virgin steele

‘Virgin Steele’ pode ser classificada como uma das melhores bandas de metal vindas dos EUA nos anos 80. ’Virgin Steele’ toca o que eles chamam de ‘barbaric romanticism‘, uma mistura de música sinfônica, romântica e bombástica com muitos elementos retirados da música clássica e fantasias mitológicas. Normalmente, durante os shows da banda uma espada é queimada no palco. Fãs consideram ‘The Burning of Rome (Cry for Pompeii)’ e ‘Emalaith’ como algumas das canções mais representativas da banda. A banda de New York, se formou no início da década de 80, quando Jack Starr, um guitarrista de origem francesa, estava procurando os elementos certos para formar uma banda de heavy metal. O primeiro a responder ao seu chamado foi o baterista Joey Ayvazian e juntos fizeram testes com 40 vocalistas antes de David DeFeis ser apresentado por um amigo de Joey. Com uma interpretação surpreendente de ‘No Quarter’, de Led Zeppelin, ‘Child in Time’, de Deep Purple e ‘Catch the Rainbow’, de Rainbow, David conseguiu o lugar trazendo com ele o baixista Joe O'Reilly. No final de 1981, o primeiro line-up estava pronto e ’Virgin Steele’ estreou em 1982 com a música ‘Children of the Storm’. Um pouco mais tarde, lançou seu auto-intitulado primeiro álbum. Seu estilo era e continua sendo muito original, uma fusão de heavy metal e a atmosfera épica de ‘Rainbow’. E cartas de fãs foram chegando, duas em particular se destacaram, uma de uma banda jovem de Seattle, chamada ‘Queensryche’ e outra da Califórnia, também de uma banda, ‘Metallica’. No ano seguinte o segundo álbum ‘Guardians Of The Flame’ foi lançado e Jack Starr começou a gravar seu primeiro álbum solo. Enquanto isso DeFeis continuou a banda com Edward Pursino. Depois de uma ação judicial ganha por Starr sobre o nome ‘Virgin Steele’, ele a vendeu para DeFeis.

Com Pursino, cujo estilo se encaixava perfeitamente com o de DeFeis, ‘Virgin Steele’ gravou ‘Noble Savage’, que mistura música clássica e épica. Por fim, a banda conseguiu ir para a Europa em turnê, apoiando a banda dos Estados Unidos de heavy metal ‘Manowar’ e receber grande aprovação por onde passou por causa de suas apresentações ao vivo. No entanto, o álbum seguinte ‘Age of Consent’, acabou como um completo fracasso comercial. Neste ponto, a banda se encontrava em seu período mais negro: Joe O'Reilly decidiu sair, forçando a banda a parar por um tempo. Durante este intervalo, David DeFeis formou-se em piano e composição e tocou ao vivo com uma banda semi-improvisada chamada ‘Lightning Smoke Stark’, com alguns músicos famosos, como seu velho companheiro Jack Starr e o baterista Bobby Rondinelli.

Em 1993, Rob DeMartino foi escolhido como o novo baixista e ‘Virgin Steele’ voltou com ‘Life Among the Ruins’, um álbum com influências de ‘Whitesnake’ e blues. A música ‘Last Rose of Summer’ é o destaque do álbum. Com nenhuma marca épica e mitológica, elementos básicos da banda, ‘Life Among the Ruins’ é provavelmente o álbum mais atípico na discografia e não agrada à maioria dos fãs. Um ano depois, a banda voltou para o som original com ‘The Marriage of Heaven and Hell Part I’, um álbum de metal épico cheio de influências sinfônicas e progressivo. E ‘Virgin Steele’ voltou para a Europa para apoiar mais uma vez ‘Manowar’ e a banda britânica de hard rock ‘Uriah Heep’. No final de 1995 lançou ‘The Marriage of Heaven and Hell Part II’, seguindo o conceito e o estilo do primeiro. Os dois álbuns mostram um heavy metal tradicional com letras abordando diversas mitologias, tais como a grega, nórdica e também os mitos cristãos. Os álbuns são considerados até hoje pelos fãs como os melhores da banda. Os ‘Marriages’ também marcaram a saída do baterista Joey Avayzian. Para seu lugar, foi chamado Frank Gilchriest, que continua até os dias atuais. Depois de mais uma turnê européia, um novo álbum foi lançado em 1998, ‘Invictus’, o terceiro e último capítulo da saga ‘Marriage’. Este foi o álbum mais pesado e também o mais épico. Liricamente, é um álbum conceitual sobre a rebelião da humanidade contra deuses indiferentes. O baixista Rob Demartino deixou a banda após o ‘Invictus’.

Com o guitarrista Edward Pursino gravando os baixos em estúdio, assim como nos ‘Marriages’, entre os anos de 1999 e 2000, a banda lançou o projeto nunca feito antes de uma ópera metal, compondo os álbuns ‘The House of Atreus Act I’ e ‘The House of Atreus Act II’, destinados a serem cantados por atores em teatros. O assunto da ópera metal é Oresteia ou ‘A Trilogia de Orestes’, uma trilogia de peças teatrais de autoria do dramaturgo grego Ésquilo, muito familiares para David DeFeis, por causa de seu pai. Todos os vocais e orquestrações são gerenciados por David DeFeis e esses álbuns são a obra mais complexa do ‘Virgin Steele’. Cheios de variações e complexidade musical mostra o lado mais progressivo da banda, com grande influência de música clássica misturada aos elementos heavy metal.

O'Reilly, Edward Pursino, David DeFeis and Joey Ayvazian

Em 2002, foi lançada a coletânea ‘Hymns to Victory’ e também ‘The Book of Burning’. Após esses lançamentos, o baixista Josh Block se juntou à banda. Entre os anos de 2002 e 2005, a banda se apresentou em um grande número de festivais de heavy metal. David DeFeis também criou o seu próprio estúdio de gravação chamado ‘The Hammer of Zeus’ às vezes também chamado de ‘The Wrecking Ball Of Thor’. Em 2006, depois de seis anos sem um álbum de estúdio a banda lançou ‘Visions of Eden’, um álbum que gira em torno de crenças gnósticas e criticamente revisita a tradicional mitologia cristã com relação à criação da Terra e os relatos bíblicos de Adão e Eva. Um ainda mais sombrio drama, mais melancólico do que a saga ‘House of Atreus’, a história gira em torno de Lilith, a primeira mulher de Adão e símbolo da força feminina e da independência. Representando a verdade maior do lado feminino ela sofre sob a cobiça e ciúmes de Demiurge que representa o deus cristão, e como uma mulher emancipada que não podia conviver com o dominante Adão está em contraste gritante com Eva, segunda esposa de Adão retratada como uma parceira dócil e subserviente criada por Demiurge, a pedido de Adão, que não poderia lidar com uma mulher independente e em pé de igualdade com ele. ‘Visions of Eden’ (A Barbaric Romantic Movie Of The Mind) apelidado de ‘The Lilith Project’ é baseado na lenda suméria de Lilith e é destinado como trilha sonora para um filme imaginário. A banda está realmente à procura de um produtor para trazer a história deste álbum conceitual para as telas. Em 2010 foi lançado o seu último álbum, ‘The Black Light Bacchanalia’.

    

The Marriage of Heaven & Hell Part I (1994)    |    The Marriage of Heaven & Hell Part II (1995)

The Marriage of Heaven & Hell Part I
01. I Will Come for You 02. Weeping of the Spirits 03. Blood and Gasoline 04. Self Crucifixion 05. Last Supper 06. Warrior's Lament (instrumental) 07. Trail of Tears 08. The Raven Song 09. Forever Will I Roam 10. I Wake Up Screaming 11. House of Dust 12. Blood of the Saints 13. Life Among the Ruins 14. The Marriage of Heaven and Hell (instrumental)

The Marriage of Heaven & Hell Part II
01. A Symphony of Steele 02. Crown of Glory 03. From Chaos to Creation (instrumental) 04. Twilight of the Gods 05. Rising Unchained 06. Transfiguration 07. Prometheus the Fallen One 08. Emalaith 09. Strawgirl 10. Devil / Angel 11. Unholy Water 12. Victory Is Mine 13. The Marriage of Heaven and Hell Revisited (instrumental)

virgin steele - victory is mine



alabama shakes

Lançado no início do ano, ‘Boys & Girls’, o álbum de estréia do grupo deu a partida em uma onda de aclamação poucas vezes vista. Com resultados comerciais consideráveis, na semana de lançamento, desbancou Adele do primeiro lugar da parada britânica de discos independentes. Da cantora Adele ao ator Russell Crowe, não houve quem não se deixasse encantar pelo rock retrô e sulista do ‘Alabama Shakes’, e principalmente por Brittany Howard, vocalista que combina o melhor de Janis Joplin e Aretha Franklin. E ‘Boys & Girls’ revelou um quarteto composto por Brittany Howard (canto e guitarra), Heath Fogg (guitarra), Zac Cockrell (baixo) e Steve Johnson (bateria).

A história do ‘Alabama Shakes’ começa em uma escola de Athens, uma cidade de 20 mil habitantes no norte do Alabama, estado que Brittany tem, com muito orgulho, tatuado no braço. Brittany Howard que com o tédio na pacata Athen, ainda na adolescência, se refugiou na música se aproximou de Zac Cockrell e perguntou se ele queria tocar com ela. Sobre Zac, Brittany só sabia que ele tocava baixo e que usava camisetas com bandas que ninguém tinha ouvido falar. Eles começaram a se encontrar depois das aulas e escrever canções. E o fato de estarem a apenas uma hora do ‘Muscle Shoals’, estúdio conhecido por sua banda, de craques do soul e rock, que acompanhou em discos artistas como Wilson Pickett, Aretha Franklin, Elton John e os Rolling Stones, teve influência sobre a música, além de AC/DC e Led Zeppelin e a música mágica de James Brown.

