armstrong, Lena Horne, Benny Goodman, Billie Holiday e Ella Fitzgerald. Com Goodman, ficou conhecido como o primeiro negro a tocar publicamente em um grupo racialmente integrado. Além de sua extensa obra como sideman, Wilson também tinha seus próprios grupos e fez parte de sessões de gravação dos anos 20 aos anos 80. Theodore Shaw Wilson nasceu em Austin, Texas, e estudou piano e violino no Alabama. Depois de fazer parte da banda de Lawrence ‘Speed’ Webb com Louis Armstrong, e também da ‘Hines's Grand Terrace Cafe Orchestra’ de Earl Hines, Wilson entrou para a ‘Chocolate Dandies’ de Benny Carter em 1933. Em 1935, juntou-se a Benny Goodman formando o trio que consistia de Goodman, Wilson e o baterista Gene Krupa, que depois se expandiu para o ‘Benny Goodman Quartet’, com a adição de Lionel Hampton. O trio se apresentava durante os intervalos da big band. O produtor e crítico de jazz John Hammond foi fundamental na obtenção de um contrato de Teddy Wilson com a Brunswick, a partir de 1935, para gravar canções populares da época, tendo em mente o comércio crescente de jukebox. Teddy Wilson gravou cinqüenta discos de sucesso com vários cantores, incluindo muitos dos maiores sucessos de Billie Holiday. Durante esses anos, ele também participou de muitas sessões com um vasto leque de importantes músicos como Lester Young, Roy Eldridge, Charlie Shavers, Red Norvo, Buck Clayton e Ben Webster. Wilson formou a sua própria big band em 1939, e liderou um sexteto no clube ‘Café Society’ de New York. E foi apelidado de ‘Marxist Mozart’ devido ao seu apoio a causas de esquerda; ele tocou em concertos beneficentes para o ‘The New Masses’, uma proeminente publicação marxista norte-americana; fez parte do grupo comunista ‘Russian War Relief’; e presidiu um comitê de artistas para eleger Benjamin J. Davis, um advogado afro-americano comunista, que foi eleito em 1943, para o conselho da cidade de New York, representando o Harlem, que em 1951 foi condenado por violar a Lei Smith e condenado a cinco anos de prisão. Na década de 50, Teddy Wilson lecionou na Juilliard School. E viveu tranquilamente no subúrbio de Hillsdale, Nova Jersey, onde morreu com 73 anos.



benny carter

Benny Carter (1907 - 2003) foi compositor, tocou saxofone alto, clarinete, trompete, e liderou diversas bandas. Foi uma das figuras principais do mundo do jazz desde os anos 30 até os anos 90. Nascido Bennett Lester Carter a sua juventude foi passada no Harlem, ao lado de Bubber Miley, o trompetista principal de Duke Ellington. Carter foi influenciado por Miley, o que o levou a adquir um trompete, mas logo percebeu que nunca iría tocar como Miley; assim, trocou este instrumento por um saxofone. Carter começou a tocar profissionalmente aos quinze anos. A sua primeira gravação data de 1928 e, no ano seguinte, forma a sua primeira banda. Tocou com Fletcher Henderson em 1930 e 1931, e tornou-se o seu principal arranjador. Passou temporariamente, pelo grupo ‘McKinney's Cotton Pickers’, até voltar a liderar a sua própria banda, em 1932. As poucas gravações entre 1933 e 1934, são consideradas, pelos profissionais do jazz, como marcos nos primórdios do swing. Sofisticadas, e de arranjos complexos, algumas delas tornaram-se standards, por diversas vezes interpretadas por outras bandas, ‘Blue Lou’ é um exemplo. Benny Carter foi também arranjador de Duke Ellington durante estes anos.

