ABC of the blues 12: buddy guy, arthur gunter & slim gaillard

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ABC of the blues

buddy guyBuddy Guy (1936), guitarrista e cantor, conhecido por servir de inspiração para Jimi Hendrix e outras lendas dos anos 60, é considerado um importante expoente do chamado Chicago blues, tornado famoso por Muddy Waters e Howlin' Wolf. Buddy Guy foi considerado o 23º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana ‘Rolling Stone’. Nascido George Guy cresceu sob os conflitos da segregação racial onde banheiros, restaurantes e assentos de ônibus eram separados para brancos e negros. Com sete anos de idade Buddy construiu a sua primeira guitarra, um pedaço de madeira com duas cordas amarradas com os grampos de cabelo de sua mãe e assim desenvolvia as suas ‘técnicas musicais’. Depois ganhou a sua primeira guitarra real, um violão acústico Harmony. Em 1955, com 19 anos, Buddy trabalhava na Universidade Estadual da Louisiana e nunca havia saído do estado quando em 1957 um amigo que era cozinheiro em Chicago foi visitá-lo e convidou-o para ir para Chicago tocar sua guitarra de noite e trabalhar de dia. Guy se interessou pela proposta, pois poderia sair a noite para ver os mestres Howlin’ Wolf, Muddy Waters e Little Walter. No mesmo ano, Buddy chegou em Chicago, arrumou um emprego e começou a tocar em bares de Chicago e seu estilo foi bem aceito. E começou a chamar atenção. Gostava de tocar como B.B. King e atuar no palco como Magic Slim. Resolveu, então, enviar uma fita para a gravadora ‘Chess Records’, que contava com Willie Dixon, Muddy Waters, Howlin Wolf, Little Walter e Koko Taylor. E em 1960 já era o guitarrista das gravações destes grandes mestres da Chess. Mas Buddy não estava satisfeito, pois fazia apenas o acompanhamento. Ele queria mais, queria fazer suas próprias composições. Em 1967 gravou ‘I Left My Blues’ e em 1968 foi para a ‘Vanguard Records’ onde gravou dois álbuns clássicos: ‘A Man and His Blues’ e ‘Hold That Plane’. A partir desta época seu estilo agressivo começou a chamar a atenção de músicos do rock, principalmente os ingleses. Eric Clapton disse em 2005 que Buddy Guy foi para ele o que Elvis Presley foi para muitos outros.

Em 1970 iniciou parceria com o gaitista Junior Wells e lançou o disco ‘Buddy and the Juniors’. Em 1972, gravou ‘Buddy Guy and Junior Wells Play the Blues’, disco produzido por Eric Clapton, considerado um dos seus melhores álbuns, com clássicos do blues e composições próprias. Em 1974 se associou a Bill Wyman, baixista dos Rolling Stones, que produziu o álbum ao vivo ‘Drinkin’ TNT ‘n’ Somkin’ Dynamite’. Na década de 80 a sua carreira declinou e só voltou a decolar a partir de 1989 quando abriu o clube ‘Buddy Guy Legends’, em Chicago, considerado o lugar preferido da maioria dos artistas de blues. Em 1990 tocou junto com Eric Clapton no ‘Royal Albert Hall’, em Londres, num show somente de guitarristas. Esta participação lhe proporcionou um contrato com a ‘Silvertone Records’, onde ele gravou diversos álbuns, o primeiro ‘Damn Right, I’ve got The Blues’, contava com a participação especial de Eric Clapton, Jeff Beck e Mark Knopfler e ganhou disco de ouro e também o Grammy. Dois anos depois gravou ‘Feels Like Rain’ e ‘Slippin’ in’, ganhando o Grammy com os dois discos. O sucesso havia retornado com força. Enquanto a música de Buddy Guy é freqüentemente associada ao blues de Chicago, seu estilo é único e inconfundível. Sua música pode variar desde o mais tradicional e profundo blues, à mais criativa mistura de blues, rock moderno e jazz que se juntam de maneira inédita. Buddy Guy adora extremos, mudanças repentinas entre sons pesados e leves e sua concentração e dedicação são hiponotizantes. Algumas das novidades apresentadas por Buddy durante suas primeiras apresentações ao vivo foram capturadas pelos álbuns do ‘American Folk Blues Festival’. Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page admiravam o lado mais radical de suas músicas, no início dos anos 60. Sua música foi regravada por ‘Led Zeppelin’, Eric Clapton, ‘Rolling Stones’, Stevie Ray Vaughan e John Mayall, entre outros. Leia +...

arthur gunterArthur Gunter (1926 - 1976) foi guitarrista e cantor e era mais conhecido por sua canção ‘Baby Let's Play House’, que mais tarde foi um grande sucesso com Elvis Presley. Gunter nasceu em Nashville, Tennessee, e ainda criança fazia parte com seus irmãos e primos do grupo gospel ‘Gunter Brothers Quartet’. No início de 1950 ele tocou em vários grupos de blues ao redor de Nashville, e gravou ‘Baby Let's Play House’ que se tornou um hit local. Tornou-se nacionalmente conhecido quando Elvis Presley gravou uma versão para a ‘Sun Records’. ’Elvis a tornou famosa, mas eu não tive a chance de apertar sua mão’, Gunter diria mais tarde. Seu cheque de royalties foi de US $ 6500. Em 1966 mudou-se para Michigan tocando ocasionalmente. Arthur Gunter morreu de pneumonia em 1976.



