astor piazzolla

astor piazzollaNão é exagero dizer que Astor Piazzolla é a figura mais importante na história do tango, um gigante do maior produto cultural de exportação da Argentina. Astor é equivalente a Duke Ellington no jazz, o compositor gênio que elevou uma música popular e sensual, e de má reputação, a uma forma sofisticada de arte. Mas, ainda mais do que Duke Ellington, Piazzolla era também um virtuoso com domínio quase inigualável no seu instrumento escolhido, o bandoneon, instrumento inventado pelo músico alemão Heinrich Band, e criado para ser usado na música religiosa e na música popular alemã, em contraste à concertina, que era considerada um instrumento folclórico. No início do século XX, imigrantes alemães levaram o bandoneón para o Río de la Plata, onde ele foi incorporado à música local. O tango, nas mãos de Piazzolla já não era estritamente uma música de dança, suas composições emprestaram formas do jazz e da clássica, criando um novo vocabulário para salas de concertos mais do que para salões de dança e foi chamado de ‘nuevo tango’. Algumas de suas composições eram totalmente experimentais e exigia a concentração da platéia. A complexidade de Piazzolla trouxe-lhe enorme reconhecimento internacional, especialmente na Europa e na América Latina, mas também lhe valeu a inimizade duradoura dos puristas do tango. Muitos o atacaram impiedosamente por seu suposto abandono da tradição e até ajudaram a expulsá-lo do país por vários anos. Piazzolla manteve-se firme até a sua morte em 1992.

Astor Piazzolla nasceu em Mar del Plata, Argentina. Seus pais eram pobres imigrantes italianos que mudaram para Nova York em 1924, proporcionando ao jovem Piazzolla ampla exposição à artistas de jazz como Duke Ellington e Cab Calloway. Seu pai, Vicente ‘Nonino’ Piazzolla, também tocou com os primeiros mestres do tango, especialmente o lendário vocalista e compositor Carlos Gardel, e deu a Astor um bandoneon em seu nono aniversário. Além de aulas sobre esse instrumento que englobava a música norte-americana de Gershwin, bem como o tango, Piazzolla também estudou em 1933, com o pianista húngaro Bela Wilda, o discípulo de Rachmaninoff, e com quem aprendeu a amar Bach. Na mesma época conheceu e tocou com Carlos Gardel, aparecendo no filme ‘El Dia Que Me Quieras’. Em 1935, o adolescente Piazzolla recusou uma oferta para turnê na América do Sul com Gardel, uma decisão fortuita que o manteve fora do trágico acidente aéreo que custou a vida do cantor.

astor piazzolla

Em 1936, Piazzolla e família voltaram para Mar del Plata, e sua paixão pelo tango floresceu novamente com o sexteto do violinista Elvino Vardaro. Em 1938, o ainda adolescente Piazzolla mudou para Buenos Aires, à procura de trabalho como músico e conseguiu na orquestra de Anibal Troilo, onde ficou por vários anos. Nesse meio tempo, continuou seus estudos de piano e teoria musical. E começou a compor para Troilo. Em 1944, Piazzolla se tornou líder da orquestra que acompanhava o cantor Francisco Fiorentino, dois anos depois, ele formou seu próprio grupo, tocando tangos tradicionais, mas já com indícios do modernismo. Este grupo se separou em 1949, e Piazzolla procurou uma maneira de substituir o tango por atividades mais refinadas. Ele estudou Ravel, Bartók e Stravinsky, e mergulhou no jazz norte-americano, e trabalhou principalmente em suas habilidades de compositor por alguns anos. Sua peça ‘Buenos Aires’ de 1953 causou um rebuliço pelo uso de bandoneon em um cenário clássico de orquestra.

Em 1954, Piazzolla ganhou uma bolsa para estudar em Paris com a compositora francesa de música erudita e renomada educadora musical Nadia Boulanger, que também ensinou Philip Glass e Quincy Jones entre muitos outros. Nadia encorajou Piazzolla a não ignorar o tango, mas sim, revigorá-lo com a sua formação de jazz e música clássica. Piazzolla voltou para casa em 1955 e imediatamente formou um octeto que tocava tango como música de câmara, ao invés de acompanhamento para cantores e dançarinos. Os uivos de protesto dos tradicionalistas continuaram inabaláveis até 1958, quando Piazzolla dissolveu o grupo e foi para New York onde trabalhou como arranjador e experimentou uma fusão de jazz e tango, e compôs o famoso ‘Adios Nonino’, uma maravilhosa ode a seu pai, recentemente falecido. Retornando a Buenos Aires em 1960, Piazzolla formou o seu primeiro quinteto, o ‘Tango Nuevo’. Ao longo da década, Piazzolla refinou e experimentou, e modificou a estrutura formal do tango ao ponto de ruptura. Em 1965, gravou o seu concerto com a ‘Philharmonic Hall’ de New York, e também musicou um álbum de poemas de Jorge Luis Borges. Em 1967, selou um acordo com o poeta Horacio Ferrer resultando na inovadora opereta ‘Maria de Buenos Aires’, estreada pela cantora Amelita Baltar, que se tornaria mais tarde a sua segunda esposa. Piazzolla e Ferrer produziram uma série de tangos, e seu primeiro hit comercial, ‘Balada para un Loco’ (Ballad of a Madman).

astor piazzolla

A década de 70 começou muito bem para Piazzolla, com uma aclamada turnê européia que trouxe a oportunidade de formar um grupo de nove para tocar a sua música exuberante. No entanto, a sua Argentina foi tomada por um governo militar ultra-conservador, e tudo o que Piazzolla simbolizava, requinte e modernidade, transformou-se em uma falta de respeito pela tradição, tornando-se politicamente indesejável. Em 1973, Piazzolla sofreu um ataque cardíaco, e depois de se recuperar, decidiu que, seria mais sábio viver na Itália. Lá, ele formou o grupo ‘Conjunto Electronico’, que colocou o bandoneon na vanguarda. Este período também produziu uma de suas composições mais célebres, ‘Libertango’. Em 1974, gravou um álbum com o saxofonista de jazz Gerry Mulligan chamado ‘Summit’, com o apoio de músicos italianos. Em 1976, em Buenos Aires, foi a estréia da peça ‘500 Motivaciones’. Cansado de música elétrica, Piazzolla formou um novo quinteto em 1978 e excursionou por todo o mundo. Sua reputação cresceu continuamente, tornando-o nos EUA, um excelente candidato durante a mania da world-music dos anos 80. Em 1986, Piazzolla entrou no estúdio com seu quinteto e gravou o que ele considerava o melhor álbum de sua carreira, ‘Tango: Zero Hour’. No mesmo ano, se apresentou no Festival de Jazz de Montreux com o vibrafonista Gary Burton, e em 1987 em um concerto no Central Park de New York.

Infelizmente, no auge de sua fama internacional e tardia na Argentina, sua saúde começou a falhar. Submetido a uma cirurgia recuperou-se bem o suficiente para montar uma turnê internacional em 1989, incluindo o que seria seu último show na Argentina,‘La Camorra’, outra excelente gravação lançada em 1989, mesmo ano em que Piazzolla formou um novo sexteto com dois bandoneons. Em 1990, gravou o álbum ‘Five Tango Sensations’ com o ‘Kronos Quartet’. Infelizmente, não muito tempo depois, Astor Piazzolla sofreu um derrame que o deixou incapaz de tocar ou compor. Quase dois anos depois, ele morreu em sua amada Buenos Aires, deixando para trás um legado monumental como uma das maiores figuras musicais da América do Sul e um compositor importante do século 20.

tangoO Papa Gregório I ajudou a criar uma música para os monges nos mosteiros, para servir como trilha sonora para suas tarefas diárias e orações. Isso ficou conhecido como canto gregoriano. Todo mundo cantava a mesma nota ao mesmo tempo. O canto gregoriano era uma música que nunca iria excitar os sentidos. No século 12 surgiu Pérotin da escola de Paris, que introduziu a polifonia, ou harmonia vocal. De repente, a música tornou-se sensual e foi condenada por inflamar as paixões. Enquanto isso, na Península Ibérica antes da reconquista cristã de 1492, a mistura judaica e cultura moura produziu uma música de sinergia notável e modernidade. No século 15 a dança de escravos congoleses levado à Espanha pelos mouros, foi considerada como sendo uma dança lasciva que promovia a sensualidade e a decadência. E foi condenada no final do século 16 pelo Vaticano. Em seguida uma bula papal foi emitida proibindo a valsa no final do século 19. Depois foi a vez do tango. Historicamente, o Vaticano condenou o tango porque ele pode fazer as pessoas mexerem os quadris e, Deus nos livre, querer beijar e tocar e, talvez, ir ainda mais longe.

