ABC of the blues 29: memphis minnie & big maybelle

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memphis minnieMemphis Minnie (1897-1973) é mais lembrada hoje em dia por ter escrito a música ‘When the Levee Breaks’, que, com letra e melodia ligeiramente alteradas, foi regravada pelo ‘Led Zeppelin’ em seu quarto álbum. Mais uma música, entre tantas surrupiadas pela banda dos mestres do blues? Por volta de 1904, Lizzie Douglas, conhecida por sua família como ‘Kid’, nasceu em Argel, Louisiana. Depois sua família mudou-se para uma fazenda em Mississippi. Ela foi uma das mais influentes e pioneira cantora e guitarrista do sexo feminino de todos os tempos. Ela gravou durante 40 anos, quase inédito para qualquer mulher no show business e única entre artistas mulheres de blues. A personagem extravagante que usava pulseiras feitas de dólares de prata era uma artista muito popular a partir do início dos anos de depressão até a segunda guerra mundial. Memphis Minnie foi amada pelo público negro de blues dos anos 30 e 40 e mais tarde foi relativamente ignorada pelo público branco. Talvez seja porque Memphis Minnie não se encaixasse no mito da jovem trágica, mais facilmente comercializada. Ela formou uma vida muito diferente das possibilidades limitadas oferecidas às mulheres de seu tempo. A música de Memphis Minnie permaneceu popular por mais de duas décadas, porque era lírica e instrumentalmente em sintonia com a vida dos negros americanos.

Minnie foi uma das primeiras de sua geração de artistas de blues a assumir a guitarra elétrica. Em 1942, ela combinou o blues de Louisiana com as raízes do blues de Memphis para produzir seu próprio som, e juntamente com Big Bill Broonzy e Tampa Red, transformou o country blues em blues elétrico urbano abrindo caminho para Muddy Waters, Bo Diddley, Little Walter e Jimmy Rogers viajarem de pequenas cidades do sul para as grandes cidades do norte. Segundo alguns relatos, ela foi casada três vezes, e cada vez com um guitarrista de blues: Kansas Joe McCoy; possivelmente Casey Bill Weldon, embora haja pouca ou nenhuma evidência sobre isso; e Ernest ‘Little Son Joe’ Lawlers.

Depois de aprender a tocar violão e banjo quando criança, ela fugiu de casa aos treze anos de idade e viajou para Memphis, Tennessee, tocando violão em casas noturnas e na rua como Lizzie ‘Kid’ Douglas. No ano seguinte, entrou para o circo dos irmãos Ringling. Seu casamento e sua primeira gravação foi em 1929, e com Kansas Joe McCoy, quando um caçador de talentos da ‘Columbia Records’ ouvi-os tocando, no estilo Memphis, em uma barbearia da Beale Street, um lugar onde dentistas e senhoras da igreja se misturavam com os cantores e prostitutas. E a canção ‘Bumble Bee’ se tornou um hit. Na década de 30 ela se mudou para Chicago com McCoy. Em 1935, os dois se separaram e em 1939 ela se casou com Ernest ‘Little Joe Son’ Lawlers, que foi seu parceiro durante 23 anos. Suas gravações com Son Joe são em estilo dueto, com piano, baixo ou bateria adicionados em algumas sessões. Em 1940 ela estava em turnê com uma empresa vaudeville, um tipo de teatro de variedades e que foi um dos mais populares tipos de entretenimento durante várias décadas.

Mais tarde, Minnie viveu em Indianapolis e Detroit, voltando para Chicago no início dos anos 50. A partir daí, no entanto, o interesse do público em sua música diminuiu. Em 1957 Minnie teve um ataque cardíaco incapacitante, e Little Joe Son tornou-se demasiado doente para tocar. Eles voltaram para Memphis onde a irmã de Minnie, Daisy, cuidava deles. Após a morte de Joe Son em 1962 Minnie passou seus últimos anos em uma casa de repouso onde morreu de um derrame em 1973. Na parte de trás do seu túmulo lê-se: ‘As centenas de canções gravadas por Minnie são o material perfeito para nos ensinar sobre o blues. Ouvindo as músicas de Minnie ouvimos suas fantasias, seus sonhos, seus desejos, mas ouvimos como se fossem nossos’. Minnie estava entre os primeiros vinte artistas eleitos para o ‘Hall of Fame’ na premiação inaugural do ‘W. C. Handy’, em 1980. Memphis Minnie, gradualmente, obteve o reconhecimento que ela merece por seu papel no desenvolvimento do blues.

