american folk blues festival

‘American Folk Blues Festival' (AFBF) foi um evento anual e contou com a nata dos músicos do blues americano. Seu caminho em toda a Europa Ocidental, principalmente na Alemanha, a cada outono de 1962 a 1966 teve como objetivo a introdução dos europeus ao blues. Os intérpretes são bem conhecidos e a maioria deles já se foi, mas ainda estão na memória de todos aqueles que amam o blues. O jornalista alemão de música, autor de livro e produtor especializado em jazz Joachim-Ernst Berendt foi quem teve a idéia de trazê-los para a Europa, afinal eram eles a grande influência para o rock and roll que estava ganhando terreno e do jazz que se tornou muito popular na Europa. E foram os promotores de concertos na Alemanha, Horst Lippmann e Fritz Rau, que trouxeram a idéia para a realidade através de um pacote turístico, e contaram com a ajuda de Willie Dixon, que atuou como caçador de talentos e como agente, contratando artistas de Chicago para o passeio.

joachim ernst berendt and eric dolphy 1961    fritz rau and horst lippmann

Joachim Ernst Berendt e o saxofonita Eric Dolphy | Fritz Rau e Horst Lippmann

E assim o passeio tornou-se um evento anual. E estes desempenhos, sobretudo os concertos no Reino Unido, ajudaram a criar um novo público e entusiastas para o blues, pois tiveram um profundo impacto sobre aqueles que estavam presentes. Futuras estrelas como Mick Jagger, Keith Richards, Jimmy Page, Eric Burdon, Eric Clapton e Steve Winwood, que estavam na platéia e foram diretamente influenciados pelo que viram, sendo os principais impulsionadores da explosão do blues que conduziria à invasão britânica. A ascensão do blues com bandas como os ‘The Rolling Stones’, ‘Yardbirds’ e ‘The Animals’ podem ser diretamente atribuído à AFBF. O primeiro festival foi realizado em 1962, e eles continuaram quase anualmente até 1972, após um hiato de oito anos, reavivando o festival em 1980 até a sua última apresentação em 1985. Lippmann e Rau também foram capazes de apresentar estes músicos talentosos na televisão alemã. Foram gravados filmes ao vivo em um pequeno estúdio de TV na Alemanha, e estas performances históricas e inéditas ficaram perdidas por quase 40 anos.

american folk blues festival the british tour

The British Tour
Howlin' Wolf, Willie Dixon, Sleepy John Estes, Sonny Boy Williamson II, Sunnyland Slim,
Sugar Pie DeSanto, Lightnin' Hopkins e Hubert Sumlin

Os anos 1950 foram uma época difícil para os bluesmen de Chicago, com o blues ganhando popularidade em outras partes dos Estados Unidos. Em 1959, Willie Dixon juntou-se ao velho amigo, o pianista Memphis Slim, para se apresentar no Festival Folk de Newport em Newport, Rhode Island. E continuaram a tocar juntos em cafés e clubes populares em todo o país e acabaram se tornando protagonistas no avivamento do blues entre os jovens de platéias brancas e alcançaram o auge na década de 60. Dixon começou a internacionalizar o blues quando foi para a Inglaterra com Memphis Slim em 1960. E fizeram parte do primeiro American Folk Blues Festival que excursionou pela Europa em 1962 que também incluiu T-Bone Walker, John Lee Hooker, Sonny Terry e Brownie McGhee e outros.

O American Folk Blues Festival aconteceu de 1962 a 1971 e ajudou o blues a alcançar uma audiência de jovens europeus. E os músicos de blues logo descobriram que podiam ganhar mais dinheiro tocando na Europa do que em Chicago. Eles tocaram em salas de concerto e foram tratados como realeza. Dixon tocou na turnê por três anos, e tornou-se então o contato em Chicago para Lippmann e Rau na contratação de músicos de blues para a turnê. O maior impacto da turnê foi na Inglaterra, em Londres, onde atuaram no ‘Crawdaddy Club’, de Giorgio Gomelsky, em Richmond, região sudoeste de Londres. Naquela época, Gomelsky conseguiu que os ‘Rolling Stones’ e ‘The Yardbirds’, passassem a gravar nos estúdios da Chess Records em Chicago depois na década de 60. Willie Dixon influenciou os jovens músicos britânicos com composições originais, e como resultado, sua reputação como compositor cresceu entre a nova geração de músicos do rock.


sugar pie desanto - baby what you want me to do



american folk blues festival 62' 65'



American Folk Flues Festival 62'
American Folk Flues Festival 63' parte 1
American Folk Flues Festival 63' parte 2
American Folk Flues Festival 64'
American Folk Flues Festival 65'


Tracklist: AFBF 62'
01. Memphis Slim - We’re Gonna Rock
02. T-Bone Walker - I Wanna See My Baby
03. T-Bone Walker - I’m In Love
04. Sonny Terry - I’m Crazy ‘Bout You Baby
05. Memphis Slim & Willie Dixon - Stewball
06. John Lee Hooker - Let’s Make It Baby
07. John Lee Hooker - Shake It Baby
08. John Lee Hooker - The Right Time
09. Shakey Jake Harris - Hey Baby
10. Shakey Jake Harris - Love My Baby
11. Brownie McGhee - Crying At The Station
12. Memphis Slim & Willie Dixon - Bye Bye Baby

Tracklist: AFBF 63' Parte 1
01. Memphis Slim - Blues Is Everywhere
02. Memphis Slim - John Henry
03. Memphis Slim - Wish Me Well
04. Memphis Slim - Memphis Boogie
05. Muddy Waters - My Captain
06. Muddy Waters - Catfish Blues
07. Muddy Waters - Blow Wind Blow
08. Muddy Waters - My Home Is in the Delta
09. Muddy Waters - Five Long Years
10. Sonny Boy Williamson - That's All I Want Baby
11. Sonny Boy Williamson - Don't Misuse Me
12. Sonny Boy Williamson - I Don't Know
13. Sonny Boy Williamson - I'm Gettin' Tired
14. Otis Spann - Goin' Down Slow
15. Sonny Boy Williamson - Sonny Boy's Harmonica Blues

Tracklist: AFBF 63' Parte 2
01. Otis Spann - Goin' Down Slow [Alternate Take]
02. Willie Dixon - Sittin' and Cryin' the Blues
03. Willie Dixon - Crazy for My Baby
04. Victoria Spivey - Grant Spivey
05. Victoria Spivey - T.B. Blues
06. Big Joe Williams - Big Roll Blues
07. Big Joe Williams - Back in the Bottom Blues
08. Big Joe Williams - I Have No Friends
09. Big Joe Williams - Baby Please Don't Cry
10. Lonnie Johnson - Careless Love
11. Lonnie Johnson - C.C. Rider
12. Lonnie Johnson - It's Too Late to Cry
13. Matt "Guitar" Murphy - Matt's Guitar Boogie
14. Memphis Slim - Bye Bye Blues

Tracklist: AFBF 64'
01. Sonny Boy Williamson - I'm Trying to Make London My Home
02. Sonny Boy Williamson - Dissatisfied
03. Sunnyland Slim - Everytime I Get to Drinkin'
04. Lightnin' Hopkins - Ain't It a Pity
05. Lightnin' Hopkins - Baby Please Don't Go
06. Sleepy John Estes- I'm a Tearing Little Daddy
07. John Henry Barbee - I Ain't Gonna Pick No More Cotton
08. Hubert Sumlin - No Title Boogie
09. Sugar Pie DeSanto - Slip-In Mules
10. Howlin' Wolf - Dust My Broom
11. Sonny Boy Williamson - I Got to Cut Out
12. Willie Dixon - Weak Brain and Narrow Mind
13. Willie Dixon - Big Legged Woman
14. Sleepy John Estes - Your Best Friend's Gone
15. Sugar Pie DeSanto - Baby, What You Want Me to Do

Tracklist: AFBF 65'
01. Mississippi Fred McDowell - Highway 61
02. J.B. Lenoir - Slow Down Woman
03. Big Walter Horton - Blues Harp Shuffle
04. Big Walter Horton - Christine
05. Roosevelt Sykes - Come on Back Home
06. Eddie Boyd - Five Long Years
07. Eddie Boyd - The Big Question
08. Jimmie Lee Robinson - Rosa Lee
09. John Lee Hooker - King of the World
10. John Lee Hooker - Della Mae
11. Buddy Guy - First Time I Met the Blues
12. Big Mama Thornton - Hound Dog
13. Doctor Ross - My Black Name Is Ringing
14. John Lee Hooker - Della Mae [Alternate Take]
15. Big Mama Thornton - Hound Dog [Alternate Take]
16. Buddy Guy - South Side Jump
17. J.B. Lenoir - If I Get Lucky
18. Mississippi Fred McDowell - Got a Letter This Morning
19. Roosevelt Sykes - Sail On
20. Doctor Ross - Farewell Baby


american folk blues festival 80'



American Folk Flues Festival 80'