No início dos anos 30, Carter e Johnny Hodges, eram considerados os melhores saxofonistas. Carter tornou-se, também, um dos principais trompetistas solo, nesta década, gravando várias composições. Em 1933, fez parte de várias sessões em que participou a banda britânica liderada por Spike Hughes, vindo de New York, especificamente para organizar uma série de gravações, em que também participaram alguns dos melhores músicos negros da época. Dois anos depois, em 1935, Carter viajou para a Europa, onde se tornou o organizador da orquestra de dança da BBC, e onde fez várias gravações. Em 1938 regressou aos EUA e liderou uma big band, e um sexteto, antes de se mudar para Los Angeles, em 1943, para compor para filmes. Sendo um dos primeiros negros a escrever músicas para filmes. Foi mentor, e serviu de inspiração, nos anos 60, a Quincy Jones, quando este começou a compor para televisão e filmes. Miles Davis fez algumas das suas primeiras gravações com Benny Carter, considerando-o um mentor e amigo pessoal. Benny Carter recebeu vários doutoramentos honorários de várias universidades. Em 1987, recebeu o 'Grammy Lifetime Achievement Award', por ter sido reconhecido o seu trabalho em prol da música. Benny Carter morreu de complicações respiratórias com 95 anos.



the ultimate jazz archive 20



20-1: Earl ‘Fatha’ Hines (1934-1942)

Tracklist
01. Angry 02. Grand terrace shuffle 03. Piano man 04. G.T. stomp 05. Father steps in 06. Rosetta 07. Boogie woogie on St. Louis Blues 08. Deep forest 09. Number 19 10. Body and soul 11. Child of a disordered brain 12. Tantalizing a Cuban 13. Blues in thirds 14. Up jumped the devil 15. On the sunny side of the street 16. My melancholy baby 17. Windy City Jive 18. The Earl 19. Second balcony jump


20-2: Lester Young (1936-1944)

Tracklist
01. Shoe Shine Boy 02. I Want A Little Girl 03. Countless Blues 04. China Boy 05. Exactly Like You 06. On The Sunny Side Of The Street 07. Upright Organ Blues 08. Who? 09. Jazz Me Blues 10. Dickie's Heaven 11. Lester Leaps In 12. What's Your Number 13. Five O'Clock Whistle 14. Broadway 15. Afternoon On A Basie-Ite 16. Sometimes I'm Happy 17. Just You, Just Me 18. I Never Knew 19. Lester Leaps In 20. I Got Rhythm


20-3: Teddy Wilson (1934-1946)

Tracklist
01. Somebody Loves Me 02. I'm Painting The Town Red 03. All My Life 04. Why Do I Lie To Myself About You? 05. The Way You Look Tonight 06. Sailin' 07. I've Found A New Baby 08. Just A Mode 09. If Dreams Come True 10. I Got Rhythm 11. Jumpin' For Joy 12. Wham (Re-Bop-Boom-Bam) 13. Liza 14. 71 15. China Boy (1941) 16. Indiana 17. I Want To Be Happy 18. Rose Room 19. Just Like A Butterfly


20-4: Benny Carter (1936-1937)

Tracklist
01. Black Bottom 02. Night Fall 03. Swinging The Blues 04. Gloaming 05. Carry Me Back To Old Virginni 06. I've Got Two Lips 07. When Day Is Done 08. Jingle Bells 09. Gin And Jive 10. New Street Swing 11. There'll Be Some Changes Made 12. Nagasaki 13. There's A Small Hotel Rodgers 14. I Gotta Go 15. Bugle Call Rag 16. I'm In The Mood For Swin 17. Swingin' At Maida Vale



