monterey jazz festival

monterey jazz festival O 'Monterey Jazz Festival' é o maior festival de jazz ao ar livre em execução no mundo. Realizado a cada setembro na bela Monterey, Califórnia, a idéia do festival começou quando em 1956, Jimmy Lions, um locutor de rádio de jazz em San Francisco, e seu colega, o jornalista, escritor e crítico de jazz Ralph J. Gleason quiseram criar um festival alternativo, em um cenário silvestre, com os melhores do jazz em todo o mundo, a ser realizar no ambiente tranquilo da costeira Monterey. Os amantes do jazz de San Francisco não escondiam as suas dúvidas quando ouviam dizer que o promotor Jimmy Lions estaria preparando um festival de jazz para ter lugar em Monterey. Seria possível realizar naquela sonolenta e pacata cidade californiana um evento capaz de rivalizar com o de Newport, em Rhode Island, organizado por George Wein e inaugurado quatro anos antes? Lions, ajudado por Ralph J. Gleason e por um punhado de músicos e empresários locais, provou que sim. A idéia era que Monterey se firmasse como um contraponto a Newport, apostando em trunfos como a apresentação de novos músicos e de novas formações.

monterey jazz festival - ralph j gleasonE este tem sido o local do festival desde a sua criação em 3 de outubro de 1958, há mais de meio século e quatro anos após o Festival de Jazz de Newport. Graças a dezenas de pequenas contribuições de empresas locais, o primeiro Festival de Jazz de Monterey conseguiu reunir notáveis como Dave Brubeck, Billie Holiday, Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins, Max Roach, Gerry Mulligan e muitos mais. Dave Brubeck foi fundamental para conseguir a aprovação da cidade para o primeiro festival em 1958. Jimmy Lions trouxe Brubeck para Monterey para se apresentar para o conselho da cidade para persuadi-los a permitir que o festival ocorresse. Ele já se apresentou no Festival de 14 vezes desde então, o que inclui sua aparição em 2008, data em que o festival de jazz completou 50 anos de existência.

Desde então, ano após ano, Monterey cimentou a sua posição no panorama dos festivais norte-americanos, sendo hoje um dos mais prestigiados eventos jazzísticos nos Estados Unidos. A arena foi também o local do lendário Monterey Pop Festival de 1967, inspirado por seus organizadores ao visitar o Festival de Jazz em 1966. Desde 1992 o gerente-geral é Tim Jackson, e há quinze anos o célebre ator e cineasta Clint Eastwood é um dos diretores do evento. O festival é realizado anualmente na terceira semana de setembro. Mais de 500 artistas se apresentam em nove palcos espalhados pelos campos, e além da música o MJF traz debates sobre jazz, workshops, exibições, clínicas, comidas típicas internacionais, compras e atividades espalhadas em torno dos 20 acres de Monterey Fairgrounds. O Festival de Jazz de Monterey é uma organização sem fins lucrativos e doa seus recursos para a educação musical desde a sua criação. Desde 1958, através de seus programas de educação abrangente, o festival tem ajudado a perpetuar o jazz e a educar as pessoas sobre a música da América. Investe 500 mil dólares por ano para apoiar às necessidades musicais de milhares de estudantes nos níveis local, estadual e nacional.

monterey jazz festival

The Dave Brubeck Quartet    Dizzy Gillespie e Louis Armstrong

The Dave Brubeck Quartet, Dizzy Gillespie e Louis Armstrong (1958)

Miles Davis    Teddy Edwards

Miles Davis (1963) e Teddy Edwards (1964)

Charles Mingus    Gil Evans

Charles Mingus (1964) e Gil Evans (1966)

Miles Davis    Dexter Gordon

Miles Davis entre a multidão (1969) e Dexter Gordon (1978)

É difícil pensar em uma figura importante que não tenha aparecido no festival de Monterey. Alguns mestres de jazz, na verdade, foram luminárias em Monterey. Dizzy Gillespie, ‘Modern Jazz Quartet’ e Dave Brubeck estavam entre eles. Eles e dezenas de outros estão representados nesta retrospectiva fascinante de três CDs. São quase três horas e meia que captam a música tocada no festival até 1996, sob o comando de Jimmy Lions e supervisionado por Tim Jackson que concentrou-se em apresentações não emitidas anteriormente. Assim, não há nenhuma amostra da explosão apaixonante de Charles Mingus em 1964, nada do concerto de 1965 do saxofonista John Handy, e nem o estilo vanguardista do cantor de blues Jimmy Witherspoon, em 1959, ou do trio do clarinetista e saxofonista Jimmy Guiffre no mesmo ano, ou as aventuras da píanista Joanne Brackeen em 1980, disponíveis em outros CDs lançados.

Este material ‘novo’ começa com Dizzy Gillespie tocando uma versão desacompanhada de ‘The Star Spangled Banner’, que abriu o primeiro festival. O primeiro ano de Monterey também teve Gerry Mulligan e Art Farmer em uma excelente versão de ‘Blueport’. Billie Holiday, um ano antes de sua morte, já com a sua vida destroçada, acompanhada por Gerry Mulligan na memorável ‘Fine and Mellow’, surpreendeu o público com sua força. Thelonious Monk é ouvido em 1964 tocando ‘Straight No Chaser’, com um grupo de oficina, e com solos do seu amigo de longa data, o saxofonista tenor Charlie Rouse e também de Buddy Collette e do trompetista Bobby Bryant. O trompetista Dizzy Gillespie, ainda no seu auge em 1973, juntou-se com o seu jovem ‘imitador’ Jon Faddis, então com 20 anos de idade, em ‘Manteca’ e com solo de bateria de Mickey Roker. Em 1975, Gillespie voltou com um tributo a Ralph J. Gleason, um dos fundadores do festival, que havia morrido naquele ano. ‘Up Com o Lark’, também de 1975, enfatiza a empatia entre o pianista Bill Evans e o baixista Eddie Gomez. A banda de Count Basie, com o trombonista Al Grey, em sons inspirados se apresentou com ‘I Needs to Be Bee'd’, assim como fez Joe Williams, que cantou a versão completa de ‘Goin' to Chicago’ em 1977. Também foi um ano bom para o pouco conhecido saxofonista tenor David Schnitter, solando em ‘Along Came Betty’ com o quinteto de Art Blakey. Wynton Marsalis, em 1983, reinventa Thelonious Monk em ‘Think of One’. No mesmo ano, Sarah Vaughan com voz de menina falou na introdução de ‘If You Could See Me Now’, cantada com virtuosismo. O trompetista Roy Hargrove e o saxofonista Antonio Hart tiveram momentos de emoção, em 1992, com ‘My Shining Hour’. Em 1994 Shirley Horn balançou com ‘I've Got the World on a String’ acompanhada por ela mesma no piano.

Saxofonistas tenores têm alguns dos melhores momentos na coleção. Dexter Gordon, em 1978, em seu período final de vigor; Stan Getz, em 1979, com a banda de Woody Herman, em ‘What Are You Doing the Rest of Your Life?’; a forte cadência de Bob Berg, com Chick Corea em 1995, na ‘I Loves You, Porgy’; Sonny Rollins impulsionado pelo baterista Billy Drummond em 1994, no blues ‘Keep Hold of Yourself’; Joshua Redman e o emergente Craig Handy estão perfeitos em ‘Home Fries’, ambos em 1996; Herbie Hancock em ‘Cantaloupe Island’ acompanhado pelo solo de Craig Handy e o baixo de Dave Holland, foi notável em seu piano.


Tracklist CD 1
01. Dizzy Gillespie & Jimmy Lyons – Opening/Star Spangled Banner
02. Dave Brubeck - For All We Know
03. Billie Holiday - Fine and Mellow
04. Gerry Mulligan - Blueport
05. Cannonball Adderley - Blue Daniel
06. Thelonious Monk - Straight No Chaser
07. Duke Ellington - Chelsea Bridge
08. Charles Mingus - Don't Let It Happen Here
09. Oscar Peterson - Younger Than Springtime
10. Carmen McRae - I Wish I Knew
11. Dizzy Gillespie & Jon Faddis - Manteca

Tracklist CD 2
01. Modern Jazz Quartet - 'Round Midnight
02. Bill Evans - Up with the Lark
03. Dizzy Gillespie - Tribute to Ralph Gleason
04. Count Basie - I Needs to Be Bee'd
05. Joe Williams - Goin' to Chicago
06. Art Blakey - Along Came Betty
07. Dexter Gordon - Fried Bananas
08. Stan Getz & Woody Herman - What Are You
Doing the Rest of Your Life?
09. Freddie Hubbard - Little Sunflower

Tracklist CD 3
01. Wynton Marshalis - Think of One
02. Sarah Vaughan - If You Could See Me Now
03. Roy Hargrove - My Shining Hour
04. Shirley Horn - I've Got the World on a String
05. Sonny Rollins - Keep Hold of Yourself
06. Chick Corea - I Loves You, Porgy
07. Joshua Redman - Home Fries
08. Herbie Hancock - Cantaloupe Island



roy hargrove - my shining hour


Monterey Jazz Festival: 40 Legendary Years 1958 – 1996 (1997)

Monterey Jazz Festival:
40 Legendary Years 1958–1996

CD 1    CD 2    CD 3



the paul butterfield blues band

posts relacionados
mike bloomfield

paul butterfield blues bandAssim como Paul Whiteman e Benny Goodman, que mudaram para sempre a sensibilidade musical de todos usando estilos de músicos afro-americanos como base para suas próprias músicas e apresentando ao mundo alguns dos maiores artistas da América, que tinham permanecido invisíveis, porque eram negros, Paul Butterfield e seus músicos resgataram o interesse em um gênero musical que tinha sido enterrado pelo preconceito. No entanto, Paul Butterfield, foi praticamente esquecido completamente. A sua banda foi excepcional em muitos aspectos, mas nenhum foi tanto quanto o fato de que era a primeira banda de blues integrado. Os membros brancos vieram de famílias de classe média. Se não tivessem se apaixonado por essa música provavelmente seriam profissionais como seus pais. Em vez disso, deram voz novamente a uma música que tinha sido escondida em uma parte da América, onde poucos brancos se aventuraram. Os membros negros da banda conheciam um pouco mais da vida dos guetos e dos bares de beira de estrada.

