baker gurvitz army

baker gurvitz armyQuando os rumores de que Ginger Baker ia juntar-se com os irmãos Gurvitz, o mundo do rock estremeceu. Afinal, eram três das mais difíceis e intransigentes personalidades do mundo da música e, sem dúvida, criariam um grupo explosivo e os fãs não ficariam desapontados. O resultado seria uma guitarra, um baixo e bateria poderosos, um trio que, finalmente, proporcionaria uma saída satisfatória para os seus talentos sub-utilizados. As coisas não estavam indo muito bem para Ginger Baker, desde o desaparecimento da sua própria banda, ‘Airforce’. Os irmãos Gurvitz, também, estavam procurando uma nova forma após o sucesso inicial da banda ‘The Gun’. E quando eles se cruzaram, em 1974, no ‘Speakeasy’, clube de Londres que reunia os astros do rock na década de 70, e fundaram o ‘Baker Gurvitz Army’, parecia que a nova banda seria a solução para todos os problemas. A banda contou com a ajuda de Mr.Snips (Steve Parsons) nos vocais e Peter Lemer nos teclados.

Certamente os irmãos Gurvitz, nascidos em Londres, tinham experiências passadas. Adrian tocava guitarra desde os oito anos e compunha, enquanto Paul tocava baixo, e fazia os arranjos e nos anos 60, o pai dos dois era empresário de bandas como ‘Shadows’ e ‘The Kinks’. E esta foi a introdução dos irmãos na música e a certeza de que foram destinados para o estrelato. Eles começaram carreira profissional no quarteto chamado ‘The Knack’. Quando o tecladista saiu em 1968, tornaram-se ‘The Gun’. Adrian tinha apenas 17 anos, mas já tinha tocado com ‘Screaming Lord Sutch’ quando tinha 15 anos. ‘The Gun’, foi sucesso instantâneo como banda de apoio na cena londrina underground, para outras bandas tais como 'T. Rex' e 'Pink Floyd'. Em um ataque de inspiração, Adrian Gurvitz compôs ‘Race with the Devil’, que levou o grupo às paradas e se tornou um sucesso internacional em 1968. A nova banda foi administrada por Pete King e Scott Ronnie, proprietários de um famoso clube de jazz de Londres. ‘The Gun’ excursionou por dois anos e fez parte da primeira onda de hard rock britânico. Foram lançados vários singles, mas foram incapazes de repetir o sucesso de ‘Race with The Devil’. E os irmãos embarcaram em outra aventura e formaram um novo grupo chamado ‘Three Man Army’. A este novo projeto foi dado um grande impulso quando decidiram substituir o baterista existente pelo lendário Ginger Baker.

Cream (1967)    The Gun

Jack Bruce, Ginger Baker, Eric Clapton ('Cream' - 1967) e 'The Gun' (1968)

'Ginger' Peter Baker nasceu em Lewisham, no sul de Londres, e era um homem de muitas paixões e interesses, do jazz à pintura. Ciclismo também, e lhe deu força extra nas pernas quando assumiu a bateria. Em grande parte autodidata, ele fez a sua própria bateria de plástico quando era pobre demais para comprar uma profissional. De temperamento ardente, Ginger adotou a bateria com a mesma violência e entusiasmo que ele abordou a maioria das coisas em sua vida. Ele ganhou sua primeira experiência em bandas de jazz, mas rapidamente passou para a cena do R&B. Em 1964 ele se tornou a pedra angular do ‘Graham Bond Organisation’, um grupo de jazz e R&B da década de 60 em que Graham James Bond era o vocalista, tecladista e saxofonista; Jack Bruce o baixista; Ginger Baker na bateria, Dick Heckstall-Smith o saxofonista tenor e soprano e John McLaughlin foi o guitarrista. Depois de vários álbuns e gravações alcançaram a fama tornando-se a primeira banda do jazz-rock. A técnica de Baker chamou atenção por sua virtuosidade, técnica e o uso de outros instrumentos de percussão nunca antes usados no rock. Embora às vezes tocasse de maneira bombástica, Baker também era capaz de tocar de forma mais contida, graças à sua experiência se apresentando com bandas de jazz inglesas durante o final dos anos 50 e começo dos 60, estabelecendo um novo patamar de profissionalismo entre os percussionistas de rock. Ele foi um dos primeiros músicos a usar dois bumbos, inspirado pelo baterista de jazz Louie Bellson.