Tracklist: AFBF 80’
101. Louisiana Red - Pretty Woman
102. Louisiana Red - I Wonder Who
103. Louisiana Red - Lonoesome Train
104. Louisiana Red - Tribute to Mama Spivey
105. Willie Mabon & Co. - Mabon's Boogie
106. Willie Mabon & Co. - I Don't Know
201. Washboard Doc & Co. - Shake, Rattle & Roll
202. Eunice Davis & Sunnyland Slim - Rock Little Daddy
203. Washboard Doc, Lucky & Flash, Lousiana Red - Flip, Flap and Fly
204. Hubert Sumlin, Carey Bell & Co. - Gamblin' Woman
205. Hubert Sumlin, Carey Bell & Co. - I Got a Little Thing They Call It Swing
301. Carey Bell, Hubert Sumlin & Co. - One Day I Get Lucky
302. Carey Bell, Hubert Sumlin & Co. - Nineteen Years Old
303. Carey Bell, Hubert Sumlin & Co. - What My Mama Told Me
304. Sunnyland Slim & Co. - Everytime I Get to Drink
401. Sunnyland Slim & Co. - Sunnyland's New Orleans Boogie
402. Eddie Taylor - Dust My Broom
403. Eddie Taylor - There'll Be a Day
404. Louisiana Red & Co. - Labour Blues
405. Louisiana Red - Thirty Dirty Women


american folk blues festival 83'



American Folk Flues Festival 83'


Tracklist: AFBF 83'
01. James ‘Sparky’ Rucker - Rock Me Baby
02. James ‘Sparky’ Rucker - Crossroads
03. Larry Johnson - Midnight Hour
04. Larry Johnson - That's the Wrong Woman
05. Louisiana Red & Friends - Red's Tribute to Muddy Waters
06. Louisiana Red & Friends - Boy From Black Bayou
07. Louisiana Red & Friends - She is Worse
08. Lonnie Pitchford - One-String Boogie
09. Lonnie Pitchford - My Baby Walked Away
10. Lonnie Pitchford - C.C. Rider
11. Carey Bell & Louisiana Red - When I Lay Down to Rest
12. Carey Bell & Louisiana Red - Who's Louisiana Red
13. Carey Bell & Louisiana Red - Reagan is for the Rich Man
14. Lovie Lee & Band - Flip, Flop and Fly
15. Lovie Lee & Band - Mind to Ramble
16. Lovie Lee & Band - Iko-Iko
17. Queen Sylvia & Friends - I Love You
18. Queen Sylvia & Friends - Baby, What Do I Do


american folk blues festival 85’



American Folk Flues Festival 85'


Tracklist: AFBF 85'
01. James "Sparky" Rucker - Walkin' Blues
02. Blind Joe Hill - Fanny Mae
03. Cash McCall & The Young Blues Thrillers - I Can't Quit You Baby
04. James "Son" Thomas - Smokey Mountain Blues
05. Eddie "Cleanhead" Vinson - Hold It Right There
06. The Young Blues Thrillers, Al Keith, Lance Lee, Rickey Grundy - From Boogie To Funk
07. The Young Blues Thrillers feat. Rickey Grundy - Gettin' Closer
08. The Young Blues Thrillers - Young Blues Thrillers' Theme
09. Margie Evans & The Young Blues Thrillers -Two Lovers In One

chet baker

chet bakerChesney Henry Baker Jr. nasceu em 1929 e foi criado em uma fazenda de Oklahoma. Morreu em 1988 ao cair da janela de um hotel em Amsterdã. A causa do acidente tem duas versões: suicídio ou excesso de drogas. O que dá no mesmo. Foi um trompetista de jazz. Na infância, começou a cantar na igreja e ganhou um trompete do pai, guitarrista amador de bandas de country, de quem herdou a paixão pela música. Aos 17 anos, acrescentou um ano em seus documentos e alistou-se no Exército. Sendo transferido para Berlim começou a tocar em bandas militares. É nesse período que ouve jazz pela primeira vez, pela rádio do exército. Ao sair do exército parte para Los Angeles e começa a estudar teoria musical. Iniciou a sua carreira de sucesso com Charlie Parker quando este estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroia. Amante do jazz, Baker não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero. Em seguida, entrou para o ‘Gerry Mulligan Quartet’, que criou o estilo ‘west coast’, um estilo de jazz mais calmo, menos frenético cujas músicas caracterizavam-se por composições mais elaboradas. Tempos depois, Chet conquistou um novo público ao lançar-se como cantor, à frente do próprio quarteto. Sua versão de 'My Funny Valentine' com Mulligan é clássica.

chet baker & miles davisChet Baker & Miles Davis

Apesar do sucesso, sua vida ia de mal a pior, com seguidas detenções por porte de heroína. Na Itália, onde morou nos anos 60, passou mais de um ano preso. O vício deteriorou sua reputação nos Estados Unidos, embora ele ainda fosse aclamado na Europa. Em 1964 volta aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles, restando pouco espaço para os músicos de jazz. Nessa mesma época perdeu diversos dentes em conseqüência de um briga em uma negociação de heroína. Chet Baker desceu ao inferno. No início da carreira, encantava as mulheres pela beleza e o canto suave. Vinte anos depois, com o rosto sulcado pela devastadora dependência de drogas, o outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar com sessenta, e aos cinqüenta parecia ter oitenta. A vasta obra do músico é dividida em duas fases: a cool, do início da sua carreira, mais ligada ao virtuosismo jazzístico e a segunda parte, quando a sensibilidade na interpretação torna-se ainda mais evidente. Chet Baker gostava também de cantar, com sua voz pequena e frágil criando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada, influenciando assim a bossa nova. Avesso às partituras, Baker era dotado de extrema criatividade, para tocar as músicas pedia apenas o tom, improvisava com sentimento e paixão. Vale a pena conferir Chet Baker Tribute

    

Chet (1959)    |    Almost Blue (2002)

Chet
Personnel: Chet Baker (trumpet); Pepper Adams (baritone saxophone); Herbie Mann (flute); Bill Evans (piano); Kenny Burrell (guitar); Paul Chambers (bass); Connie Kay, Philly Joe Jones (drums)
Tracklist: 01. Alone Together 02. How High the Moon 03. It Never Entered My Mind 04. 'Tis Autumn 05. If You Could See Me Now 06. September Song 07. You'd Be So Nice To Come Home To 08. Time On My Hands (You In My Arms) 09. You And The Night And The Music 10. Early Morning Mood - (bonus track)

Almost Blue
(Recorded at Club ‘Le Dreher’, Paris, 1984)
01. This Is Always 02. Sweet Martine 03. Beatrice 04. Deep In A Dream 05. Once I Loved
(Recorded in Tokyo,1987)
06. My Funny Valentine 07. I'm A Fool To Want You 08. Almost Blue

    

The Best of Chet Baker Sings (1989)    |    Let's Get Lost (Best of) (2008)

The Best of Chet Baker Sings
01. The Thrill Is Gone 02. But Not For Me 03. Time After Time 04. I Get Along Without You Very Well 05. There Will Never Be Another You 06. Look For The Silver Lining 07. My Funny Valentine 08. I Fall In Love Too Easily 09. Daybreak 10. Just Friends 11. I Remember You 12. Let's Get Lost 13. Long Ago (And Far Away) 14. You Don't Know What Love Is 15. That Old Feeling 16. It's Always You 17. I've Never Been In Love Before 18. My Buddy 19. Like Someone In Love 20. My Ideal

Let's Get Lost (Best of)
01. Let's Get Lost 02. You Don't Know What Love Is 03. But Not For Me 04. Time After Time 05. There Will Never Be Another You 06. Look For The Silver Lining 07. My Funny Valentine 08. I Fall In Love Too Easily 09. That Old Feeling 10. Sad Walk 11. Summertime 12. Lover Man 13. These Foolish Things 14. I'll Remember April 15. Maid In Mexico 16. Easy To Love 17. Band Aid 18. Happy Little Sunbeam 19. Line For Lyons 20. Freeway 21. Cherry 22. Festive Minor

The Lighthouse All Stars (1953)
Chet Baker & Miles Davis

The Lighthouse All Stars
Personnel: Chet Baker (trumpet); Miles Davis (trumpet); Rolf Ericson (trumpet); Jimmy Giuffre (clarinete); Bud Shank (sax alto); Bob Cooper (sax tenor); Russ Freeman, Lorraine Geller & Claude Williamson (piano); Max Roach (drums)
Tracklist:
01. At Last 02. Winter Wonderland 03. Loaded 04. I’ll Remember April 05. Pirouette 06. Witch Doctor 07. ’Round Midnight 08. Infinity Promenade 09. A Night in Tunisia



 let's get lost movieNo documentário ‘Let's Get Lost’, Bruce Weber parece que quis parar o tempo, preservando a ilusão de que nada de trágico aconteceu a Chet Baker desde o início dos anos 50. No álbum composto especialmente para o documentário, na companhia de Frank Strazzeri no piano, John Leftwich no baixo, Ralph Penland na bateria e percussão e Nicola Stilo na guitarra e flauta, nas músicas de Duke Ellington & Billy Strayhorn, Cole Porter, Johnny Burke & Jimmy VanHuesen e Antonio Carlos Jobim, o talento musical de Chet Baker é indiscutível, e estas gravações são um testemunho incrível disso. Cada uma delas é filtrada através do coração e alma de Chet Baker. Há momentos em que parece que ele está pendurando nas notas e carinhosamente acaricia cada canção. A intimidade que ele é capaz de expressar faz parecer que estamos em um mal iluminado clube de jazz. Os músicos são perfeitos em seu apoio e a voz de Baker é o centro de cada arranjo, e não há dor tão clara quanto a expressa na sua voz sussurrada.