A multi-racial banda de Paul Butterfield, ainda menor de idade, com a ajuda dos guitarristas Elvin Bishop e Mike Bloomfield, do baixista Jerome Arnold e do baterista Sam Lay, derrubou as barreiras de longa data que existia no blues entre negros e brancos e trouxe a música para um público totalmente novo, e na maior parte de pele branca. A magia da banda foi encontrada na experiência variada, e na química entre os seus diversos componentes. Paul tinha estudado gaita sob a influência de mestres como Little Walter e James Cotton, Mike havia sido orientado por bluesmen como Magic Sam e Otis Rush. Jerome e Sam foram veteranos da banda de Howlin’ Wolf, enquanto Elvin foi tutelado pelo guitarrista Smokey Smothers, também da banda de Wolf.

paul butterfield blues band

Mike Bloomfield, Paul Butterfield, Sam Lay, Elvin Bishop e Jerome Arnold

Paul Butterfield, filho de advogado, cresceu em Chicago. No colegial, tocava flauta clássica com Walfrid Kujala da Orquestra Sinfônica de Chicago e participou da equipe de atletismo. Através da influência de um irmão mais velho e com a insistência de um amigo, Nick Gravenites, Butterfield encontrou a música que tinha ouvido nas rádios de audiência negra em Chicago. Esta música podia ser ouvida ao vivo apenas no Sul e Oeste, em bares onde os rostos brancos pertenciam apenas a policiais. De alguma forma Butterfield e Gravenites fizeram desta cultura musical a sua própria. Eles aprenderam todas as suas variedades, a partir do slide da guitarra de Elmore James e ao som da banda do grande vocalista de blues e soul, Bobby Blue Bland. Mas, foi um músico especial de blues que capturou a alma e a imaginação de Butterfield, Marion Walter Jacobs, conhecido como Little Walter. Little Walter criou um instrumento novo de blues, a gaita amplificada. Um instrumento barato, inventado na Alemanha no século 19, a gaita foi projetada, principalmente para não tocar a melodia, mas, sim, para tocar acordes. A gaita não era nova no blues, mas o seu som nas mãos de Little Walter, soprada através de um microfone barato conectado a um amplificador de guitarra, era novo. Este som, vindo das entranhas, e amplificado, era uma nova voz, crua e primitiva, e Butterfield o tomou para si mesmo. Ele cantou, também, forte e com uma entrega plena de corpo e alma.

Elvin Bishop foi o guitarrista original da banda. Chegou a Chicago a partir de Tulsa, Oklahoma, para estudar física na Universidade de Chicago com uma bolsa por mérito. Este prêmio foi dado apenas para dois entre os 300 mais talentosos estudantes do ensino médio no país. A permanência de Bishop na Universidade foi extremamente curta, ele deixou os estudos para tocar o blues com Butterfield. Quando foram ao clube ‘Big John’ para um show, convenceram o vocalista e baterista Sam Lay da banda de Howlin’ Wolf a se juntar a eles. Sam Lay é um dos bateristas mais célebres na história do blues, e um pilar desde o final da década de 50. Ele começou sua carreira auspiciosa em 1957, como baterista da ‘Original Thunderbirds’ e logo depois se tornou o baterista da lendária banda de Little Walter. No início dos anos 60 começou a gravar e se apresentar com Willie Dixon, Howlin 'Wolf e Muddy Waters. Jerome Arnold, irmão mais novo do gaitista de renome, Billy Boy Arnold, era o baixista. Sam Lay, Jerome Arnold e Elvin Bishop eram o alicerce inabalável para os solos brilhantes de Paul Butterfield. Pouco tempo depois, Lay ficou doente com pneumonia e pleurisia. Por trás de sua voz profunda ninguém suspeitava de sua frágil saúde, talvez agravada por um ferimento a bala que ele tinha sofrido alguns anos antes. A doença o levou a deixar a banda antes das sessões para o segundo álbum e Billy Davenport assumiu a bateria.

Em 1964 o produtor da ‘Elektra Records’, Paul Rothchild, ouvindo Butterfield reconheceu o seu potencial. Ele queria gravar a banda, mas queria que Paul adicionasse outro guitarrista, Mike Bloomfield. Bishop, o guitarrista regular, não manifestou qualquer objeção. Aos 21 anos, Michael Bloomfield era herdeiro de uma fortuna e ele foi criado livre para se dedicar às suas grandes paixões: a guitarra e o blues. E com Paul Butterfield ele se tornou um dos heróis da guitarra que incluía Jimmi Hendrix, Jeff Beck, Eric Clapton, Carlos Santana, Duane Allan e Alvin Lee. Mike Bloomfield teve a energia de um menino de 10 anos até a sua morte com 30 anos. Quando a imprensa o idolatrava ele era rápido em dizer-lhes que era apenas um simples imitador do mestre BB King.

paul butterfield blues band

'The Paul Butterfield Blues Band' em 'The Newport Folk Festival' (julho - 1965)

O evento que lançou a banda de Butterfield para o estrelato foi o ‘Newport Folk Festival’ de 1965, que neste ano apresentou uma sessão dedicada ao blues. E uma procissão de mestres do blues antigo tocou para uma multidão que ficou emocionada por ver essas figuras históricas da música americana. A banda de Paul ficou esperando em frente a uma parede de amplificadores. A multidão ouviu a música do homem comum, do camponês digno, do menestrel itinerante. O blues era para eles a música de meeiros que colhiam o algodão sob um sol escaldante e eram explorados por ricos fazendeiros brancos. E ninguém tinha caracterizado esse blues tão bem quanto Mississippi John Hurt. De voz suave e pele de pergaminho e olhos tristes, tinha entretido a multidão no início do dia. E agora vinha uma banda de alta potência, racialmente mista e chefiada por um homem branco e mal-humorado.

Os aplausos que se seguiram foram educados, mas a reação da audiência foi rápida quando Paul Butterfield com as mãos em concha começou a tocar a sua gaita. Em sua boca, ela gemia e tremia como a voz humana em sua forma mais primal. Respondendo a ela, as frenéticas guitarras e baixo e a deslumbrante bateria. E todo o tempo Butterfield cantou, não de colheitas ou sobre o amor perdido, mas da vida na selva urbana. A multidão adorou. A multidão foi à loucura. Naquela noite, um outro evento ocorreu que abalou o mundo musical e eclipsou a estréia de Paul Butterfield e sua banda de blues. Foi a estréia do ‘folk rock’, o primeiro dia de Bob Dylan conectado em sua guitarra elétrica. Algumas pessoas zombaram, outros aplaudiram. Era o nascimento do ‘folk rock’ e como resultado à banda de Paul Butterfield é concedido apenas uma nota de rodapé. Através desse festival, desta abertura, veio uma enxurrada de artistas que nunca tinham tocado antes para uma audiência tão grande. Entre eles BB King alguns anos depois, em 1968, foi recebido com ovação. Dois anos antes seu nome era conhecido por apenas alguns milhares de americanos brancos. Agora, ele foi tratado com veneração. Foram Mike Bloomfield e Paul Butterfield, mais do que quaisquer outros, que fizeram isso acontecer.

paul butterfield blues band

De pé, da esquerda, o baixista Jerome Arnold, o guitarrista Mike Bloomfield, o tecladista Mark Naftalin e o guitarrista Elvin Bishop. Sentados, o gaitista Paul Butterfield e o baterista Billy Davenport (1965 ou 1966)

Paul Butterfield e sua banda tornaram-se uma sensação. E era difícil dizer qual dos dois, Bloomfield ou Butterfield, era mais popular. E o primeiro álbum decolou em 1965, intitulado simplesmente ‘The Paul Butterfield Blues Band’ gravado pela ‘Electra Records’. A banda retornou ao estúdio com um novo membro, o tecladista Mark Naftalin, filho de um acadêmico e político de Minneapolis que serviu quatro mandatos como prefeito. Naftalin só queria uma coisa no mundo, tocar blues no piano. Durante seus dias de estudante em Chicago, tocou com Butterfield e Bishop, e por falta de amplificação nunca foi reconhecido, e nunca soube ao certo se Butterfield, naquela época, aprovara a sua forma de tocar ou até mesmo se o notara. No momento do seu segundo álbum, ‘East West’, lançado em 1966, a banda tornou-se conhecida simplesmente como ‘Butterfield Blues Band’, mas grandes mudanças no line-up aconteceram. Cansados das extensas turnês, Davenport e Bloomfield saíram da banda. Arnold também saiu, citando a mudança de direção musical como a causa. Ao invés de substituir Bloomfield, a banda contou apenas com o veterano Bishop e Butterfield moveria a banda para o território do jazz com a adição de uma secção de metais de três peças, incluindo o jovem saxofonista David Sanborn. Elvin Bishop deixaria a banda em 1968 para perseguir uma carreira solo de sucesso que continua até hoje; o tecladista Naftalin seguiria logo depois.