A história do tango é interessante. A palavra tango é uma palavra congolesa, referindo-se aos encontros de escravos em New Orleans. O ritmo veio de Cuba, em seguida, viajou para a Europa, depois voltou com os italianos para a Argentina, onde foi direto para os bordéis. O bandoneon foi inventado para as igrejas das aldeias pobres na Alemanha, que não podiam pagar os órgãos de tubos. Da igreja direto para os prostíbulos de Buenos Aires. O tango foi formalmente proibido no início do século 20 pelo Cardeal de Roma. O ministro da Guerra italiano até escreveu um estatuto oficialmente proibindo o tango em toda a Itália. O problema era impor essa proibição aos fãs do tango na Itália. Havia também muitos jovens entre a classe nobre que gostavam de tango. Então, em 1914 eles organizaram uma apresentação para o Papa Pio X. Os dançarinos foram muito cuidadosos e modestos em seus movimentos. E o Papa Pio X apenas riu de uma tendência de moda e disse: ‘Compreendo muito bem que vocês gostem de dançar, estamos em tempo de carnaval e vocês são jovens. Então dancem e divirtam-se. Mas por que adotar as contorções ridículas e bárbaras de pessoas negras e indígenas? Porque não escolher uma dança agradável de Veneza?’ E assim, a proibição papal sobre o tango foi levantada.

E com a chegada de Gardel, Piazzolla, e outras grandes orquestras e dançarinos durante a década de 20 o tango cresceu e cresceu da Argentina para o mundo. O grande Astor Piazzolla revigorou o interesse pelo tango. Na Finlândia e no Japão, tornou-se uma dança social para os solteiros tímidos que desejassem sair de suas conchas. E para todos, é uma das danças mais atraentes, intensas e apaixonadas.

astor piazzolla - muerte del angel


the history of tango! (2006)

The History of Tango! (2006)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4    CD 5

CD 1: Astor Piazzolla
01. Adios Nonino 02. Biyuya 03. Lunfardo 04. Escualo 05. Invierno Porteno 06. Caliente 07. Revirado 08. Decarismo 09. Fracanapa 10. Milonga Del Angel 11. Muerte Del Angel 12. Resurreccion Del Angel

CD 2: Astor Piazzolla
01. El recodo 02. El desbande 03. La rayuela 04. Orgullo criollo 05. Inspiracion 06. El rapido 07. Ahi va el dulce 08. El milagro 09. El pillete 10. Se armo 11. Quejas de bandoneon 12. Todo corazon 13. Taconeando 14. Chiclana 15. De mi bandoneon 16. Tierra querida 17. Villeguita 18. Tiernamente 19. Tu palido final 20. Tapera

CD 3: Astor Piazzolla
01. Commo Abrazado A Un Rencor 02. Che Bartolo 03. Solo Se Quiere Una Vez 04. Haragan 05. Cargamento 06. Se Fue Sin Decirme Adios 07. Ojos Tristes 08. Pigmalion 09. Adios Marienerbo 10. Cafetin De Buenos Aires 11. Republica Argentina 12. Marron Y Azul 13. Los Mareados 14. Neotango 15. El Marne 16. El Entrerriano 17. Tangology 18. Arrabal 19. A Fuego Lento 20. Libertango

CD 4: The History of Tango Vol.1
01. La Cumparsita 02. La Yumba 03. Tomo Y Obligo 04. La Tablada 05. La Rayuela 06. El Apache Argentino 07. El Entrerriano 08. El Choclo 09. Volver 10. Recuerdo 11. El Pial 12. Boedo 13. El Portenito 14. Chique 15. Tango Argentino 16. Milonga De Mis Amores 17. El Rodeo 18. El Monito 19. La Punalada 20. Cachirulo 21. Sans Soucis 22. Bandoneon Arrabalero 23. La Morocha 24. Flor De Tango 25. Tierra Querida

CD 4: The History of Tango Vol.2
01. Milonga Sentimetal 02. A La Gran Muneca 03. Milongueando En El 40 04. Derecho Viejo 05. El Remate 06. Saludos 07. Mi Buenos Aires Querido 08. Di Pura Cepa 09. Vengan Muchachos 10. El Arranque 11. Por Una Cabeza 12. Guapeando 13. El Taita 14. Amurado 15. Bahia Blanca 16. Mi Noche Triste 17. Parlo 18. Mal De Amores 19. Adios Bardi 20. La Cancion De Buenos Aires 21. La Maleva 22. El Baqueano 23. El Tabano 24. Secreto 25. Cordon De Oro

ABC of the blues 13: john lee hooker & wynonie harris

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john lee hookerJohn Lee Hooker (1917 - 2001) foi um influente cantor e guitarrista nascido no Mississipi. Foi considerado o 35º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista ‘Rolling Stone’. A carreira de Hooker começou em 1948 quando ele alcançou sucesso com o single ‘Boogie Chillen’, apresentando um estilo falado que tornaria-se sua marca registrada. Ritmicamente, sua música era bastante livre, característica entre os primeiros músicos do delta blues. Seu estilo casual e falado errado seria diminuído com o blues elétrico das bandas de Chicago mas, mesmo assim Hooker mantinha as características primordiais de seu som levando adiante uma carreira solo, ainda mais popular devido ao surgimento de aficcionados por blues e música folk no começo dos anos 60. John Lee Hooker passou a ser então mais conhecido entre o público branco, e deu uma oportunidade ao iniciante Bob Dylan. Outro destaque de sua carreira aconteceu em 1989, quando se juntou à diversos astros convidados, incluindo Keith Richards, Bonnie Raitt, Charlie Musselwhite, Los Lobos e Carlos Santana, para a gravação do álbum ‘The Healer’, que acabaria ganhando um Grammy. Em 1994 Hooker passou por uma cirurgia para a retirada de uma hérnia, o que acabou o afastando dos palcos por um tempo. Depois das gravações de ‘Chill Out’ em 1995 parou de fazer shows regulares continuando apenas com aparições ocasionais. Hooker gravou mais de 500 músicas e aproximadamente 100 álbuns. Era dono de um clube noturno em São Francisco chamado ‘Boom Boom Room’, nome este inspirado em um de seus sucessos. John Lee Hooker morreu de causas naturais enquanto dormia em sua casa na California. Leia +...

wynonie harrisWynonie Harris (1915 - 1969) era conhecido como ‘Mr. Blues’, e era um ‘blues shouter’, cantor de blues, frequentemente masculino, que projetava sua voz claramente acima da banda que o acompanhava. O ‘blues shouter’ foi um caminho seguido também no jazz e no rock’n’roll e era popular mesmo depois do advento do microfone. Mas a sua maior influência foi sobre a evolução do rock and roll. O jovem Elvis Presley era um fã que o assistiu, ouviu e conscientemente copiou o estilo e os movimentos de Harris. O impacto que Wynonie Harris teve sobre a música do seu tempo é a prova de seu talento, em uma época em que a América era dividida entres brancos e negros. Nascido em Omaha, Nebraska, a família mudou-se várias vezes e a cada vez havia uma transferência de escola. E a indiferença de Wynonie pelo aprendizado se transformou em absentismo crônico. Enquanto a formação acadêmica não era prioridade para Harris, a música era. E ele era também um excelente dançarino de salão e em parceria com seu amigo Velda Shannon se exibiam em vários salões de proprietários negros em torno da cidade. Em várias vezes Wynonie cantou e dançou. E aprendeu sozinho a tocar bateria. Bonito, atraiu várias fãs, uma em particular: Olive E. Goodlow, com quem se casou. Em 1940, Harris decidiu se mudar para Los Angeles, onde ele sentiu que havia mais oportunidades. Profissionalmente a mudança foi boa. Harris se apresentava regularmente no 'Alabam Club', no coração da zona de entretenimento. E foi onde Harris se tornou conhecido como ‘Mr. Blues’. No 'Alabam Club' e em outros clubes, muitas vezes ele participou de uma ‘batalha de blues’, com outros cantores que desafiavam uns aos outros com improvisação cada vez mais complexas e movimentos do corpo. Em finais de 1943, Harris se apresentou no 'Rhumboogie Club' em Chicago. Naquela época, a grande estréia foi liderada por Millinder Lucky. Impressionado com Harris, Millinder pediu-lhe para se juntar turnê da banda que foi para New York. No 'Apollo Theatre', no Harlem, Harris recebeu críticas favoráveis e uma legião de fãs. E, juntamente com a banda, assinou contrato com a ‘Decca Records’ onde gravou duas músicas, incluindo ‘Who Threw The Whiskey In The Well?’, mas a data de lançamento foi adiada. Quando ‘Who Threw The Whiskey In The Well?’ foi finalmente lançada em 1945, Harris não só liderou as paradas do público negro, e manteve-se por quase cinco meses como também se tornou popular entre o público branco, um feito invulgar para um músico negro. Em 1947, conseguiu um contrato de gravação com uma nova gravadora. Quando ‘Good Rockin, Tonight’ foi lançada, em 1948, ele liderou as paradas de música negra. Esta canção foi uma precursora genuína do rock’n’roll. Foi regravada por Elvis Presley em 1954 com versões posteriores gravadas por Jerry Lee Lewis, Ricky Nelson, Buddy Holly, Pat Boone, e Paul McCartney, entre outros.