O fotógrafo Bruce Webber resgatou Baker e na companhia de fantásticos músicos gravou 12 antológicas canções para um dos mais importantes documentários sobre o famoso representante do cool jazz e do west coast. Weber mostra que Chet Baker mesmo corroído pelo uso contínuo de drogas, era um gênio. Feito em 1988, Weber traça a carreira de Chet a partir da década de 50, tocando com grandes nomes do jazz como Charlie Parker, Gerry Mulligan e o pianista Russ Freeman, até a década de 80, quando seu vício em heroína manteve-o na Europa. Através da justaposição dessas duas décadas, entre clips de arquivamento e imagens de 1987, Weber apresenta um contraste acentuado entre o Baker bonito e sexy que se assemelhava a uma mistura de James Dean e Jack Kerouac e em que ele se tornou: uma triste figura destruída. ‘Let's Get Lost’ começa perto do final da vida de Baker, nas praias de Santa Monica, e termina no Festival de Cannes.

Bruce Weber

Bruce Weber

Bruce Weber aos 16 anos se interessou por Chet Baker quando viu a foto do músico na capa do LP de vinil de 1955 em uma loja de discos de Pittsburgh. Pessoalmente, Weber conheceu Baker, no inverno de 1986 em um clube de jazz na cidade de Nova York e convenceu-o a fazer uma sessão de fotos e o que foi originalmente um filme de três minutos. Eles estiveram um bom tempo juntos e Baker começou a revelar-se a Weber. Posteriormente, Baker foi convencido a fazer mais um filme e as filmagens começaram em 1987. Entrevistar Baker foi um desafio para Weber devido ao vício, mas Weber conseguiu um retrato sonhador de Chet Baker. ‘Let's Get Lost’ teve sua estréia mundial no ‘Festival Internacional de Toronto’ e foi indicado para o Oscar de melhor documentário. O título do filme é de uma canção gravada no álbum ‘Chet Baker Sings and Plays’, o primeiro álbum de Chet Baker que o diretor Bruce Weber comprou quando tinha 16 anos.

Um dos últimos registros de Baker em vida, que foi lançado pouco depois de sua morte, o documentário é difícil de se ver, é devastador testemunhar o que a heroína fez. Nos últimos anos ele era apenas um rascunho do que foi. Seu rosto está cadavérico e ele sempre parece ter alguma dificuldade em permanecer acordado, e em alguns momentos parece que ele passeia por ‘Let's Get Lost’ como um sonâmbulo. Para os críticos Chet morrera décadas antes daquele fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã. Até hoje ninguém sabe como ele morreu, se foi suicídio, assassinato ou delírios causados pela droga. Para os fãs, como eu, a voz e o trompete de Chet, mesmo decadente, sempre remeterão a um clima sofisticado e intimista. E eu teimo em querer guardar aquele Chet Baker no seu auge, como uma imagem estranhamente espectral, como alguém preso em um bloco de gelo.

soundtrack - let's get lost (1989)

Let’s Get Lost (1989)
(soundtrack)

Tracklist
01. Moon & Sand 02. Imagination 03. You´re My Thrill 04. For Heaven´s Sake 05. Every Time We Say Goodbye 06. I Don´t Stand A Ghost Of A Chance With You 07. Daydream 08. Zingaro 09. Blame It On My Youth 10. My One And Only Love 11. Everything Happens To Me 12. Almost Blue

chet baker - this I always



dave brubeck

dave brubeckEm certa ocasião, Oscar Peterson, afirmou que existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim. Dentro das grandes formas musicais que englobam o jazz, de forma consistente Dave Brubeck conseguiu tocar e deixar uma música soberba para futuras gerações. Ele tem quase meio século, e é importante como pianista, compositor e líder, talvez, do mais conhecido quarteto da história do jazz. Dave Brubeck é um membro desse círculo encantado de artistas cuja popularidade é compatível com suas realizações musicais. Ele não apenas faz boa música, ele a transmitiu para que toda uma nova geração de amantes de boa música pudesse apreciá-la e encontrá-la doce, como décadas atrás. Reconhecido como um gênio em sua área, ele compôs vários jazz standards, incluindo ‘In Your Own Sweet Way’ e ‘The Duke’. David Warren Brubeck foi um jazzman atípico na década de 50. Começou a aprender piano aos 4 anos de idade com sua mãe e violoncelo aos 9 e apesar, ou talvez por causa, da prevalência de músicos na família, seus irmãos mais tarde se tornariam reitores de música em escolas, Brubeck não tinha sonhos de se tornar um músico profissional, ele queria ser fazendeiro. Quando a família se mudou para uma fazenda, com 11 anos Dave ficou encantado com a vida na fazenda e saboreava cada uma de suas tarefas diárias. Aos 18 anos, Brubeck relutou em deixar a fazenda para estudar, mas seus pais o convenceram a ir para a faculdade sugerindo a possibilidade dele se tornar um veterinário para que ele pudesse voltar para a fazenda. A loucura desse plano se tornou evidente em seu primeiro ano, e, por sugestão de seu conselheiro de ciências optou por trocar as aulas de anatomia pelas de música.

dave brubeck timeDave Brubeck começou sua carreira no início dos anos 50 na região do west coast americano, ou seja, em San Francisco, EUA. Em 1951 ele fundou, com o saxofonista Paul Desmond, seu amigo dos tempos do serviço militar, o quarteto que seria um dos maiores da história do jazz. Inicialmente, o jazz de Dave Brubeck era mais ao gosto de West Coast, um estilo do bebop, o cool jazz, composto por baladas e swing mais lento e suave. Foi o saxofonista Charlie Parker que inventou o bebop, e na época era comum a rivalidade entre os músicos negros de New York e os brancos de San Francisco ou Los Angeles, os músicos negros diziam que os brancos não sabiam swingar com os negros, e os músicos brancos diziam que os negros, apesar de serem virtuoses, não tinham lirismo. E Dave Brubeck, em uma jogada de marketing, provou que tinha capacidade de tocar como os negros chamando a atenção da mídia sendo capa da revista ‘Time’ em 1954. Em 1957 o quarteto se estabilizou até 1967, com Dave Brubeck no piano, Paul Desmond no saxofone alto, Eugene Wright no contrabaixo e o notável Joe Morelo na bateria. Com essa formação, o quarteto gravou o clássico ‘Time Out’, o primeiro álbum de jazz a ganhar um disco de platina em 1959, devido a ‘Take Five’, tema e composição de Paul Desmond, tímido e quieto, mas sempre rodeado de lindas mulheres, com o seu som limpo e lírico, e seus improvisos impactantes fizeram Charlie Parker seu fã. Depois o quarteto lançou os notáveis ‘Time Further Out’, ‘Time Changes’ e ‘Jazz Impressions of Japan’. Todas as capas desses discos foram ilustradas por pintura contemporânea de artistas como Neil Fujita, Joan Miró, Franz Kline e Sam Francis. Dave Brubeck adorava o pintor espanhol Miró.

dave brubeck quartet

'Dave Brubeck Quartet' em 1959 durante a gravação do álbum ‘Time Out’: Joe Morello (bateria), Paul Desmond (saxophone), Dave Brubeck (piano) e Eugene Wright (baixo). Quarteto que também se apresentou no Carnegie Hall em 1963.

Dave Brubeck tinha um estilo percussivo de tocar piano, sempre improvisava, ele não sabia e nem gostava de ler partitura, mesmo depois se cursar a universidade. Ele evitava aprender a ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Ele queria simplesmente compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Na faculdade, foi por pouco expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano. Dave Brubeck tinha admiração por Duke Ellington e pela música erudita. Foi acusado, por críticos da época, de não ser um melodista, mas suas ousadias harmônicas e mudanças de andamento anunciavam um pianista inovador e um compositor inspirado. Dave Brubeck é responsável por uma das experiências mais bem sucedidas da ‘Third Stream’ (integração de elementos do jazz e da música erudita), no mesmo patamar de Stan Kenton, do Modern Jazz Quartet e do pianista Bill Evans.