Steve Johnson trabalhava na loja de música da cidade, e Howard sabia que ele tocava bateria e o convidou. A influência de Steve era o punk-metal. E com o guitarrista Heath Fogg eles formaram o ‘The Shakes’, logo ampliado para ‘Alabama Shakes’, porque havia outra banda com o mesmo nome. Uma das primeiras músicas que o grupo fez foi ‘Hold on’, atualmente o seu grande sucesso, com uma letra confessional, em que Brittany diz que não achava que fosse chegar aos 22 anos de idade, mas foi convencida a esperar um pouco mais aqui nesta dimensão. A tentativa de gravar suas canções com qualidade sonora na casa de Howard não funcionou, já que ela vivia ao lado de trilhos de trem. E finalmente encontraram o caminho para um estúdio de Nashville, no início de 2011, onde as músicas ‘You Ain't Alone’ e ‘I Found You’ foram gravadas e assim que apareceram em uma loja de discos de Nashville, as pessoas começaram a tomar conhecimento do incansável grupo e da presença magnética de Howard. Um fã ardoroso mencionou a banda a seus amigos, que incluía Justin Gage, o fundador do blog ‘Drunkard Aquarium’. Gage escreveu para Howard, pedindo permissão e postou a música ‘You Ain't Alone’ chamando-a de uma fatia do real. E, literalmente, durante a noite, o mundo desabou.

Heath Fogg | Zac Cockrell | Brittany Howard | Steve Johnson

No dia seguinte choveram e-mails de gravadoras, gestores e editoras para Howard, que pensou que todos estivessem cometendo um erro. Gage também tinha falado da banda para o ‘Drive-By Truckers’, uma outra banda de southern rock, que encantados ofereceram ao ‘Shakes’ um slot de abertura. Contudo, mesmo com a atenção e a pressão a banda continuou a inovar musicalmente e fizeram uma apresentação no CMJ Festival em New York, que ganhou um brilhante comentário do New York Times. Jon Pareles descreveu a banda como ‘um raio vestido de jeans’. A NPR (National Public Radio) nomeou ‘Alabama Shakes’ como uma das melhores bandas de 2011 e a MTV, banda revelação de 2012. E mais ofertas para turnês surgiram e os membros da banda foram finalmente capazes de deixar os seus trabalhos. Howard deixou de ser carteira e Johnson de ser vigia noturno em uma usina nuclear.

Com as expectativas no auge, o ‘Alabama Shakes’ gravou ‘Boys & Girls’, com seis músicas da sessão inicial em Nashville, e outras cinco registradas durante o resto do ano. E o álbum demonstra como a banda aprendeu com seus ídolos, juntamente com uma força de sentimentos e emoção que simplesmente não podem ser aprendidas.

Boys & Girls (2012)

Tracklist
01. Hold On 02. I Found You 03. Hang Loose 04. Rise To The Sun 05. You Ain’t Alone 06. Goin’ To The Party 07. Heartbreaker 08. Boys & Girls 09. Be Mine 10. I Ain’t The Same 11. On Your Way

alabama shakes - I found you



the ultimate jazz archive: blues 14



Memphis Slim (1915-1988), nascido como John Len Chatman, seguramente faz parte da lista dos maiores pianistas de blues de todos os tempos. Um artista incrivelmente produtivo, que trouxe um ar de sofisticação urbana às mais de 500 gravações. E foi inteligente o suficiente para seguir o conselho do guitarrista Big Bill Broonzy sobre o desenvolvimento de um estilo próprio em vez de imitar o ídolo, o pianista Roosevelt Sykes. Em pouco tempo, outros estavam copiando o seu estilo e sua voz trovejante, que possuía uma autoridade de comando, o distinguia da maioria de seus contemporâneos. Como convém ao seu nome artístico, Memphis Slim nasceu e cresceu em Memphis. Em algum momento no final dos anos 30, ele foi para Chicago e começou a gravar em 1939, como líder de bandas. Na mesma época, Slim juntou-se a Broonzy, e transformaram-se na força dominante da cena do blues local. Depois Slim emergiu como artista independente. Após o término da Segunda Guerra Mundial, liderou uma série de bandas de ‘jump blues’, um blues tocado em andamento acelerado, normalmente desempenhado por pequenos grupos e apresentando metais. Em 1945, Slim atuou com trios para depois introduzir saxofone alto, sax tenor, piano, cordas e baixo, e gravou as clássicas ‘Lend Me Your Love’ e ‘Rockin' the House’. Em 1949, expandiu o seu grupo para um quinteto, adicionando um baterista. Mais tarde, recrutou o seu primeiro guitarrista permanente, o estimável Matt ‘Guitar’ Murphy. Slim deixou os EUA, em 1962 pois quando participou da turnê pela Europa em parceria com o baixista Willie Dixon em 1960, tinha intrigado o pianista. E mudou-se definitivamente para Paris onde as possibilidades de gravação e turnê pareciam ilimitadas e o veterano pianista era tratado com respeito muitas vezes negado em seu próprio país. Ali, Slim permaneceu até a sua morte em 1988, desfrutando de sua estatura como realeza do blues.



Muddy Waters (1915-1983) nasceu entre o algodão, no Mississipi, como McKinley Morganfield e aprendeu sozinho a tocar a gaita, ainda quando criança. O nome artístico Muddy Waters (águas lamacentas) ele ganhou devido ao costume de brincar no rio. Mais tarde, trocou a gaita pelo violão, avidamente absorvendo o delta blues, estilo clássico de Robert Johnson e Son House. Ele foi o primeiro a ser gravado, em 1941, por Alan Lomax, professor e pioneiro musicólogo e folclorista, que fez muito para a preservação da música popular americana como arquivista da Biblioteca do Congresso de Música Folk Americano. Quando Muddy Waters mudou para Chicago rompeu com o estilo country e trocou o violão pela guitarra elétrica e adicionou piano e bateria ao blues. O resultado veio a ser conhecido como blues urbano. Muddy é, portanto, considerado o pai do Chicago blues. Atribui-se também a ele, a idéia de invenção da guitarra elétrica. Uma onda de interesse pelas raízes da música popular no início dos anos 60 trouxe fama a ele, que se apresentou internacionalmente em 1970. De 1950 até sua morte, Muddy Waters governou literalmente Chicago com uma presença de palco que combinava dignidade e um estilo forte e emocional de tocar guitarra slide. leia mais...



Big Boy Crudup (1905 - 1974) foi guitarrista, cantor e compositor do estilo delta blues. Ele é mais conhecido fora dos círculos de blues por compor as canções ‘That's All Right’, ‘My Baby Left Me’ e ‘So Glad You're Mine’, gravadas por Elvis Presley e dezenas de outros artistas. Crudup era o bluesman favorito de Elvis Presley. Nascido em Forest, Mississippi, como Arthur Crudup, por um tempo foi um trabalhador migrante. Ele e sua família retornaram ao Mississipi em 1926. Primeiramente, Crudup cantou gospel para em seguida começar a sua carreira como cantor de blues em Clarksdale, Mississippi. Como membro do grupo ‘Harmonizing Four’, visitou Chicago em 1939 permanecendo aí como cantor de rua. Lester Melrose, um dos primeiros produtores de gravações de blues, encontrou Crudup vivendo em um caixote, apresentou-o a Tampa Red e assinou com ele um contrato de gravação. E Crudup excursionou por todo o país, especialmente pelo Sul, com Sonny Boy Williamson II e James Elmore. Parou de gravar em 1950, por causa dos royalties. Ao longo deste tempo trabalhou como operário para aumentar a renda devido aos pequenos salários que recebia como cantor. Crudup retornou ao Mississipi após uma disputa com Lester Melrose, sobre os royalties, em seguida, entrou para o contrabando, e depois mudou-se para Virgínia, onde vivia com a sua família, incluindo três filhos e vários de seus próprios irmãos. Enquanto viveu na pobreza relativa como trabalhador agrícola, ele ocasionalmente cantava. Ele voltou a gravar em 1965. No início dos anos 70, duas ativistas locais Celia Santiago e Margaret Carter ajudaram-no na tentativa de receber mais royalties, mas com pouco sucesso. Em uma viagem em 1970 para o Reino Unido, gravou com músicos locais e finalmente Crudup começou a ganhar algum dinheiro decente, tocando blues em várias festas populares para multidões que apreciavam o blues antes de sua morte de ataque cardíaco em 1974. Seus últimos compromissos profissionais foram com Bonnie Raitt. Às vezes rotulado como o ‘pai do rock’n’roll’, ele aceitou esse título com algum espanto.



Big Joe Turner (1911 - 1985) nasceu em 1911 na cidade de Kansas City como Joseph Vernon Turner. Aos 15 anos de idade, quando o pai morreu, foi obrigado a deixar a escola e sustentar a família. Ele e sua irmã mais velha trabalhavam como engraxates de rua, onde ele aproveitava e cantava por trocados. Durante a manhã trabalhava como cozinheiro em um hotel. Começou a freqüentar o ‘Backbiter's Club’, onde assistia aos músicos que admirava. Certo dia pediu a Pete Johnson, um pianista de boogie-woogie, que o deixasse cantar. Johnson gostou do que ouviu e passaram a formar uma dupla. Turner tinha apenas 18 anos. Joe Turner e Pete Johnson passaram a tocar no ‘Black & Tan Club’, onde Turner atendia no bar e a noite tocava com Johnson, o pianista residente da casa. Saíram de Kansas City e visitaram Chicago, St. Louis e Omaha, já de volta a Kansas City, apresentaram-se no ‘Sunset Club’, onde conheceram John Hammond. Joe Turner foi imediatamente convidado a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, no espetáculo de Hammond, o primeiro show montado para um público branco a tentar apresentar a música negra como uma expressão artística e cultural legítima nos Estados Unidos. A apresentação rendeu um convite para uma gravação. A dupla então iria caminhar por estradas musicais diferentes; Pete Johnson continuou com o boogie-woogie e jazz, enquanto Joe Turner preferiu o gênero que seria futuramente chamado de rock 'n' roll. Em 1951, Turner, já estava devidamente apelidado de Big Joe Turner, devido ao seu corpo grande e obeso e uma voz volumosa e ressonante que sacudia qualquer casa sem precisar de um microfone. Quando lhe perguntavam a respeito de ser precursor de um estilo novo, ele dizia apenas: rock'n'roll não é nada mais do que um nome diferente para o mesmo tipo de música que ando cantando por toda a minha vida. Ele continuou a gravar até 1961, e jamais parou de cantar ou de se apresentar embora o público não estivesse mais interessado, ou sequer se lembrasse mais dele. Na década de 70 e 80, Turner era ouvido em qualquer palco, mesmo de bengala. Em 1985, com complicações no fígado, Big Joe Turner morreu sem deixar herdeiros.