A cena musical estava evoluindo. Em 1949, a ‘black music’, que, até então, tinha sido chamado de ‘race records’, foi designada ‘rhythm and blues’ em publicações profissionais. E o gênero ganhou audiência assim como Wynonie Harris que tocava em clubes locais e continuava em turnês. Harris finalmente era uma estrela e queria viver como tal. Comprou um carro grande e caro, e planejava comprar uma casa em Nova York. Durante o início dos anos 50, grandes bandas estavam desaparecendo, mas Harris continou suas sessões de gravação. Ele tentou alguns estilos musicais alternativos incluindo o country, mas seu coração permaneceu com o blues. Em 1954 os músicos brancos foram adotando cada vez mais o ritmo e o estilo blues. Um aficionado era um recém descoberto cantor, Elvis Presley. E as gravações de Wynonie foram ganhando a atenção internacional. Como muitas vezes acontece, o público em geral, gostava mais dele do que os críticos. Em 1955 o trabalho tornou-se escasso e a fortuna entrou em reversão. Há muita especulação sobre a mudança repentina. Alguns dizem que Harris com 41 anos não acompanhou os tempos e não apelou para um público mais jovem. Outros dizem que ele sempre foi arrogante e era difícil de trabalhar com ele. Outros ainda, dizem que seu estilo de vida pessoal contribuíu, Harris havia sido fumante e bebia muito e isso afetou a sua voz. Estes podem ter sido os fatores, mas a grande certeza é que Harris era financeiramente irresponsável, gastando seu dinheiro assim que ele entrava. Harris encontrou trabalho ocasional, mas teve que desenvolver outras fontes de renda. Ainda assim, em 1964, ele gravou pela ‘Chess Records’ em Chicago, com pouco sucesso. Desenvolveu câncer no esôfago e em 1969 Wynonie Harri morreu aos 54 anos. No início do século XXI, houve um ressurgimento do interesse em sua música. Apesar das falhas pessoais de Harris, não há dúvida sobre seu papel na evolução da música popular. Algumas de suas gravações foram reeditadas e ele recebeu o reconhecimento póstumo.


Tracklist
01. John Lee Hooker - Dimples
02. John Lee Hooker - I'm in the Mood
03. John Lee Hooker - Boogie Chillen'
04. John Lee Hooker - Let Your Daddy Ride
05. John Lee Hooker - John L's House Rent Boogie
06. John Lee Hooker - Weeping Willow Boogie
07. John Lee Hooker - Huckle Up Baby
08. John Lee Hooker - Hobo Blues
09. John Lee Hooker - Crawlin' King Snake
10. John Lee Hooker - Sally Mae
11. Wynonie Harris - Around the Clock Pt. 1 & 2
12. Wynonie Harris - Yonder Goes My Baby
13. Wynonie Harris - Don't Take My Whiskey Away from Me
14. Wynonie Harris - Cock-A-Doodle-Doo
15. Wynonie Harris - Time to Change Your Town
16. Wynonie Harris - You Got to Get Yourself a Job, Girl
17. Wynonie Harris - Oh Babe!
18. Wynonie Harris - Luscious Woman
19. Wynonie Harris - Stormy Night Blues
20. Wynonie Harris - Git to Gittin' Baby



ABC of the blues volume 13

parte I    parte II



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Jay Jay Johnson

Jay Jay Johnson (1924 - 2001) foi um dos pilares do bebop dos anos 40 e 50 e trouxe uma nova forma de expressão ao trombone com sua técnica de execução, muito acima da harmonia e andamento convencionais. Ele acabou com aquela idéia de que o trombone era arcaico e deveria ficar restrito ao jazz do velho swing ou do estilo de New Orleans. Johnson mostrou, na realidade, que o trombone não era menos presente ou articulado como o saxofone. O álbum ‘The Eminent Jay Jay Johnson, Vol. 1’, de 1953 que contava com o jovem trompetista Clifford Brown e outros notáveis, é considerado até hoje como um marco do jazz moderno. James Louis Johnson nasceu em Indianápolis e bem cedo já estava atuando com Count Basie e Benny Carter. Estabelecido em New York, tocou em clubes de bebop e gravou com Sonny Rollins, Bud Powell, Hank Jones e Max Roach. Participou dos combos liderados por Dizzy Gillespie e Illinois Jacquet até o final da década de 40. A parceria com o também trombonista Kai Winding perdurou de 1954 a 1956. Depois que cada um tomou o seu caminho, Johnson formou quintetos durante os anos 50, mas também participou de notáveis sessões musicais com Tommy Flanagan, Elvin Jones, Stan Getz e Oscar Peterson. Excursionou com Miles Davis e Sonny Stitt no início da década de 60, mas ao alcançar renome como compositor e arranjador decidiu se instalar em Los Angeles depois de 1970. Jay Jay permaneceu ocupado com filmes e shows de televisão por anos, mas não se esquecia de seu papel como músico de jazz, gravando um álbum de vez em quando. Em 1983, Jay Jay Johnson voltou ao cenário internacional do jazz com a realização do álbum ‘Things Are Getting Better All The Time’, uma obra prima da execução do trombone, trabalho que ele divide com Al Grey. Várias de suas composições, incluindo ‘Wee Dot’, ‘Lament’ e ‘Enigma’ tornaram-se standards de jazz. Com diagnóstico de câncer de próstata, ele manteve uma perspectiva positiva e foi submetido a tratamento. Em 2001, ele cometeu suicídio e em seu funeral compareceram músicos de jazz de todo o país.



Gerry Mulligan

Gerry Mulligan (1927-1996), saxofonista, é um dos principais expoentes do cool jazz. Nascido Gerald Joseph Mulligan em New York, cresceu em Filadélfia e desde cedo demonstrou aptidão para diferentes instrumentos e talento como arranjador. Mulligan aprendeu piano e instrumentos de sopro e aos 17 anos escrevia arranjos para a banda de rádio de Johnny Warrington. Especializou-se no sax barítono, instrumento no qual tornou-se a maior referência mundial, com um som suave e nítido, um timbre riquíssimo e grande agilidade, com improvisações extremamente melódicas, dando preferência por atmosferas mais intimistas. Em 1945 voltou a New York, entrando para a orquestra de Gene Krupa. Em 1947 passou para a orquestra de Claude Thornhill. Depois de conhecer o arranjador Gil Evans, participou do histórico noneto de Miles Davis no disco ‘Birth of the Cool’, em 1949. Em 1952 foi para a Califórnia e conheceu Chet Baker e junto com ele, Bob Whitlock no contrabaixo e Chico Hamilton na bateria, formou um quarteto sem piano que se tornou célebre. Em 1954 formou outro quarteto com a participação do trombonista Bob Brookmeyer, e em 1958 ainda outro com o trompetista Art Farmer. Nos anos 60 formou a sua ‘Concert Jazz Band’ e nas décadas seguintes outros inúmeros grupos com antigos parceiros. Tocou com Dave Brubeck entre 1968 e 1972. Sua música é a prova cabal de que o cool jazz não precisa ser distante ou frio. Assim como Dave Brubeck, Gerry Mulligan conseguiu a proeza de criar uma música ao mesmo tempo complexa e agradável. Gerry Mulligan faleceu em 1996 devido às complicações causadas por uma cirurgia de joelho.



Sonny Rollins

Sonny Rollins (1930) começou tocando sax-alto, mas logo depois trocou pelo tenor e iniciou sua carreira em 1947. Theodore Walter ‘Sonny’ Rollins nascido em New York, entre o final dos anos 40 e começo dos anos 50 trabalhou com o que havia de melhor no bebop, entre eles, Art Blakey, Thelonious Monk, Bud Powell, Miles Davis e Tadd Dameron. Suas primeiras gravações como líder ocorreram em 1951. Rollins se juntou ao quinteto do trompetista Clifford Brown e do baterista Max Roach de 1955 a 57 e a partir da morte de Brown passou a liderar e gravar com seus próprios grupos. A obra realizada por Rollins no período de 1957 a 59 é fantástica, pois nela foram criados momentos inesquecíveis do jazz moderno. Dessa obra, se destacam ‘Saxophone Colossus’, ‘Way Out West’ e ‘Freedom Suite’. Em 1959 ele se ausentou do mundo do jazz, retornando só em 1962 com o álbum ‘The Bridge’ tocando com o guitarrista Jim Hall, o baixista Bob Cranshaw e o baterista Ben Riley. O nome do disco se deve ao fato de que durante sua ausência ele praticava seu sax na Williamsburg Bridge em New York. Depois de gravar numerosos álbuns na década de 60 ele viajou para a India em 1968. Um ano depois deixou o jazz novamente, só retornando às gravações em 1971 com muitos álbuns e também várias excursões internacionais bem como intensa participação em festivias de jazz nos Estados Unidos e na Europa. Leia +...