‘Time Out’ foi planejado como um experimento, mas a gravadora resolveu liberá-lo e assim, tornou-se um dos mais conhecidos álbuns de jazz, apesar das críticas negativas na época. Todas as peças foram compostas por Dave Brubeck, com exceção de ‘Take Five’, de Paul Desmond. Era um experimento com base na utilização de assinaturas de tempo que eram incomuns para o jazz. Assinaturas de tempo, também conhecido como assinatura metros, é uma convenção de notação. Existem vários tipos de assinaturas do tempo: simples (3/4 ou 4/4), compostos (9/8 ou 12/8), complexos (5/4 ou 7/8), mista (5/8, 3/8 ou 6/8, 3/4) ou outros medidores. O jazz, na época em que esse disco foi criado, era tocado em 4/4 tempos. ‘Time Out’ rompeu com isso. A música ‘Take Five’ é símbolo de irreverência e trabalho em equipe e da eterna busca pelo aprimoramento o que fez dela um ícone da inovação, pois em 1959, quando foi lançada, ia contra todas as recomendações das gravadoras para se obter um hit de sucesso. Dave Brubeck planejava lançar o álbum ‘Time Out’ quando pediu a Paul Desmond para compor uma música em 5/4 que fez de 'Time Out' o primeiro álbum de jazz a ultrapassar um milhão de cópias vendidas. Muitos supõem incorretamente que ‘Blue Rondo à la Turk’ é baseado em ‘Rondo alla Turca’ da Sonata para piano n º 11, de Mozart, mas é baseado em um ritmo turco que Brubeck ouviu. ‘Time Out’ é um daqueles álbuns que transcende fronteiras musicais, a interação entre o piano de Brubeck e o saxofone de Paul Desmond torna este disco inesquecível e um dos mais poderosos do jazz. Uma obra-prima.

dave brubeck - time out (1959)

Time Out (1959)

Tracklist
01. Blue Rondo à la Turk 02. Strange Meadow Lark 03. Take Five 04. Three to Get Ready 05. Kathy’s Waltz 06. Everybody’s Jumpin’ 07. Pick Up Sticks

Dave Brubeck foi um pioneiro na apresentação de concertos íntimos em faculdades e universidades e nas melhores salas de concerto de pequeno porte. O show no Teatro Wilshire Ebell, em Los Angeles, foi, provavelmente, um dos maiores triunfos pessoais de Brubeck que estabeleceu alto nível artístico, principalmente graças aos estudantes universitários cujo objetivo era trazer bons grupos de jazz para os concertos. O quarteto era constituído por Paul Desmond no alto saxophone, Dave Brubeck no piano, Ron Crotty no baixo e Lloyd Davis na bateria. O evento foi gravado por Dick Bock, e depois dele Dave Brubeck se tornaria o artista mais popular de jazz desde Benny Goodman.

dave brubeck - at wilshire ebell (1953)

Dave Brubeck Quartet
At Wilshire Ebell (1953)

Tracklist
01. I'll Never Smile Again 02. Let's Fall in Love 03. Stardust 04. All the Things You Are 05. Why Do I Love 06. Too Marvelous for Words 07. Blue Moon 08. Let's Fall in Love 09. Tea for Two 10. Jeepers Creepers 11. My Heart Stood Still

No Carnegie Hall, foram apresentados os melhores elementos do quarteto, ao lado do piano de Brubeck, o inovador Paul Desmond no alto saxofone, o baixista Eugene Wright e Joe Morello na bateria. O quarteto adorou a gravação ao vivo, eles não gostavam do estúdio porque não havia energia e o público aplaudindo os solos de Paul Desmond. No Carnegie Hall o grupo revela toda a harmonia, improvisação e a força, quase telepática, entre Dave Brubeck e Paul Desmond.

dave brubeck - at carnegie hall (1963)

Dave Brubeck Quartet
At Carnegie Hall (1963)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. St. Louis Blues 02. Bossa Nova U.S.A. 03. For All We Know 04. Pennies from Heaven 05. Southern Scene 06. Three to Get Ready

Tracklist CD 2
01. Eleven Four 02. It's A Raggy Waltz 03. King for a Day 04. Castillan Drums 05. Blue Rondo a La Turk 06. Take Five (Paul Desmond)

‘The Essential Dave Brubeck’ com 31 faixas de 24 álbuns, dos 53 anos de carreira de Dave Brubeck, é a introdução perfeita para um dos maiores artistas de jazz de todos os tempos. As primeiras nove faixas são mono. Brubeck não apenas fazia boa música, ele experimentou e inventou novos conceitos. Há também vocalistas convidados, como Tony Bennett, Carmen McRae, Jimmy Rushing, e Louis Armstrong, com uma faixa cada. Como Brubeck gosta de se apresentar frente a uma platéia, quase metade do álbum são faixas ao vivo. A coleção começa com ‘Indiana’, gravada em 49 e termina com ‘Love for Sale’ escrita por Cole Porter. Para os fãs de Dave Brubeck, Paul Desmond, Eugene Wright, Joe Morello, Ron Crotty e Lloyd Davis, ‘The Essential Dave Brubeck’ é uma introdução sólida para o que Oscar Peterson classificaria como ‘música boa’.

dave brubeck - the essential (2003)

The Essential Dave Brubeck (2003)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Indiana 02. Perdido 03. Take the "A" Train 04. Le Souk 05. Audrey 06. The Duke 07. In Your Own Sweet Way 08. Weep No More 09. Some Day My Prince Will Come 10. Tangerine 11. Brandenburg Gate 12. Three to Get Ready 13. Blue Rondo a la Turk 14. There'll Be Some Changes Made

Tracklist CD 2
01. Take Five 02. Maria 03. It's a Raggy Waltz 04. Unsquare Dance 05. Kathy's Waltz 06. Travelin' Blues 07. Summer Song 08. That Old Black Magic 09. Bossa Nova U.S.A. 10. Autumn in Washington Square 11. Mr. Broadway 12. La Paloma Azul 13. Recuerdo 14. Caravan 15. Stardust 16. Brother Can You Spare a Dime? 17. Love For Sale

dave brubeck quartet - take five (Alemanha - 1966)
Dave Brubeck - piano
Paul Desmond - alto sax
Eugene Wright - bass
Joe Morello - drums



ABC of the blues 07: leroy carr, scrapper blackwell & pee wee crayton

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leroy carr & scrapper blackwellLeroy Carr & Scrapper Blackwell formaram um duo no final de 1920 e 1930. Leroy Carr (1905 - 1935) foi cantor, compositor e pianista que desenvolveu a técnica descontraída do crooning e cujo estilo e popularidade influenciou artistas como Nat King Cole e Ray Charles. Crooner é um adjetivo dado a um cantor masculino de canções populares, apelidado de pop tradicional. Um crooner é um cantor de baladas populares, normalmente acompanhado por uma orquestra completa ou uma big band. Crooner foi originalmente tido como um termo negativo, e muitos que detinham o título não se consideravam crooners. Frank Sinatra dizia que não considerava a si mesmo ou Bing Crosby como sendo crooners. Leroy Carr inicialmente ficou famoso em 1928 com a canção ‘How Long, How Long Blues’ que gravou com mais duzentas músicas ao lado do guitarrista Scrapper Blackwel, incluindo clássicos como ‘Prison Bound Blues’, ‘When the Sun Goes Down’ e ‘Blues Before Sunrise’. Quando criança Leroy mudou-se para Indianápolis, na adolescência aprendeu a tocar piano sozinho e aos 15 abandonou a escola e passou a viver pelas ruas. Foi em 1928 que conheceu o guitarrista Scrapper Blackwell e começaram a se apresentar juntos até que gravaram ‘How Long How Long Blues’ que se tornou um sucesso. Carr e Blackwell gravaram varias canções clássicas nos sete anos seguintes. Leroy Carr se tornou um dos mais populares cantores de blues da década de 30, mas acabou sucumbindo ao alcoolismo e morrendo aos 30 anos de idade.

Scrapper Blackwell (1903 - 1962) nascido Francis Hillman ‘Scrapper’ Blackwell em Siracusa, na Carolina do Norte, entre dezesseis filhos, passou a maior parte de sua vida em Indianapolis, Indiana. A Blackwell foi dado o apelido ‘Scrapper’, por sua avó, devido à sua natureza ardente. Seu pai tocava violino, mas Blackwell foi um guitarrista autodidata, e sua primeira guitarra foi feita de caixas de charutos, madeira e arame. Ele também aprendeu piano, que ocasionalmente tocava profissionalmente. Na adolescência, Blackwell já era um músico viajando tão longe quanto Chicago. Conhecido por seu temperamento difícil, Blackwell estabeleceu um relacionamento com o pianista Leroy Carr, que ele conheceu em Indianápolis, em 1920, criando uma relação de trabalho produtiva. Blackwell e Carr excursionaram por todos os EUA entre 1928 e 1935 como estrelas da cena do blues. A dupla se mudou para St. Louis, Missouri, em 1930, mas logo voltaram para Indianopolis. A última sessão da dupla foi em fevereiro de 1935 e terminou amargamente, devido a disputas de pagamento. Dois meses depois, Blackwell recebeu um telefonema informando-o da morte de Carr devido ao consumo de bebidas e nefrite. Blackwell gravou um tributo ao seu parceiro musical de sete anos antes de se aposentar voltando à música somente em 1950. Ele estava pronto para retomar a sua carreira quando foi baleado e morto durante um assalto em um beco de Indianapolis. Ele tinha 59 anos e o crime permaneceu sem solução.

pee wee craytonPee Wee Crayton (1914 - 1985) nascido como Connie Curtis Crayton em Rockdale, no Texas, foi guitarrista e cantor de rhythm and blues. Começou a tocar guitarra em meados dos anos 30, quando foi viver em São Francisco. Aí, foi influenciado pela música de T-Bone Walker, mas desenvolveu o seu próprio estilo. A sua forma agressiva de tocar contrastava com a suavidade da sua maneira de cantar, no que foi copiado posteriormente por muitos guitarristas de blues. Em 1948 assinou contrato com uma gravadora. Uma de suas primeiras gravações foi o instrumental ‘Blues After Hours’ que chegou ao primeiro lugar nas paradas de R&B, sendo seguida por gravações igualmente de sucesso como ‘Texas Hop’ e ‘Poppa Stoppa’. Pee Wee Crayton foi o primeiro guitarrista de blues a usar uma 'Fender Stratocaster' que lhe foi dada pelo próprio Leo Fender. Apesar de um regresso modesto nos anos 70, Pee Wee Crayton não conseguiu obter mais sucessos comerciais.