14.1 Memphis Slim (1940-1941)

Tracklist
01. The Jive Blues 02. Diggin' My Potatoes N°2 03. Last Pair Of Shoes Blues 04. Miss Ora Lee Blues 05. Blue Evening Blues 06. Blues At Midnight 07. Beer Drinking Woman 08. You Didn't Mean Me No 09. Grinder Man Blues 10. Empty Room Blues 11. Shelby County Blues 12. I See My Great Mistake 13. Old Taylor 14. I Believe I'll Settle Down 15. Jasper' Gal 16. You Got To Help Me Some 17. Two Of A Kind 18. Whiskey Store Blues 19. Maybe I'll Loan A Dime 20. Me, Myself, And I 21. You Gonna Worry Too 22. This Life I'm Living 23. Caught The Old Coon Last Night 24. Lend Me Your Love


14.2 Muddy Waters (1941-1942)

Tracklist
01. Country Blues 02. I Be's Troubled 03. Burr Clover Farm Blues 04. Take A Walk With Me 05. Burr Clover Blues 06. Walkin' Blues 07. Can't Be Satisfied 08. Gypsy Woman 09. Mean Red Spider 10. I Feel Like Going Home 11. Little Anna Mae 12. Train Fare Home Blues 13. Little Geneva 14. Rollin' And Tumblin' 15. Steeamline 16. Rolling Stone 17. You Gonna Miss Me


14.3 Arthur 'Big Boy' Crudup (1941-1946)

Tracklist
01. Black Pony Blues 02. Death Valley Blues 03. If I Get Lucky 04. Kind Lover Blues 05. Standing At My Window 06. Mean Old 'frisco Blues 07. Gonna Follow My Baby 08. Give Me a 32-20 09. My Mama Don't Allow Me 10. Raised To My Hand 11. Who's Been Foolin' You 12. Cool Disposition 13. Rock Me Mama 14. Keep Your Arms Around Me 15. I'm In The Mood 16. That's Your Red Wagon 17. Dirt Road Blues 18. She's Gone 19. Boy Friend Blues 20. No More Lovers


14.4 Big Joe Turner (1941-1946)

Tracklist
01. Nobody In My Mind 02. Somebody Got To Go 03. Ice Man 04. Chewed Up Grass 05. Rocks In My Bed 06. Blues On Central Avenue 07. Goin' To Chicago Blues 08. Sun Risin' Blues 09. Blues In The Night 10. Cry Baby Blues 11. It's The Same Old Story 12. Rebecca 13. Little Gal's Blues 14. I Got A Gal (For Every Day In The Week) 15. S. K. Blues Part 1 16. S. K. Blues Part 2 17. Johnson And Turner Blues 18. Watch That Jive 19. Howlin' Winds 20. Doggin' The Blues (Low Dog Blues) 21. I Got My Discharge Papers


gloomy sunday: a música do suicídio

Não há dúvida de que algumas músicas podem ter um grande impacto emocional sobre as pessoas. A questão é: há música que afeta alguém tão fortemente que iria influenciá-la a cometer suicídio? Algumas pessoas pensam que há. O suicídio é um tema que se encontra em várias letras de diferentes tipos de música. Heavy metal, country, folk, pop exploraram esse tema. No entanto, para a maioria das pessoas é somente o heavy metal que está associado aos temas obscuros de suicídio e morte.

Em 1985, dois dias antes do Natal, dois jovens norteamericanos, Raymond Belknap, de 18 anos, e James Vance, de 20, juntaram-se para ouvir alguns álbuns do ‘Judas Priest’, ao beberem cerveja e fumarem maconha, fizeram um pacto de suicídio. Um par de horas mais tarde, cada um deles deu um tiro na cabeça. Raymond morreu instantaneamente, enquanto James sobreviveu, mas tinha destruído a maior parte de seu rosto. Ele retornou às drogas e morreu em 1988. Antes de morrer, James afirmou que o álcool e o heavy metal levaram-no a acreditar que ‘a resposta para a vida era a morte’. Ele disse acreditar que ‘Judas Priest’ assassinou seu amigo Ray. Os familiares dos dois então acusaram a banda de tê-los conduzido ao suicídio e decidiram processá-la em 1990 alegando que tinham incorporado mensagens subliminares em várias de suas gravações, inclusive em seu álbum ‘Stained Class’ de 1978. As gravações, supostamente, quando tocadas de trás para frente, contêm as frases ‘do it’, ‘I took my life’ e ‘fuck the lord’, entre outras coisas. A acusação era de que estas mensagens incitaram os seus filhos a cometerem suicídio. O caso foi indeferido após a evidência de que os meninos tiveram uma educação violenta e apresentavam indícios de depressão. O advogado que representava ‘Judas Priest’ descreveu suas vidas como ‘triste e miserável’.

    


Ozzy Osbourne também foi acusado pelo mesmo motivo, de incitar as pessoas a tirarem as suas próprias vidas. Ozzy disse em uma entrevista que foi acusado e processado em 25 casos de suicídio. Em todas as circunstâncias, a música ‘Suicide Solution’, é que foi responsabilizada. Na verdade, em vez de defender o suicídio, a música é uma declaração contra o abuso de álcool. A ‘solução’ não significa uma resposta para um problema, mas sim, a mistura de uma bebida alcoólica. Em 1984, Ozzy Osbourne foi acusado pela morte de John McCollum, de 19 anos, que se suicidou ao ouvir o álbum ‘Blizzard of Ozz’, que contém a música ‘Suicide Solution’. Seus pais entraram com uma ação, afirmando que existem mensagens escondidas na música que exortam as pessoas a cometer suicídio, apesar do fato de que seu filho sofria de depressão e consumia drogas e álcool. O advogado da família afirmou que havia na música os chamados ‘hemi-sync’ (sincronização hemisférica) que é uma marca comercial de um processo desenvolvido pelo Instituto Monroe, que faz a sincronização das ondas elétricas cerebrais dos dois hemisférios, através do áudio de um CD, o que faria com que uma pessoa fosse incapaz de resistir ao que estava sendo dito na música. O caso também foi indeferido quando se decidiu que o seu suicídio não foi devido à música. Ozzy foi novamente processado, pelo mesmo motivo, em 1991, pelos pais de Michael Waller que alegaram que foram as mensagens subliminares contidas na canção que influenciaram suas ações.

Os pais dos que se mataram não são as únicas pessoas que acreditam que Ozzy foi o responsável por suas mortes. Muitos líderes religiosos e conservadores também o culpam. O fanático religioso, David J. Stewart, que está por trás do site ‘jesus-is-savior.com’, afirmou que ‘a música de Ozzy entrega uma arma carregada para as pessoas se suicidarem. A música em si é um meio através do qual os demônios entram em suas mentes e alma’. Mais recentemente, em 2008, o ‘My Chemical Romance’ se tornou a mais recente banda acusada de incentivar o suicídio através de sua música, quando Hannah Bond, de 13 anos de idade, que viveu na Inglaterra, enforcou-se. Hannah era supostamente obcecada pela música da banda, e já tinha comentado com seus amigos sobre o glamour do suicídio, o que foi suficiente para as pessoas concluírem que a música do ‘My Chemical Romance’ foi o motivo que tirou a sua vida.

    

Embora a controvérsia gire em torno, principalmente, do heavy metal ou rock’n’roll, a música country também foi acusada de incentivar o suicídio. Há alegações de que os temas encontrados em várias músicas country promovem um estado de espírito suicida entre aquelas pessoas que já estão deprimidas e em risco de suicídio devido à crises conjugais, problemas financeiros e abuso de álcool e drogas. Um estudo sobre ‘The Effects of Country Music on Suicide’, de Steven Stack da Wayne University, e Jim Gundlach da Auburn University, mostrou alguns resultados surpreendentes: os resultados de uma análise de 49 áreas metropolitanas mostram que quanto maior o tempo dedicado à música country, maior a taxa de suicídio. O efeito é independente do divórcio, do grau de pobreza e a disponibilidade de alguma arma. Então por que apenas o heavy metal e o rock’n'roll são acusados pelos pais pelo suicídio de seus filhos? Apesar do resultado desses estudos feitos sobre os efeitos da música country, provavelmente nunca se ouvirá de um pai a queixa de que seu filho foi influenciado a se matar por ouvir a cantora e compositora Dolly Parton, eventualmente reconhecida como a ‘rainha da música country’. Ninguém fará acusações de que a música do cantor e compositor country Garth Brooks é satânica, ou que ele é o anti-cristo, apesar de sua canção ‘The Night Will Only Know’, ser sobre uma mulher que comete suicídio.