Em 1966, Ginger formou o ‘Cream’ com Eric Clapton e Jack Bruce, e o novo trio teve um enorme sucesso e conquistou a América durante o seu reinado de três anos. Eles criaram vários clássicos e Ginger foi saudado como baterista número um do mundo. Depois foi convidado a participar com Eric Clapton, Rick Grech e Steve Winwood no ‘Blind Faith’. Em 1970, Ginger decidiu montar sua própria banda, ‘Airforce’, que incluiu muitos dos seus amigos e músicos favoritos, como Graham Bond, Seaman Phil, Denny Laine e Steve Winwood. E Ginger partiu para a África para explorar o deserto do Saara. Mais tarde, ele abriu seu próprio estúdio de gravação em Lagos, na Nigéria e, muitas vezes, ameaçou desistir de tocar bateria para se concentrar em esportes e atividades empresariais.

ginger baker    adrian gurvitz    paul gurvitz

Ginger Baker, Adrian e Paul Gurvitz

Baker Gurvitz Army

'Baker Gurvitz Army', com Peter Lemer nos teclados e Mr.Snips no vocal

Mas em 1974, parecia que ele poderia usar seu maior talento no ‘Baker Gurvitz Army’. A estréia foi com o auto-intitulado álbum com uma poderosa mistura de rock pesado e a sua inconfundível bateria. Ginger contribuiu com a longa e dramática faixa 'Mad Jack', onde conta a história de suas façanhas em uma corrida de automóveis através do deserto africano. Os dois álbuns seguintes continham material similar, mas a combinação da, falta de sucesso nos Estados Unidos e conflitos de personalidade entre os membros, levou-os a percorrer outros caminhos. Adrian Gurvitz, apaixonado pelo blues e que, certamente, foi um guitarrista muito subestimado, se tornou um bem sucedido compositor e produtor em Los Angeles, escrevendo para artistas como Whitney Houston. Paul Gurvitz seguiu o irmão. Baker o mestre da baterista passou os anos seguintes, dividindo seu tempo entre jogar pólo e a agricultura de oliva na Itália, até que ele voltasse a tocar com algumas bandas. Desde 1986, Ginger vem lançando diversos álbuns e viajando em turnê com inúmeros astros do jazz, da música clássica e do rock.

baker gurvitz army - the dreamer


baker gurvitz army - the anthology (2003)

The Anthology (2003)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Wotever It Is (Live) 02. The Gambler 03. Memory Lane 04. Thirsty For The Blues 05. Love Is 06. Mystery 07. The Key 08. Flying In And Out Of Stardom 09. Since Beginning 10. Hearts On Fire 11. Mad Jack 12. People 13. Remember 14. Smiling 15. Freedom (Live)

Tracklist CD 2
01. People (Live) 02. Phil 03. Neon Lights 04. Help Me 05. Tracks Of My Life 06. The Dreamer 07. I Wanna Live Again 08. My Mind Is Healing 09. The Hustler 10. Inside Of Me 11. Time 12. Dancing The Night Away 13. Night People 14. The Artist 15. Memory Lane (Live)

2 comentários:

fbarth disse...

´Sempre gostei de power trio. É incrível como é possível soar tão bem com apenas três instrumentos. O som fica mais claro valorizando a performance de todos. Valeu, Mara.

mara* disse...

Popularizado na década de 60, os trios sempre funcionaram bem, a sonoridade é bem definida. Também gosto. E volta e meia aparecia um power trio para revolucionar o rock. Valeu.

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