As circunstâncias exatas que levaram Mike Bloomfield à morte não são claras. O que se sabe é que foi encontrado morto de overdose de drogas em seu carro em 1981. Paul Butterfield morreu de peritonite devido ao uso de drogas e alcoolismo em 1987.

paul butterfield blues band - born in chicago


‘An Anthology: The Elektra Years’ é um disco duplo, com 33 canções que oferecem uma visão abrangente de ‘Paul Butterfield Blues Band’ para a etiqueta ‘Elektra Records’. Seus dois primeiros álbuns, ‘Paul Butterfield Blues Band’ e ‘East West’, foram registros seminais, nas fronteiras entre o blues, jazz e rock. Os dois CDs reúnem os melhores momentos da banda e incluem algumas das primeiras gravações da banda para o selo, a maioria das quais se pensou estarem perdidas. Estas sessões, gravadas em 1964, forneceram um modelo para o posterior sucesso da banda. ‘Born In Chicago’ de Nick Gravenites é a pedra angular da banda. O primeiro esforço da banda sem Mike Bloomfield foi o álbum ‘The Resurrection Of Pigboy Crabshaw’ de 1967, representado aqui com a clássica ‘One More Heartache’ de Marvin Gaye e pela sensual ‘Double Trouble’ de Otis Rush. As duas oferecem um sabor irresistível ao álbum. ‘An Anthology: The Elektra Years’ oferece 33 sólidas razões de que ‘Paul Butterfield Blues Band’ foi uma das melhores bandas na história de qualquer gênero, do blues ao rock e com um aceno para o jazz, também. Influentes, muito além dos números medíocres de vendas, a banda rompeu o blues para fora dos clubes da zona sul de Chicago e ajudou a torná-lo um fenômeno mundial. Com incrível habilidade instrumental, imaginação, criatividade e paixão musical ‘Paul Butterfield Blues Band’ foi insuperável. Para os fãs de blues que não estão familiarizados com a banda, ‘An Anthology: The Elektra Years’ é um elixir de blues e é um bom lugar por onde começar.

paul butterfield blues band - an anthology: the elektra years (1997)

An Anthology: The Elektra Years (1997)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Born In Chicago 02. Lovin' Cup 03. One More Mile 04. Off The Wall 05. Come On In 06. Nut Popper #1 07. Ain't No Need To Go No Further, It's Too Late Brother 08. Born In Chicago 09. Shake Your Money Maker 10. Blues With A Feeling 11. Thank You Mr. Poobah 12. Our Love Is Driftin' 13. Mystery Train 14. Last Night 15. Walkin' Blues 16. I Got A Mind To Give Up Living 17. Work Song 18. All These Blues 19. East West

Tracklist CD 2
01. One More Heartache 02. Double Trouble 03. Last Hope's Gone 04. Mornin' Blues 05. Just To Be With You 06. Get Yourself Together 07. In My Own Dream 08. Love March 09. Walkin' By Myself 10. Love Disease 11. Everything's Gonna Be Alright 12. Driftin' & Driftin' 13. Blind Leading The Blind 14. Song For Lee

 - the original lost elektra sessions (1995)

The Original Lost Elektra Sessions
(1964, reissued 1995)

Tracklist
01. Good Morning Little Schoolgirl 02. Just to Be with You 03. Help Me Listen04. Hate to See You Go 05. Poor Boy Listen06. Nut Popper #1 07. Everything's Gonna Be Alright 08. Lovin' Cup09. Rock Me 10. It Hurts Me Too 11. Our Love Is Driftin' 12. Take Me Back, Baby 13. Mellow Down Easy 14. Ain't No Need to Go No Further15. Love Her with a Feeling16. Piney Brown Blues 17. Spoonful18. That's All Right 19. Goin' Down Slow

baker gurvitz army

baker gurvitz armyQuando os rumores de que Ginger Baker ia juntar-se com os irmãos Gurvitz, o mundo do rock estremeceu. Afinal, eram três das mais difíceis e intransigentes personalidades do mundo da música e, sem dúvida, criariam um grupo explosivo e os fãs não ficariam desapontados. O resultado seria uma guitarra, um baixo e bateria poderosos, um trio que, finalmente, proporcionaria uma saída satisfatória para os seus talentos sub-utilizados. As coisas não estavam indo muito bem para Ginger Baker, desde o desaparecimento da sua própria banda, ‘Airforce’. Os irmãos Gurvitz, também, estavam procurando uma nova forma após o sucesso inicial da banda ‘The Gun’. E quando eles se cruzaram, em 1974, no ‘Speakeasy’, clube de Londres que reunia os astros do rock na década de 70, e fundaram o ‘Baker Gurvitz Army’, parecia que a nova banda seria a solução para todos os problemas. A banda contou com a ajuda de Mr.Snips (Steve Parsons) nos vocais e Peter Lemer nos teclados.

Certamente os irmãos Gurvitz, nascidos em Londres, tinham experiências passadas. Adrian tocava guitarra desde os oito anos e compunha, enquanto Paul tocava baixo, e fazia os arranjos e nos anos 60, o pai dos dois era empresário de bandas como ‘Shadows’ e ‘The Kinks’. E esta foi a introdução dos irmãos na música e a certeza de que foram destinados para o estrelato. Eles começaram carreira profissional no quarteto chamado ‘The Knack’. Quando o tecladista saiu em 1968, tornaram-se ‘The Gun’. Adrian tinha apenas 17 anos, mas já tinha tocado com ‘Screaming Lord Sutch’ quando tinha 15 anos. ‘The Gun’, foi sucesso instantâneo como banda de apoio na cena londrina underground, para outras bandas tais como 'T. Rex' e 'Pink Floyd'. Em um ataque de inspiração, Adrian Gurvitz compôs ‘Race with the Devil’, que levou o grupo às paradas e se tornou um sucesso internacional em 1968. A nova banda foi administrada por Pete King e Scott Ronnie, proprietários de um famoso clube de jazz de Londres. ‘The Gun’ excursionou por dois anos e fez parte da primeira onda de hard rock britânico. Foram lançados vários singles, mas foram incapazes de repetir o sucesso de ‘Race with The Devil’. E os irmãos embarcaram em outra aventura e formaram um novo grupo chamado ‘Three Man Army’. A este novo projeto foi dado um grande impulso quando decidiram substituir o baterista existente pelo lendário Ginger Baker.

Cream (1967)    The Gun

Jack Bruce, Ginger Baker, Eric Clapton ('Cream' - 1967) e 'The Gun' (1968)

'Ginger' Peter Baker nasceu em Lewisham, no sul de Londres, e era um homem de muitas paixões e interesses, do jazz à pintura. Ciclismo também, e lhe deu força extra nas pernas quando assumiu a bateria. Em grande parte autodidata, ele fez a sua própria bateria de plástico quando era pobre demais para comprar uma profissional. De temperamento ardente, Ginger adotou a bateria com a mesma violência e entusiasmo que ele abordou a maioria das coisas em sua vida. Ele ganhou sua primeira experiência em bandas de jazz, mas rapidamente passou para a cena do R&B. Em 1964 ele se tornou a pedra angular do ‘Graham Bond Organisation’, um grupo de jazz e R&B da década de 60 em que Graham James Bond era o vocalista, tecladista e saxofonista; Jack Bruce o baixista; Ginger Baker na bateria, Dick Heckstall-Smith o saxofonista tenor e soprano e John McLaughlin foi o guitarrista. Depois de vários álbuns e gravações alcançaram a fama tornando-se a primeira banda do jazz-rock. A técnica de Baker chamou atenção por sua virtuosidade, técnica e o uso de outros instrumentos de percussão nunca antes usados no rock. Embora às vezes tocasse de maneira bombástica, Baker também era capaz de tocar de forma mais contida, graças à sua experiência se apresentando com bandas de jazz inglesas durante o final dos anos 50 e começo dos 60, estabelecendo um novo patamar de profissionalismo entre os percussionistas de rock. Ele foi um dos primeiros músicos a usar dois bumbos, inspirado pelo baterista de jazz Louie Bellson.