Paul Quinichette

Paul Quinichette (1916 - 1983) foi um saxofonista tenor e ficou conhecido como ‘Vice President’ ou ‘Vice Prez’ por seu estilo semelhante a Lester Young. Muitos tentaram, mas ele foi o mais bem sucedido em seguir o estilo de Young. Paul Quinichette trabalhou com muitos grandes músicos, e tocou em alguns dos álbuns mais notórios. Se ele está um pouco esquecido hoje, é porque o estilo tenor que ele seguiu está atualmente em desuso. E esse fato não diminui a sua música. Paul Quinichette se mudou para Nova York em 1946 e tocou com Jay McShann, Louis Jordan e Henry Red Allen antes de ser contratado em 1952 por Count Basie para substituir e tocar solos de Lester Young. Ele desempenhou esse papel, excepcionalmente, ao ponto de copiar os maneirismos de Young. Tocou com Benny Goodman em 1955; gravou com Billie Holiday e participou de sessões com John Coltrane. Paul Quinichette deixou o jazz em finais dos anos 50, trabalhando em Nova York como engenheiro. Em 1977 voltou e gravou alguns álbuns e passou algum tempo tocando com o pianista Jay McShann, mas problemas de saúde o forçaram a aposentar-se novamente, e ele morreu em 1983.




the ultimate jazz archive 28


28-1: Jay Jay Johnson (1949-1953)
parte I    parte II

Tracklist
01. Teapot 02. Afternoon in Paris 03. Elora 04. Blue mode (1) 05. Blue mode (2) 06. Capri 07. Lover man 08. Turnpike 09. Sketch 10. It could happen to you 11. Get happy 12. Capri (2) 13. Turnpike (2) 14. Get Happy (2)

28-2: Gerry Mulligan (1950-1953)
parte I    parte II

Tracklist
01. It may be wrong 02. So what 03. Westwood walk 04. Flash 05. A ballad 06. Ontet 07. Half Nelson 08. Walkin' shoes 09. Simbah 10. Speak low 11. Taking a chance on love 12. Varsity drag 13. Lady Bird 14. Love me or leave me 15. Swing house 16. Rocker

28-3: Sonny Rollins (1951-1953)
parte I    parte II

Tracklist
01. Scoops 02. With A Song In My Heart 03. Newk's Fadeaway 04. Time On My Hands 05. This Love Of Mine 06. Shadrack 07. On A Slow Boat To China 08. Mambo Bounce 09. I Know 10. Dig 11. It's Only A Papermoon 12. Denial 13. Out Of The Blue 14. Almost Like Being In Love 15. In A Sentimental Mood 16. No Moe 17. The Stopper 18. Friday The 13th

28-4: Paul Quinichette (1951-1953)
parte I    parte II

Tracklist
01. Cross Fire 02. Sandstone 03. Prevue 04. No Time 05. Shad Roe 06. Paul's Bunion 07. Crew Cut 08. The Hook 09. Samie 10. I'll Always Be In Love With You 11. Sequel 12. Bustin' Suds 13. Let's Make It 14. P.Q. Blues 15. Bot Bot 16. Green's Blues 17. You Belong To Me 18. Birdland Jump 19. Seepy Time Gal 20. Galoshes And Rubbers 21. People Will Say We're In Love 22. Rose Of Bidland 23. No Parking



the beach boys

the beach boys‘The Beach Boys’ foi uma banda pop de destaque no início dos anos sessenta. As origens do grupo estão em Hawthorne, Califórnia, um subúrbio a sul de Los Angeles situado perto da costa do Pacífico. Os irmãos Brian, Dennis e Carl Wilson cresceram perto do oceano, mas apenas Dennis tinha qualquer interesse em surfar. Os três eram estimulados pelo fascínio de Brian pela música dos anos 50 e o primo Mike Love, muitas vezes unia-se às sessões de improviso musical, assim como o companheiro de equipe de futebol Al Jardine. Seus pais ajudaram na compra dos instrumentos, com Brian no baixo, Carl na guitarra e Dennis na bateria. Posteriormente foram incluídos o compositor Bruce Johnston, e os sul-africanos Blondie Chaplin e Ricky Fataar. ‘The Beach Boys’ é frequentemente considerado como a resposta americana aos 'Beatles', apesar de lançarem o seu álbum de estréia dois anos antes. Ao contrário do que se poderia esperar, ‘The Beach Boys’ tem uma das histórias mais longas e mais fascinantes na história recente, com muito sol, surfe e esquizofrenia. Antes mesmo de começarem profissionalmente, eles tinham cantado juntos durante anos, tocando na escola sob vários nomes tais como ‘Carl and the Passions’ e ‘Kenny and the Cadets’. O início efetivo se deu na garagem da casa, em 1961, quando os pais dos irmãos Wilson foram para o México em um viagem de negócios, e eles gravaram ‘Surfin’ escrita por Brian e Mike. Depois de descobertos pela rádio local assinaram com a ‘Capitol Records’. Antes do lançamento de qualquer material para a gravadora, no entanto, Jardine deixou a banda para cursar a faculdade. Um amigo o substituiu e rapidamente estavam nas paradas como a primeira banda ‘surf rock’ da nação e popularizaram a cultura da Califórnia em todo o país. No início de 1963, Jardine retornou e retomou o seu lugar no grupo. Até o final do ano, os ‘Beach Boys’ tinham gravado três LPs e excursionavam incessantemente. O grupo também realizou turnês promocionais na Europa. Além disso, Brian começou a crescer como produtor.

the beach boys

(da esquerda para a direita)
Carl Wilson, Dennis Wilson, Mike Love, Al Jardine, Brian Wilson

No entanto, as pressões foram demais para Brian. O estresse das várias turnês, o uso de drogas e o desejo obsessivo de superar os ‘Beatles’ levou Brian a um colapso nervoso que o afastou das viagens. Os demais continuaram a excursionar com Glen Campbell a substituí-lo primeiramente, e Bruce Johnston depois, enquanto ele ficava em casa escrevendo e fazendo uso do talento de ‘The Wrecking Crew’, banda de estúdio de Los Angeles liderada pelo baterista Hal Blaine, um dos mais bem sucedidos grupos de músicos de estúdio na história da música. Com o apoio de ‘The Wrecking Crew’, Brian Wilson compôs clássicos como ‘California Girls’, ‘Help Me Rhonda’ e ‘Please Let Me Wonder’. No final de 1965, os ‘Beatles’ lançaram ‘Rubber Soul’. Espantado com a qualidade musical do álbum, Brian começou a escrever canções com a ajuda do letrista Tony Asher. O resultado, lançado em maio de 1966 como ‘Pet Sounds’, é um dos álbuns mais influentes, é o que a maioria dos críticos chama de o maior álbum pop de todos os tempos. Mas, não conseguiu impressionar o público americano. Por outro lado, a reação de todo o mundo não foi apenas positiva, mas exultante. Na Inglaterra, o álbum atingiu o número dois e a banda foi nomeada o melhor grupo acima até mesmo dos 'Beatles'. ‘Pet Sounds’ trouxe uma profundidade totalmente nova para a música, com técnicas avançadas de produção e letras poderosas sobre temas como solidão, saudade, auto-isolamento, e o poder da comunicação não verbal. Paul McCartney revelou que ‘Pet Sounds’ foi uma grande influência no álbum ‘Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band’.

the beach boys

'The Beach Boys' a primeira banda ‘surf rock’

A partir daí, no entanto, a história se torna longa e trágica. Depois de ‘Pet Sounds’ lançado, Brian Wilson pretendia ofuscá-lo com um álbum novo e revolucionário chamado ‘Smile’. Contudo, a falta de apoio da gravadora combinado com sua psique doente e o abuso de drogas levou ao cancelamento do álbum em 1967. A banda lançou então ‘Smiley Smile’, supostamente mais comercial, em oposição ao ‘estranho’ ‘Smile’. O álbum foi um fracasso, e ‘The Beach Boys’ lutava para continuar nas paradas até o início dos anos 70. Como os ‘Beatles’ estavam inaugurando a era psicodélica, a multidão de adolescentes rapidamente começou a ver os ‘Beach Boys’ como um grupo conservador. Um ano depois, assinaram contrato com a ‘Reprise Records’. O primeiro álbum foi ‘Sunflower’, um álbum surpreendentemente forte com canções escritas por diferentes membros da banda. Durante este tempo, Brian permaneceu escondido em seu quarto; Dennis Wilson se tornou amigo de Charles Manson, líder do grupo que cometeu vários assassinatos, entre eles o da atriz Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski; e os irmãos Wilson dominados pelo pai Murry Wilson venderam o catálogo de suas canções por uma soma irrisória de 750 mil dólares, um catálogo que é estimado hoje em 75 milhões de dólares. O grupo seguiu em frente na década de 70 e 80, com Brian apenas um participante inconsistente e cada membro revelou talentos individuais nunca totalmente desenvolvidos durante os anos 60.

