ABC of the blues 33: fred mcdowell & john hurt

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mississippi fred mcdowellFred McDowell (1904-1972) nasceu em Rossville, Tennessee, perto de Memphis, e ainda jovem ficou orfão. Com 14 anos tocava em bailes e piqueniques, mas a música não era a sua verdadeira fonte de renda, ele era um trabalhador rural. A vida de um músico em Memphis era menos exigente fisicamente do que a vida de um agricultor e como muitos outros jovens no início do século 20, McDowell pegou a estrada para a cidade e começou a sua carreira como músico em 1926. McDowell tocava a guitarra principalmente com slide. Inicialmente usava uma faca de bolso, mas mudou para um osso de costela bovina. Finalmente, usou o vidro na forma como muitos músicos de blues usavam, feitos normalmente de frascos de medicamentos que na época eram longos e finos. Influenciado por bluesmen como Charley Patton e Son House, desenvolveu seu próprio estilo distinto que era mais pesado em elementos de percussão e ritmos africanos do que o blues tradicional do Delta. Durante a Segunda Guerra Mundial, Fred McDowell deixou a profissão de músico e voltou para o trabalho agrícola.

‘Mississippi’ Fred McDowell era um artista de blues único e viveu em relativa obscuridade até ser descoberto por Alan Lomax, folclorista e etnomusicólogo, um dos grandes coletores de música popular do século 20. Alan Lomax convenceu o relutante bluesman a gravar em estúdio em 1959 para a série ‘American Folk Music’ da 'Atlantic Records' o que levou Fred McDowell a ser uma parte da chamada re-descoberta de artistas do blues. Foi realmente um desenterrar de artistas existentes por uma nova base de fãs. Lomax tinha encontrado um autêntico bluesman do Delta, que nunca havia sido gravado antes e é sua a seguinte citação: ‘Fred se surpreendeu quando eu lhe disse que admirava a sua música o suficiente para visitá-lo por várias noites e gravar tudo o que sabia. E ele ficava me dizendo que não poderia tocar tão bem como os outros que ele conhecia. Em minha opinião ele é simplesmente um homem modesto, porque nele a grande tradição do blues corre pura e profunda'. Por outro lado, Chris Strachwitz, fundador da ‘Arhoolie Records’ que era uma daquelas pessoas apaixonadas pela música de McDowell, prontamente procurou McDowell no Mississipi e gravou e lançou dois excelentes álbuns de McDowell nos anos 60 que contribuíram para lançar Fred no circuito de festivais ao longo da década, até sua morte de câncer aos 68 anos de idade.

mississippi fred mcdowell    mississippi fred mcdowell

‘Mississippi’ Fred McDowell tocou sua guitarra por vários anos, manteve-se em suas raízes acústicas até 1969, quando finalmente se rendeu à guitarra elétrica, mas mateve o mantra: eu não toco rock’n’roll, eu não toco rock’n’roll, eu não toco rock’n’roll... Mais tarde Fred McDowell teve o reconhecimento e respeito que não teve mais cedo em sua vida e foi homenageado, exatamente, pelos grandes do rock’n’roll. Os Rolling Stones imortalizaram o bluesman em ‘You Gotta Move’. E deveria ter sido honrado profundamente por outras bandas, nomeadamente ‘Led Zepplin’, que se apossou de canções de vários músicos mais velhos do blues sem abrir mão de um centavo dos royalties. Fred McDowell antecipou a música de Elmore James e modelou um estilo muito imitado. E sua música teve um forte impacto sobre os músicos de folk e jovens roqueiros durante o final dos anos 60, assim como nos anos 70. Antes de sua morte, McDowell deu lições a cantora Bonnie Raitt na guitarra slide, e por sua vez Raitt gravou várias músicas de McDowell ao longo dos anos.

Mississippi John HurtJohn Smith Hurt (1893-1966), mais conhecido como Mississippi John Hurt foi também um influente cantor e guitarrista de blues country. Criado na minúscula Avalon, Mississippi, Hurt aprendeu sozinho a tocar guitarra com nove anos de idade observando o namorado de sua mãe tocar. E passou grande parte da adolescência se apresentando em festas locais. Mississippi John Hurt não aspirava uma carreira na música, viveu a maior parte de sua vida como trabalhador rural. As gravações que fez em 1928 para o selo Okeh, originais e adaptações de canções tradicionais como ‘Frankie’, ‘Stack O' Lee’ e ‘Avalon Blues’, permanecem como clássicos do blues apesar do fracasso comercial na época, o que contribuiu para John Hurt sair da cena musical e continuar com o seu trabalho de meeiro. Depois que foi descoberta uma cópia de uma de suas gravações de ‘Avalon Blues’, o interesse por seu paradeiro cresceu. ‘Frankie’ e ‘Spike Driver Blues’ foram incluídas na ‘The Anthology of American Folk Music’ em 1952. Tom Hoskins, um entusiasta do blues, seria o primeiro a localizar John Hurt em 1963 e o convenceu a se mudar para Washington, DC, onde foi gravado pela Biblioteca do Congresso em 1964.