Em 1966, Ginger formou o ‘Cream’ com Eric Clapton e Jack Bruce, e o novo trio teve um enorme sucesso e conquistou a América durante o seu reinado de três anos. Eles criaram vários clássicos e Ginger foi saudado como baterista número um do mundo. Depois foi convidado a participar com Eric Clapton, Rick Grech e Steve Winwood no ‘Blind Faith’. Em 1970, Ginger decidiu montar sua própria banda, ‘Airforce’, que incluiu muitos dos seus amigos e músicos favoritos, como Graham Bond, Seaman Phil, Denny Laine e Steve Winwood. E Ginger partiu para a África para explorar o deserto do Saara. Mais tarde, ele abriu seu próprio estúdio de gravação em Lagos, na Nigéria e, muitas vezes, ameaçou desistir de tocar bateria para se concentrar em esportes e atividades empresariais.

ginger baker    adrian gurvitz    paul gurvitz

Ginger Baker, Adrian e Paul Gurvitz

Baker Gurvitz Army

'Baker Gurvitz Army', com Peter Lemer nos teclados e Mr.Snips no vocal

Mas em 1974, parecia que ele poderia usar seu maior talento no ‘Baker Gurvitz Army’. A estréia foi com o auto-intitulado álbum com uma poderosa mistura de rock pesado e a sua inconfundível bateria. Ginger contribuiu com a longa e dramática faixa 'Mad Jack', onde conta a história de suas façanhas em uma corrida de automóveis através do deserto africano. Os dois álbuns seguintes continham material similar, mas a combinação da, falta de sucesso nos Estados Unidos e conflitos de personalidade entre os membros, levou-os a percorrer outros caminhos. Adrian Gurvitz, apaixonado pelo blues e que, certamente, foi um guitarrista muito subestimado, se tornou um bem sucedido compositor e produtor em Los Angeles, escrevendo para artistas como Whitney Houston. Paul Gurvitz seguiu o irmão. Baker o mestre da baterista passou os anos seguintes, dividindo seu tempo entre jogar pólo e a agricultura de oliva na Itália, até que ele voltasse a tocar com algumas bandas. Desde 1986, Ginger vem lançando diversos álbuns e viajando em turnê com inúmeros astros do jazz, da música clássica e do rock.

baker gurvitz army - the dreamer


baker gurvitz army - the anthology (2003)

The Anthology (2003)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Wotever It Is (Live) 02. The Gambler 03. Memory Lane 04. Thirsty For The Blues 05. Love Is 06. Mystery 07. The Key 08. Flying In And Out Of Stardom 09. Since Beginning 10. Hearts On Fire 11. Mad Jack 12. People 13. Remember 14. Smiling 15. Freedom (Live)

Tracklist CD 2
01. People (Live) 02. Phil 03. Neon Lights 04. Help Me 05. Tracks Of My Life 06. The Dreamer 07. I Wanna Live Again 08. My Mind Is Healing 09. The Hustler 10. Inside Of Me 11. Time 12. Dancing The Night Away 13. Night People 14. The Artist 15. Memory Lane (Live)

ABC of the blues 31: big maceo & blind willie mctell

posts relacionados
ABC of the blues

big maceoBig Maceo (1905-1953) foi um pianista e cantor, ativo em Chicago na década de 40. E ao olhar para trás para os músicos de blues desta época, a era pré-guerra e os anos imediatamente a seguir, é fascinante perceber como é forte o impacto que eles tiveram em músicos futuros. No entanto, para muitos, a produção gravada consiste em quase nada. A produção do guitarrista Willie Brown que junto com Son House foi uma das principais influências sobre o jovem Robert Johnson, foi de apenas três músicas. O mestre do violão do Delta, Tommy Johnson gravou apenas 12; o guitarrista Frank Stokes, considerado por muitos musicólogos como o pai do Memphis Blues, 38; Ishman Bracey, tido como um dos mais importantes no início do blues do delta deixou gravadas 23 músicas; e Robert Johnson mudou drasticamente o som do mundo com apenas 29 gravações. Big Maceo Merriweather pertence a essa elite. A sua carreira de gravações se estendeu apenas durante os anos 1941-1946, e ele produziu 28 canções que também mudariam para sempre a maneira que o piano seria interpretado por artistas do blues.

Nascido Major Merriweather, em Atlanta, Georgia, na década de 20 mudou-se com a família para Detroit, Michigan, onde desenvolveu afinidade para tocar o piano. Autodidata começou a trabalhar nos cafés e bordéis, assim como tocar em festas e no mercado onde se vendia peixe e batatas fritos. Com 19 anos, a família se mudou mais uma vez. Desta vez para Detroit, onde um irmão mais velho vivia e com a promessa de melhores empregos. Major Merriweather trabalhou na Ford, e arranjava tempo para tocar em festas ocasionais, bem como nos clubes. Em uma dessas festas conheceu Hattie Spruel, uma mulher ambiciosa, e logo estavam casados. O casal se mudou para Chicago em 1941, onde ela escolheu o nome artístico Big Maceo e fez amizade com os proeminentes guitarristas Big Bill Broonzy e Tampa Red, que ficaram impressionados com as habilidades de Maceo e o apresentaram ao produtor da RCA, Lester Melrose. Dentro de poucas semanas Maceo estava gravando para a famosa ‘Bluebird Records’.

Sua primeira gravação, ‘Worried Life Blues’, foi sucesso e se tornou a mais importante de sua carreira. Outras gravações clássicas como ‘Chicago Breakdown’, ‘Texas Stomp’ e ‘Detroit Jump’ seguiram o mesmo caminho. A maioria das gravações que fez para a Bluebird foi com Tampa Red, incluindo ‘Worried Life Blues’. Pianistas em parceria com guitarristas tinha sido uma fórmula de sucesso desde o início dos anos 30. Tampa Red e Big Maceo formaram um pequeno grupo junto com um baterista e um baixista, que foi chamado ‘The Beat Bluebird’ e viria a ser um modelo para a maioria dos grupos musicais do futuro, independentemente do gênero. O fim da guerra trouxe de volta os artistas de blues para os estúdios de gravação. Maceo retomou seu trabalho com Tampa Red, mas também gravou quatro músicas com Big Bill Broonzy, em 1945. Infelizmente, a sua carreira foi interrompida por um derrame que o deixou quase completamente paralisado do lado direito. Ao longo dos anos seguintes, ele iria tentar gravar várias vezes, apesar de sua deficiência, mas essas gravações foram uma péssima idéia. Ocasionalmente outros pianistas tocavam enquanto ele cantava. Depois partilhou os teclados com outro pianista que tocava o lado direito para ele. Entre os artistas que preencheram esse papel estavam Eddie Boyd e Otis Spann, que idolatrava Big Maceo. Spann se tornaria o mais proeminente de todos os pianistas de Chicago identificados pela influência de Merriweather. Big Maceo aposentou o piano em 1949, depois de outro acidente vascular cerebral que o levou a um ataque cardíaco fatal.

O estilo de Big Maceo foi desenvolvido a partir de influências dos pianistas Leroy Carr e Sykes Roosevelt, bem como o estilo boogie-woogie de Meade Lux Lewis e Albert Ammons. Big Maceo, por sua vez influenciou outros músicos, como Henry Gray, e o ajudou a lançar sua carreira como pianista de blues. Big Maceo Merriweather era uma estrela em ascensão, quando o tempo lhe foi dramaticamente tirado. Seu estilo teve um impacto em praticamente todos os pianistas de blues do pós-guerra. Seu legado continua e pode ser ouvido hoje na maioria dos artistas do blues. Sua canção mais famosa, ‘Worried Life Blues’ faz parte do repertório de artistas como Eric Clapton que a apresenta regularmente em suas apresentações.

blind willie mctellBlind Willie McTell (1901-1959) foi, ao mesmo tempo, um dos mais completos compositores e intérpretes de country blues do início da era e vocalista de estilo refinado. Ele era um guitarrista fenomenal que tocava violão de 12 cordas em um estilo único tornando o som das 12 cordas como se fossem dois instrumentos distintos. Blind Willie McTell foi um dos bluesman mais conhecidos de Atlanta e tocava uma grande variedade de formas de blues, do tradicional Piedmont blues, também conhecido como East Coast blues, ao ragtime e o spiritual. McTell gravou por quatro décadas, e seu trabalho influenciou uma geração de bluesmen, bem como os cantores brancos de folk e até mesmo bandas de rock. Há uma música do Bob Dylan, que se chama 'Blind Willie Mactell', em homenagem ao cantor, um trecho da música diz: ‘And no one can sing the blues, as Blind Willie Mactell’. O ‘The Allman Brothers’ gravou ‘Blues Statesboro’ em 1969, e a canção se tornou a assinatura da banda.