Se a música em si não causa o suicídio, o que dizer quando acontece com a pessoa que cria a música? Foi o que aconteceu no caso do ícone grunge Kurt Cobain. Em abril de 1994, o mundo da música ficou chocado quando ele foi encontrado morto. Vocalista da banda amplamente bem-sucedida ‘Nirvana’, Kurt Cobain foi usuário pesado de heroína e lutou contra a depressão. A música do 'Nirvana' pode ser descrita como sombria e depressiva, e Cobain até escreveu a canção ‘I Hate Myself and I Want to Die’. O que foi ainda mais chocante depois foi a onda generalizada de suicídios ao redor do mundo por seus fãs. Nos dias seguintes a sua morte, não só houve um aumento nos relatos de suicídio, como também houve um aumento significativo de chamadas para linhas diretas de suicídio. É fácil especular que as pessoas que tiraram suas próprias vidas provavelmente já eram suicidas, e que a morte de Cobain apenas as empurrou para o precipício.

E tais suicídios apenas fortalecem a crença de que a música pode ter um impacto emocional negativo sobre seus ouvintes, ao ponto de influenciá-los a querer morrer. O óbvio, é que alguém que já está deprimido e lutando contra pensamentos de suicídio pode ser atraído para um tipo de música de um tom mais sombrio. Caso contrário, todos que ouvissem a mesma música se matariam. Desde que isso não está acontecendo, a idéia de alguém que está deprimido busca relação com a música mais triste faz muito mais sentido. A verdade é que todos nós procuramos músicas que refletem nossos humores, emoções e sentimentos. Quando alguém está apaixonado pode passar a noite toda ouvindo canções sentimentais de amor, ou se está passando por uma má fase em algum relacionamento e estão tristes, ou se estão irritados com isso, ouvem canções amargas sobre amor perdido. A música é uma parte importante na vida de muitas pessoas, e está em nossas memórias e refletem experiências de vida. Infelizmente, os pais que processaram as bandas simplesmente não quiseram assumir qualquer responsabilidade pessoal para a depressão óbvia e o desespero de seus filhos que viram a morte como a única saída. Não querem reconhecer que eles poderiam de alguma forma, terem contribuído para o estado depressivo de seus próprios filhos. É muito mais fácil encontrar um bode expiatório, do que enfrentar a realidade.

‘Gloomy Sunday’, ‘Szomorú Vasárnap’ no original, é uma canção composta em 1933 pelo pianista e compositor húngaro Rezső Seress. A letra original de Seress, carregada de amargo desespero foi substituída pelos versos tristes e melancólicos do poeta László Jávor em que lamenta a morte prematura de uma amante e contempla o suicídio. Em 1936, finalmente, a canção chega aos Estados Unidos com o nome ‘Gloomy Sunday’, e devido a infundadas lendas urbanas sobre ser inspiradora de centenas de suicídios, foi apelidada de ‘a música húngara do suicídio’.

Rezső Seress, o compositor, realmente cometeu suicídio. Em 1968, ele pulou para a morte de seu apartamento pouco depois de seu 69º aniversário. Seu obituário no New York Times mencionou a notória reputação da canção. Seress queixou-se de que o sucesso de ‘Gloomy Sunday’ na verdade aumentou a sua infelicidade, porque ele sabia que nunca mais seria capaz de escrever um segundo hit. Mas, a maioria dos outros rumores sobre a música, de ter sido banida do rádio ou ter sido a ignição para outros suicídios, são infundados, e foram usados como propagada de marketing. Possivelmente devido ao contexto da Segunda Guerra Mundial, a versão de Billie Holiday, contudo, foi banida pela BBC. A hipótese mais conhecida para Seress ter escrito esta poderosa canção foi o término de um romance. Quando ‘Szomorú Vasárnap’ se tornou um sucesso, o compositor ao procurar a ex-amante para reatar o namoro descobriu que ela havia se suicidado com veneno, deixando a seu lado um papel contendo duas palavras: szomorú vasárnap. Mais uma lenda?

Apesar de gravada por vários cantores, ‘Gloomy Sunday’ está intimamente associada à Billie Holiday, que gravou uma versão da música em 1941. Há duas versões da letra em idioma Inglês. A primeira, por Desmond Carter, foi usada em 1935 na gravação do cantor e ativista político Paul Robeson e alguns outros. A maioria tem usado a versão de Sam Lewis que ficou famosa com Billie Holiday. Por cerca de sete décadas consecutivas essa triste canção tem sido revista, regravada e reinterpretada por músicos dos mais diversos estilos e nacionalidades. Sua letra foi adaptada para o francês, sueco, chinês, japonês e até esperanto. Estima-se que existam mais de 80 versões diferentes gravadas de ‘Gloomy Sunday’. ‘Gloomy Sunday’ também marcou presença nas telas do cinema. Aparece no início de ‘Schindler’s List’ e inspirou pelo menos outros três filmes.

Situado na Hungria, durante a Segunda Guerra Mundial, e baseado no romance de Nick Barkow, o filme alemão ‘Gloomy Sunday’, título original ‘Ein Lied von Liebe und Tod’, dirigido por Rolf Schübel em 1999, e interpretado pela atriz húngara Erika Marozsan e o ator italiano Stefano Dionisi (pianista), embora gire em torno de um triângulo amoroso com consequências trágicas, narra a criação da música ‘Gloomy Sunday'.



Entre as várias gravações de 'Gloomy Sunday' de vários artistas, no jazz, além da gravação mais famosa da canção com Billie Holiday (1941), também gravaram Hal Kemp (1936), Paul Whiteman (1936), Mel Tormé (1958), Sarah Vaughan (1961), Artie Shaw & His Orchestra com a vocalista Pauline Byrne (1940) e Branford Marsalis (2004). Também foi gravada por Ray Charles em 1969. No pop, a versão de 'Gloomy Sunday' foi gravada pela cantora islandesa Björk e pela irlandesa Sinéad O'Connor.



A versão que eu mais gosto, com a banda inglesa 'Portishead' da vocalista Beth Gibbons



wilson pickett

Wilson Pickett conhecido por sua voz rouca e apaixonada entrega vocal foi uma figura importante no desenvolvimento da soul music norte-americana. Embora alguns considerem o talento de Wilson Pickett abaixo dos versáteis Otis Redding e Aretha Franklin, ele é muitas vezes uma alternativa preferida dos fãs que gostam do soul mais cru. Uma das principais estrelas do soul dos anos 60, seus primeiros sucessos foram gravadas com a nata dos músicos do ‘Muscle Shoals Sound Studio’. A banda de apoio de estúdio ‘The Rhythm Section Muscle Shoals’ como ficou conhecida, foi a primeira seção rítmica a possuir seu próprio estúdio e, eventualmente, a sua própria editora. O acompanhamento diferenciado e arranjos foram ouvidos em um número enorme de gravações lendárias, incluindo os de Wilson Pickett e Aretha Franklin. Antes de se estabelecer como artista solo, Pickett cantou com os ‘Falcons’, que ficaram nas paradas em 1962 com ‘I Found a Love’ e ‘ If You Need Me’ regravada pelos Rolling Stones. Em seguida, ‘It's Too Late’ e ‘In the Midnight Hour, foram seus sucessos como cantor solo. Pickett teve uma enxurrada de outros sucessos ao longo dos anos seguintes e gravou várias canções iniciais de Bobby Womack. Caçula de 11 filhos sobre a sua mãe Pickett escreveu em seu livro: ‘ela era a pior mulher, ela costumava me bater com qualquer coisa, até com frigideiras; uma vez eu fugi e chorei por uma semana. Ficamos no mato, eu e meu cachorro’. Pickett finalmente deixou a mãe para viver com seu pai, em Detroit em 1955. O estilo vigoroso e ardente de Pickett foi alimentado nos coros da Igreja Batista de sua nativa, Prattville, Alabama, e nas ruas de Detroit, sob a influência de estrelas como Little Richard, a quem ele se referiu mais tarde como ‘o arquiteto do rock and roll’.

Em 1955, Pickett tornou-se membro do grupo gospel ‘The Violinaires’. Depois de cantar durante quatro anos no grupo foi atraído pelo sucesso de outros cantores gospel do momento, que trocaram a música religiosa no final dos anos 50 pela música mais lucrativa, a secular, e se juntou ao grupo ‘Falcons’, em 1959. Os ‘Falcons’ foram um dos primeiros grupos vocais a trazer o gospel para um contexto mais popular, abrindo assim o caminho para a música soul. O grupo também contou com Eddie Floyd e Sir Mack Rice membros notáveis do grupo que se tornaram grandes artistas. O maior sucesso de Pickett com os ‘Falcons’ foi em 1962, quando ‘I Found a Love’, tendo Pickett como vocalista principal, alcançou as paradas de R&B. Logo após a gravação de ‘I Found a Love’, Pickett fez as suas primeiras gravações solo, incluindo ‘I'm Gonna Cry’, sua primeira parceria com Don Covay, uma figura importante da música soul sulista.

Por esta época, Pickett também gravou uma demo com a canção que co-escreve, ‘If You Need Me’, uma lenta e ardente balada soul apresentando um sermão falado, que foi enviada por Pickett para Jerry Wexler, produtor da ‘Atlantic Records’. Wexler ouviu a demo e gostou tanto dela que deu a um dos artistas de seu próprio selo de gravação, Solomon Burke. A gravação de Burke tornou-se um de seus maiores hits e é agora considerada um standard da música soul. Pickett ficou arrasado quando descobriu que a Atlantic tinha passado adiante a sua canção. A versão de Pickett da canção foi lançada pela ‘Double L Records’, e foi um sucesso moderado. O primeiro grande sucesso de Pickett como artista solo veio com a canção ‘It's Too Late’, não confundir com o standard de Chuck Willis com o mesmo nome. O sucesso deste disco convenceu Wexler e a gravadora Atlantic a comprar o seu contrato da gravadora ‘Double L Records’ em 1964.