Mississippi John Hurt & Elmore James    Mississippi John Hurt & Elmore James

Kae Karson, Joe Hickerson e John Hurt nas gravações para a Biblioteca do Congresso dos EUA (1964)
Mississippi John Hurt & Elmore James

Esta redescoberta ajudou ainda mais o revival da música folk norte-americana, o que levou outros bluesmen da época a se apresentarem nos circuitos dos festivais das universidades. Antes de sua morte, de um ataque cardíaco, Mississippi John Hurt se apresentou extensivamente em escolas, salas de concerto, casas de café e também no 'Tonight Show', um talk show de fim de noite na NBC. Influenciado por muito poucas pessoas, apenas se lembra de um cantor idoso de blues, Rufus Hanks, que tocava um violão de doze cordas e gaita, Mississippi John Hurt desenvolveu o seu próprio estilo, que era sincopado e convidava para a dança. John Smith Hurt, cuja natureza mansa refletiu na sua música que consistia em uma mistura suave de country e blues influenciou vários gêneros musicais, incluindo o bluegrass, folk e o contemporâneo rock’n’roll.


Tracklist
01. Mississippi Fred McDowell - I'm Going Down to the River
02. Mississippi Fred McDowell - When the Train Comes Along
03. Mississippi Fred McDowell - Shake 'em On Down
04. Mississippi Fred McDowell - Worried Mind
05. Mississippi Fred McDowell - Keep Your Lamp Trimmed
06. Mississippi Fred McDowell - What's the Matter Now?
07. Mississippi Fred McDowell - Good Morning Little Schoolgirl
08. Mississippi Fred McDowell - You Done Told Everybody
09. Mississippi Fred McDowell - Wished I Was in Heaven Sitting
10. Mississippi Fred McDowell - 61 Highway
11. Mississippi John Hurt - Candy Man Blues
12. Mississippi John Hurt - Blessed Be the Name
13. Mississippi John Hurt - Nobody's Dirty Business
14. Mississippi John Hurt - Louis Collins
15. Mississippi John Hurt - Praying on the Old Camp Ground
16. Mississippi John Hurt - Spike Driver Blues
17. Mississippi John Hurt - Avalon Blues
18. Mississippi John Hurt - Ain't No Telling
19. Mississippi John Hurt - Blue Harvest Blues
20. Mississippi John Hurt - Got the Blues



ABC of the blues volume 33

parte I    parte II



ABC of the blues 34: robert nighthawk & johnny otis

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robert nighthawkRobert Lee McCollum (1909-1967) foi uma das figuras fundamentais na história do blues. Embora ele tenha gravado dos anos 30 ao início dos anos 40 sob uma variedade de nomes, - Robert Lee McCoy, Rambling Bob, Peetie's Boy, - ele finalmente adotou o pseudônimo Robert Nighthawk do título do seu primeiro disco, ‘Prowling Night Hawk’. Nascido em Helena, Arkansas, saiu de casa muito jovem e se tornou um músico de rua. Durante esse período foi com Houston Stackhouse que aprendeu a tocar guitarra slide, e com quem viajou pelo sul do Mississipi. Morou por um tempo em Memphis, onde tocou com bandas locais, dentre elas a ‘Memphis Jug Band’. Depois de viajar pelo Mississipi, ele achou interessante adotar o nome de sua mãe, e como Robert Lee McCoy se mudou para St. Louis, Missouri. Nessa época, década de 30, tocou com Henry Townsend, Big Joe Williams e Sonny Boy Williamson. Os quatro gravaram juntos no estúdio da ‘Victor Records’ e Robert Lee McCoy também gravou o seu primeiro disco. Essas gravações levaram os outros à uma carreira em Chicago, ao contrário de Robert McCoy que continuou sua vida errante, acompanhando outros músicos ou sozinho. Também se tornou uma voz conhecida nas estações das rádios locais. Depois Robert Lee McCoy desapareceu.

Maxwell Street (1927)    Maxwell Street (1950)
Maxwell Street 1927/1950

Após alguns anos, ele ressurgiu como o guitarrista Robert Nighthawk usando a técnica de slide guitar e gravou pela ‘Chess Records’, entre 1949 e 1950, e competiu com Muddy Waters pela posição principal nas gravações da Chess. Muddy Waters se sobressaiu por ter mais domínio de palco. O enorme lapso na discografia de Nighthawk é devido ao seu desinteresse aparente em gravar e quando o fez, nunca alcançou o sucesso de seus alunos mais célebres, Muddy Waters e Earl Hooker. Ele era mais feliz trabalhando nos clubes e tabernas e no mercado aberto em que se transformava a Maxwell Street aos domingos. Em 1963, foi redescoberto tocando por algumas moedas nas ruas de Chicago, e então voltou a gravar algumas sessões, e se apresentou em clubes noturnos. Retornou para Arkansas como atração do famoso programa de rádio ‘King Biscuit Time’ da KFFA (AM) depois que Sonny Boy Williamson morreu. Em 1964, Nighthawk já podia ser encontrado tocando novamente em Maxwell Street, berço do Chicago blues, um movimentado mercado ao ar livre localizado no coração do gueto negro de Chicago. A Maxwell Street tornou-se um ímã para os músicos que chegavam a Chicago, bem como para aqueles já estabelecidos na cena do blues local. A ‘Rounder Records’ pela primeira vez, lançou algumas dessas músicas em 1980, como ‘Robert Nighthawk Live On Maxwell Street 1964’. Robert Nighthawk deixou Chicago e voltou para sua cidade natal, Helena, e ficou por lá até a sua morte por insuficiência cardíaca, em 1967. Robert Nighthawk não é normalmente um nome lembrado quando se discute os grandes do blues de todos os tempos, mas deveria.