the beach boys

Alemanha (1966)

As coisas começaram a melhorar em 1974, quando a ‘Capitol Records’ lançou o álbum de grandes hits, ‘Endless Summer’, que não só ganhou disco de platina triplo e restaurou a vida financeira da banda, mas também impulsionou-os de volta à relevância cultural. Eles decidiram iniciar a gravação de um novo álbum e tentaram atrair Brian Wilson de volta ao estúdio. Durante este tempo, Brian estava sendo submetido à uma terapia não convencional, que foi capaz de mantê-lo ligeiramente mais saudável e disposto a trabalhar com o grupo novamente. Ele produziu dois álbuns, ‘15 Big Ones’ e ‘Love You’ e também reapareceu no palco com a banda. Mas, é claro que Brian não estava bem o suficiente e ele começou a escorregar de volta para seus antigos hábitos. Mike Love assumiu a liderança da banda neste momento, e Carl e Dennis Wilson compunham canções em seu lugar. Ambos criaram memoráveis músicas, com Dennis Wilson compondo para seu próprio álbum solo, ‘Pacific Ocean Blue’, que é agora considerado como sendo tão incrível quanto o que Brian fez. No entanto, Dennis também estava propenso ao alcoolismo e comportamento auto-destrutivo, e morreu afogado em 1983. Alcoolizado, bateu a cabeça em outro barco quando mergulhou para reaver bens pessoais que ele tinha jogado fora de seu amado iate, ‘Harmony’. A pedido do presidente Reagan, ele se tornou um dos poucos civis a ser enterrado no mar.

the beach boys

1967: época em que Brian Wilson saiu da banda

‘The Beach Boys’, basicamente capengou na década de 80 e 90, sendo apenas ‘Kokomo’ um hit de sucesso em 1988. Com Brian Wilson regredindo, nos dez anos seguintes, ele foi novamente submetido às terapias não convencionais do Dr. Eugene Landy. Landy não só tratava a doença de Brian de maneiras extremas e questionáveis, mas também se intrometia em seus assuntos musicais e isolava Brian de seus amigos e familiares, enquanto milhares de dólares iam para as suas contas. Em 1991, um processo judicial bem sucedido separou Landy de Brian. Ele se recuperou de forma magnífica, e em 1996, foi persuadido a voltar novamente como produtor da banda. No entanto, tudo o que veio foi ‘Stars and Stripes Vol. 1’, um álbum fraco interpretado por artistas de segunda categoria. Qualquer chance de uma reunião que realmente valesse alguma coisa foi interrompida pela morte de Carl Wilson, de câncer, em 1998. Os 'Beach Boys' sobreviventes eram Mike Love, Bruce Johnston, e uma variedade de músicos; Brian Wilson continuou a gravar com eles e Al Jardine, que deixou o grupo original após a morte de Carl agora excursionava com seu filho e outros músicos conhecidos como ‘Al Jardine's Endless Summer Band’. Vários artistas têm citado ‘The Beach Boys’ como uma grande influência, basicamente o gênero rock indie todo.

the beach boys - surf's up


‘The Beach Boys Today!’ é o oitavo álbum de estúdio da banda e o primeiro de três lançados em 1965. ‘The Beach Boys Today!’ marcou o começo de grandes mudanças na banda, em particular, na vida pessoal do líder Brian Wilson. Aqui começa a revolução, o surf music fica de lado, e o experimentalismo, embora discretíssimo, começa a fazer parte das composições da banda. Músicas mais maduras, baladas lindas e grandes clássicos. Após ‘Pet Sounds’, o álbum é provavelmente o mais aclamado da carreira dos ‘Beach Boys’. O álbum inclui a versão original do sucesso clássico, ‘Help Me, Rhonda’.

‘Pet Sounds’ é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda lançado pela ‘Capitol Records’. É considerado um dos discos mais influentes da música pop, e classificado como número # 1 em várias listas de maiores álbuns de todos os tempos em revistas especializadas. Brian Wilson parou de excursionar com a banda e concentrou a sua atenção nas composições e gravações. Nesse trabalho, ele teceu camadas elaboradas de harmonias vocais, juntamente com efeitos de som e instrumentos não-convencionais, como sinos de bicicleta, órgãos, cravos, flautas, teremim, e apitos para cães, junto com instrumentos mais usuais como teclados e guitarras. ‘Pet Sounds’ está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. É um dos primeiros álbuns do ‘art rock’, ou seja, rock em forma de arte. Os principais alicerces para este álbum são encontrados nos álbuns anteriores de 1965, ‘The Beach Boys Today!’ e ‘Summer Days’ (and Summer Nights!).

‘Wild Honey’ é o décimo terceiro álbum de estúdio da banda e o primeiro dos ‘Beach Boys’ desde ‘Surfin' USA’ a não ser produzido unicamente por Brian Wilson, que vinha abdicando gradualmente da liderança musical da banda desde as difíceis sessões do abortado ‘Smile’. ‘Wild Honey’ é um disco recheado de tendências funk, dançante, e com instrumentos exóticos.

the beach boys today! (1965)    the beach boys - pet sounds (1966)    the beach boys - wild honey (1967)

The Beach Boys Today! (1965)

Tracklist
01. Do you wanna dance? 02. Good to my baby 03. Don't hurt my little sister 04. When I grow up (to be a man) 05. Help me, Ronda 06. Dance, dance, dance 07. Please let me wonder 08. I'm so young 09. Kiss me, baby 10. She knows me too well 11. In the back of my mind 12. Bull sessions with Big Daddy

Pet Sounds (1966)

Tracklist Side One: 01. Wouldn't It Be Nice 02. You Still Believe in Me 03. That's Not Me 04. Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder) 05. I'm Waiting for the Day 06. Let's Go Away for Awhile 07. Sloop John B

Tracklist Side Two: 01. God Only Knows 02. I Know There's an Answer 03. Here Today 04. I Just Wasn't Made for These Times 05. Pet Sounds 06. Caroline No

Wild Honey (1967)

Tracklist
01. Wild Honey 02. Aren't You Glad 03. I Was Made To Love Her 04. Country Air 05. A Thing Or Two 06. Darlin' 07. I'd Love Just Once To See You 08. Here Comes The Night 09. Let The Wind Blow 10. How She Boogalooed It 11. Mama Says

‘Friends’ é o décimo quarto álbum de estúdio da banda e o primeiro a ser lançado somente em estéreo. ‘Friends’ só atingiu #126 nas paradas americanas, indicando que a banda já não era tão popular em seu país. No Reino Unido, mais tarde, foi bem mais popular, alcançando #13. Apesar de pouco respaldo na mídia e ser mal compreendido, ‘Friends’ define a maturidade artística dos ‘Beach Boys’ como um todo, e é considerado como uma das maiores obras primas da banda pela sua diversidade melódica, harmônica, rítmica e instrumental. Vocalmente, é considerado perfeito.

‘Sunflower’ é o décimo sexto álbum de estúdio do grupo e o primeiro pela ‘Reprise Records’. Rock’n’roll melódico, alegre, totalmente no espírito paz e amor, desde a capa.