Wilson Pickett & Jimi Hendrix (1966)

O sucesso de Pickett surgiu no estúdio de gravação da ‘Stax Records’ em Memphis, Tennessee, onde gravou, em 1965, seu terceiro single da Atlantic, ‘In the Midnight Hour’, com um poderoso ritmo com os músicos de estúdio Steve Cropper e Al Jackson, musicos da banda da casa da ‘Stax Records’, que também incluía o baixista Donald ‘Duck’ Dunn, e que tocavam na banda ‘Booker T. & the M.G.'s’. A canção, talvez o seu mais lembrado sucesso, tornou Pickett uma estrela, e também deu à ‘Atlantic Records’ um autênctico hit. Vendeu mais de um milhão de cópias e Pickett foi premiado com um disco de ouro. Pickett gravou mais três sessões na Stax e foi acompanhado pelo tecladista Isaac Hayes, uma das principais forças criativas da gravadora ‘Stax Records’. Nas sessões seguintes, Pickett não voltaria a Stax; o proprietário da gravadora, Jim Stewart, proibiu todas as produções de fora. Como resultado, Wexler levou Pickett ao ‘Fame Studios’, outro estúdio de gravação com uma associação ainda mais estreita com a ‘Atlantic Records’ e muito influente na formação da soul music, e lá Pickett gravou alguns de seus maiores sucessos e seu maior hit pop de todos os tempos, ‘Land of 1000 Dances’.

No final de 1967, Pickett começou a gravar na ‘American Studios’ em Memphis e também começou a gravar várias músicas de Bobby Womack, e todas foram sucessos. ‘I'm in Love’ foi um retorno ao gênero balada soul e Pickett iria continuar a gravar uma mistura de baladas, soul e funk para o resto de sua carreira. Bobby Womack foi o guitarrista em todas essas gravações. Pickett voltou a ‘Fame Studios’ no final de 1968 onde trabalhou com uma banda que apresentava o guitarrista Duane Allman, co-fundador do grupo ‘The Allman Brothers Band’ e respeitado músico de sessão. O cover ‘Hey Jude’ dos Beatles veio dessas sessões da Fame, bem como hits menos famosos. No início dos anos 70, Kenny Gamble e Leon Huff, pioneiros do soul de Filadélfia, compositores e produtores da ‘Philadelphia International Records’ produziram em 1970 o álbum ‘Wilson Pickett In Philadelphia’ que marcou sucessos consideráveis no emergente estilo philly-soul que se tornaria o som da década. Posteriormente, Pickett gravou para outras gravadoras, incluindo RCA e Motown. Em 1975, com a carreira de Pickett, antes proeminente, agora em declínio, a RCA decidiu tirar Pickett de seu selo. Pickett continuou a gravar esporadicamente com vários selos ao longo das décadas seguintes contudo, nunca teve outro hit pop após 1974.


Em 1971, um grande contingente de algumas das maiores estrelas do soul, R&B e jazz viajou dos Estados Unidos para Gana para tocar em um único concerto de 14 horas. Tudo começou em 1957, quando Gana, anteriormente conhecida como a Costa do Ouro, conseguiu a independência do Reino Unido e começou a fazer algumas conexões com afro-americanos cujos descendentes já haviam residido na África Ocidental. Wilson Pickett foi escolhido principalmente porque foi um dos poucos artistas cujas gravações foram prontamente disponibilizadas em Gana. O jazz foi representado pelo pianista Les McCann e o saxofonista Eddie Harris, os Staple representaram o gospel, Roberta Flack foi lá cantar o soul e Ike e Tina Turner o funky. Carlos Santana e sua banda foram o únicos artistas brancos embora o baterista Willie Bobo fosse negro. Wilson Pickett recebeu uma recepção retumbante com fãs invadindo o palco. A recepção para os outros foi mais comedida presumivelmente porque ainda não tinham sido ouvidos em Gana antes.

Fora da música, a vida pessoal Pickett foi turbulenta. Os amigos o consideravam temperamental e aficionado por armas. Don Covay descreveu-o como selvagem. Em 1987, a medida que sua carreira discográfica foi decaindo, Pickett recebeu liberdade condicional de dois anos e foi multado por transportar uma arma carregada em seu carro. Em 1991, foi preso por ameaças de morte e no ano seguinte, foi acusado de agredir sua namorada. Em 1993, se envolveu em um acidente em que feriu um pedestre de 86 anos. Pickett se confessou culpado de dirigir embriagado e recebeu uma sentença reduzida de um ano de prisão e cinco anos de liberdade condicional. Vários anos após a sua libertação da prisão, Pickett voltou ao estúdio e recebeu uma indicação ao Grammy com o álbum ‘It's Harder Now’, seu último disco lançado em 1999.

Ao longo da década de 90, apesar de seus problemas pessoais, Pickett foi homenageado continuamente por sua contribuição à música. Além de ser introduzido no Rock and Roll Hall of Fame, sua música foi um destaque especial no filme ‘The Commitments’. Pickett foi também um compositor popular, e músicas que ele escreveu foram gravadas por artistas como Led Zeppelin, Van Halen, The Rolling Stones, Aerosmith, Grateful Dead, Booker T. & the M.G.'s, Gênesis, Creedence Clearwater Revival, Echo & the Bunnymen, Bruce Springsteen, Los Lobos, entre outros. Pickett passou o crepúsculo de sua carreira tocando em dezenas de concertos até 2004, quando ele começou a ter problemas de saúde. Durante o tempo no hospital, voltou à suas raízes religiosas e disse a sua irmã que queria gravar um álbum gospel. No entanto, ele nunca se recuperou. O amigo de longa data de Pickett, Little Richard, falou sobre ele e pregou brevemente no funeral.



Greatest hits (1985)

Tracklist
01. Don't Fight It 02. In the Midnight Hour 03. 634-5789 (Soulsville, U.S.A.) 04. Ninety-Nine and a Half (Won't Do) 05. Land of 1000 Dances 06. Everybody Needs Somebody to Love 07. Mustang Sally 08. Soul Dance Number Three 09. Funky Broadway 10. I'm in Love 11. She's Lookin' Good 12. I Found a True Love 13. I'm a Midnight Mover 14. Man and a Half 15. Hey Jude 16. You Keep Me Hangin' On 17. Sugar, Sugar 18. Don't Let the Green Grass Fool You 19. Get Me Back on Time, Engine Number 9 20. Don't Knock My Love, Pt. 1 21. Mama Told Me (Not to Come) 22. I Found a Love 23. It's Too Late 24. If You Need Me


wilson pickett - mustang sally



eumir deodato

Instrumentista, arranjador, compositor e produtor musical, Eumir Deodato, radicado nos Estados Unidos, é um dos músicos e arranjadores mais consagrados do mundo. Tanto no Brasil quanto no exterior é reconhecido como um dos maiores representantes do jazz funk. Autodidata, Eumir Deodato de Almeida, começou a tocar acordeom aos 12 anos de idade. Em seguida, iniciou seus estudos de piano, orquestração, arranjo e regência no Rio de Janeiro, onde nasceu. Tocava em festas e bailes, e no final dos anos 50 se aproximou de músicos do núcleo da bossa nova. E rapidamente o aprendizado e suas habilidades instrumentais e orquestrais culminaram em sua primeira sessão de gravação aos 17 anos, como pianista e arranjador de vários artistas. Aos 21 anos gravou o álbum ‘Inútil Paisagem’, com músicas de Tom Jobim. Em 1967, juntamente com muitos outros músicos brasileiros, durante a ditadura militar, mudou-se para New York incentivado pelo violonista Luiz Bonfá. Nos EUA consagrou-se como arranjador de sucesso inicialmente trabalhando com outros músicos brasileiros então radicados naquele país, como Tom Jobim, Astrud Gilberto e o próprio Bonfá e mais tarde como arranjador com o produtor Creed Taylor, mais conhecido por seu trabalho na ‘CTI Records’ que ele fundou em 1968. Além disso, Eumir tornou-se o tecladista do grupo em expansão de Taylor, o ‘CTI All-Stars Band’.

Seu projeto de maior sucesso aconteceu em 1972 quando lançou o seu primeiro álbum nos EUA, ‘Prelude’, que imediatamente atraiu um grande público. O álbum foi produzido por Creed Taylor e a versão funk de nove minutos de ‘Also Sprach Zarathustra’ de Richard Strauss ganhou o Grammy de Melhor Performance Pop Instrumental. Posteriormente, foi usada com grande efeito no filme de 1979, ‘Being There’, estrelado por Peter Sellers e Shirley MacLaine. Seu segundo álbum, ‘Deodato 2’, apesar de ser do mesmo estilo e qualidade, não conseguiu vender bem, mas chegou nas paradas da Billboard. Depois de apresentar-se no Hollywood Bowl com o ‘CTI All-Stars Band’, grupo formado pelo produto Creed Taylor, formou o seu próprio grupo. Estreou no Madison Square Garden de Nova York em 1973. Após sete anos de turnês pelo mundo, voltou a concentrar-se em trabalhos de estúdio, atuando também como produtor musical em discos de diversos artistas. E fez arranjos tanto para músicos tradicionais norte-americanos, como Frank Sinatra e Roberta Flack, quanto para a música pop dos anos 80, de ‘Kool and the Gang’, grupo de grande sucesso formado na cidade de New Jersey em 1964 com um som especial do cruzamento único de jazz, r&b, funk e pop, com quem atuou entre 1979 e 1983. Ou dos anos 90, da cantora islandesa Björk. Eumir Deodato também trabalhou em diversas trilhas sonoras de filmes de Hollywood e algumas de suas gravações foram incluídas em trilhas sonoras de filmes como ‘Being there’ e ‘The Exorcist’, entre outros. No total, participou como compositor, arranjador, produtor ou instrumentista de cerca de 500 discos e ganhou mais de 15 CDs de platina.