William Samuel McTell nasceu em Thomson, Geórgia, e foi criado nas proximidades de Statesboro. Embora haja controvérsias se McTell nasceu cego, ou se tornou cego com o tempo, é certo que ele freqüentou escolas para cegos e podia ler Braille. Ele aprendeu a tocar violão com a sua mãe, e depois de sua morte McTell saiu de casa para tocar em festas e, muitas vezes, acompanhou outros bluesmen como o guitarrista Buddy Moss. McTell começou gravando em 1927, apresentando-se em duas sessões para a ‘RCA Victor’, que resultou no clássico ‘Statesboro Blues’. Gravou de forma constante até 1932. Como os bluesmen eram geralmente pagos para cada música que gravavam, sem royalties, McTell costumava gravar com nomes diferentes para maximizar sua renda, utilizando os pseudônimos ‘Blind Sammie’, ‘Hot Shot Willie’ e ‘Georgia Bill’ entre outros. Como as suas primeiras gravações foram feitas e liberadas durante a depressão, McTell não pode desfrutar do sucesso comercial como outros. Ele permaneceu muito popular em Atlanta, onde continuou a viver e atuar até o final de sua vida. Tornou-se tão conhecido na região que o historiador de música folclórica Alan Lomax viajou para a Geórgia em 1940 para gravar McTell para a Biblioteca do Congresso. Após a Segunda Guerra Mundial, McTell assinou para a recém-formada ‘Atlantic Records’ em 1949, um rótulo mais conhecido por gravar jazz e R&B do que blues. Gravou 15 músicas, mas apenas uma única foi lançada, e quando não atendeu às expectativas de vendas, as demais foram arquivadas por 20 anos. McTell permaneceu uma figura familiar em Atlanta, tocando principalmente na esquina da Decatur Street, muitas vezes em dueto com seu amigo Curley Weaver, com quem trabalhou até os anos 50. Gravou esporadicamente para alguns rótulos, mas as vendas nunca melhoraram, e ele deixou a música em 1956, tornando-se pastor de uma igreja local antes de sua morte em 1959.

blind willie mctell and ruth willis

Blind Willie McTell e a vocalista Ruth Willis, parceria presente neste álbum


Tracklist
01. Big Maceo - Worried Life Blues
02. Big Maceo - County Jail Blues
03. Big Maceo - Can't You Read
04. Big Maceo - Tuff Luck Blues
05. Big Maceo - It's All Up to You
06 .Big Maceo - Poor Kelly Blues
07. Big Maceo - My Last Go Round
08. Big Maceo - I Got the Blues
09. Big Maceo - Ramblin' Mind Blues
10. Big Maceo - Why Should I Hang Around
11. Blind Willie McTell - Georgia Rag
12. Blind Willie McTell - Rough Alley Blues
13. Blind Willie McTell - Low Rider's Blues
14. Blind Willie McTell - Painful Blues
15. Blind Willie McTell - Experience Blues
16. Blind Willie McTell - Low Down Blues
17. Blind Willie McTell - Lonesome Day Blues
18. Blind Willie McTell - Mama, Let Me Scoop
19. Blind Willie McTell - Rollin' Mama Blues
20. Blind Willie McTell - Searching the Desert



ABC of the blues volume 31

parte I    parte II



ABC of the blues 32: memphis slim & tommy mcclennan

posts relacionados
ABC of the blues

memphis slimJohn Len Chatman (1915-1988), mais conhecido como Memphis Slim, seguramente faz parte da lista dos maiores pianistas de blues de todos os tempos. Um artista incrivelmente produtivo, que trouxe um ar de sofisticação urbana às mais de 500 gravações. E foi inteligente o suficiente para seguir o conselho do guitarrista Big Bill Broonzy sobre o desenvolvimento de um estilo próprio em vez de imitar o ídolo, o pianista Roosevelt Sykes. Em pouco tempo, outros estavam copiando o seu estilo e sua voz trovejante que possuía uma autoridade de comando, o distinguia da maioria de seus contemporâneos. Como convém ao seu nome artístico, Memphis Slim nasceu e cresceu em Memphis, um ótimo lugar para se comprometer com uma carreira de bluesman. Em algum momento no final dos anos 30, ele foi para Chicago e começou a gravar em 1939, como líder de bandas para a ‘OKeh Records’, e no ano seguinte para a ‘Bluebird Records’. Na mesma época, Slim juntou-se a Broonzy, e transformaram-se na força dominante da cena do blues local. Depois de, por alguns anos, servir como acompanhante de valor inestimável para Broonzy, Slim emergiu como artista independente, em 1944. Após o término da Segunda Guerra Mundial, liderou uma série de bandas de ‘jump blues’, um blues tocado em andamento acelerado, normalmente desempenhado por pequenos grupos e apresentando metais. Em 1945, Slim gravou com trios. Depois introduziu saxofone alto, sax tenor, piano, cordas e baixo, Willie Dixon tocou o instrumento na primeira sessão, e Slim assinou com o selo ‘Miracle’ em 1946, com a sua banda que ficou conhecida como ‘Memphis Slim and His House Rockers’. E Slim gravou as clássicas ‘Lend Me Your Love’ e ‘Rockin' the House’. A originalmente intitulada ‘Nobody Loves Me’ tornou-se famosa como ‘Every Day I Have the Blues’ e foi gravada em 1950 por Lowell Fulson e, posteriormente, por uma série de artistas.

Em 1947, um dia após o concerto de Slim, Broonzy e Williamson em Nova York, o folclorista Alan Lomax trouxe os três músicos para a Decca estúdios e gravou com Slim no vocal e piano. Em 1949, Slim expandiu o seu grupo para um quinteto, adicionando um baterista, e o grupo agora estava a maior parte de seu tempo em turnê. Em 1950, junta-se ao ‘House Rockers’ a vocalista de rhythm & blues, Terry Timmons. Entre 1952 e 1954, Slim fez parte de várias gravadoras, e foi um período particularmente fértil para o pianista. Ele recrutou, para o seu grupo, o seu primeiro guitarrista permanente, o estimável Matt ‘Guitar’ Murphy, que foi nada menos que espetacular com seus solos principalmente em ‘The Come Back’, ‘Sassy Mae’ e ‘Memphis Slim U.S.A.’. Slim exibiu sua personalidade perpetuamente independente, deixando os EUA, em 1962. A turnê pela Europa em parceria com o baixista Willie Dixon em 1960, tinha intrigado o pianista. E ele voltou em 1962 como um artista de destaque no primeiro da série de concertos do ‘American Folk Festival’ organizado por Dixon que trouxe para a Europa muitos notáveis do blues na década de 60 e 70. Nesse mesmo ano, Memphis Slim mudou-se definitivamente para Paris onde as possibilidades de gravação e turnê pareciam ilimitadas e o veterano pianista era tratado com respeito muitas vezes negado em seu próprio país. Ali, Slim permaneceu até a sua morte em 1988, desfrutando de sua estatura como realeza do blues. Nos últimos anos de sua vida, ele se juntou ao respeitado baterista de jazz, George Collier e excursionaram pela Europa juntos.

tommy mcclennanTommy McClennan (1908-1962) fez parte da última onda de guitarristas a gravar para as principais gravadoras em Chicago. Entre as vozes do blues são verdadeiramente assustadoras as de Howlin’ Wolf e de Charley Patton, que se tornou mais ainda depois de uma fracassada tentativa de homicídio que o deixou com a garganta cortada. Igualmente poderosa foi a voz encharcada de uísque de Tommy McClennan, cujo som áspero foi capaz de esconder o fato dele não ser um guitarrista realizado. McClennan foi contemporâneo dos guitarristas Big Bill Broonzy e Edwards Honeyboy, e foi lembrado em cada uma das respectivas biografias. Ele deixou um legado poderoso que incluía ‘Bottle It up and Go’, ‘Cross Cut Saw Blues’, ‘Deep Blue Sea Blues’ e ‘Catfish Blues’. Sua energia é evidenciada através de seu repertório e gravações pela ‘Bluebird Records’ no período de 1941 e 1942. Ele talvez tenha sido o último a gravar para Lester Melrose da ‘Bluebird Records’. McClennan não gravou novamente e morreu na miséria em Chicago. Tommy McClennan nasceu perto de Yazoo City, Mississippi, e enquanto crescia, influenciado pelos mestres do Delta, ele aprendeu sozinho a tocar guitarra. Na adolescência começou a se apresentar nas ruas por centavos, enquanto trabalhava nos campos de algodão durante o dia. Foi durante este tempo que o jovem Edwards Honeyboy estava aprendendo guitarra, e começou a seguir McClennan. McClennan era um homem pequeno, um tamanho que definitivamente desmentia a voz poderosa que possuía. Honeyboy afirma que Tommy foi incapaz de encontrar um chapéu que coubesse em sua cabeça devido ao seu tamanho, a maioria dos quais cobriam as suas orelhas. Ao longo de sua vida, ele também foi um homem doente, sofreu de tuberculose, e foi definitivamente atormentado pelo alcoolismo crônico. Tommy McClennan encontrou um grande sucesso com jukeboxes no Sul, marcando hits com ‘Cotton Patch Blues’, ‘Cross Cut Saw Blues’, ‘Whisky Head Woman’ e ‘Deep Sea Blues. Mas, o gosto musical começou a mudar e a Segunda Guerra Mundial trouxe restrições. Neste ponto, Lester Melrose decidiu liberar McClennan de seus serviços, citando a sua falta de confiabilidade devido ao alcoolismo.