Robert Nighthawk Live On Maxwell Street


johnny otisJohnny Otis (1921) além de baterista, pianista, vibrafonista e cantor, era bandleader, produtor musical, caçador de talentos, dono de gravadora, empresário de discoteca, discotecário, apresentador de TV em show de variedades, autor, além de algumas outras descrições. E foi um dos mais importantes personagens brancos da história do rhythm and blues. Nada mau para um filho de imigrantes gregos que adorava jazz e r&b com tanto fervor que adotou a cultura afro-americana como sendo a sua própria. Nascido na Califórnia como John Alexander Veliotes mudou seu nome para Otis ainda na adolescência. A bateria foi a sua primeira paixão antes de se estabelecer em Los Angeles durante os anos 40 e se juntar ao grupo do clarinetista e bandleader de jazz Harlan Leonard onde gozava de uma bem sucedida carreira como baterista. Não demorou muito para que o dono do clube suplicasse a Otis para montar sua própria orquestra. Depois de tocar em várias orquestras de swing, ele fundou sua própria banda, ‘California Rhythm and Blues Caravan’, em 1945. Com esse grupo, viajou em turnê pelos Estados Unidos emplacando vários sucessos em 1952.

Como produtor musical descobriu vários artistas, tornando-se também um influente disc jockey em Los Angeles. A orquestra de Otis apoiou uma de suas muitas descobertas, Big Mama Thornton, na canção ‘Hound Dog’, bem como um jovem Little Richard. Otis foi um magistral caçador de talentos; entre suas descobertas estão os cantores de rhythm and blues, Jackie Wilson, Little Willie John, Hank Ballard e Etta James. Em 1955, Otis assumiu a responsabilidade de começar a sua própria etiqueta, a ‘Dig Records’, para mostrar seu próprio trabalho, bem como os de suas mais recente descobertas. O rock’n’roll estava em seu apogeu em 1957, quando o multi-instrumentista, em 1958, colocou nas paradas, ‘Willie and the Hand Jive’, que se tornaria sua canção mais conhecida. ‘Every Beat of My Heart’ sua outra composição famosa se tornou um enorme sucesso com ‘Gladys Knight and the Pips’. Nos anos 60 Otis entrou para o jornalismo e depois para a política, não sendo bem-sucedido. Ele continuou a tocar nos anos 80, embora seus inúmeros projetos paralelos o mantivessem afastado dos palcos por bastante tempo. Na década de 90 era proprietário de um clube de blues e também foi pastor da ‘Landmark Community Gospel Church’. Encabeçou o ‘San Francisco Blues Festival’ e organizou um programa de rádio, ‘The Johnny Otis Show' na popular KFFA (AM). Devido ao declínio da sua saúde o último show foi ao ar em 2006. Johnny Otis foi influência para o jovem Frank Zappa, entre outros.

johnny otis & the dreramers (1954)

Johnny Otis & The Dreramers (1954)

Johnny Otis como bandleader do seu grupo ‘The Johnny Otis Rhythm & Blues Caravan’, em uma série de singles para a etiqueta Savoy, empregou vários vocalistas como Little Esther Phillips, Linda Hopkins e Mel Walker; e instrumentistas como o guitarrista Pete Lewis e o saxofonista Big Jay McNeely. Nas canções ‘Mean Ole Gal’, ‘Get Together Blues’ e ‘Double Crossing Blues’ a vocalista é Little Esther. ‘Double Crossing Blues’ de 1950, foi número um na parada musical de R&B e Esther, na época do lançamento tinha 14 anos de idade, tornando-se a mais jovem cantora a ter uma música nas paradas. Na música ‘Going to See My Baby’ não consegui identificar o vocalista.


Tracklist
01. Robert Nighthawk - Crying Won't Help You
02. Robert Nighthawk - Seventy-Four
03. Robert Nighthawk - Nighthawk Boogie
04. Robert Nighthawk - Kansas City
05. Robert Nighthawk - Bricks in My Pillow
06. Robert Nighthawk - Maggie Campbell
07. Robert Nighthawk - Feel So Bad
08. Robert Nighthawk - You Missed a Good Man
09. Robert Nighthawk - The Moon Is Rising
10. Robert Nighthawk - Take It Easy, Baby
11. Johnny Otis - Good Ole Blues
12. Johnny Otis - Mean Ole Gal
13. Johnny Otis - Hangover Blues
14. Johnny Otis - Thursday Night Blues
15. Johnny Otis - I Gotta Guy
16. Johnny Otis - Get Together Blues
17. Johnny Otis - Double Crossing Blues
18. Johnny Otis - Head Hunter
19. Johnny Otis - Going to See My Baby
20. Johnny Otis - New Orleans Shuffle



ABC of the blues volume 34

parte I    parte II



amy



Amy, morta aos 27 anos, não foi apenas uma vítima das drogas.