    

Inutil Paisagem (1964)    |    Prelude (1973)

Inutil Paisagem
01.  Insensatez/How Insensitive  02.  Corcovado/Quiet Nights of Quiet Stars 03.  So Tinha De Ser Com Voce/It Could Only Happen With You 04.  O Morro Nao Tem Vez/The Hill 05.  Ela e Carioca/She's a Carioca 06.  O Amor Em Paz/Once I Loved 07.  Garota De Ipanema/Girl From Ipanema 08.  Inutil Paisagem/Useless Landscape 09.  Samba De Uma Nota So/One Note Samba 10.  Meditacao/Meditation 11.  Vivo Sonhando/The Dreamer 12.  Samba Do Aviao/Song of the Jet

Prelude
Personnel: Eumir Deodato (piano, electric piano); Ron Carter (bass, electric bass - solo on ‘Baubles, Bangles and Beads’); Stanley Clarke (electric bass - solo on ‘Also Sprach Zarathustra’); Billy Cobham (drums); John Tropea (electric guitar - solo on ‘Also Sprach Zarathustra’, ‘Baubles, Bangles and Beads’, ‘September 13’); Jay Berliner (guitar - solo on ‘Spirit of Summer’); Airto Moreira (percussion); Ray Barretto (congas); Hubert Laws (flute - solo on ‘Prelude to the Afternoon of a Faun’)
Tracklist:
01. Also Sprach Zarathustra 02. Spirit of summer 03. Carly & Carole 04. Baubles, Bangles and Beads 05. Prelude to afternoon of a faun 06. September


    

Deodato 2 (1973)    |    Love Island (1978)

Deodato 2
01. Super Strut 02. Rhapsody In Blue 03. Nights In White Satin 04. Pavane For A Dead Princess 05. Skyscrapers 06. Latin Flute 07. Venus 08. Do It Again

Love Island
01. Area Code 808 02. Whistle Bump 03. Tahiti Hut (Ta Pa E) 04. San Juan Sunset 05. Love Island 06. Chariot Of The Gods 07. Piña Colada 08. Take The A Train


Eumir Deodato com ‘Also Sprach Zarathustra’ ganhou o Prêmio Grammy em 1973. É sem dúvida a obra de jazz mais renomada do mundo latino. O movimento introdutório da obra original, de Richard Strauss serviu de motivo musical para o filme ‘2001: A Space Odyssey’ de Stanley Kubrick, de 1968. Strauss, por sua vez, foi inspirado pelo tratado filosófico ‘Thus Spoke Zarathustra: A Book for All and None’ do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, composto em quatro partes entre 1883 e 1885. Grande parte da obra trata de idéias como o ‘eterno retorno ao mesmo’, a parábola sobre a morte de Deus, e da profecia de Übermensch (Overman). Descrito pelo próprio Nietzsche como ‘o mais profundo já escrito’, o livro é um tratado denso e esotérico sobre filosofia e moral, apresentando como protagonista um Zaratustra ficcional. Zaratustra, claro, refere-se a Zoroastro, o profeta nascido no sexto século aC, na Pérsia, atual Irã, a quem Nietzsche baseou o personagem principal de seu livro. A ironia central do texto é que Nietzsche imita o estilo da Bíblia a fim de apresentar idéias que se opõem fundamentalmente à moral cristã e a tradição judaica. E o arranjo de Deodato foi maravilhosamente elaborado sobre o tema futurista do filme de Kubrick.

deodato - also sprach zarathustra
Eumir Deodato (teclado); Victor Biglione (guitarra); Pascoal Meirelles (bateria); Alex Malheiros (baixo)



rush

Há quem diga que o ‘Rush’ é a maior banda de sempre. Que Alex Lifeson é o melhor guitarrista, Geddy Lee o melhor baixista e Neil Peart o melhor baterista. O certo, porém, é que qualquer pessoa que tenha ouvido a banda, reconhece suas habilidades técnicas e sua contribuição para o rock progressivo. Não é de admirar que os músicos de todos os gêneros os indicam como uma de suas principais influências. E é notável que com mais de 40 anos de carreira a banda ainda continue com o mesmo entusiasmo e paixão e o mais importante, com os mesmos membros. E, mais ainda, suas últimas composições parecem soar tão diferentes do que tudo o que ouvimos deles. A voz de Geddy Lee é mais madura do que nunca e é um verdadeiro prazer ouví-la. A revolução que eles criaram nos anos 70 e as obras que lançaram, ainda soam frescas em nossos ouvidos e ainda definem os padrões para cada banda aspirante de rock progressivo. Afinal, o trio de mestres soa como uma orquestra inteira.

Rush é uma banda canadense de rock formada originalmente em 1968, no bairro Willowdale de Toronto, Ontário, e composta pelo baixista, tecladista e vocalista Geddy Lee (Gary Lee Weinrib), o guitarrista Alex Lifeson (Alex Zivojinovich) e o baterista John Rutsey, companheiros de escola. Esta formação tocava covers de bandas de hard rock como ‘Led Zeppelin’ e ‘Cream’ no circuito de clubes de Toronto. O nome Rush foi sugerido pelo irmão de John Rutsey. A banda e seus membros passaram por uma série de reestruturações entre 1968 e 1974, alcançando sua forma definitiva quando o baterista e letrista Neil Peart substituiu John Rutsey em 1974, que abandonou a banda devido a diferenças musicais e possíveis problemas de saúde, duas semanas antes da primeira turnê do grupo nos EUA. Desde então a formação da banda não mudou.

A repercussão do primeiro álbum independente nas rádios americanas chamou a atenção da gravadora Mercury. Seguiu-se então, o relançamento deste mesmo álbum e turnês como banda de abertura para o ‘Kiss’ e o ‘Uriah Heep’. No segundo álbum, ‘Fly By Night’, a banda finalmente começou a definir estilo próprio afastando-se do rock blues e chegaria ao rock progressivo a partir do terceiro álbum conceitual, ‘Caress of Steel’. O sucesso comercial só viria realmente em 1976 com a gravação de ‘2112’, álbum conceitual futurista baseado nos escritos de Ayn Rand, escritora, dramaturga, roteirista e controversa filósofa norte-americana de origem judaico-russa, mais conhecida por desenvolver um sistema filosófico chamado de objetivismo. No mesmo ano Rush lançou o primeiro álbum ao vivo, ‘All The World is a Stage’, considerado como um dos melhores discos ao vivo do rock. ‘A Farewell to Kings’ de 1977 refletiu uma mudança definitiva para o progressivo.

Alex Lifeson     |     Neil Peart     |     Geddy Lee

A partir de então a banda estranhamente mudou seu som, aproximando-se do que agradava às rádios para desespero dos fãs, mas conquistando um público maior. E assim, o álbum ‘Permanent Waves’ de 1980 traz seu primeiro grande hit, ‘Spirit of Radio’. ‘Moving Pictures’ de 1981 confirma esta fase com a música ‘Tom Sawyer’. Os álbuns seguintes, ‘Signals’ e ‘Grace Under Pressure’, na tentativa de modernizar o som da banda, abordam temas futuristas, deixam as guitarras incluindo sintetizadores. ‘Power Windows’ e ‘Hold Your Fire’ seguem o mesmo caminho. No alvorecer dos anos 90, no entanto, Rush retornou ao som mais pesado de seus primeiros discos, nos álbuns ‘Presto’, ‘Roll The Bones’ e ‘Counterparts’, a banda tentou resgatar a antiga sonoridade, reduzindo o uso de equipamentos eletrônicos mas, não tiveram sucesso com os antigos fãs. Em 1996 o Rush lançou ‘Test For Echo’, bastante aplaudido pela crítica e público.

Pouco tempo depois, Peart perdeu sua filha em um acidente automobilístico. A tragédia o atingiu novamente em 1998, quando a esposa sucumbiu ao câncer. A tragédia e depressão profunda que vitimaram o baterista foram motivos mais do que suficientes para manter a banda afastada durante um longo período. Nessa época, foram lançadas ainda duas coletâneas que trazem o melhor da carreira do Rush: ‘Retrospective I’ com clássicos entre 1974 a 1980 e ‘Retrospective II’ que aborda sucessos de 1981 a 1987. O ‘Retrospective III’ uma coleção de canções das terceira e quarta décadas da banda de 1989 a 2008, foi lançado em 2009. Em 2000 o Rush decidiu voltar. E quase seis anos depois do lançamento do último álbum de estúdio, o trio canadense volta com ‘Vapor Trails’, sem sintetizadores ou teclados, apenas guitarra, baixo e bateria em sua forma mais pura.



Desde o lançamento do auto-intitulado álbum de estréia em 1974, Rush tornou-se conhecido pelas habilidades instrumentais de seus membros, composições complexas e ecléticos motivos fortemente líricos de ficção científica, fantasia e filosofia libertária, bem como abordagens humanitárias, preocupações sociais, emocionais e ambientais. Musicalmente, o estilo do Rush tem evoluído ao longo dos anos, começando com a inspiração do rock blues britânico em seus primeiros álbuns, para em seguida, englobar hard rock, rock progressivo, um período dominado pelos sintetizadores e, mais recentemente, rock moderno. E têm influenciado vários artistas, incluindo ‘Metallica’, ‘The Smashing Pumpkins’ e ‘Primus’, bem como bandas de metal progressivo como ‘Dream Theater’ e ‘Symphony X’. Ao longo de suas carreiras, os membros individuais de Rush foram reconhecidos como sendo alguns dos músicos mais hábeis em seus respectivos instrumentos, com cada um deles recebendo vários prêmios nas pesquisas de leitores de revistas especializadas. Rush possui 24 discos de ouro e 14 platina. De acordo com estatísticas de vendas estão em quarto lugar, atrás de ‘The Beatles’, ‘The Rolling Stones’ e ‘Aerosmith’.