Elmore James, Sonny Boy Williamson II, 
Tommy McClennan, Little Walter em Chicago (1953)

Elmore James, Sonny Boy Williamson II,
Tommy McClennan, Little Walter em Chicago (1953)

McClennan desapareceu da atenção do público logo depois, apresentando-se aqui e ali em algum clube de Chicago. Honeyboy Edwards recordaria mais tarde em sua biografia que esteve com McClennan novamente, em 1962. Vivendo como indigente em um reboque de caminhão que ele havia convertido em uma casa improvisada. Edwards tentou trazer McClennan de volta ao palco. Seu modo de tocar a guitarra não existia mais, mas sua poderosa voz permaneceu. E o desejo constante pelo álcool não tinha diminuído e, finalmente, trouxe um fim a essa segunda oportunidade. Ele voltou para a vida de indigente e pouco depois ficou doente e foi hospitalizado. McClennan morreu sozinho e sem dinheiro em 1962, e é agora considerado como um dos mais interessantes e importantes de seu período, ao lado das lendas reconhecidas, Son House, Robert Johnson e Charley Patton. A sua ‘Bottle It Up And Go’ também continua sendo um dos verdadeiros clássicos do blues e gravada muitas vezes por vários artistas. ‘Cross Cut Saw Blues’ foi influente para o lendário guitarrista Albert King, assim como a sua ‘New Highway 51’ foi para um jovem Bob Dylan.


Tracklist
01. Memphis Slim - Really Got the Blues
02. Memphis Slim - Mother Earth
03. Memphis Slim - I Guess I'm a Fool
04. Memphis Slim - Havin' Fun
05. Memphis Slim - Marack
06. Memphis Slim - Tia Juana
07. Memphis Slim - Reverend Bounce
08. Memphis Slim - I'm Crying
09. Memphis Slim - Blues for My Baby
10. Memphis Slim - Slim's Blues
11. Tommy McClennan - Baby, Don't You Want to Go
12. Tommy McClennan - You Can't Mistreat Me
13. Tommy McClennan - Shake 'em On Down
14. Tommy McClennan - Bottle It Up and Go
15. Tommy McClennan - Brown Skin Girl
16. Tommy McClennan - I'm Going Don't You Know
17. Tommy McClennan - My Baby's Gone
18. Tommy McClennan - Whiskey Headed Woman
19. Tommy McClennan - It's Hard to Be Lonesome
20. Tommy McClennan - Highway 51



ABC of the blues volume 32

parte I    parte II



reservoir dogs

Reservoir Dogs‘Reservoir Dogs’ é a estréia de Quentin Tarantino como diretor e roteirista. O filme acontece em grande parte na sequência de um roubo de jóias que deu errado. O assalto real nunca é mostrado. Tarantino disse que o motivo foi inicialmente orçamental, mas que ele sempre gostou da idéia de não mostrá-lo. Ainda que não mostre o roubo propriamente dito, o filme retrata os eventos anteriores e posteriores ao malogrado roubo de diamantes realizado por cinco homens que não se conhecem e referem-se uns aos outros através de nomes de cores. Após o assalto os criminosos sobreviventes escapam para um armazém abandonado e tentam descobrir o que aconteceu, e decidem que deve haver um policial disfarçado no meio deles. Os flashbacks frequentes preenchem os detalhes do crime, contando a história de uma forma não-linear, que se tornaria o estilo de Tarantino influenciado por ‘The Kiling’ de Stanley Kubrick. Tarantino estava trabalhando em uma locadora de vídeo e querendo rodar o filme com seus amigos com um orçamento de US $ 30.000 em um formato de 16 mm com o produtor Lawrence Bender quando o ator Harvey Keitel se envolveu e concordou em atuar no filme e co-produzir. Harvey Keitel foi então escalado como Mr. White e com a ajuda dele, os cineastas foram capazes de levantar US$ 1,5 milhões para fazer o filme. ‘Reservoir Dogs' foi segundo Tarantino, sua versão de ‘The Kiling’ de Stanley Kubrick.

Ainda que não tenha havido muita publicidade sobre o seu lançamento, o filme teve um sucesso modesto nos EUA, o seu elenco foi elogiado por muitos críticos. Todavia, foi um sucesso no Reino Unido. Na verdade, o sucesso de ‘Reservoir Dogs’ deveu-se mais à popularidade de ‘Pulp Fiction’. 'Reservoir Dogs' tornou-se um clássico do cinema independente e um hit cult e passou a ser visto como um marco importante e inspirou muitos outros filmes e foi considerado fundamental no desenvolvimento do cinema independente. A revista ‘Empire’ o escolheu como o maior filme independente de todos os tempos. O próprio Tarantino faz um pequeno papel no filme, assim como Edward Bunker, escritor estadunidense de livros policiais. 'Reservoir Dogs' incorpora uma série de temas que se tornaram marcas do trabalho de Tarantino: criminalidade, violência (na cena do corte de orelha muitas pessoas saíram durante o filme), referências à cultura pop, constante uso de palavrões e narrativa não-linear. Em ‘Reservoir Dogs’, Quentin Tarantino também definiu a estrutura de suas trilhas sonoras. Isto inclui o uso de trechos do diálogo do filme. A trilha sonora tem seleções de músicas dos anos 70. A estação de rádio ‘K-Billy's Super Sounds of the Seventies’ desempenhou um papel de destaque no filme. Para ser o DJ K-Billy (somente a voz) foi escolhido o comediante Steven Wright conhecido por sua voz nitidamente apática, lenta e inexpressiva e por suas piadas absurdas. O filme usa a música da década de 70. ‘Stuck In the Middle With You’ interpretada pela banda ‘Stealers Wheel’ foi a mais famosa. A música foi tocada na cena do corte de orelha em que Mr. Blonde (Michael Madsen) insulta e tortura um policial ao mesmo tempo em que canta e dança.

reservoir dogs

stealers wheel - stuck in the middle with you


reservoir dogs (1992)

Reservoir Dogs (1992)

Tracklist
01. Dialogue By Steven Wright - And Now Little Green Bag...
02. George Baker - Little Green Bag
03. Dialogue By Steven Wright - Rock Flock Of Five
04. Bue Suede - Hooked On A Feeling
05. Dialogue By Steven Wright - Bohemiath
06. Joe Tex - I Gotcha
07. Bedlam - Magic Carpet Ride
08. Dialogue By Quentin Tarantino - Madonna Speech
09. Sandy Rogers - Fool For Love
10. Dialogue By Steven Wright - Super Sounds
11. Stealers Wheel - Stuck In The Middle With You
12. Bedlam - Harvest Moon
13. Dialogue By Harvey Keitel - Let's Get A Taco
14. Dialogue By Steven Wright - Keep On Truckin'
15. Harry Nilsson - Coconut
16. Dialogue By Steven Wright - Home Of Rock

george gershwin

george gershwinNa adolescência, Gershwin abandonou a escola para trabalhar como compositor e sonoplasta em ‘Tin Pan Alley’, um conjunto de edifícios localizado em Manhattan que reunia os mais importantes editores de música e compositores que dominaram a música popular no final do século 19 e início do século 20. Sua primeira música publicada, ‘When You Want ‘Em, You Can’t Get ‘Em’ com técnicas inovadoras, apenas lhe rendeu cinco dólares. Logo depois, no entanto, ele encontrou um jovem letrista chamado Irving Ceaser e juntos compuseram uma série de músicas, incluindo ‘Swanee’, de 1916, com a qual alcançou reconhecimento depois de Al Jolson cantar na comédia musical ‘Sinbad’ em 1919, tornando-se a canção mais vendida de sua carreira. No mesmo ano, Gershwin colaborou com Arthur L. Jackson e Buddy De Sylva em seu primeiro musical da Broadway, ‘La, La Lucille’. Em 1921 George escreve ‘Blue Monday Blues’, uma canção derivada do ‘spirituals’, que não foi bem recebida. Em 1924, colaborou com seu irmão, o letrista Ira Gershwin, em uma comédia musical, ‘Lady Be Good’, o que garantiu a sua reputação com canções memoráveis. Era o início de uma parceria que iria continuar pelo resto da vida do compositor. Juntos, eles escreveram musicais bem sucedidos como ‘Oh Kay!’ e ‘Funny Face’, estrelado por Fred Astaire e sua irmã Adele.

edifícios de Tin Pan Alley    fred astaire, george gershwin, ira gershwin

Edifícios de Tin Pan Alley em seu auge; Fred Astaire, George Gershwin, Ira Gershwin

Enquanto continuou a compor música popular para o palco, Gershwin começou a levar uma vida dupla, tentando deixar sua marca como compositor com influências de jazz. Foi quando o ‘bandleader’ e diretor de orquestra Paul Whiteman pediu a ele para compor um trabalho baseado no blues para um concerto de jazz, o resultado foi ‘Rhapsody in Blue’. George Gershwin tinha 25 anos, quando ‘Rhapsody in Blue’ estreou na sala de concertos ‘Aeolian Hall’ de Nova York no show, ‘An Experiment in Music’. A audiência incluiu Jascha Heifetz, um dos maiores virtuoses da história do violino; Fritz Kreisler, outro mestre do violino e compositor austríaco; Leopold Stokowski, famoso regente orquestral que conduziu peças de música clássica para o filme ‘Fantasia’ produzido por Walt Disney em 1940; e os compositores, pianistas e maestros russos Sergei Rachmaninoff e Igor Stravinsky.