Tracklist
01. Leroy & Blackwell - Wrong Man Blues
02. Leroy & Blackwell - Gettin' All Wet
03. Leroy & Blackwell - Blue with the Bluespee wee crayton
04. Leroy & Blackwell - Christmas in Jail, Ain't That a Pain
05. Leroy & Blackwell - That's Tellin'em
06. Leroy & Blackwell - Papa Wants a Cookie
07. Leroy & Blackwell - The Dirty Dozen
08. Leroy & Blackwell - Carried Water for the Elephant
09. Leroy & Blackwell - Let's Disagree
10. Leroy & Blackwell - Papa's Got Your Water On
11. Pee Wee Crayton - Win-O
12. Pee Wee Crayton - I Got News for You
13. Pee Wee Crayton - Blues Before Dawn
14. Pee Wee Crayton - Don't Break My Heart
15. Pee Wee Crayton - The Telephone Is Ringing
16. Pee Wee Crayton - California Women
17. Pee Wee Crayton - Blues for My Baby
18. Pee Wee Crayton - Dedicated to the Blues
19. Pee Wee Crayton - Phone Call from My Baby
20. Pee Wee Crayton - Blues After Hours



ABC of the blues volume 07

volume 07



the ultimate jazz archive: swing to bebop 22

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erroll garner

Erroll Garner (1923 - 1977) foi pianista e compositor conhecido por seu swing e baladas. Sua composição mais conhecida, ‘Misty’, tornou-se um standard do jazz. Conhecido como o mais distinto de todos os pianistas e um virtuoso brilhante, Erroll Garner Louis nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, em uma família afro-americana em 1923, e começou a tocar piano aos três anos de idade. Freqüentou a ‘George Westinghouse High School’ assim como os colegas pianistas Billy Strayhorn e Ahmad Jamal. Garner foi um autodidata e tocou de ouvido sem nunca ter aprendido a ler música. Com sete anos de idade, começou a se apresentar na estação de rádio KDKA de Pittsburgh com um grupo chamado ‘Candy Kids’. Com 11 anos, tocava nos barcos do rio Allegheny, um dos principais afluentes do rio Ohio. Aos 14 anos, em 1937, juntou-se com o saxofonista Leroy Brown e depois com o seu irmão mais velho, o pianista Linton Garner, antes de mudar-se para Nova York em 1944. Trabalhou brevemente com o baixista Slam Stewart, e embora não seja um músico bebop, em 1947, tocou com Charlie Parker na famosa sessão ‘Cool Blues’.

A Garner é creditado ter uma excelente memória. Depois de assistir a um concerto do pianista clássico russo Emil Gilels, voltou para seu apartamento e foi capaz de tocar uma grande parte do que ouviu. De baixa estatura Garner muitas vezes tocou sentado em várias listas telefônicas, exceto quando tocou em Nova York, onde uma lista de Manhattan foi suficiente. Ele também ficou conhecido por suas vocalizações ocasionais que podem ser ouvidas em muitas de suas gravações. Erroll Garner ajudou a fazer a ponte para os músicos de jazz entre boates e salas de concerto. Até sua morte, de parada cardíaca em 1977, ele fez muitas excursões, tanto pelos EUA como no exterior, e produziu um grande volume de gravações e mostrou que um músico de jazz criativo pode ser muito popular, sem diluir sua música ou mudar o seu estilo pessoal. Um virtuoso brilhante que tocava diferente usando uma abordagem orquestral da era do swing, mas aberto para as inovações do bop. Sua técnica deveu-se tanto à prática quanto a um dom natural e foi homenagerado no famoso filme de Clint Eastwood, ‘Play Misty for Me’ de 1971. Influenciado por Earl Hines, outra clara influência sobre ele foi o estilo ‘stride piano’ de James P. Johnson e Fats Waller. Seu estilo definitivo, no entanto, era único e não teve precursores e nem imitadores. Uns dos fatores para a independência do seu som eram as suas mãos grandes e dedos grossos considerados impróprios para tocar piano. A maioria de suas gravações foi em formato de trio composto por piano, baixo e bateria. Ao contrário de outros trios de jazz, no entanto, o volume do baixo e bateria era muito moderado. O seu álbum ‘Concert by the Sea’, gravado ao vivo em 1955 foi o álbum de jazz mais vendido em sua época e apresenta Eddie Calhoun no baixo e Denzil Best na bateria.




slam stewart

Slam Stewart (1914 - 1987) foi um violinista antes de mudar para o baixo aos 20 anos de idade. Sua marca registrada era a sua capacidade de curvar o baixo e simultaneamente cantar. Leroy Eliot ‘Slam’ Stewart nasceu em Englewood, Nova Jersey, e quando frequentava o conservatório de Boston, ouviu Ray Perry cantando ao mesmo tempo que tocava o seu violino. Isso lhe deu a inspiração para seguir o exemplo com seu baixo. Em 1937, Stewart se uniu a Slim Gaillard Gaillard para formar a dupla ‘Slim and Slam’ cujo maior sucesso foi ‘Flat Foot Floogie (with a Floy Floy)’ em 1938. Stewart encontrou trabalho em sessões ao longo dos anos 40 com Lester Young, Fats Waller, Coleman Hawkins, Erroll Garner, Art Tatum, Johnny Guarnieri, Red Norvo, Don Byas, ‘The Benny Goodman Sextet’ e Beryl Booker, entre outros. Uma das sessões mais famosas ocorreu em 1945, quando Stewart tocou com o grupo de Dizzy Gillespie que contava com Charlie Parker. Fora dessas sessões vieram alguns dos clássicos do bebop, como ‘Groovin' High’ e ‘Dizzy Atmosphere’. Durante todo o resto de sua carreira, Stewart trabalhou regularmente e empregou seu único e agradável estilo de tocar baixo.




wardell gray

Wardell Gray (1921 - 1955) foi saxofonista tenor que tocou nos períodos do swing e do bebop. Hoje muitas vezes esquecido, Gray tinha um estilo único, um tom incomparável e uma forte presença. Wardell Gray nasceu em Oklahoma City, e era o caçula de quatro filhos. Seus primeiros anos da infância foram passados em Oklahoma, antes de se mudar com sua família para Detroit, Michigan, em 1929. Em 1935 frequentou a ‘Cass Technical High School’ que teve o trompetista Donald Byrd, o saxofonista Lucky Thompson e o baxista Al McKibbon como ex-alunos. Gray saiu em 1936, antes de se formar. Aconselhado por Junior Warren começou no clarinete, mas inspirado depois de ouvir Lester Young em registro com Count Basie mudou para o saxofone tenor. O primeiro contrato de trabalho de Gray foi com um pequeno grupo e depois fez um teste com Dorothy Patton, uma jovem pianista que estava formando uma banda. Um ano após mudou para a banda de Jimmy Raschel e depois para a de Benny Carew. Conheceu Jeri Walker, uma jovem dançarina de Nova Jersey, que por sua vez conhecia o pianista Earl Hines, e o persuadiu a contratar Gray. Esta foi uma grande oportunidade para o jovem de 21 anos, com a orquestra de Earl Hines que não era apenas nacionalmente conhecida, mas nutriu as carreiras de alguns dos músicos emergentes do bebop, incluindo Dizzy Gillespie e Charlie Parker.

Tocar com a banda de Hines era uma experiência maravilhosamente viva e estimulante para o jovem tenor. Wardell Gray ficou cerca de três anos com Hines, e amadureceu rapidamente durante esse tempo, logo se tornou solista, e as gravações da banda mostram a influência de Lester Young. Gray deixou Hines no final de 1946 estabelecendo-se em Los Angeles onde gravou a primeira sessão com seu próprio nome com apoio de Dodo Marmarosa no piano. Em Los Angeles, Wardell trabalhou em uma série de bandas como na do saxofonista Benny Carter, com o cantor e pianista de blues Ivory Joe Hunter, e com o pequeno grupo que apoiou o cantor Billy Eckstine em uma excursão. Mas o foco real em Los Angeles eram os clubes ao longo da Central Avenue, que ainda era próspera. Nos clubes desta avenida que Wardell realizou ‘batalhas’ com o tenor Dexter Gordon. Batalhas que se tornaram uma espécie de símbolo para a cena musical da Central Avenue e o produtor de jazz Ross Russell conseguiu levá-los a simular uma de suas batalhas em ‘The Chase’ que se tornou a primeira gravação de Wardell Gray nacionalmente conhecida e tem sido avaliada como uma das competições musicais mais emocionantes da história do jazz. O sucesso de ‘The Chase’ foi a ruptura que Wardell necessitava, e ele se tornou cada vez mais proeminente em sessões públicas e em torno de Los Angeles, incluindo o ‘Just Jazz’ uma série de jam sessions organizadas pelo discotecário Gene Norman. Em um show na virada do ano de 1947, que também contou com Benny Goodman, Wardell impressionou o clarinetista que o contratou para um pequeno grupo onde começou o seu flerte com o bebop. No entanto, o grupo não foi um sucesso financeiro e Goodman o desfez, mas Wardell ficou conhecido.