‘Surf´s Up’ é o décimo sétimo álbum com base em uma canção de mesmo título escrita por Brian Wilson e Van Dyke Parks para o abandonado álbum ‘Smile’. ‘Surf's Up’ é um dos mais maduros discos dos ‘Beach Boys’, mantendo o tom experimental dos discos anteriores. Toques de rock progressivo são encontrados, como na faixa ‘Feel Flows’. A faixa título foi elogiada na época de sua composição nas sessões de ‘Smile’ por músicos ligados à música erudita como Leonard Bernstein, dizendo ser um acontecimento novo da música popular na época.

the beach boys - friends (1968)    the beach boys - sunflower (1970)    the beach boys - surf's up (1971)

Friends (1968)

Tracklist Side One: 01. Meant For You 02. Friends 03. Wake The World 04. Be Here In The Mornin’ 05. When A Man Needs A Woman 06. Passing By

Tracklist Side Two: 01. Anna Lee, The Healer 02. Little Bird 03. Be Still 04. Busy Doin’ Nothin’ 05. Diamond Head
06. Transcendental Meditation

Sunflower (1970)

Tracklist Side One: 01. Cottonfields 02. Slip on Through 03. This Whole World 04. Add Some Music to Your Day 05. Deidre 06. Got to Know the Woman 07. It’s About Time

Tracklist Side Two: 01. Tears in the Morning 02. All I Wanna Do 03. Forever 04. Our Sweet Love 05. At My Window 06. Cool, Cool Water

Surf´s Up (1971)

Tracklist
01. Don't Go Near The Water 02. Long Promised Road 03. Take A Load Off Your Feet 04. Disney Girls (1957) 05. Student Demonstration Time 06. Feel Flows 07. Lookin' At Tomorrow (A Welfare Song) 08. A Day In The Life Of A Tree 09. 'Til I Die 10. Surf's Up

‘Carl and the Passions - So Tough’ é o décimo oitavo álbum de estúdio da banda. É tratado com indiferença por boa parte dos fãs por ser o trabalho mais diferente do grupo e por ser em parceria com os sul africanos Blondie Chaplin e Ricky Fataar, da banda ‘The Flames’. Não sendo considerado como um puro ‘Beach Boys’, o disco é a penúltima obra prima do grupo, sendo a última o ‘Holland’, também com a parceria deles. Muitos consideram falta de coesão, outros consideram como um disco versátil. Foi Carl Wilson que teve a idéia de chamar esta parceria e de mudar bastante o som da banda. Desde o ‘Wild Honey’ o grupo não tinha mais se enveredado tanto para o soul, blues e R&B, exceto algumas do ‘Sunflower’. ‘Carl and the Passions - So Tough’ mostra elementos fortes do gospel em ‘He Come Down’, blues-country em ‘Hold On Dear Brother’, e as outras bastante voltadas ao R&B e soul clássicos, além do rock ‘Marcella’. As baladas fortes e melancólicas de Dennis Wilson em parceria com Daryl Dragon marcam a mudança no disco em ‘Make It Good’ e ‘Cuddle Up’. O disco é cuidadosamente executado e é musicalmente respeitado, sendo como a preparação do vanguardista ‘Holland’ no ano seguinte, considerado por críticos com a última pérola dos ‘Beach Boys’, mesmo seguindo com bons álbuns após ele. ‘Carl and the Passions - So Tough’ é o álbum predileto de Elton John.

carl and the passions - so tough (1972)    the very best of the beach boys (2001)

Carl and the Passions - ‘So Tough’ (1972)

Tracklist
01. You Need a Mess of Help to Stand Alone 02. Here She Comes 03. He Come Down04. Marcella 05. Hold On Dear Brother 06. Make It Good 07. All This Is That 08. Cuddle Up

The Very Best of (2001)

Tracklist
01. Good Vibrations 02. California Girls 03. I Get Around 04. Wouldn't It Be Nice 05. Surfin' Safari 06. Fun, Fun, Fun 07. Surfin' USA08. Help Me Rhonda 09. Don't Worry Baby 10. When I Grow Up (To Be a Man) 11. Little Deuce Coupe 12. Dance, Dance, Dance 13. Little Honda 14. Do You Wanna Dance? 15. Surfer Girl (song) 16. Then I Kissed Her 17. God Only Knows 18. Caroline, No 19. Sloop John B 20. Barbara Ann 21. Heroes and Villains 22. Do It Again 23. Darlin' 24. Wild Honey 25. Break Away 26. Rock and Roll Music 27. I Can Hear Music28. Cotton Fields (The Cotton Song) 29. Lady Lynda
30. Kokomo

ABC of the blues 14: earl hooker & screamin' jay hawkins

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earl hookerEarl Hooker (1929 - 1970) foi guitarrista de Chicago que se apresentou com Sonny Boy Williamson II, Junior Wells e seu primo John Lee Hooker, bem como a frente de suas próprias bandas. Um guitarrista no início da guitarra elétrica influenciado pelo estilo urbano de T-Bone Walker e Robert Nighthawk. T-Bone Walker era popular nesta época e teve um impacto considerável sobre Hooker. Nighthawk ensinou a Hooker as técnicas do slide. Além de gravar com artistas conhecidos, gravou vários singles e álbuns como líder de bandas. No final dos anos 60, Hooker começou a se apresentar em faculdade e circuitos de concertos e tinha vários contratos de gravação. Hooker tocava nas esquinas das ruas de Chicago com amigos de infância, incluindo Bo Diddley. Junior Wells, outra figura importante na carreira de Hooker, entrou em sua vida também neste momento. Os dois foram artistas de rua e às vezes em tempos de chuva eles tocavam em bondes. Um dos singles de maior sucesso de Hooker foi ‘Frog Hop’. A sua ‘Blue Guitar’, com letra de Willie Dixon e JB Lenoir, e tocada com slide, mais tarde foi sobreposta com vocais por Muddy Waters e se tornou a popular ‘You Shook Me’. ‘You Need Love’, novamente com letra de Willie Dixon também foi sucesso. Mais tarde, bandas de rock como Led Zeppelin gravaram ‘You Shook Me’ e ‘You Need Love’. Com 41 anos, Earl Hooker morreu de complicações devido à tuberculose. Embora ele tenha sido um bluesman no coração, foi adepto de diversos estilos musicais, que ele incorporou como lhe convinha. Dependendo do seu humor e reação do público, Hooker incluía em suas apresentações o blues, boogie-woogie, R&B, soul, bebop, e até mesmo o pop. Earl Hooker foi um showman no estilo de T-Bone Walker, Guitar Slim e Johnny ‘Guitar’ Watson. Usava roupas espalhafatosas e tocava a guitarra com os dentes ou com os pés ou jogava-a atrás do pescoço ou entre as pernas. Embora não tenha recebido o reconhecimento do público, Hooker era altamente considerado por seus colegas músicos. Muitos o consideram como um dos maiores guitarristas do blues moderno.

screamin' jay hawkinsScreamin' Jay Hawkins (1929 - 2000), foi músico, cantor e ator. Famoso principalmente por sua poderosa voz e apresentações teatrais de canções como em ‘I Put a Spell on You’, por vezes, utilizando adereços macabros, fazendo dele o primeiro ‘shock rock’, termo genérico para os artistas que combinam rock com elementos teatrais ao vivo. Excêntrico, com uma voz poderosa, Screamin 'Jay Hawkins é talvez o mais folclórico bluesman de todos os tempos. Não só pela aparência, mas pelas apresentações inusitadas. Seus shows eram bizarros, com caixões, aranhas falsas e fogos de artifício. Alucinado e macabro, subia ao palco com um cajado e uma caveira na ponta e vestido como um líder voodoo africano. O sucesso veio em 1956 quando gravou seu maior sucesso: ‘I Put a Spell On You’ uma das melhores músicas de todos os tempos e regravada por 'Creedence Clearwater Revival', 'Them', a ex-banda de Van Morrison, 'The Animals', Joe Cocker, Nick Cave, Ray Charles, Bryan Ferry, Buddy Guy e Nina Simone e até por Marilyn Manson. Screamin' Jay Hawkins faleceu após cirurgia para tratar de um aneurisma. Sua vida é cercada de vários mistérios, dizem que deixou 55 filhos com várias mulheres, após investigação, esse número subiu para 75 filhos. O certo é que Screaming Jay Hawkins escreveu o seu nome na história do blues. Leia +...


Tracklist
01. Earl Hooker - Sweet Black Angel
02. Earl Hooker - Earl's Boogie Woogie
03. Earl Hooker - Goin' Down the Line
04. Earl Hooker - Guitar Rag
05. Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell on You
06. Screamin' Jay Hawkins - Yellow Coat
07. Screamin' Jay Hawkins - If You Are But a Dream
08. Screamin' Jay Hawkins - You Made Me Love
09. Screamin' Jay Hawkins - Orange Colored Sky
10. Screamin' Jay Hawkins - Hong Kong
11. Screamin' Jay Hawkins - Baptize Me in Wine
12. Screamin' Jay Hawkins - Not Anymore
13. Screamin' Jay Hawkins - I Hear Voices
14. Screamin' Jay Hawkins - The Whammy
15. Screamin' Jay Hawkins - Little Demon
16. Screamin' Jay Hawkins - Poor Folks
17. Screamin' Jay Hawkins - Your Kind of Love
18. Screamin' Jay Hawkins - Ashes
19. Screamin' Jay Hawkins - Swing Low, Sweet Chariot
20. Screamin' Jay Hawkins - Ol' Man River