big maybelleBig Maybelle (1924-1972), como ficiou conhecida profissionalmente, quando criança cantou gospel, e na adolescência mudou para ‘rhythm and blues’. Como cantora e pianista, sua canção de 1956, ‘Candy’ recebeu o ‘Grammy Hall of Fame Award’ em 1999. Nascida como Mabel Louise Smith, em Jackson, Tennessee, começou a sua carreira com a banda de Dave Clark em 1936, e também excursionou com a ‘International Sweethearts of Rhythm’, a primeira banda integrada de mulheres. Ela então se juntou a orquestra de Christine Chatman como pianista, e fez sua primeira gravação em 1944. Sua estréia na carreira solo como Mabel Smith, foi em 1947, acompanhada pelo trompetista de jazz Oran ‘Hot Lips’ Page, mas teve pouco sucesso inicial. Entre 1947 e 1950 se apresentou com a orquestra de Tiny Bradshaw. No entanto, em 1952, ela assinou contrato com a ‘Okeh Records’, cujo produtor Fred Mendelsohn deu a ela o nome artístico Big Maybelle. Sua primeira gravação foi sucesso, seguido por mais dois. Em 1955 gravou ‘Whole Lotta Shakin' Goin On’, produzido por Quincy Jones, dois anos antes da versão de Jerry Lee Lewis. Mais sucessos seguiram-se ao longo da década de 50, incluindo ‘Candy’, um dos seus maiores sucessos. Ela se apresentou no Teatro Apollo em Nova York, no Newport Jazz Festival, e apareceu no documentário ‘Jazz on a Summer's Day’, juntamente com Mahalia Jackson e Dinah Washington. Depois de 1959 ela gravou para uma variedade de rótulos, mas os hits já não faziam sucesso. Ela continuou a se apresentar até o início dos anos 60, quando o vício das drogas e problemas de saúde a nocautearam. Big Maybelle morreu de coma diabético em 1972. Leia +...

memphis minnie & kansas joe mccoy    big maybelle & rufus thomas

Memphis Minnie & Kansas Joe McCoy (1929)
Big Maybelle e o cantor de rhythm and blues, funk e soul e comediante de Memphis, Rufus Thomas


Tracklist
01. Memphis Minnie - Frisco Town
02. Memphis Minnie - Moonshine
03. Memphis Minnie - Nothing in Rambling
04. Memphis Minnie - I'm Talking About You
05. Memphis Minnie - Joe Louis Strut
06. Memphis Minnie - Me and My Chauffeur Blues
07. Memphis Minnie - My Baby Don't Want Me No More
08. Memphis Minnie - Bumble Bee
09. Memphis Minnie - Boy Friend Blues
10. Memphis Minnie - In My Girlish Days
11. Big Maybelle - Gabbin' Blues (Don't Run My Business)
12. Big Maybelle - Rain Down Rain
13. Big Maybelle - Way Back Home
14. Big Maybelle - Please Stay Away from My Sam
15. Big Maybelle - Jinny Mule
16. Big Maybelle - I've Got a Feelin'
17. Big Maybelle - One Monkey Don't Stop No Show
18. Big Maybelle - Hair Dressin' Women
19. Big Maybelle - Don't Leave Poor Me
20. Big Maybelle - No More Trouble out of Me



big maybelle - no more trouble out of me

ABC of the blues volume 29

parte I    parte II



10 comentários:

Ziza's N.E.M. disse...

como digo "senão fossem os pretos" xD sem a escravidão e a revolta deles não exista o ínio da vertente mento na jamaica e na america o jazz. Em relação ao coment que desenvolves-te no meu blogue, é verdade mais vale sozinha do mal acompanhada, mas sou-te sincera nem tudo o que escrevemos ou ditamos se resume bem ao que sentimos =S

Um grande abraço da tua seguidora =)

mara* disse...

Insistimos. Somos mulheres, de apetites meio doidos.

Abraço-te também Ziza.

Ziza's N.E.M. disse...

também respondes-te por aqui xP somos de instintos meio doidos e à custa deles, somos sensíveis. Tudo parece demasiado complicado quando deve-se assumir frieza e calculismo.

Romeu disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

mara* disse...

Assumir frieza e calculismo. Isso é de esmagar os ossos Ziza. Preferível pintar manhãs de ouro.

Beijo e boa semana.

mara* disse...

Essa relação desonesta do Led com o blues sempre existiu Romeu. Bem lá atrás, Willie Dixon, processou a banda pela gravação de ‘Bring It on Home’ e ‘Whole Lotta Love’, provando que esta última era um descarado plágio da canção ‘You Need Love’, de sua autoria.

Abraços e boa semana,

Ziza's N.E.M. disse...

ainda é domingo x) mas boa semana pa ti também. pode ser de esmagar os ossos, mas deve-se começar de al guma maneira diferente. Aquele quadro simboliza um pouco de tudo o que disses-te, excepto que está confuso, acredita. ><'

mara* disse...

Creio Ziza. Agora sim, boa semana menina.

Ziza's N.E.M. disse...

não me trates por menina ><' sff x) desperate housewifes não digo que seja má e até é interessante o conceito da trama, mas se ainda não viste o fringe e gostas de ficção-científica, acredita que isto é do melhor até acho que ultrapassa os X-Files

Borboletas de Jade disse...

"Tocar bem o Blues é participar da História em movimento, compriender a fértil história do secúlo 20. Fazer isso bem é coisa honrada, ajudar sos simplis três acordes, tão carregados de conotação, a se projetarem alegremente para o secúlo 21, uma lembrança do que aconteceu aqui, quando e com quem." Peter Watrous, 'The Blues: a Cousin to Mozart' num artigo no New York Times de 1994

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