'Retrospective' é uma compilação perfeita, que ilustra claramente a evolução do power trio canadense entusiasta do 'Cream' e 'Zeppelin' em uma inovadora banda de rock progressivo e foi projetada para substituir a compilação ‘Chronicles’ lançado em 1990. Retrospective, Vol. 1 (1974-1980) ao concentrar-se nos primeiros álbuns, do ‘Rush’ de 1974 ao ‘Permanent Waves’ de 1980, retrata o trabalho do grupo contendo quase todos os destaques dos anos 70 e deixando seus hits de rádio para o Retrospectiva, Vol. 2, período de tempo em que Rush se tornou uma sensação e seus álbuns alcançando o top dez. Retrospectiva, Vol. 2 começa com várias seleções de seu álbum mais popular, o ‘Moving Pictures’ de 1981, e termina com o de 1987, ‘Hold Your Fire’. No meio, muitas das canções mais conhecidas do trio: ‘Tom Sawyer’, ‘New World Man’, ‘Limelight’, ‘Distant Early Warning’ e ‘Time Stand Still’. Uma excelente visão geral do auge do grupo no hard rock. E ‘Rush’ ainda é forte, talvez mais forte do que nunca como atração ao vivo, e seus álbuns de estúdio, no século 21, são muito consistentes em termos de qualidade. E este conjunto, Retrospective, Vol. 3, que abrange de 1989 à 2007, do álbum ‘Presto’ ao ‘Snakes & Arrows’, e arranjado esteticamente ao invés de retrospectiva cronológica mostra que Rush tornou-se uma rocha, com shows épicos e ainda criando instigantes registros de hard rock. Os três volumes fornecem uma excelente apresentação de uma banda que continuou a desenvolver o seu som, até os seus próprios limites, e manteve-se atemporal, sem concessões a tendências.

        

Retrospective I (1974-1980)    |    Retrospective II (1981-1987)    |    Retrospective III (1989-2008)

Retrospective I
01. The spirit of radio 02. The trees 03. Something for nothing 04. Freewill 05. Xanadu 06. Bastille Day 07. By-Tor and the snow dog 08. Anthem 09. Closer to the heart 10. 2112: overture 11. temples of Syrinx 12. La Villa Strangiato 13. Fly by night 14. Finding my way

Retrospective II
01. The big money 02. Red Barchetta 03. Subdivisions 04. Time stand still 05. Mystic rhythms 06. The analog kid 07. Distant early warning 08. Marathon 09. The body electric 10. Mission 11. Limelight 12. red sector A 13. New world man 14. Tom Sawyer 15. Force ten

Retrospective III
01. Stick It Out 02. Nobody's Here 03. Half The World 04. Driven 05. Roll The Bones 06. Show Don't Tell 07. The Pass 08. Superconductor 09. Far Cry 10. Malignant Narcissism 11. The Seeker (Live) 12. Secret Touch (Live) 13. Resist (Live) 14. Live Performance Of Tom Sawyer & Interview From The Colbert Report 

rush - tom sawyer
(live in rio)

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robert crumb's heroes of blues, jazz & country

O ilustrador de quadrinhos Robert Dennis Crumb, reconhecido pelo estilo distinto de seus desenhos e sua crítica satírica do modo de viver norte-americano, foi o fundador do movimento ‘underground comix’ e é considerado como sua figura mais proeminente. Além dos conhecidíssimos quadrinhos ‘Keep on Truckin’’ e ‘Fritz the Cat’ os outros personagens populares são ‘Devil Girl’ e ‘Mr. Natural’. Robert Crumb nasceu na Filadélfia, Pensilvânia. Ele é de ascendência escocesa, e de sua árvore genealógica faz parte o ex-presidente dos EUA, Andrew Jackson por parte de mãe. Seu pai, Charles, era um oficial de carreira na marinha. Sua mãe, dona de casa, abusava de anfetaminas e as crianças eram testemunhas de um casamento infeliz. O primeiro emprego de Crumb como artista foi para a empresa Topps. E a primeira produção gráfica foi para o livro 'The Yum Yum Book’ em 1963, um conto de fadas sobre um sapo chamado Oggie. Em meados dos anos 60, Crumb saiu de casa e se mudou para Cleveland, Ohio. Em 1967, incentivado pela reação a alguns desenhos que havia publicado em jornais underground Crumb se mudou para San Francisco, Califórnia, o centro do movimento da contracultura. Com o apoio do editor de quadrinhos Don Donahue, publicou a primeira edição de sua ‘Zap Comix’, que se tornou a mais conhecida e uma das mais populares revistas em quadrinhos underground embora não seja considerada a primeira história em quadrinhos underground publicada até então, mas Zap marca o início da era do ‘underground comix’.

No início de 1980, Crumb colaborou com o escritor Charles Bukowski em uma série de histórias em quadrinhos, que caracteriza a arte de Crumb e a escrita de Bukowski. Depois de anos na Califórnia, e um segundo casamento, Crumb e família mudaram-se para uma pequena aldeia perto de Sauve no sul da França, em 1993, onde vivem até hoje. Crumb é um artista prolífico e contribuiu para muitas das obras seminais do movimento underground dos anos 60. Durante este tempo, inspirado no movimento psicodélico e desenhos animados dos anos 20 e 30, criou personagens que se tornaram extremamente populares.Temas sexuais abundavam em todos esses projetos, e alguns quadrinhos muitas vezes beiravam o pornográfico. Com o passar dos anos o seu trabalho tornou-se mais autobiográfico. E freqüentemente tem a colaboração de sua mulher, Aline Kominsky. Crumb também citou o uso de LSD como um fator que o levou a desenvolver o seu estilo único. A arte em quadrinhos de Crumb também suscitou duros comentários. Numerosos críticos citam seus desenhos de mulheres muito sexualizadas, muitas vezes em papéis subservientes, chamando-o de o chefe machista dos quadrinhos underground. Outros críticos, tais como o cartunista afro-americano e autor Charles Johnson, alegam que os quadrinhos Crumb são inerentemente racistas devido aos desenhos racialmente estereotipados. Mesmo assim, Crumb continua sendo uma figura de destaque, tanto como artista quanto influente no meio dos quadrinhos alternativos.

    

‘Fritz the Cat’     |      ‘Keep on Truckin'

Crumb é notável em pelo menos duas criações, ‘Fritz the Cat’ e o onipresente logotipo ‘Keep on Truckin'. ‘Fritz the Cat’ é uma tira de quadrinhos originariamente desenhada por Robert Crumb quando criança. Fritz foi esboçado pela primeira vez em 1959 aparecendo como um gato doméstico chamado Fred. Os quadrinhos foram inspirados no gato da família e foi desenhado para divertir as irmãs e o irmão mais novo. Fritz apareceu no início dos anos de 60 em tiras denominadas ‘Animal Town’. A aparição seguinte do personagem foi na história ‘Robin Hood’, quando então ele adotou a aparência antropomórfica e teve o nome mudado para Fritz. Em 1964, Crumb desenhou muitas tiras de ‘Fritz the Cat’ para a sua própria diversão. As histórias se passam numa grande cidade habitada por animais antropomórficos, sendo que o gato Fritz é o personagem principal. Um calmo felino com tendências artísticas que frequentemente se vê envolvido em aventuras selvagens, nas quais passa por várias experiências sexuais. Em janeiro de 1965, foi publicado o que seria a primeira aparição impressa do personagem. Fritz trazia uma garota gato para o lar e tirava suas roupas com o pretexto de livrá-la das pulgas. Fritz é descrito como egocêntrico e hedonista, sem qualquer moral ou ética. O senso de fantasia de Crumb levou Fritz a aparecer em diferentes papéis durante os anos, incluindo o de um pop star, um poeta hippie, um estudante alienado, um agente secreto e um militante revolucionário. Crumb abandonou o personagem em 1972.

‘Keep on Truckin' é uma página em quadrinhos onde se vê uma sequência de imagens engraçadas e a frase inspirada na canção de 1930, ‘Truckin’ My Blues Away’, do guitarrista e vocalista de blues Blind Boy Fuller. A tira se tornou uma imagem icônica de otimismo durante a era hippie. Os direitos autorais sobre esta imagem tem sido repetidamente violada e imagens dele têm sido amplamente reproduzida em camisetas, cartazes, fivelas de cintos e outros itens. Crumb usa o desenho como um excelente exemplo do desconforto que sentia com sua fama repentina no final dos anos 60, dizendo: - Tornei-me agudamente auto-consciente sobre o que eu estava fazendo. Eu era agora um porta-voz dos hippies ou o quê? Eu não tinha idéia de como lidar com a minha nova posição na sociedade! Este cartoon estúpido aparecia em todo lugar. Houve um DJ no rádio na década de setenta, que gritava a cada 10 minutos ‘And don't forget to KEEP ON TR-R-RUCKIN'!. ‘Keep on Truckin’ é a maldição da minha vida.

    

Mr Natural, Flakey Foont & DevIl Girl      |      Cheap Thrills'

Em 1965, Crumb fez uso de muito LSD e criou vários personagens, dentre eles, ‘Mr. Natural’, um místico guru que esbanja aforismos sobre os males do mundo moderno e a salvação que pode ser encontrada no misticismo e na vida natural. Ele renunciou ao mundo material e vive apenas em troca da suas pepitas de sabedoria. Geralmente é descrito como um pouco acima do peso, careca, com uma longa barba branca, e usa uma túnica que lembra os profetas do antigo testamento. Há quem veja Mr Natural como uma sátira à Maharishi Mahesh Yogi, que no final dos anos 60 alcançou a fama como o guru dos Beatles e outras celebridades. Mr Natural, o guru barbudo de Crumb tem estranhos poderes mágicos e possui uma visão cósmica, mas ele também é temperamental, cínico, e sofre de várias estranhas obsessões sexuais. Parte sábio, parte vigarista, não tem um pingo de remorso quando é chamado de golpista. Seu discurso direto o coloca em apuros, como quando ele foi expulso do céu por dizer a Deus que é ultrapassado. Normalmente frio e controlado, também acaba em dificuldades como quando foi jogado na prisão por abuso sexual de criança ou trancafiado durante anos em uma instituição mental.