ABC of the blues volume 14

parte I    parte II



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art pepper

Art Pepper (1925 - 1982) foi clarinetista e saxofonista de cool jazz, estilo surgido no final da década de 40 em New York. O estilo caracteriza-se por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica e um de seus maiores representantes foi Miles Davis. Arthur Edward Pepper Jr. nasceu na Califórnia, mas viveu vários anos em Los Angeles. Iniciou a sua carreira musical nos anos 40, tocando nas orquestras de Benny Carter e de Stan Kenton. Entre 1944 e 1946, cumpriu o serviço militar e na década seguinte, tornou-se um dos principais músicos do jazz da costa oeste dos EUA, juntamente com Chet Baker e Gerry Mulligan, entre outros. Ao mesmo tempo que cumpria o serviço militar, Pepper consumia heroína, o que levou a várias interrupções na carreira, e alguns períodos na prisão, nos anos 50 e 60. Estes períodos influenciaram o seu trabalho, levando-o a adotar um som mais pesado, característico de John Coltrane. Na década de 50, Art Pepper foi um dos poucos, juntamente com os também saxofonista Lee Konitz e Paul Desmond, capaz de desenvolver seu próprio som, apesar da influência dominante de Charlie Parker. Entre 1969 e 1971, passou algum tempo em uma clínica de reabilitação para dependentes. Voltou às gravações, editando diversos álbuns, após iniciar tratamento com metadona, narcótico idêntico nas suas propriedades à morfina, utilizado principalmente no tratamento dos dependentes de heroína, agindo nos mesmos receptores e com os mesmos efeitos. Em 1980, Art Peeper escreve a sua autobiografia, ‘Straight Life’, que descreve o mundo do jazz, das drogas e o sub-mundo do crime, na Califórnia. Quando Art Pepper morreu aos 56 anos de idade, de um derrame, ele tinha alcançado a sua meta de se tornar um dos grandes do jazz.



shorty rogers

Shorty Rogers (1924 - 1994), nascido em Massachusetts como Milton Rajonsky foi um dos principais criadores do west coast jazz, estilo que se desenvolveu em torno de Los Angeles e San Francisco na década de 50 e é muitas vezes visto como um sub-gênero do cool jazz. Shorty Rogers tocou tanto o trompete quanto o flugelhorn. Trabalhou primeiro como músico profissional, com o trombonista e bandleader Will Bradley e o vibrafonista Red Norvo. De 1947 a 1949, com Woody Herman e em 1950 e 1951 com Stan Kenton. De 1953 até 1962 Rogers gravou uma série de álbuns com seu próprio grupo, ‘Shorty Rogers and His Giants’. Em 1954 gravou o álbum ‘The Three and the Two’ com o baterista Shelly Manne e o clarinetista e saxofonista Jimmy Giuffre. Grande parte da música que ele gravou com Giuffre mostrou o seu lado experimental, resultando em uma forma primitiva de avant-garde jazz, também conhecido como avant-jazz, estilo que muitas vezes soa muito semelhante ao free jazz. Shorty Rogers também fez gravações notáveis com Art Pepper e Andre Previn, entre outros, e incorporou também o estilo de Count Basie, sua grande inspiração. Rogers se tornou mais conhecido por suas habilidades como compositor e arranjador do que como trompetista. No início dos anos 60, deixou de tocar o trompete e abandonou a cena do jazz durante muitos anos. Entre as atividades de compor e arranjar, ele organizou uma série de registros para ‘The Monkees’, grupo de pop rock dos anos 60, e na década de 70 escreveu a trilha para as séries de TV ‘The Partridge Family’ e ‘Starsky & Hutch’. Finalmente, em 1982, foi convencido a voltar para o jazz, pela primeira vez com uma orquestra na Inglaterra e depois com o flautista e saxofonista Bud Shank. Na década 90 formou o ‘Lighthouse All Stars’, um grupo com Shank, e os saxofonistas Bill Perkins e Bob Cooper.



horace silver

Horace Silver (1928), um dos mentores do hard bop tocou com Stan Getz, Coleman Hawkins, Lester Young e Miles Davis, e teve uma associação marcante com Art Blakey e o seu grupo ‘Jazz Messengers’. Horace Ward Martin Tavares Silva foi influenciado por vários estilos musicais, o gospel, a música africana, e a latino-americana e se aventurou no gênero soul jazz. Compositor de vários temas que ficaram bastante conhecidos, Horace Silver ficou associado ao estilo de piano conhecido como ‘funky’, inspirado no soul e no gospel e que se caracteriza por uma repetição obstinada de figuras rítmicas sincopadas e com improvisos mais longos do que no bebop. Silver é um pianista de toque duro, entrecortado e percussivo. Sua música é vigorosa e fortemente rítmica. É um excelente intérprete de blues. As suas primeiras influências foram os estilos de boogie-woogie e o blues. Em 1956 formou seu próprio quinteto e desde então trabalha bastante com esse tipo de formação, sendo um dos principais líderes de pequenos conjuntos. Com as convulsões sociais e culturais que sacudiram os EUA durante o final dos anos 60 e início de 70, Horace Silver respondeu a essas mudanças através da música. Passou quase trinta anos associado ao selo Blue Note e os seus descendentes musicais e de seu jazz funky são Herbie Hancock e Wayne Shorter. A música de Silver tem sido uma força importante no jazz moderno e o seu talento não passou despercebido entre os músicos de rock com influências do jazz.



chet baker

Chet Baker (1929 - 1988), é figura mitológica do jazz, em grande parte por fatores extramusicais, o que não significa que sua música não seja extraordinária. Chesney Henry Baker Jr. nasceu em Oklahoma e foi criado em Los Angeles. De seu pai, guitarrista amador de bandas de country, além de herdar o nome herdou também o amor pela música; foi ele quem lhe deu um trompete quando fez treze anos, para que pudesse entrar para a banda do colégio. No entanto, Chet não gostava de estudar música. Aos dezessete anos saiu da escola e entrou para o exército. Transferido para Berlim tocou na banda militar e nesse período, na Europa, ouviu jazz pela primeira vez transmitido pela rádio do exército. Ao sair do exército vagou por Los Angeles ouvindo Miles Davis, Fats Navarro e participando de 'jam sessions' durante a noite. Estava se apresentando em Los Angeles quando ficou sabendo que Charlie Parker estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê. A sessão de audição de Charlie Parker para a escolha de um candidato terminou quando ele ouviu o trompete de Chet Baker, então com 22 anos. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroia. Em 1952, quando Gerry Mulligan começou a formar seu famoso quarteto sem piano, escolheu Baker, com quem já havia tocado em 'jam sessions'. A formação foi um sucesso incrível e durou cerca de um ano, até Mulligan ser preso por posse de heroína. Com a saída de Mulligan, Baker convidou o pianista Russ Freeman para substituí-lo. Após discussões envolvendo dinheiro o quarteto se desfez e Baker seguiu para a Europa. A turnê ia bem até a morte por overdose do pianista de 24 anos, Dick Twardzik. Sozinho, Baker permaneceu na Europa tocando com vários músicos. De volta aos EUA, começou a consumir heroína e foi preso. Resolveu voltar para a Europa onde viveu por quatro anos na Itália, foi preso, casou e teve um filho. Em 1964 voltou novamente aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles. Restando pouco espaço para o jazz gravou discos comerciais de baixíssimo valor artístico. Época em que perdeu vários dentes em uma briga por heroína o que o levou a abandonar o instrumento de 1970 a 1973. Em viagem pelo Colorado ouviu Dizzy Gillespie tocar em um clube. Foi o início do seu retorno quando Gillespie ficou sabendo do seu esforço para voltar à cena musical e lhe arrumou uma temporada em New York. Chet Baker foi o músico cool por excelência, sendo um dos pais deste estilo, não apenas musicalmente, mas também na atitude de calculada indolência, que se tornou famosa. Um jeito que escondia a dura realidade: a devastadora dependência de drogas que fez com que durante décadas Chet Baker se visse em um labirinto infernal de crises pessoais, contratos interrompidos, brigas, internações e prisões. Sua aparência sofreu ao longo da vida uma transformação impressionante, devido ao uso de heroína e suas conseqüências. O outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar com sessenta. Mas mesmo com tudo isso, milagrosamente, o gênio musical de Chet mantinha-se intacto como atesta a sua vasta discografia. Baker morreu em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa, quando despencou da janela do hotel. Até hoje resistem muitas controvérsias sobre a causa de sua partida: suicídio ou acidente? Leia +...




the ultimate jazz archive 29


29-1: Art Pepper (1950-1954)
parte I    parte II

Tracklist
01. The Count On Rush Street 02. Pooch Mcgooch 03. Brown Gold 04. Holiday Flight 05. Surf Ride 06. Tickle Toe 07. Chili Pepper 08. Suzy The Poodle 09. Straight Life 10. Cinnamon 11. Thyme Time 12. The Way You Look Tonight 13. Nutmeg 14. Art's Oregano 15. Over The Rainbow 16. Popo 17. Didi 18. Sam And The Lady 19. Apropos 20. Art Pepper