Ela escolheu viver o mito do artista autodestrutivo.

Por quê?




O economista inglês John Maynard Keynes, uma das mentes mais brilhantes do século XX, escreveu, com alguma ironia, que muitas pessoas práticas, que se julgam isentas de qualquer tipo de influência intelectual, são, frequentemente, escravas das idéias de algum economista morto há muito tempo. Transplantado para outro contexto, o comentário de Keynes se aplica perfeitamente à cantora Amy Winehouse, que morreu no sábado dia 23 de julho, depois de um longo, penoso e terrivelmente público processo de autodestruição por substâncias tóxicas. Ela tinha 27 anos. Seu corpo foi encontrado na cama por um segurança de sua casa, no bairro londrino de Camden Town.



A primeira autópsia, realizada no dia seguinte à tragédia, foi inconclusiva, mas a causa da morte de Amy, como Keynes poderia dizer, é conhecida. Ela foi vítima de uma ideia – uma ideia criada há mais de 200 anos, no alvorecer da Revolução Industrial, sobre como deveriam ser e como deveriam viver os artistas. Para os poetas românticos do século XIX, que ainda hoje influenciam nossa visão de mundo, o artista deveria, necessariamente, ser um rebelde e marginal, guiado apenas por suas emoções, insubmisso às regras sociais que regem a vida dos mortais comuns. As marcas distintivas de seu gênio seriam o isolamento, a incompreensão, a melancolia e o desespero. Nada mais heróico, para eles, do que confrontar a morte e a degeneração física. Nada mais bonito do que morrer jovem. Como Amy.



“Era como se Amy estivesse empurrando a si mesma para o despenhadeiro, para finalmente encontrar a bênção da extinção da consciência”, disse Camille Paglia, uma das mais influentes críticas culturais americanas. A escritora afirma que Amy pertence a uma tradição de “grandes, mas autodestrutivas” cantoras modernas, que buscavam inspiração em sua dor e seu caos internos, como Billie Holiday, Judy Garland e Janis Joplin. “Elas tinham uma comunicação enlevada com o público, a quem abriram o coração”, diz a autora de Personas sexuais, um estudo monumental sobre arte, comportamento e sexualidade. “Mas elas também tinham medo do público e, ainda mais, da banalidade da vida diária. As drogas e o álcool entorpeciam a sensibilidade excessiva e mantinham a realidade afastada.”



Incluir Amy entre as “cantoras autodestrutivas” não representa um julgamento moral. É parte necessária do processo, agora inevitável, de entendê-la, assim como a época em que ela viveu e a longa tradição cultural (e comportamental) em que se inseriu. A garota judia do norte de Londres não foi apenas uma vítima passiva dos traficantes. Tampouco estava previamente condenada pela sensibilidade de seu cérebro à serotonina, liberada pelo consumo de heroína, crack e, ao final, segundo seus parentes e amigos, apenas quantidades predatórias de álcool e tabaco.



Amy escolheu por livre-arbítrio integrar-se a uma linhagem que teve início com Lorde Byron (1788-1824), o poeta que escandalizou a Inglaterra com seu comportamento libertino e morreu exilado, na Grécia, aos 36 anos. A esse mesmo exército de almas exaltadas e vulneráveis pertenceram, em épocas diferentes, o escritor Scott Fitzgerald, o ator James Dean e o brasileiro Cazuza (leia o quadro abaixo). Todos eles foram grandes artistas que, na gíria americana, acenderam as duas pontas da vela ao mesmo tempo e, consequentemente, morreram antes da metade da vida, deixando atrás de si uma lenda e legiões de admiradores.



Não existe uma explicação definitiva sobre as razões que levam pessoas talentosas a agir dessa forma. Seria o meio artístico capaz de induzir o comportamento excessivo ou – do contrário – ele atrairia um número desproporcional de pessoas emocionalmente inclinadas a adotar hábitos destrutivos? Ninguém tem essa resposta, mas o pesquisador britânico Mark Bellis, diretor do Centro de Saúde Pública da Universidade John Moores, em Liverpool, constatou que a vida breve e intensa de astros da música como Amy Winehouse não é apenas mito. Eles, de fato, morrem mais cedo do que o resto das pessoas.



O psicólogo britânico Tomas Chamorro-Premuzic, que analisa a personalidade de participantes de reality shows, diz que Amy, assim como outros ídolos que morreram jovens, lutava contra a angústia de se tornar apenas mais um. Conforme envelhecemos, diz ele, nos tornamos emocionalmente estáveis, mais condescendentes e menos abertos a novas experiências. “Por isso, parece que envelhecer é uma grande ameaça à aventura criativa, especialmente se você for um astro do rock”, escreveu Chamorro-Premuzic. “A batalha que os Hendrixs, Winehouses ou Morrisons deste mundo têm lutado é contra sua própria transformação.”