Por um tempo no final de 1949 ele trabalhou com a orquestra de Count Basie ao mesmo tempo gravou com o pianista Tadd Dameron em um excelente quarteto e em sessões de um quinteto, com o pianista Al Haig, um dos pioneiros do bebop. A sessão incluía ‘Twisted’, um das mais conhecidas gravações de Wardell. Pouco tempo depois deixou Count Basie para retornar a Benny Goodman. No entanto, a vida na banda de Goodman tornou-se cada vez mais desagradável para ele. Goodman não era um empregador fácil, e as constantes viagens, fez Wardell cada vez mais infeliz o que o fez voltar para Count Basie que por pressões econômicas havia dissolvido a sua big band formando um septeto que incluía o trompetista Clark Terry e o clarinetista Buddy DeFranco. Esta configuração foi mais feliz para Wardell e o grupo teve algum sucesso. A única desvantagem para trabalhar com Basie, que tinha ampliado seu grupo novamente para o tamanho de uma big band, eram as viagens constantes, e Wardell finalmente decidiu sair para poder ficar em casa com sua nova esposa. A decisão foi compreensível, mas do ponto de vista musical se arrependeu de sua decisão. O trabalho na área de Los Angeles tornou-se escasso para músicos negros e Wardell tinha que viajar com freqüência em busca de trabalho. No entanto, a vida em casa era boa.

Nessa época suas sessões de gravação também começaram a rarear, embora uma sessão ao vivo com Dexter Gordon, recriaram as excitações da Central Avenue. Também em torno deste período ele se envolveu com as drogas. Como isso aconteceu dada a sua maturidade e sua compreensão das consequências, ainda é um mistério. Seu modo de tocar ficou menos fluente, e uma sessão de estúdio em 1955, que seria a sua última, mostra isso. Mesmo assim ele trabalhava regularmente. Quando Benny Carter foi contratado para abertura do ‘Moulin Rouge Hotel’ ele chamou Wardell que freqüentou assiduamente os ensaios, mas, quando o clube abriu Wardell estava ausente. No dia seguinte ele foi encontrado morto com o pescoço quebrado em um trecho de deserto nos arredores de Las Vegas. Oficialmente a sua morte foi tratada como acidental. Para muitos foi suspeita por conta de sua associação com o chefe da máfia Meyer Lansky, que, juntamente com seu sócio Charles ‘Lucky’ Luciano, foi fundamental para o desenvolvimento do ‘Sindicato do Crime Nacional’ nos Estados Unidos. Durante décadas ele foi uma das pessoas mais poderosas do país.




lucky thompson

Lucky Thompson (1924 - 2005) foi saxofonista tenor e soprano. Enquanto John Coltrane geralmente recebe maior crédito por resgatar o saxofone soprano da obsolescência em 1960, Lucky Thompson, junto com Steve Lacy, tocou-o no estilo bebop mais avançado. Eli Thompson nasceu em Columbia, Carolina do Sul, e se mudou para Detroit, Michigan, durante a infância. Enquanto criava seus irmãos depois que sua mãe morreu, praticava saxofone em um cabo de vassoura antes de adquirir seu primeiro instrumento. Em 1942 entrou para a banda de Erskine Hawkins. Depois de tocar swing nas orquestras de Lionel Hampton, Don Redman, Billy Eckstine ao lado de Dizzy Gillespie e Charlie Parker, Lucky Millinder e Count Basie; e em seguida rhythm and blues, consolidou a sua carreira no bebop e hard bop, trabalhando com Kenny Clarke, Miles Davis, Dizzy Gillespie e Milt Jackson. Da era do swing ao estilo bebop, mais cerebral e complexo, sua abordagem sempre foi sofisticada e harmonicamente abstrata. Lucky Thompson mostrou esses recursos como sideman em muitos álbuns gravados durante meados dos anos 50. E foi fortemente crítico em relação ao mundo dos negócios da música, descrevendo promotores e produtores das gravadoras como parasitas ou abutres. Isso, em parte, o levou a mudar-se para Paris, onde viveu e fez várias gravações entre 1957 e 1962. Durante este tempo, ele começou a tocar saxofone soprano. Thompson voltou para Nova York, e depois viveu em Lausanne, Suíça, de 1968 até 1970, onde gravou vários álbuns. Lecionou na Faculdade de Dartmouth em 1973 e 1974, e então abandonou completamente a música. Em seus últimos anos viveu em Seattle, Washington. No início dos anos 90, conhecidos informaram que Lucky Thompson era um sem-teto e até a sua morte viveu como um eremita. Thompson deixou uma filha e o guitarrista Daryl Thompson, que tocou com os músicos jamaicanos de reggae Peter Tosh e Black Uhuru, antes de embarcar em uma carreira de jazz no final dos anos 80.




the ultimate jazz archive 22

the chase
wardell gray with dexter gordon




22-1: Erroll Garner (1944-1947)

Tracklist
01. White Rose Bounce 02. Twistinґ The Catґs Tail 03. Movinґ Around 04. Night And Day 05. Sweet Lorraine 06. Yesterdays 07. Loot To Boot 08. Gaslight 09. Stardust 10. Laura 11. Frantonality 12. Pastel 13. Trio 14. Frankie And Johnny Fantasy 15. Play Piano Play


22-2: Slam Stewart (1945-1946)

Tracklist
01. Hop, Skip And Jump 02. Sherry Lynn Flip 03. Three Blind Mices 04. Blue, Brown And Beige 05. Play Fiddle Play 06. Dark-Eyes 07. Laff Slam Slam (Laff Slam Laff) 08. Jumpin' At The Deuces 09. Haw Haw 10. Dozin' 11. Talkin' Back 12. One That Got Away 13. Honeysuckle Rose 14. Mood To Be Stewed 15. Voice Of The Turtle 16. Slammin' The Gate 17. Jingle Bells 18. On The Upside Looking Down 19. Time On My Hands 20. Bell For Norvo 21. Oh Me, Oh My, Oh Gosh 22. Doctor Foo 23. Blues Collins 24. Coppin' Out


22-3: Wardell Gray (1946-1949)

Tracklist
01. Dell's Bells 02. One For Prez 03. The Man I Love 04. Easy Swing 05. The Great Lie (Part 1& 2) 06. Blue Lou 07. She's Got The Blues For Sale 08. The Chase 09. How High The Moon 10. C Jam Blues 11. Mary's Idea 12. Bye Bye Blues Bop 13. Stealin' Apples 14. Lady Bird 15. Symphonette 16. Shawn 17. The Hucklebuck 18. It's The Talk Of The Town 19. Bedlam 20. In The Land Of Oo-Bla-Dee



22-4: Lucky Thompson (1945-1947)

Tracklist
01. Vout Rhythm 02. Stormy Mood 03. Bee Boogie Boo 04. Irresistable You 05. Phace 06. The Hour Of Parting 07. Abernathy's Boogie 08. Cherokee 09. Slowin' Down The Blues 10. Snowbound 11. Flight Of The Vout Bug 12. It Shouldn't Happen To A Dream 13. For You 14. Things Ain't What They Used To Be 15. Jeep's Blues 16. Day Dream 17. Take The 'A' Train 18. Hickory Dickory Dock 19. Blue Rhythm Be-Bop



chicago blues reunion

Chicago Blues ReunionÉ difícil de acreditar, até incompreensível, mas no início dos anos 60, não mais que um punhado de jovens europeus estava consciente da existência de Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Elmore James, Little Walter e outras figuras do blues de Chicago, hoje universalmente reconhecidos. Enquanto nos EUA, para onde viajaram em 1964, os ‘Rolling Stones’ ao mencionarem aos jornalistas que os entrevistavam que esperavam ansiosos por um encontro com Muddy Waters, nenhum dos repórteres sabia quem era Muddy Waters. Com o tempo as coisas mudaram para melhor. A exposição inicial ao blues de Chicago, por parte de muitos da minha geração, foi através dos primeiros álbuns dos Stones, o que nos levou ao interesse por Robert Johnson, Mississippi John Hurt, Skip James, Son House, Muddy, Howlin’ Wolf, Sonny Boy Williamson, B.B. King, Little Walter, Albert King e muitos outros. Irritantemente, nos anos 60, artistas de rosto pálido e cabelos compridos estavam ‘recriando’ a música negra e vendendo mais discos, enquanto os verdadeiros autores, apesar do riquíssimo acervo, nem recebiam o pagamento relativo a direitos autorais. Às vezes roubados como fez ‘Led Zeppelin’ com as canções de Willie Dixon, ‘Bring It on Home’ e ‘Whole Lotta Love’, esta última um descarado plágio da canção ‘You Need Love’, de sua autoria. E com o tempo, esquecidos os escândalos relativos aos roubos de letras e música os imortais do blues assim como Muddy, BB King e Buddy Guy expressaram um respeito genuíno pelo talento dos artistas brancos.