29-2: Shorty Rogers (1951-1956)
parte I    parte II

Tracklist
01. Moton Swing 02. Isn't It Romantic 03. Four Mothers 04. Dickie's Dream 05. Over The Rainbow 06. The Lady In Red 07. Just A Few 08. My Heart Stood Still 09. Blues Way Up There 10. Blues Way Down There 11. Easy 12. Not Really The Blues 13. Baklava Bridge 14. Clickin' With Clax 15. Twelfth Street Rag

29-3: Horace Silver (1952)
parte I    parte II

Tracklist
01. Quicksilver 02. Horoscope 03. Thou swell 04. Safari 05. Ecaroh 06. Prelude to a kiss 07. Yeah 08. I remember you 09. Knowledge box 10. Day in, day out 11. Opus de funk 12. How about you 13. Buhaina 14. Silverware

29-4: Chet Baker (1952-1954)
parte I    parte II

Tracklist
01. Freeway 02. My Old Flame 03. Five Brothers 04. My Funny Valentine 05. Come Out Wherever You are 06. What's New 07. Half Nelson 08. All The Things You Are 09. Bea's Flat 10. Moon Love 11. Happy Little Sunbeam 12. Pro Defunctus 13. Moonlight Becomes You 14. Bockhanal



the sonics

the sonics‘The Sonics’ cujo nome foi inspirado nas fábricas da indústria aeroespacial 'Boeing', em Seattle, foi uma banda de garagem com sucesso após sucesso nas paradas locais e, inexplicavelmente, nunca foi capaz de romper as fronteiras nacionais. A banda tocou clássicos de Little Richard e Chuck Berry, mas também compôs canções próprias e com essas atingiram o status de lenda. As letras inspiradas em conjunto com a guitarra distorcida e os vocais gritados histericamente fizeram das canções ‘(She's a)Witch’, ‘Boss Hoss’, ‘Cinderella’, ‘Psycho’ e ‘Strychnine’ verdadeiros clássicos. ‘The Sonics’ foi formado em 1963, em Tacoma, Washington, particularmente influenciado pela banda de rock britânica ‘The Kinks’ e na esteira do sucesso das bandas dos anos 60, ‘The Kingsmen’, outra banda de garagem de Portland, Oregon; e ‘The Wailers’, uma das primeiras, se não a primeira banda de garagem, também de Tacoma, não confundir com o grupo jamaicano ‘The Wailers’, que teve Bob Marley.

Os membros originais foram Gerry Roslie (vocalista, piano e órgão), Andy Parypa (baixo), Larry Parypa (guitarra), Bob Bennett (bateria) e Rob Lind (saxofone). ‘The Sonics’ começou a tocar nas paróquias e em seguida em clubes de dança. Foi o baixista Buck Ormsby do ‘The Wailers’ que descobriu a banda e a levou para gravar no seu selo ‘Etiquette Records’. Buck ficou admirado com a guitarra suja de Larry e com os berros de Gerry ao microfone. Gerry Roslie era nada menos que um Little Richard branco, cujos angustiantes gritos foram surpreendentes até mesmo para o público adolescente da região, que gostava da sua música poderosa e com pouca consideração para sutilezas comerciais. Ao contrário do que era costume naqueles dias a banda tocava o mais alto possível. Uma das histórias diz que os integrantes da banda só ficavam satisfeitos quando todos os medidores do estúdio de gravação ficassem continuamente no vermelho, levando os técnicos à loucura.

the sonics 1965

1965

O single com a clássica ‘The Witch’, se tornou um hit quando Pat O'Day o DJ da rádio KJR a colocou no ar. No lado B gravaram ‘Keep A Knockin’, de Little Richard. O primeiro álbum da banda, ‘Here Are the Sonics’ é uma obra-prima: áspero, agressivo, distorcido, e com um rock’n’roll frenético. As canções ‘(She's a) Witch’, ‘Psycho’ e ‘Strychnine’ escritas por Gerry Roslie são excepcionais. O segundo álbum, ‘Boom’ não é tão frenético, mas ainda fantasticamente bom. A canção de rhythm and blues composta por Richard Berry em 1956, ‘Louie Louie’, um dos maiores clássicos da história do rock, é realmente a melhor versão já gravada. Em 1966, ‘The Sonics’ era a banda de abertura para várias outras bandas como os ‘Beach Boys’, ‘The Kinks’, ‘Mamas & Papas’ e os ‘Byrds’. Eles também tocaram juntos com outra banda de garagem, o ‘Liverpool 5’, grupo que fez parte da invasão britânica dos anos 60, e com o trio feminino ‘The Shangri-Las’, um grupo pop norte-americano. O terceiro álbum, produzido por Jerry Dennon da ‘Jerden Records’, foi chamado ‘Introducing The Sonics’, porque foi a estréia em uma grande gravadora. Um álbum comportado, que não agradou aos integrantes. Com pouca liberdade dentro do estúdio, a banda considerou o disco um grande lixo.

the sonics

2008

‘Any Way The Wind Blows’ foi o último single gravado pela formação original. Alguns dos integrantes partiram para a faculdade e outros para outras bandas, sendo o saxofonista Rob Lind o último membro original a sair em 1968. ‘The Sonics’ continua hoje a ser reverenciada por colecionadores no mundo inteiro. Gerry Roslie reformulou a banda em 1979 com um novo line-up para gravar ‘Cinderella for Bomp’. Rob Lind vivendo em Los Angeles, se envolveu na indústria cinematográfica. Gerry Roslie continuou a gravar e compor. Andy Parypa tornou-se professor. A banda voltou para alguns shows em 2007 e gravaram o álbum '8' em 2011, com os eternos clássicos e músicas novas. ‘The Sonics’ foi uma das mais importantes e influentes bandas de garagem, referência para muitos grupos modernos, sendo Iggy Pop, ‘New York Dolls’ e ‘Nirvana’ alguns de seus fãs.

the sonics - strychnine


the sonics - here are the sonics (1965)    the sonics - boom (1966)    the sonics - introducing the sonics (1967)

Here Are the Sonics (1965)

Tracklist
01. The Witch 02. Do You Love Me 03. Roll Over Beethoven 04. Boss Hoss 05. Dirty Robber 06. Have Love Will Travel 07. Psycho 08. Money (That’s What I Want) 09. Walkin’ the Dog 10. Night Time is the Right Time 11. Strychnine 12. Good Golly Miss Molly 13. Keep A Knockin’ 14. Don’t Believe in Christmas 15. Santa Claus 16. The Village Idiot

Boom (1966)

Tracklist
01. Cinderella 02. Don't Be Afraid of the Dark 03. Skinny Minnie 04. Let the Good Times Roll 05. Don't You Just Know It 06. Jenny, Jenny 07. He's Waitin' 08. Louie, Louie 09. Since I Fell for You 10. Hitch Hike 11. It's All Right 12. Shot Down 13. Hustle 14. Witch (Alternate Take) 15. Psycho (Live) 16. Witch (Live)

Introducing The Sonics (1967)

Tracklist
01. The Witch 02. You Got Your Head On Backwards 03. I’m A Man 04. On The Road Again 05. Psycho / Love Lights 06. I’m Going Home 07. High Time 08. I’m A Rolling Stone 09. Like No Other Man 10. Maintaining My Cool 11. Bama Lama Bama Loo 12. Leave My Kitten Alone 13. Dirty Old Man 14. Diddy Wah Diddy

the sonics - the jerden years 1966-1969    the sonics – 8 (2011)

The Jerden Years 1966-1969

Tracklist
01. The Witch 02. You've Got Your Head On Backwards 03. I'm A Man 04. On The Road Again 05. Psycho 06. Dirty Old Man 07. I'm Going Home 08. High Time 09. I'm A Rolling Stone 10. Like No Other Man 11. Maintaining My Cool 12. Bama Lama Lu 13. Leaving My Kitten Alone 14. Hanky Panky 15. Diddy Wah Diddy 16. Anyway The Wind Blows (Pt. 1) 17. Anyway The Wind Blows (Pt. 2) 18. Loveitis 19. Always Love Her 20. Lost Love 21. Good Hard Rock 22. Once Again 23. I'll Stay With You 24. I'm Right 25. Only She Would Do 26. Love Lights 27. Goodbye 28. Near My Soul 29. Wake Me, Shake Me 30. You're In Love

8 (2011)

Tracklist
01. Cheap Shades 02. Bad Attitude 03. Dont Back Down 04. Vampire Kiss 05. Cinderella (Live) 06. Strychnine (Live) 07. Dont Be Afraid Of The Dark (Live) 08. Psycho (Live)

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