O psiquiatra americano Richard Berlin aborda o assunto de outra perspectiva: a futilidade artística do processo autodestrutivo. “Para a maior parte dos artistas, trabalho duro, disciplina, foco e motivação são essenciais para o trabalho, e essas qualidades não são potencializadas pelo uso de drogas”, diz ele. Berlin, ele próprio poeta, organizou em 2008 o livro Poets on Prozac (Poetas que tomam Prozac) , em que artistas contavam as dificuldades que encontravam para criar por causa de doenças mentais e da dependência química. O glamour que costuma cercar esses personagens, diz ele, camufla a realidade terrível do convívio diário com as drogas e suas consequências. Ajuda também a obscurecer um fato óbvio: a dependência química e a morte prematura impedem o amadurecimento de talentos e obras que se anunciavam incrivelmente promissores: “Quando esses artistas se tornam mitos, há aspectos deixados do lado de fora da história: quanto eles sofreram na verdade e como a morte prematura colocou fim às grandes obras que eles ainda poderiam produzir”.



Com Amy foi assim. Em dezembro de 2007, quando ela estava publicamente no auge, há relatos de que vivia intimamente apavorada com a perda dos dentes, que se soltavam como pregos frouxos por causa do uso excessivo de drogas. Há fotos dela nessa época vagando de madrugada, descalça, pelas ruas de Londres, completamente desorientada, vestindo apenas sutiã e calças jeans. Amy tinha 24 anos e passara, pouco antes, por duas internações para tentar livrar-se das drogas. Seu marido, Blake Fielder-Civil, um ano mais velho, estava na prisão por agressão e suborno numa briga de bar. Em agosto do mesmo ano, os dois foram fotografados sujos de sangue e desgrenhados, depois de uma briga doméstica que terminou na rua. A palavra decadência é insuficiente para descrever o estado e o comportamento do casal.



Há também a questão da obra interrompida. Na semana passada, a gravadora Universal anunciou que Amy deixou pronto um álbum, que deverá ser lançado até o fim do ano. Esse disco tem reggaes e baladas (antes rejeitados pela gravadora) que ela compôs entre janeiro e fevereiro de 2009 no Caribe, onde se escondeu por algum tempo das drogas e de seus problemas com o marido. Será seu terceiro álbum – depois de Frank, de 2003, e do espetacular Back to black, de 2006 – e nunca mais haverá outro. “Em circunstâncias melhores, seu segundo disco teria sido a fundação para um longo e maduro catálogo de obras”, escreveu John Pareles, principal crítico de música do New York Times. “Agora, ele permanece como um alerta de que a senhorita Winehouse foi incapaz de se cuidar.”



Amy começou a ser cantora em 2003, aos 18 anos, cultuada por um público restrito. Ela conquistou imediatamente os mais exigentes – os próprios músicos, que se renderam ao timbre rouco em registro de contralto, características que lembravam as grandes cantoras negras do século XX. O número de fãs foi crescendo aos poucos, à medida que suas interpretações se impregnavam na memória popular. No final, sua voz e interpretação comoveram tanto os jovens como os mais velhos. Não chegou a ser uma grande estrela pop da dimensão de Madonna ou Beyoncé, mas influenciou a música de seu tempo de forma definitiva. Ela impressionava pela presença. Havia uma contradição sedutora entre a imagem da menina branca e frágil e sua força vocal – dissonância acentuada pelo atrito entre música retrô e letras brutalmente contemporâneas.



Se suas melodias se plasmam diretamente nas canções dos anos 1960, as letras de suas canções mostram uma sinceridade avassaladora. Amy soube expor seu corpo e sua alma por meio de suas composições – e isso fez dela a cantora mais influente da década de 2000. Laura Barton, crítica do The Guardian, de Londres, lembrou que as músicas de Amy estavam repletas de “conversas de garotas, xingamentos, bebidas, drogas e p...”. “Ela cantou abertamente o desejo feminino”, escreveu. “Não a sexualidade gritada de Sex and the city, mas algo mais verdadeiro, mais físico, mais sério.”



Amy se transfigurava ao fechar os olhos para cantar. Nos vídeos que gravou em seus dias de ápice, por volta de 2007, dramatiza as melodias, carrega-as de ornamentos do gospel e transforma as letras em sussurros de intenso desamparo. Em muitos momentos, cantava como se sonhasse. Atingiu, precocemente, uma intensidade que muitos dizem que somente a americana Billie Holiday conseguiu realizar. Amy viveu pouco, mas chegou às profundezas do sentimento amoroso. Seu legado é mais consistente que a reles imagem do ídolo transgressor. Ela se revelou fundamental na reabilitação da arte vocal na música pop e no revival do gênero soul. Sua voz marcou a primeira década do século XXI. Na contracorrente das estrelas pop como Beyoncé e Lady Gaga, ela se mostrou retrô, vintage, tanto no comportamento autodestrutivo como na música. No início do novo milênio, Amy preferiu cantar e viver para o passado – virando, pelo avesso, uma genuína inovação.