Entre esses estava o ‘Chicago Blues Reunion’ um grupo norte-americano de notáveis com raízes em Chicago, que definiu o som de sua geração na década de 60 e que fizeram, ao longo do tempo, a transição histórica do folk acústico para o blues rock e continuaram a ser inspiração para as novas gerações que seguiram a trilha que eles abriram. São eles: o vocalista, guitarrista e compositor Nick ‘The Greek’ Gravenites (ex-vocalista do Electric Flag, mas mais associado à Janis Joplin); o guitarrista Harvey ‘Snake’ Mandel (do Canned Heat, John Mayall's Bluesbreakers, Pure Food e Drug Act); o tecladista Barry Goldberg (mais famoso por tocar com Bob Dylan no Newport Folk Festival em 1965); no órgão Hammond B-3 e gaita, Corky Siegel (da Siegel-Schwall Band) além de Rick Reed no contrabaixo, Gary Mallabar na bateria, Tracy Nelson e Sam Lay, no vocal. E estes jovens músicos brancos não perceberam, naquele momento, que estavam lançando as bases para uma revolução. Estavam quebrando todos os tipos de barreiras simplesmente tocando a música de seus heróis que idolatravam e com quem tiveram a honra de aprender o blues. Individualmente, cada um deles passou a levar o blues para o resto do país e explodiram na cena musical percorrendo festivais como Woodstock, Monterey e Newport. Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Little Walter se foram e ‘Chicago Blues Reunion’ uma vez com as lições aprendidas com esses mestres tornou-se referência do blues com anos de experiência, histórias para contar, sabedoria para transmitir e celebrando o blues dos mestres de Chicago.

chicago blues reunion

chicago blues reunion - buried alive in the blues (2008)

Buried Alive in the Blues (2008)

Tracklist
01. Born in Chicago 02. Buried Alive in the Blues 03. Walk Away 04. Drinkin’ Wine 05. GM Boogie 06. Left Handed Soul 07. Miss You Like The Devil 08. I Need All The Help I Can Get 09. Death Of Muddy Waters 10. I've Gotta Find My Baby 11. New Truck 12. I'm A King Bee 13. Snake 14. Hound Dog/Roll over Beethoven

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Reservoir Dogs

quetin tarantinoFamoso pela mistura de muito sangue e sensacionais trilhas sonoras em suas produções, Quentin Tarantino possui, em sua casa, um quarto só para guardar as centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona desde a sua adolescência. Como ele já revelou em várias entrevistas, boa parte da inspiração para as cenas de seus filmes, é oriunda das músicas que ouve. Algumas foram escritas depois da escolha da trilha sonora e em todos os filmes de Tarantino sempre tem aquela música que gruda e não sai da cabeça. Desde ‘Reservoir Dogs’ (1992) até ‘Inglorious Bastards’, o diretor sempre escolheu composições antigas para embalar cenas cruciais de seus personagens. Outra característica do diretor é colocar trechos dos melhores diálogos dos longas na trilha sonora. Em ‘Reservoir Dogs’ é possível ouvir os protagonistas conversando sobre Madonna. Já em ‘Kill Bill’ há o embate entre Bill e Beatrix. Apenas ‘Inglorious Bastards’ não traz trechos de diálogos. O casamento entre música e personagens costuma ser tão perfeito que as canções sempre se transformam em hit. É o caso da canção ‘Little Green Bag’ que foi gravada por George Baker Selection em 1969 e que embalou a cena inicial de ‘Reservoir Dogs’(1992), quando o diretor nos apresenta ao time de assassinos do filme. A sensacional ‘Girl, You’ll Be a Woman Soon’ foi gravada originalmente por Neil Diamond em 1967. Em 1994, o ‘Urge Overkil’ fez uma versão, que acabou caindo nas mãos de Tarantino. O diretor gostou tanto que resolveu colocar Uma Thurman para dançar ao som da música.

roger avaryQuentin Jerome Tarantino, nome dado por sua mãe em homenagem a um personagem da série de TV ‘Gunsmoke’, nasceu em Knoxville, no Tennessee. Seu pai Tony Tarantino, era ator e músico de ascendência italiana, e sua mãe Connie McHugh, era descendente de irlandeses e índios Cherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino formou fortes laços afetivos. Curt o levava para assistir filmes que eram proibidos para a sua idade e foi por causa dele que Tarantino se interessou por cinema e desenvolveu o gosto por filmes violentos. Tornou-se um cinéfilo compulsivo e o seu primeiro emprego foi em uma vídeo locadora em Manhattan Beach onde conheceu o canadense Roger Roberts Avary, colega de trabalho e amigo com quem discutia sobre filmes e que mais tarde também seguiu a carreira de diretor e roteirista. Após inúmeras tentativas frustradas para entrar no cinema como ator, chegando até a forjar um currículo onde declarava ter sido ator no filme ‘King Lear’ (1987) de Jean Luc-Godard, decidiu escrever o próprio roteiro, do inacabado filme ‘My Best Friend’s Birthday’ que trabalhou com Roger como diretor de fotografia. Parte do filme se perdeu num incêndio, mas rendeu um outro roteiro, o do filme ‘Tru Romance’ (1993) de onde surgiram os dois melhores filmes feitos por Tarantino: ‘Reservoir Dogs’ (1992) e ‘Pulp Fiction' (1994) ganhador do Oscar de melhor roteiro, prêmio que dividiu com Roger Avary. Os dois filmes lhe garantiram uma notoriedade incrível, por seus diálogos afiados e também pela cronologia fragmentada. Para gravar ‘Reservoir Dogs’, Tarantino vendeu os direitos do roteiro de ‘Natural Born Killers’ (1994) para Oliver Stone.

uma thurmanMas, não existiram apenas flores no caminho de Tarantino, em ‘From Dusk Till Dawn’ (1997) (no Brasil, Um Drink no Inferno), um dos piores filmes que eu já vi na vida, Tarantino recebeu uma indicação merecida ao ‘Framboesa de Ouro’ de pior ator coadjuvante ao interpretar um estuprador psicopata. Em 1997 escreveu o roteiro de ‘Jackie Brown’, adaptação do romance ‘Rum Punch’ de Elmore Leonard, dando uma chance a Pam Grier, como atriz principal. Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes: Tim Roth, Harvey Keitel, Uma Thurman, Michael Madsen, Steve Buscemi, Bruce Willis e Samuel L. Jackson. Outra característica de Tarantino são as marcas fictícias criadas por ele em seus filmes: os cigarros ‘Red Apple’, a lanchonete ‘Big Kahuna Burgers’, cereal matinal ‘Fruit Brute’ entre outros. Através dos seus roteiros é possivel também notar que os personagens de seus filmes possuem elos entre si: Vicent Vega aparece em ‘Pulp Fiction’, já seu irmão Vic Vega é presente em ‘Reservoir Dogs’. Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesa Julie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua ‘musa’.

the george baker selection - little green bag


the tarantino connection (1997)

The Tarantino Connection (1997)

Tracklist
01. Quentin Tarantino – Interview
02. Dick Dale and His Del-Tones – Misirlou
03. The Blasters – Dark Night
04. George Baker Selection – Little Green Bag
05. Charlie Sexton – Graceland
06. Urge Overkill – Girl, You'll Be a Woman Soon
07. Leonard Cohen – Waiting for the Miracle
08. Burl Ives – A Little Bitty Tear
09. Quentin Tarantino - Interview 2
10. Stealers Wheel – Stuck in the Middle with You
11. Chuck Berry – You Never Can Tell
12. Robert Palmer – Love Is (The Tender Trap)
13. Cowboy Junkies – Sweet Jane
14. Dire Straits – Six Blade Knife
15. The Mavericks – Foolish Heart
16. Combustible Edison – Vertigogo

ultimate tribute to quentin tarantino (2008)

The Ultimate Tribute to Quentin Tarantino (2008)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Nancy Sinatra - Bang Bang (My Baby Shot Me Down)
02. Urge Overkill - Girl You'll Be a Woman Soon
03. Ladybug Transistor - Always On the Telephone
04. The Hurricanes - Out Of Limits
05. Geater Davies - Sad Shades of Blue
06. Joe Cocker - Woman To Woman
07. Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell on You
08. The Surf Coronados - Pipeline
09. Bilie Jo Spears - Fever
10. Chris Farlowe - Paint It Black
11. Scremin' Lord Such - Murder in the Graveyard
12. Duane Eddy - Rebel Rouser