Oskar Fried, Eva Gauthier, Maurice Ravel no piano; Manoah Leide-Tedesco e George Gershwin

Oskar Fried, maestro e compositor alemão; Eva Gauthier, mezzo-soprano e professora de voz canadense; Maurice Ravel, compositor e pianista francês; Manoah Leide-Tedesco, compositor, maestro e violinista italiano; e George Gershwin

George vai para Paris para iniciar um estudo de música e lá ele conhece a pintora Christine Gilbert, por quem se enamora, que o apresenta a Maurice Ravel e outros compositores. De volta a Los Angeles, com Christine a tiracolo, o que causou o divórcio da esposa Julie Adams, George começa a compor freneticamente. Christine volta a Paris quando percebe que a música é mais importante do que ela. Em 1931, George ganha o Prêmio Pulitzer com o musical ‘Of Thee I Sing’, que satiriza a política americana. E escreve seu trabalho mais ambicioso, a ópera folk ‘Porgy and Bess’, uma ópera com artistas negros, em colaboração com Ira e o romancista DuBose Heyward. A ópera é apresentada em 1935, em Boston, com apenas um sucesso moderado. ‘Porgy and Bess’ é agora reconhecida como uma das obras seminais da ópera norte-americana, que incluía as canções memoráveis: ‘It Ain’t Necessarily So’, ‘I Loves You, Porgy’ e ‘Summertime’. Em 1936, depois de muitos sucessos na Broadway, os irmãos decidiram ir para Hollywood para escrever para o estúdio de cinema RKO. Mais uma vez eles se uniram a Fred Astaire, que agora fazia dupla com Ginger Rogers.

george e ira gershwinGeorge Gershwin nasceu no Brooklyn, Nova York, com o nome de Jacob Gershowitz, em uma família pobre de imigrantes judeus, oriundos da Rússia. O amor pela música aconteceu desde cedo ajudado por sua amizade com o violinista Max Rosen. Quando os pais compraram um piano para seu irmão mais velho, Ira Gershwin, foi George, então com doze anos, que tomou-o exclusivamente para si. Aos quatorze anos começou a ter aulas com a figura chave na sua vida musical, Charles Hambitzer, um compositor e pianista de grande gosto musical. De Hambitzer, Gershwin recebeu um treinamento clássico, mas ele estava ciente da revolução musical ao redor dele, em particular o trabalho de Jerome Kern, um dos mais importantes compositores do teatro musical do início do século XX. George Gershwin foi influenciado pelo ragtime e pelo piano stride, ou apenas stride, um estilo de jazz para piano que foi desenvolvido nas grandes cidades da costa leste, principalmente em Nova York, durante 1920 e 1930. George e seu irmão Ira se tornaram um das grandes duplas criativas da história da música, cada um em sintonia com as sutilezas do outro. Escreveram centenas de canções, em conjunto e individualmente, que foram usadas em shows da Broadway e filmes de Hollywood. Juntos, ajudaram a elevar o teatro musical americano a uma forma de arte legítima e criaram algumas das melhores músicas conhecidas do século XX.

Em meados de 1937, George começou a se queixar de dores de cabeça, mas os médicos diagnosticavam seus sintomas como stress. Na realidade, ele sofria de um tumor cerebral. Após adoecer, enquanto trabalhava em um filme, George tinha planos para retornar a Nova York para escrever música ‘séria’. Ele planejou um quarteto de cordas, um ballet e uma outra ópera, mas estas peças nunca foram escritas. Com 38 anos, ele morreu. Hoje ele continua sendo um dos mais amados músicos populares. Após a morte de seu irmão, Ira Gershwin esperou quase três anos antes de escrever novamente. Ao longo dos 14 anos seguintes, continuou a escrever as letras para trilhas sonoras de filmes e alguns shows da Broadway. Morreu em 1983 com 86 anos.

aretha franklin - It aint necessarily so


‘The Essential George Gershwin’, com 41 faixas é dedicado, cronologicamente, a interpretações de suas obras clássicas, tanto instrumental, vocal pop com Frank Sinatra, Dinah Shore, Doris Day, Rosemary Clooney, Mel Torme e Tony Bennett, quanto o jazz por Miles Davis, Ethel Waters, Billie Holiday, Benny Goodman, Harry James, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Alberta Hunter e Cab Calloway. Há também artistas mais associados com a tela do cinema e o palco do que com estúdios de gravação, como Fred Astaire e Gene Kelly. E há também alguns itens bastante incomuns: ‘It Ain't Necessarily So’ com Aretha Franklin; ‘Third Movement’ (Allegro Agitato) com Oscar Levant no piano acompanhado da Orquestra de Nova York; e ‘Of Thee I Sing’ com ‘The Hi-Lo's’ um quarteto formado em 1953 por Gene Puerling (baixo-barítono, arranjador e líder), Bob Strasen (baritono), Bob Morse (barítono e ocasionalmente solista) e Clark Burroughs (tenor). A versão de ‘Rhapsody in Blue’, com George Gershwin no piano combina sua gravação original de 1925 com a orquestração adicionada em 1976, muito depois de sua morte.‘Summertime’ é uma ária composta por Gershwin em 1935 para a ópera ‘Porgy and Bess’. A letra é de DuBose Heyward, o autor do romance ‘Porgy’ em que a ópera foi baseada e a música foi inspirada em uma canção ucraniana de ninar, ‘Oi Khodyt Son Kolo Vikon’ (Um Sonho Passa Pela Janela).

george gershwin - the essential (2003)

The Essential George Gershwin (2003)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. George Gershwin - Prelude No. 2 for Piano
02. Ethel Waters - I Got Rhythm
03. Buck & Bubbles - Oh Lady, Be Good
04. Billie Holiday - Summertime
05. Maxine Sullivan and Her Orchestra - Nice Work If You Can Get It
06. Fred Astaire - They Can't Take That Away From Me
07. Al Jolson – Swanee
08. Benny Goodman – Liza
09. Frank Sinatra - Someone to Watch Over Me
10. Dinah Shore and Buddy Clark - 'S Wonderful
11. Jane Rusell - Do It Again
12. Dorothy Kirsten – Soon
13. Morton Gould, His Piano and Orchestra - Fascinating Rhythm / Someone to Watch Over Me
14. Billie Holiday and Her Orchestra - The Man I Love
15. Fred Astaire - Let's Call the Whole Thing Off
16. Gene Kelly - Love Is Here To Stay
17. Felicia Sanders - How Long Has This Been Going On
18. Harry James and His Orchestra – Blues
19. Doris Day - But Not For Me
20. Rosemary Clooney - A Foggy Day
21. George Guetary - I'll Build a Stairway To Paradise
22. Oscar Levant - Third Movement (Allegro Agitato)

Tracklist CD 2
01. Buffalo Philharmonic - Of Thee I Sing Overture
02. Tony Bennett - They All Laughed
03. The Hi-Lo's - Of Thee I Sing
04. Los Angeles Philharmonic - Promenade (Walking The Dog)
05. Ella Fitzgerald - I've Got a Crush On You
06. Alberta Hunter - Somebody Loves Me
07. Maureen McGovern - Love Walked In / Embraceable You
08. Dick Hyman – Mine
09. Mel Torme - Isn't It A Pity
10. Andre Kostelantez and His Orchestra - Introduction and Jazzbo Brown
11. Aretha Franklin - It Ain't Necessarily So
12. Robert McFerrin and Adele Addison - Bess, You Is My Woman Now
13. Miles Davis - I Loves You, Porgy
14. Sarah Vaughan - My Man's Gone Now
15. Cab Calloway - There's A Boat Dat's Leavin' Soon For New York
16. Tony Bennett - Who Cares
17. George Gershwin - Rhapsody on Blue
18. Andre Kostelanetz and His Orchestra - Strike Up The Band
19. Michael Feinstein - Home Blues