interstate blues

interstate bluesSão poucas as informações sobre a banda. Sabe-se que foi formada em Glendale, Califórnia, em 1994, pelo guitarrista e vocalista Jamie Purpora, pelo baterista Jeremy Crowther e pelo baixista Roger Brown com a simples idéia de refazer a trajetória do rock’n’roll, desde as suas raízes no blues até o hard rock, caminho que, segundo seus componentes, foi desvirtuado pelas bandas contemporâneas. Pouco tempo depois, o tecladista Erick Sabo se juntou à banda. Jamie Purpora é membro da ‘Willie Dixon Foundation Blues Heaven’ juntamente com os membros honorários, Eric Clapton, Robert Cray e John Lee Hooker, e participa anualmente do Festival de Blues de Chicago. Com oito álbuns lançados compostos por clássicos de Willie Dixon e Buddy Guy e canções próprias, ‘Interstate Blues’ até 2004 se apresentou em centenas de shows na região de Los Angeles e também em festivais de blues tocando com Koko Taylor e muitos outros. ‘Velvet’, o terceiro álbum combina uma variedade de estilos musicais que criou a marca própria da banda para o blues. O álbum tem uma vasta gama de influências e mostra o quão versátil pode ser o blues. A banda parou com as apresentações em festivais apenas para se concentrar no lançamento do álbum ‘El Diablo’, um completo retorno ao hard rock. Também é um álbum conceitual, para todos aqueles que caíram de amores pela pessoa errada. ‘Redux’ é uma compilação com nove músicas retiradas dos primeiros CDs e mais o clássico de Jimi Hendrix, ‘Voodoo Child (Slight Return)’. ‘Interstate Blues’ tem recebido elogios de nomes como Buddy Guy e Doyle Bramhall, e constantemente recebe indicações por revistas especializadas como a melhor banda de blues de Los Angeles. ‘Interstate Blues’ traz de volta os sons clássicos da guitarra ‘Fender’ e o ‘Hammond B-3’ com Erik Sabo para apresentar a sua versão do blues.

Jamie Purpora, Alex Dixon & Chuck Berry

Chicago Blues Festival: Jamie Purpora, Alex Dixon & Chuck Berry

interstate blues - el diablo


interstate blues - let it go (1996)    interstate blues - interstate blues (1997)

Let It Go (1996)    |    Interstate Blues (1997)

Tracklist: Let It Go
01. Movin' 02. Disguise 03. Let It Go 04. Don't Wanna Fight It 05. Damn Right I Got the Blues 06. You And Only You 07. Miss Me When I'm Gone 08. Love in the Makin' 09. Too Sorry 10. Lovin' You Too Long 11. Snakebite

Tracklist: Interstate Blues
01. Spinning In My Mind 02. I Got My Eyes On You 03. Let Me Fall In Love 04. Keep On Runnin' 05. Rattle Yer Cage 06. Hang On 07. Big Cat 08. Going Down 09. Weak Brain, Narrow Mind 10. The Lost Dream; A Blues Story 11. (I) The Lost Dream 12. (II) A Love Is Gone 13. (III) Razor's Fate 14. (IV) One More Day

interstate blues - velvet (1998)    interstate blues - white lightning (2003)

Velvet (1998)    |    White Lightning (2003)

Tracklist: Velvet
01. Velvet 02. Don't Know 03. Bossa Nova Blues 04. Feel This Way 05. Wounds 06. Stranded 07. Thinking Of you 08. Long time comin' 09. I B Leavin'

Tracklist: White Lightning
01. White Lightning (SS Camaro) 02. Got a Fever 03. Do You Love Me 04. Set Me Free 05. In My Head 06. Leave the Rest Behind 07. Tail Dragger 08. Brown Skinned Woman

interstate blues - el diablo (2005)    interstate blues - redux (2009)

El Diablo (2005)     |    Redux (2009)

Tracklist: El Diablo
01. Too Far Gone 02. Deny 03. Soul Vampire 04. El Diablo 05. Succubus 06. Clown 07. I Can Hear the Words Now 08. Goodbye Old Friend

Tracklist: Redux
01. Got a Fever 02. Velvet 03. Southern Lips 04. Set Me Free 05. Movin' 06. Razor's Fate 07. Rattle Yer Cage 08. Let It Go 09. Voodoo Child (Slight Return) 10. Wounds

interstate blues - southern lips (2000)    interstate blues - redemption (2007)

Southern Lips (2000)    |    Redemption (2007)

Tracklist: Southern Lips
01. The Getaway 02. Elvis has Left the Building 03. Wishin' Well 04. Nobody Wanna Live 05. Southern Lips 06. Mystery 07. High Life 08. Lazy 09. Straight Down 10. Lifestorm

Tracklist: Redemption
01. Twilight 02. Fate 03. Hear 04. I Know 05. Nineteen Eight Nine 06. Underground 07. Who We Are 08. Redemption

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