Tracklist CD 2
01. Dick Dale & The Del-Tones - Misirlou
02. Fendermen - Ghost Riders in the Sky
03. Dennis Yost & Classic IV - Spooky
04. The Meters - Look-Ka-Py-Py
05. Wilson Pickett - Something You Got
06. 1910 Fruitgum Co. - Indian Giver
07. Lobo - You Me and a Dog Named Boo
08. The Grass Roots - Midnight Confessions
09. John Fred & His Playboy Band - Judy in Disguise
10. Nino Tempo & April Stevens - Deep Purple
11. Richard Twang & His Cadilacs - Apache
12. Johnny Cash - I Walk the Line

100% Hits Quentin Tarantino Vol.1 (2009)

100% Hits Quentin Tarantino Vol.1 (2009)

Tracklist
01. The Centurians - Zed`s Dead. Baby, Bullwinkle Part II
02. Tito & Tarantula - After Dark
03. The Lively Ones - Surf Rider
04. Tito & Tarantula - Angry Cockroaches
05. Kool & The Gang - Jungle Boogie
06. The George Baker Selection - Little Green Bag
07. Chuck Berry - You Never Can Tell
08. Los Lobos & Antonio Banderas - Morena Del Mi Corazon
09. The Statler Brothers - Flowers In The Wall
10. Harry Nilson - Coconut
11. Combustible Edison - Vertigogo
12. The Lefttovers - Torguay
13. The Revels - Comanche
14. The Blasters - Everybody Be Cool, Dark Night
15. Tito & Tarantula - Strange Face Of Love
16. Hollywood Persuaders - Drums A GO-GO
17. Urge Overkill - Girl, You will Be A Woman Soon
18. Link Wray & His Ray Men - Jack The Ripper
19. The Tornadoes - Bustin` Surfboards
20. Duanne Eddy - Looking For A Man Called Bucho
21. Dick Dale & His Del-Toness - Everybody Be Cool
22. Juliette Lewis - Born Bad
23. Dan Zanes - Moon Over Green Country
24. Los Lobos - Let Love Reign
25. Leonard Cohen – I’am The Law The Future

100% Hits Quentin Tarantino Vol.2 (2008)

100% Hits Quentin Tarantino Vol.2 (2008)

Tracklist
01. ZZ Top - She’s Just Killing Me
02. Creedence - Run Through The Jungle
03. Stevie Ray Vaughan - Marry Had A Little Lamb
04. Stevie Ray Vaughan - Whillie The Wimp
05. Surfaris - Wipeout
06. John Travolta & Olivia Newton John - You Are The One Than I Want
07. Del Shannon - Runaway
08. Travolta & Samuel L. Jackson - Royale With Cheese
09. James Taylor Quartet - Jackie’s Theme
10. The Imagination - Just An Illusion
11. Bobbie Womack - Accross Troth Street
12. Al Green - Let’s Stay Together
13. Dire Straits - Six Blade Knife
14. L7 - Shitlist
15. Eliot Easton’s Tiki Gods - Monte Carlo Nights
16. Leonard Cohen - Waiting For The Miracle
17. The Doors - Riders On The Storm

electric light orchestra

electric light orchestra‘Electric Light Orchestra’ ou ELO, abreviatura adotada pela própria banda, foi um dos grupos mais inovadores da década de 70, e teve suas origens no grupo ‘The Move’, uma das bandas mais enigmáticas e controversas da Inglaterra do final dos anos 60. É difícil imaginar que um grupo tão invulgar, famoso por quebrar aparelhos de televisão e pianos, daria origem ao ‘Electric Light Orchestra’. Roy Wood, conhecido por suas extravagâncias, Jeff Lynne e Bev Bevan, estavam à frente do ‘The Move’ quando surgiu a idéia de um novo caminho, com um som mais complexo, aproveitando a onda progressiva que tomava conta do rock nessa época. Ao invés de usar teclados ou mellotron, a idéia era misturar rock com sons de música clássica, traços de música medieval e folk, e muita psicodelia. Jeff Lynne tocava guitarra, piano, e era vocalista. Rick Price era o baixista. Roy Wood além de guitarra acrescentou violoncelo, fagote, flauta doce, clarinete e até oboé. O trompetista Bill Hunt e o violinista Steve Woolam foram convidados a fim de explorar a sonoridade e os arranjos clássicos.

electric light orchestra - roy woodDisputas contratuais levaram à extinção do ‘The Move’, mas antes que a banda terminasse, o trio remanescente gravou em 1971, o que se tornaria o primeiro álbum do ELO, o ‘Electric Light Orchestra’, um clássico do rock progressivo que alcançou as paradas britânicas, atingindo o Top 10 da época com a música ‘10538 overture’. Bem avaliado pela crítica, o álbum não obteve boas vendas como também, a turnê da nova banda não foi bem sucedida. Nos shows perdia-se muito tempo com a troca de instrumentos e as turbulências surgiram entre os dois líderes, resultando com a saída de Roy Wood, o mentor e principal líder e o que executava a maioria dos instrumentos. Wood saiu para fundar sua banda ‘Wizzard’. Mas Jeff Lynne mostrou a sua força, assumiu os vocais e com novos membros entre os quais o tecladista e esporadicamente guitarrista Richard Tandy e o baixista Kelly Grouncut, importante também nos vocais de apoio, a banda lançou em 1973, o segundo álbum ‘ELO II’ o último registro progressivo do grupo. Nesse álbum eles regravaram o clássico de Chuck Berry: ‘Roll Over Beethoven’. Em 1974 gravaram o famoso ‘Eldorado’ que apesar do sucesso alcançado, a banda continuava conhecida por poucas pessoas e apreciada por menos pessoas ainda.

electric light orchestra - jeff lynneOs shows eram intensos, com cenários grandiosos e efeitos de muitas luzes, mas os integrantes eram pacatos, não seguiam os padrões glam da época, não usavam roupas rasgadas e não tinham tatuagens. Em 1975 lançaram ‘Face the Music’, em 1977, ‘Out of the Blue’, considerado uma obra prima do ELO. Em 1979 é lançado com grande sucesso o ‘Discovery’. Logo depois Jeff Lynne faz a trilha sonora para o filme ‘Xanadu'. Nos anos 80 Lynne auxiliou na produção e gravação do disco ‘Cloud Nine’ de George Harrison. Colaborou também com Roy Orbisom, Bob Dylan e Tom Petty. Em 1988 Bev Bevan formaria o ‘Eletric Light Orchestra II’ com Neil Lockwood, o tecladista Eric Troyer e o baxista Pete Haycock e uma série de álbuns ao vivo foi lançada com a banda tocando com a ‘Orquestra Sinfônica de Moscou’. Na década de 90 Jeff Lynne lançou seu primeiro disco solo, e passou o resto da década produzindo material para artistas como Joe Cocker, Tom Jones e Paul McCartney, além de ter trabalhado no projeto ‘Beatles Anthology’. O último álbum feito pelo ELO foi o ‘Zoom’, lançado em 2001.

electric light orchestra - alright


Electric Light Orchestra - The Gold Collection (1996)

The Gold Collection (1996)

Tracklist
01. 10538 Overture 02. Mr. Radio 03. All Over the World (Showdown Early Version) 04. Look at Me Now 05. Manhattan Rumble (49th. Street Massacre) 06. In Old England Town (Boogie No.2) 07. My Woman (Ma Ma Ma Belle Early Version) 08. Roll Over Beethoven 09. The Battle of Marston Moor (July 2nd. 1644) 10. Queen of The Hours 11. Showdown (Single Version) 12. First Movement (Jumping Biz) 13. Whisper on The Night 14. Momma

Electric Light Orchestra - The Essential  (2003)

The Essential (2003)

Tracklist
01. Evil Woman 02. Do Ya 03. Can't Get It Out Of My Head 04. Mr. Blue Sky 05. Strange Magic 06. Livin' Thing 07. Turn to Stone 08. Sweet Talkin' Woman 09. Telephone Line 10. Shine A Little Love 11. Hold On Tight 12. Calling America 13. Rock and Roll Is King 14. Don't Bring Me Down 15. Roll over Beethoven

Electric Light Orchestra – Greatest Hits (Star Mark Compilations)

Greatest Hits (2008)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Alright 02. Turn To Stone 03. Twilight 04. Secret Messages 05. Ticket To The Moon 06. Evil Woman 07. Livin’ Thing 08. Just For Love 09. Xanadu [New Version] 10. Love Changes All 11. Ordinary Dream 12. Last Train To London 13. Now You’re Gone 14. Moment In Paradise 15. Four Little Diamonds 16. Strange Magic 17. Showdown 18. Telephone Line 19. Don’t Bring Me Down 20. Mr. Blue Sky

Tracklist CD 2
01. Helpless 02. Sweet Talkin’ Woman 03. Shine A Little Love 04. A Long Time Gone 05. So Serious 06. All Over The World 07. I’m Alive 08. Calling America 09. Can’t Get It Out Of My Head 10. The Diary Of Horace Wimp 11. Confusion 12. Melting In The Sun 13. Every Little Thing 14. Stranger On A Quiet Street 15. Don’t Say Goodbye 16. It Really Doesn’t Matter 17. Great Balls Of Fire 18. Rock & Roll Is King 19. Hold On Tight 20. Do Ya 21. 10538 Overture 22. Roll over Beethoven

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