Mr. Natural é sempre abordado por candidatos a discípulos que buscam a verdade, entre eles está Flakey Foont que é respeitado com condescendência divertida e um certo carinho relutante, embora a paciência muitas vezes se esgota e Mr Natural tem o prazer sádico em fazê-lo sentir-se como idiota. Na década de 80, Crumb trouxe de volta Mr. Natural e Flakey Foont, e os dois entraram em um relacionamento tempestuoso com a jovem Cheryl Borck, a Devil Girl. Flakey Foont não consegue tirá-la de sua mente, a sua língua ultrajante e o seu corpo assolam os seus pensamentos. E ele está disposto a jogar tudo para o alto só para estar perto dela. Ele sabe que é um tolo, mas não faz diferença.

Cheap Thrills’ é o segundo álbum da banda de rock ‘Big Brother and the Holding Company’, lançado em 1968, e o último álbum de Janis Joplin como vocalista principal da banda. O álbum tem três músicas gravadas ao vivo e vendeu cerca de um milhão de cópias. A capa do disco, ícone da arte underground dos anos da contracultura, foi desenhada por Robert Crumb.

Crumb também tem, freqüentemente, desenhado quadrinhos sobre seus interesses musicais em blues, country, bluegrass, cajun, French Bal-musette, jazz, big band e swing dos anos 20 e 30 e foi líder da banda ‘R. Crumb & His Cheap Suit Serenaders’, na qual era vocalista, compositor e tocava banjo e outros instrumentos. E também ilustrou muitas capas de álbuns. Pelo menos três documentários televisivos ou teatrais são dedicados a Crumb que recebeu vários prêmios por seu trabalho. Enfim, Robert Crumb é o artista mais famoso e colecionável dos anos 60 e 70. E qualquer pessoa que conhece o trabalho de R. Crumb como ilustrador sabe de sua paixão pela música. Apesar de seu trabalho gráfico mais famoso para o álbum ‘Cheap Thrills’, as simpatias musicais de R. Crumb sempre foram em direção à musicalidade mais acústica. Colecionador voraz da música pré-Segunda Guerra Mundial ou pre-war blues, no início dos anos 80, ele produziu três conjuntos de figurinhas coloridas dedicadas principalmente ao blues, ao jazz e ao country: ‘The Heroes of the Blues’, ‘Early Jazz Greats’ e ‘Pioneers of Country Music’, tornando ícones os seus ídolos. Para cada herói e heroína ocasional como a grande blueswoman Memphis Minnie foi dado um único cartão com uma breve descrição da carreira do artista. Vinte anos depois, os três conjuntos foram reimpressos em um livro capa-dura. São 114 desenhos, baseados principalmente em fotografias raras e trechos de filmagens de noticiários como sua fonte primária. O livro é uma forte reflexão e declaração de amor do artista para a música em grande parte desconhecida para a maioria. Os editores incluíram um disco com 21 dos artistas de renome. O livro ‘R. Crumb's Heroes of Blues, Jazz, & Country’ funde suas duas obsessões: desenho e música.

R. Crumb's Heroes of Blues, Jazz & Country (2006)

Tracklist
01. Memphis Jug Band - On The Road Again
02. Blind Willie McTell - Dark Night Blues
03. Cannon's Jug Stompers - Minglewood Blues
04. Skip James - Hard Time Killin' Floor Blues
05. Jaybird Coleman - I'm Gonna Cross The River Of Jordan - Some O' These Days
06. Charley Patton - High Water Everywhere
07. Frank Stokes - I Got Mine
08. "Dock" Boggs - Sugar Baby
09. Shelor Family - Big Bend Gal
10. Hayes Sheperd - The Peddler And His Wife
11. Crockett's Kentucky Mountaineers - Little Rabbit
12. Burnett & Rutherford - All Night Long Blues
13. East Texas Serenaders - Mineola Rag
14. Weems String Band - Greenback Dollar
15. Bennie Moten's Kansas City Orchestra - Kater Street Rag
16. "King" Oliver's Creole Jazz Band - Sobbin' Blues
17. Parham-Pickett Apollo Syncopators - Mojo Strut
18. Frankie Franko & His Louisianians - Somebody Stole My Gal
19. Clarence Williams' Blue Five - Wild Cat Blues
20. "Jelly Roll" Morton's Red Hot Peppers - Kansas City Stomps
21. Jimmy Noone - King Joe

tribute to r. crumb's heroes of blues & jazz
(um tributo a alguns artistas do blues e do jazz usando os cartões ilustrados de Robert Crumb)



ABC of the blues

Esta é uma visão geral do blues, do campo à cidade. Todos os vários estilos de blues, com mais de 100 artistas, estão representados aqui: o acoustic country blues (Kokomo Arnold), o estilo de New Orleans (Huey "Piano" Smith), o swamp blues (Arthur Gunter), o blues elétrico das grandes cidades (Buddy Guy), o jump blues (Roy Milton), o piano base no blues (Yancy Jimmy), o jazz/blues (Jimmy Rushing), o blues religioso em oposição ao verdadeiro gospel (Blind Willie Johnson), e alguns estilos de blues já na fronteira do início do rhythm and blues com a canção ‘Louie Louie’ de Richard Berry. Cada estilo de blues tem um número de representantes, de artistas bem conhecidos e poucos podem ser considerados desconhecidos. A coleção não foi organizada cronologicamente de acordo com quando as canções foram gravadas, de modo que este não é um disco da história do blues como tal. Os artistas estão dispostos mais ou menos em ordem alfabética. Mas a música é tão boa, tão intensa e apaixonante, que faz desta coleção uma valiosa adição à discografia dos fãs, ou não, do blues. São músicas de um profundo sentir para serem ouvidas muito tarde da noite ou no início da manhã, ou de madrugada como eu gosto, quando tudo está quieto e tranquilo. A atmosfera criada é mágica, é como se estivéssemos ouvindo uma das estações de rádio antiga com clássicos do blues.

‘The ABC of the Blues - The Ultimate Collection’, do Delta para as grandes cidades, é uma enorme coleção de 52 volumes com mais de 1000 canções originais de 100 dos artistas mais notáveis da história do blues. Infelizmente, encontrei apenas as capas dos discos, sem os folhetos contendo informações sobre esses artistas, e suas fotografias, assim tomei a liberdade de fazer isso por conta própria. Mas, é a música que é importante aqui. ‘ABC do Blues’ reúne o melhor dos melhores. Apresenta alguns dos músicos mais influentes do blues e algumas pérolas escondidas. Seus estilos vão tão longe quanto suas atitudes, seus conceitos, e até mesmo as suas histórias e lendas. Os mais antigos membros desta congregação distinta nasceram no final do século 19. Alguns foram esquecidos, outros, um pouco mais jovens, ainda gravam e se apresentam até hoje. A música pode elevar ou derrubar. Mas uma coisa é certa: o blues ainda vive. Amém.


ABC of the Blues
The Ultimate Collection


ABC of the blues 01: kokomo arnold & billy boy arnold
ABC of the blues 02: richard berry & barbecue bob
ABC of the blues 03: bobby ‘blue’ bland & charles brown
ABC of the blues 04: clarence gatemouth brown & blue lu barke
ABC of the blues 05: big bill broonzy, scrapper blackwell & blind blake
ABC of the blues 06: champion jack dupree & cousin joe
ABC of the blues 07: leroy carr, scrapper blackwell & pee wee crayton
ABC of the blues 08: bo diddley
ABC of the blues 09: willie dixon & floyd dixon
ABC of the blues 10: snooks eaglin & sleepy john estes
ABC of the blues 11: lowell fulson & the four blazes
ABC of the blues 12: buddy guy, arthur gunter & slim gaillard
ABC of the blues 13: john lee hooker & wynonie harris
ABC of the blues 14: earl hooker & screamin' jay hawkins
ABC of the blues 15: lightnin' hopkins
ABC of the blues 16: howlin' wolf
ABC of the blues 17: alberta hunter & ivory joe hunter
ABC of the blues 18: robert johnson
ABC of the blues 19: elmore james & lonnie johnson
ABC of the blues 20: blind willie johnson & tommy johnson & skip james
ABC of the blues 21: bb king
ABC of the blues 22: little walter
ABC of the blues 23: lightnin' slim & j.b. lenoir
ABC of the blues 24: leadbelly
ABC of the blues 25: little willie john & smiley lewis
ABC of the blues 26: furry lewis & robert lockwood
ABC of the blues 27: magic sam & jimmy mccracklin
ABC of the blues 28: percy mayfield & johnny moore’s three blazers
ABC of the blues 29: memphis minnie & big maybelle
ABC of the blues 30: roy milton & amos milburn
ABC of the blues 31: big maceo & blind willie mctell
ABC of the blues 32: memphis slim & tommy mcclennan
ABC of the blues 33: fred mcdowell & john hurt
ABC of the blues 34: robert nighthawk & johnny otis
ABC of the blues 35: charlie patton & snooky pryor
ABC of the blues 36: professor longhair & junior parker
ABC of the blues 37: jimmy reed & otis rush
ABC of the blues 38: jimmy rushing & tampa red
ABC of the blues 39: bessie smith
ABC of the blues 40: huey 'piano' smith & frankie lee sims
ABC of the blues 41: roosevelt sykes & son house
ABC of the blues 42: sunnyland slim & johnny shines
ABC of the blues 43: big mama thornton & rosetta tharpe
ABC of the blues 44: sonny terry & eddie taylor
ABC of the blues 45: big joe turner & eddie cleanhead vinson
ABC of the blues 46: t-bone walker & jimmy witherspoon
ABC of the blues 47: muddy waters & junior wells
ABC of the blues 48: sippie wallace & peetie wheatstraw
ABC of the blues 49: johnny watson & big joe williams
ABC of the blues 50: sonny boy williamson I & II
ABC of the blues 51: bukka white & josh white
ABC of the blues 52: jimmy yancey


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