slim gaillardSlim Gaillard (1916 - 1991) foi cantor, compositor, pianista e guitarrista, conhecido por seu jogo de palavras em uma linguagem que chamou de ‘vout’. Além de falar outras oito línguas, Gaillard escreveu um dicionário para a sua própria linguagem inventada. Há controvérsias sobre sua linhagem familiar e local de nascimento. Uns afirmam que nasceu em Santa Clara, Cuba, de um pai grego e mãe afro-cubana; outros dizem que ele nasceu em Pensacola, Flórida, de pai alemão e mãe afro-americana. O certo é que Bulee ‘Slim’ Gaillard cresceu em Detroit e mudou-se para Nova York na década de 30. De acordo com os obituários dos principais jornais, a infância de Gaillard em Cuba foi cortando cana e colhendo bananas, e ocasionalmente, ir para o mar com seu pai que trabalhava como comissário de bordo em um navio de cruzeiro. Com 12 anos, ele acompanhou seu pai em uma viagem pelo mundo e foi acidentalmente deixado para trás na ilha de Creta. Depois de trabalhar na ilha por um tempo voltou para Detroit onde trabalhou em um matadouro, foi treinado como agente funerário, boxeador e empregado na Ford Motor. Gaillard teve destaque no final de 1930, com o grupo de jazz ‘Slim & Slam’ que formou com o baixista Slam Stewart e fizeram sucesso considerável com ‘Flat Foot Floogie’ que foi rapidamente gravada por nomes como Benny Goodman e Fats Waller. A parceria foi interrompida com a Segunda Guerra Mundial. O estilo de Gaillard era semelhante ao de Cab Calloway e Louis Jordan, mas ao contrário deles era um mestre da improvisação que misturava sílabas sem sentido nas letras originais. No final dos anos 40 e início dos anos 50, Gaillard tocava frequentemente com os saxofonistas Charlie Parker, Flip Phillips e Coleman Hawkins. Sua sessão de 1945, com Parker e Dizzy Gillespie é notável, tanto musicalmente quanto pelo descontraído convívio. Gaillard tocava vários instrumentos, e sempre conseguiu transformar o desempenho em comédia. Apareceu em vários shows na década de 60 e 70, e também em séries de TV. No início dos anos 80 ele estava em turnê no circuito de festivais europeus de jazz. Um dos vocalistas mais excêntricos Slim Gaillard se tornou um cult graças a sua lendária figura e apresentações cômicas, e várias de suas composições tornaram-se verdadeira hits como ‘Flat Foot Floogie’ e ‘Cement Mixer’. Versátil, Gaillard era eficaz no que fazia, hábil como cantor, guitarrista no estilo de Charlie Christian e pianista boogie-woogie. Faleceu após lutar contra o câncer.


Tracklist
01. Buddy Guy - Try to Quit You, Baby
02. Buddy Guy - You Sure Can't Do
03. Buddy Guy - This Is the End
04. Buddy Guy - Sit and Cry (The Blues)
05. Arthur Gunter - Baby Let's Play House
06. Arthur Gunter - No Naggin', No Draggin'
07. Arthur Gunter - Honey Babe
08. Arthur Gunter - Little Blues Jeans Woman
09. Arthur Gunter - Baby You Better Listen
10. Arthur Gunter - I Want Her Back
11. Arthur Gunter - Crazy Me
12. Arthur Gunter - Ludella
13. Arthur Gunter - Blues After Hours
14. Slim Gaillard - Walkin' & Cookin' Blues
15. Slim Gaillard - Blue Heaven
16. Slim Gaillard - Thunderbird
17. Slim Gaillard - Chicken Rhythm
18. Slim Gaillard - I Love You
19. Slim Gaillard - I Don't Stand a Ghost...
20. Slim Gaillard - Don't Blame Me



ABC of the blues volume 12

parte I    parte II



3 comentários:

Edison Junior disse...

Blues da pesada! Bjs.
Ah, aumentei minha lista, confere lá. Coloquei Billie Holiday com uma música que não podia ficar de fora da lista das minhas "composições".

Borboletas de Jade disse...

Saudações Mrs. Mara e uma vez mais fique na paz.

"Os Blues são as raízes e as outras músicas são os frutos. É bom manter as raízes vivas porque isto significa melhores frutos para o futuro. O Blues existirá sempre, porque o Blues é a raiz da música americana. Enquanto a musica americana sobreviver, o Blues sobreviverá" - Willie Dixon.

mara* disse...

Saudações Mr. B. Willie Dixon, o maior cantor, compositor e arranjador de Chicago, ao lado de Muddy Waters, foi a pessoa mais influente na formação do blues pós-guerra. Todos os grandes artistas do blues e posteriormente do rock já cantaram ou gravaram o poeta Willie Dixon. Certamente o blues não morrerá.

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