Nos últimos anos, seu talento foi minado e encoberto por seu comportamento. Back to black vendeu 10 milhões de cópias, mas a audiência global para os desastres pessoais da cantora era muito maior. Seu declínio, entremeado por vexames públicos e tentativas frustradas de recuperação, era acompanhado passo a passo pela mídia, sempre com enorme interesse do público. Amy tornou-se um personagem. Quando ela morreu, as pessoas deixaram garrafas de vodca e cigarros em frente a sua casa, como se esses sintomas de sua doença pudessem, numa simplificação aterradora, representá-la. Não houve realmente choque com sua morte. Ela pareceu somente a conclusão lógica de uma parábola moral que vinha se desenrolando desde 2007.



O psiquiatra Richard Berlin compara esse espetáculo macabro a um ritual de imolação. “Tenho certeza de que todos nós obtemos prazer ao saber dos excessos de drogas, sexo e rock-and-roll”, diz ele. “Esse é um aspecto do nosso interesse por celebridades. Nós nos identificamos com elas, podemos experimentar prazer por meio delas e, ao mesmo tempo, manter nossa segurança.” Mas há outro lado nessa história, como lembra Camille Paglia. A queda do herói romântico, o final melancólico do transgressor que nos representa também fazem parte do espetáculo.“Emoções primitivas podem emergir do público conforme a estrela começa a cair”, diz ela. “A estrela ferida (ou autoferida) se torna vítima em um ritual, massacrada e feita em pedaços pelo voyeurismo do público.” Em entrevista ao The Guardian, um dos amigos de Amy contou a experiência assustadora de acompanhá-la a um local público. “Havia gente oferecendo bebidas, dizendo que a amava. Outras atiravam coisas e diziam besteiras que nem quero repetir. E o tempo todo havia o assédio horrível dos paparazzi. Eu fiquei bestificado”, disse ele.



Keith Richards    Iggy Pop

Os sobreviventes - Keith Richards, de 68 anos, dos Stones (à esq.), e Iggy Pop, de 64, vocalista dos Stooges. Eles sobreviveram ao processo que destruiu Amy. Richards diz que seu controle rigoroso das doses que consumia o salvou. Iggy, um descontrolado, parece ter tido apenas sorte: “Eu cantava para pessoas verdadeiras”.



Keith Richards, guitarrista da banda britânica Rolling Stones, talvez o mais famoso e longevo sobrevivente dos excessos da droga, conta no livro Vida, publicado no ano passado pela Editora Globo, como é a experiência de amor e ódio do público. Por causa de seus abusos, Richards chegou em 1973 à lista dos dez astros do rock-and-roll que estavam mais perto da morte, elaborada por uma revista britânica. Ocupou o topo do ranking por dez anos. “Nesse período eu sentia muitas vezes que havia gente desejando minha morte, mesmo alguns bem-intencionados”, ele escreveu. “No começo, eu era uma novidade. Então passaram a querer que eu me ferrasse. Depois, como eu não me ferrei, passaram a querer me ver morto.” Há uma quantidade imponderável de paranoia induzida por drogas nesse raciocínio, mas a ambiguidade do público é real.



Richards, hoje com 68 anos, diz estar livre da heroína desde 1978 e da cocaína desde 2006. Mas ainda se diverte com a imagem de rebelde que as pessoas construíram dele – e se recusam a apagar, mesmo que ele esteja “comportado” há décadas. “As pessoas adoram essa imagem”, afirma. “Elas querem que eu faça coisas que não conseguem fazer. Têm de fazer seu trabalho, são vendedores de seguros. Mas, ao mesmo tempo, dentro delas há um Keith Richards vagando.” Ele conta que decidiu acabar com sua dependência de heroína quando percebeu que não era mais dono da própria vida. “Não importa sob que ângulo você encare a coisa, os junkies vivem esperando pelo cara (o traficante) . Seu mundo se reduz à droga”, escreve. “Eu havia me apegado tanto ao veneno que estava ficando impossível me mover pelo mundo e trabalhar.”



Amy ignorou também esse limite. Em junho, depois de um breve período em uma clínica de recuperação, iniciou uma turnê europeia por Belgrado, capital da Sérvia, mas não passou da primeira apresentação. Aparentando estar bêbada, não conseguia acompanhar a banda ou lembrar as letras de suas próprias canções. Teve de sair do palco sob uma enxurrada de vaias. Foi sua última aparição profissional.