‘The Complete Gershwin Songbooks’ é composto por três discos também divulgados separadamente: 'S Wonderful, 'S Marvelous e ‘S Paradise. Os dois primeiros incluem os maiores vocalistas que a gravadora estadunidense de jazz ‘Verve Records’ tinha para oferecer: Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Louis Armstrong, Anita O'Day, Shirley Horn, Sarah Vaughan, Dinah Washington, Bing Crosby, Joe Williams, Fred Astaire e até mesmo o nosso maestro Antonio Carlos Jobim. Obviamente, que todas as músicas são clássicos do jazz e as versões apresentadas são lendárias. O terceiro disco do conjunto inclui versões instrumentais de Gershwin por Bill Evans, Coleman Hawkins, Stan Getz, Clifford Brown, Art Tatum, Oscar Peterson.

george gershwin - the complete songbooks (1995)

The Complete Gershwin Songbooks (1995)
CD 1    CD 2    CD 3

Tracklist CD 1: ‘S Wonderful
01. Billie Holiday - They Can’t Take That Away From Me
02. Helen Merrill - Summertime
03. Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Let’s Call The Whole Thing Off
04. Sarah Vaughan - Embraceable You
05. Dinah Washington - But Not For Me
06. Bing Crosby - They All Laughed
07. Betty Carter - The Man I Love
08. The Gordons with Dizzy Gillespie and Stuff Smith - Oh, Lady Be Good
09. Louis Armstrong - There’s A Boat Dat’s Leavin’ Soon For New York
10. Ella Fitzgerald - How Long Has This Been Going On?
11. Joe Williams - ‘S Wonderful
12. Nina Simone - I Loves You Porgy
13. Bill Henderson - I’ve Got a Crush On You
14. Fred Astaire - Fascinatin’ Rhythm
15. Blossom Dearie - Someone To Watch Over Me
16. Shirley Horn - Our Love Is Here To Stay

Tracklist CD 2: ‘S Marvelous
01. Ernestine Anderson - I Got Rhythm
02. Billie Holiday - Nice Work If You Can Get It
03. Joe Williams - Embraceable You
04. Anita O’day - Who Cares?
05. Louis Armstrong - A Woman Is A Sometime Thing
06. Sarah Vaughan - Love Walked In
07. Blossom Dearie - Love Is Here To Stay
08. Fred Astaire - Oh, Lady Be Good
09. Ella Fitzgerald - Of Thee I Sing
10. Morgana King - For You For Me, For Evermore
11. Dinah Washington - A Foggy Day
12. Arthur Prysock - Someone To Watch Over Me
13. Shirley Horn - Isn’t It A Pity?
14. Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - They Can’t Take That Away From Me
15. Sarah Vaughan - ‘S Wonderful
16. Antonio Carlos Jobim - Fascinatin’ Rhythm

Tracklist CD 3: ‘S Paradise (instrumentals)
01. Louie Bellson - Fascinatin’ Rhythm
02. Bill Evans And Jim Hall - My Man’s Gone Now
03. Buddy DeFranco - Mine
04. Coleman Hawkins - How Long Has This Been Going On?
05. Oscar Peterson - Somebody Loves Me
06. Kenny Burrell - Prelude II
07. George Shearing - They All Laughed
08. Stan Getz & Bob Brookmeyer - Nice Work If You Can Get It
09. Bill Evans - I Loves You, Porgy
10. Jimmy Cleveland - Love Is Here To Stay
11. Toshiko Akiyoshi - The Man I Love
12. Tal Farlow - A Foggy Day
13. Oscar Peterson - Strike Up The Band
14. Clifford Brown - Embraceable You
15. Don Elliott - ‘S Wonderful
16. Art Tatum - Someone To Watch Over Me

lorez alexandria

lorez alexandriaLorez Alexandria nos dá uma nova sensação a cada interpretação e improvisa com sutileza. Ela nunca teve um público maior, mas era altamente considerada como cantora de jazz por aqueles que conheciam o seu trabalho, seja como críticos, músicos ou fãs. Mas, qualquer pessoa familiarizada com seu repertório pode certamente atestar seu estilo impressionantemente amplo e a sua capacidade de mostrar também seu talento no soul, r&b e música popular. Como é o caso de artistas como a grande Nina Simone, Lorez deixou sua marca como uma vocalista impressionantemente interpretativa. Dolorez Alexandria Turner, seu nome verdadeiro, veio de uma família musical, e cantou inicialmente em coros de igreja a partir dos anos 40 e em grupos gospel durante 11 anos, e sempre abominou o evangelho do jazz e da ‘soul music'. Depois, no entanto, trabalhou em clubes noturnos de Chicago na década de 50. Seu sentimento pelo jazz e a influência de Sarah Vaughan eram inegáveis. Suas raízes estavam lá. Com o lançamento de vários álbuns como o ‘King Fleming Quartet’ do pianista Walter Fleming e com o trio do pianista Ramsey Lewis entre 1957 e 1959, Lorez se tornou popular além da sua cidade natal, Chicago. Este foi o período mais florescente, e pelo início dos anos 60 ela estava vivendo e trabalhando em Los Angeles onde começou a concentrar-se mais em jazz, sempre bem acompanhada por músicos da órbita de Count Basie. E gravou extensivamente com o trompetista Howard McGhee, com o pianista Wynton Kelly e o baixista Israel Crosby. Apesar de um longo período sem gravar, 10 anos, voltou ao estúdio em 1977, para lançar vários álbuns inteiramente dedicados à música de Johnny Mercer, acompanhada pelo saxofonista tenor Houston Pearson, pelo baixista Ray Drummond e o baterista Kenny Washington. Lorez Alexandria sobreviveu a muitas mudanças em estilos musicais e podia ser ouvida em excelente forma, com a experiência e maturidade adquiridas, até que ela se aposentou em meados dos anos 90. Não muito tempo depois Lorez sofreu um derrame, e sua saúde declinou até sua morte em 2001.

Russell Williams, King Fleming, Lorez Alexandria e Aubrie JonesRussell Williams, King Fleming, Lorez Alexandria e Aubrie Jones

Em ‘For Swingers Only’, um dos mais raros álbuns de Lorez, ela é apoiada por alguns dos melhores do jazz de Chicago do período. Enquanto o pianista John Young era uma espécie de lenda em Windy City, o baixista Jimmy Garrison era mais conhecido por seu longo mandato com o Quarteto de John Coltrane. Para quem quer ouvir jazz em um ambiente íntimo, ‘For Swingers Only’ é essencial. Um tesouro do jazz dos anos 60. A instrumentação inclui a flauta e o sax tenor de Ronald Wilson, a guitarra agradável de George Eskridge e a bateria de Phil Thomas.

Em ‘Alexandria the Great’, Lorez tinha 35 anos na época, e foi produzido por Bob Thiele. Bob, aos 14 anos apresentava um programa de rádio de jazz, e também tocava clarinete, aos 17 anos, fundou a ‘Signature Records’ e gravou com muitos grandes nomes do jazz, incluindo Lester Young, Errol Garner e Coleman Hawkins. Depois assumiu a chefia da ‘Impulse! Records’ e gravou artistas como John Coltrane, Charles Mingus, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins e outros. Em ‘Alexandria the Great’, os músicos são: Wynton Kelly ou Victor Feldman no piano, Bud Shank ou Paul Horn na flauta, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria.

lorez alexandria - love look away


lorez alexandria - sings songs everyone knows (1959)    lorez alexandria - deep roots (1962)

Sings Songs Everyone Knows (1959)
Deep Roots (1962)

Tracklist: Sings Songs Everyone Knows
01. Just One of Those Things 02. Then I'll Be Tired of You 03. Lush Life 04. Sometimes I'm Happy 05. Long Ago (And Far Away) 06. But Beautiful 07. I'm Beginning to See the Light 08. I Can't Believe That You're in Love With Me 09. Spring Is Here 10. Angel Eyes 11. Better Luck Next Time 12. I Didn't Know What Time It Was

Tracklist: Deep Roots
01. Nature Boy 02. I Was a Fool 03. No Moon at All 04. Spring Will Be A Little Late This Year 05. Softly As In the Morning Sunrise 06. Detour Ahead 07. It Could Happen To You 08. Travelin' Light 09. Almost Like Being In Love 10. I Want To Talk About You

lorez alexandria - for swingers only (1963)    lorez alexandria - alexandria the great (1964)

For Swingers Only (1963)
Alexandria the Great (1964)

Tracklist: For Swingers Only
01. Baltimore Oriole 02. Little Girl Blue 03. All or Nothing at All 04. Traveling Down a Lonely Road 05. Mother Earth 06. Love Look Away 07. The End of a Love Affair 08. That Old Devil Called Love

Tracklist: Alexandria the Great
01. Show Me 02. I've Never Been In Love Before 03. Satin Doll 04. My One And Only Love 05. Over The Rainbow 06. Get Me To The Church On Time 07. The Best Is Yet To Come 08. I've Grown Accustomed To His Face 09. Give Me The Simple Life 10. I'm Through With Love

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...