A ciência ainda não consegue explicar por que algumas pessoas resistem melhor que as outras ao ataque destrutivo das drogas. O americano Iggy Pop, um musculoso e hiperativo senhor de 64 anos, é outro exemplo de assombrosa durabilidade. Nos anos 1970, sob o efeito de coquetéis alucinógenos, ele protagonizava espetáculos de autodestruição ao vivo, como vocalista dos Stooges. Iggy se cortava com vidro quebrado e pingava vela derretida sobre o torso nu. No palco. O jornalista britânico Nick Kent conta que, em 1974, Iggy foi espancado, chicoteado e esfaqueado durante um show em Los Angeles. Depois foi largado inconsciente e sangrando na rua, dentro de um saco. O que acha disso tudo, hoje em dia, o saudável autor de “Candy”? “Toda essa porcaria autodestrutiva que eu supostamente fiz”, diz ele. “Eu só fiz porque acreditei que estava cantando a música que as pessoas verdadeiras queriam ouvir.” Ao contrário de Richards, que se gaba de ter administrado suas doses de heroína com parcimônia e rigor de farmacêutico, Iggy parece não ter aprendido nada. E nada tem a ensinar. Teve sorte, apenas.



“Algumas pessoas simplesmente são mais resistentes aos efeitos das substâncias químicas. Há um componente genético”, diz o psiquiatra Pablo Roig, diretor da Greenwood, clínica para dependentes químicos que recebeu o comentarista esportivo Walter Casagrande em 2007 e o ator Fábio Assunção no fim de 2008. O tipo de droga e a interação entre elas também parecem ter diferentes níveis de impacto sobre o organismo. “Algumas pessoas exageram mais nas combinações e nas doses porque têm uma tendência autodestrutiva maior”, diz Roig. Amy parece ter estado entre essas. E teve azar. Não atingiu a idade em que a maturidade poderia empurrá-la, naturalmente, a um grau maior de moderação. Morreu jovem, deixando desamparada uma multidão de fãs, como o estudante Alexandre Ferreira, de 24 anos, presidente do fã-clube de Amy no Brasil.



No dia em que ela morreu, Ferreira diz ter vomitado e ficado com febre. Ele, que trabalha como garçom em um restaurante de Natal, não conseguiu ir no sábado. Os chefes entenderam. Sobre as drogas, acredita que o vício dela era uma doença. Ele diz que não imita e não julga. Pelo contrário, defende. “Sempre esperei que ela se curasse. Como fã, não queria que acontecesse o pior”, diz. Tanto melhor que tenha ficado para os fãs apenas o melhor de Amy.















(Fonte: Revista Época - edição 689 – 30/07/2011)

soundtrack by charlie chaplin

charlie chaplinO comediante Charles Chaplin foi um dos criadores mais originais da história do cinema, um superstar de comédias silenciosas e um dos grandes ícones do século 20. Além de ser um formidável escritor e compositor foi também um dos diretores mais talentosos da história e ator. Sua atuação notável de Carlitos, um simpático e sensível vagabundo em roupas mal ajustadas, sapatos largos e desgastados, chapéu-coco, bigode e bengala, ganhou a admiração das platéias de todo o mundo. Chaplin foi o cineasta mais importante da era do cinema mudo. Através de sua compreensão clara e sua capacidade de experimentação constante ele definiu a maioria das regras para a comédia do cinema que ainda estão sendo seguidas. Ele escreveu, dirigiu, produziu e atuou em quase todos os seus filmes mas, o que surpreende a maioria das pessoas é que ele também escreveu a música de seus filmes mais famosos: ‘The Kid’, ‘City Lights’, ‘Modern Times’, ‘The Great Dictator’ e ‘The Gold Rush’. E ele fez tudo isso sem nunca ter estudado música. Ele nunca aprendeu a ler música.

Chaplin foi criado nos salões de música de Londres e sua música reflete essa origem. Os filmes de Chaplin eram em sua maioria mudos, por isso a música falou onde as palavras não podiam. O vagabundo Carlitos é provavelmente o personagem mais imitado. Há rumores de que o próprio Chaplin participou uma vez de um concurso de imitadores de Charlie Chaplin, e acabou ficando em 3º lugar. O asteróide 3623 Chaplin, descoberto pela astrônoma soviética Lyudmila Georgievna Karachkina em 1981, foi batizado em homenagem a ele. Em 1992, foi feito um filme sobre a sua vida, dirigido por Richard Attenborough e estrelado por Robert Downey Jr. e Geraldine Chaplin, a filha de Chaplin na vida real, interpretando sua própria avó.

Influenciado pelo comediante francês Max Linder, a quem ele dedicou um de seus filmes, sua carreira durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações nos teatros do Reino Unido quando ainda criança até a sua morte aos 88 anos de idade. Foi também um talentoso jogador de xadrez e chegou a enfrentar o campeão estadunidense Samuel Reshevsky. Chaplin não foi grande, ele foi gigantesco. Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, ele trouxe ao mundo dilacerado pela guerra o dom da comédia, e depois com a Grande Depressão e ascensão de Hitler, através do riso trouxe prazer e alívio. Por sua inigualável contribuição ao cinema, Chaplin é o mais homenageado cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelos governos britânico e francês, pela Universidade de Oxford e pela Academia de Artes e Ciências.

charlie chaplin 1910

Charlie Chaplin 1910

Charles Spencer Chaplin nasceu nos arredores de Londres, Inglaterra. Seus pais eram cantores e atores com quem aprendeu a cantar. Quando se divorciaram, Charlie foi deixado aos cuidados da mãe Hannah, cada vez mais instável emocionalmente. O censo de 1891 mostra que Charlie morava com a mãe e seu meio-irmão Sydney. Quando uma crise de laringe ocorreu quando Hannah cantava em um teatro freqüentado por soldados, além de ser vaiada, foi gravemente ferida por objetos atirados no palco. Nos bastidores, enquanto sua mãe chorava, o pequeno Chaplin, com cinco anos, subiu ao palco e cantou ‘Jack Jones’, uma canção popular da época. Perdida a capacidade de cantar, Hannah conseguiu ganhar a vida costurando. Infelizmente, ela lentamente sucumbiu à doença mental, e quando Charlie tinha 7 anos de idade, ela foi confinada a um asilo e os dois irmãos foram mandados para um reformatório do governo para as crianças órfãs e abandonadas. Depois de dois meses, ela foi liberada e os três foram reunidos por um tempo. Um ano mais tarde, ela voltou para um novo tratamento e Charlie Chaplin viveu com seu pai alcoólatra e sua madrasta, em um ambiente tenso. Seu pai morreu de cirrose quando Chaplin tinha doze anos. Os irmãos unidos sobreviveram e ainda jovens foram atraídos pela música e ambos mostraram grande talento. A mãe de Chaplin morreu em 1928, em Hollywood, sete anos após ter sido levada para os Estados Unidos por seus filhos.

sydney chaplinSydney Chaplin, seu irmão merece uma menção, pois ele foi uma influência fundamental no sucesso da carreira de Charlie e ele também fez sucesso como ator em filmes mudos. É bem possível que Sydney foi um filho ilegítimo. Charles Chaplin não menciona o pai de Sydney, em sua autobiografia de 1964. Os dois irmãos se uniram para encontrar um caminho para sair da pobreza extrema. O teatro foi a escolha lógica. Syd preparou Chaplin para o sucesso e o ajudou a conseguir seus primeiros papéis no teatro, já que Charlie mal conseguia ler Syd tinha que ajudá-lo a memorizar suas falas. Syd passou a trabalhar com a Companhia de Karno Fred em Londres, e depois se mudou para os Estados Unidos e começou sua carreira como ator na Companhia de Keystone, assim como Charlie. Enquanto o personagem de Charlie foi o famoso vagabundo, Syd encontrou o sucesso moderado com um personagem que ele criou chamado ‘Gussie’. Quando Charlie começou a experimentar o seu sucesso fenomenal Sydney desistiu de atuar por algum tempo para se tornar gerente de seu irmão além de trabalhar como ator em vários filmes de Charlie que sempre se referiu ao irmão como o principal contribuinte para o seu sucesso profissional. Algumas biografias citam que Syd ‘nunca se casou ou teve filhos’, uma maneira sutil de revelar a sua homossexualidade.

A primeira turnê de Chaplin aos Estados Unidos com o grupo do empresário de teatro Fred Karno foi em 1910 e depois em 1912. Na companhia de Karno estava Arthur Stanley Jefferson, que posteriormente ficaria conhecido como Stan Laurel, que se tornou famoso principalmente por seu trabalho com Oliver Hardy, com o qual formou a dupla cômica, no Brasil conhecidos como 'O Gordo e o Magro'. Chaplin e Laurel dividiam um quarto em uma pensão. Stan Laurel retornou à Inglaterra e Chaplin ficou nos Estados Unidos. Em 1913, a atuação de Chaplin foi vista pelo produtor, roteirista, ator e diretor de cinema Mack Sennett que o contratou para seu estúdio, a Keystone Film Company, para substituir o comediante Ford Sterling. Chaplin teve grande dificuldade em se adaptar ao estilo de atuação cinematográfica da Keystone e após a sua estréia no filme ‘Making a Living’, Sennett percebeu que cometera um grande erro. Foi lhe dada uma nova chance e Chaplin desenvolveu seu principal e mais conhecido personagem, o vagabundo.

Nigel Bruce, Sydney Chaplin e Charlie Chaplin  Sydney Chaplin

Nigel Bruce, Sydney Chaplin e Charlie Chaplin no filme 'Limelight' de 1952
Sydney Chaplin é o Kaiser, com Charlie Chaplin em ‘Shoulder Arms’ de 1918

Os primeiros filmes de Chaplin usavam a fórmula padrão do estúdio, comédia pastelão e gestos exagerados. O vagabundo atacava agressivamente seus inimigos com chutes e tijolos. O público amava este novo comediante, apesar do alerta dos críticos de que as travessuras do personagem beiravam a vulgaridade. Logo depois, Chaplin se ofereceu para dirigir e editar seus próprios filmes. Em 1915, com a 'Essanay Studios', desenvolveu suas habilidades cinematográficas, adicionando novos níveis de sentimentalismo em seus filmes e também desenvolveu o seu próprio elenco, que incluía a heroína Edna Purviance e os vilões cômicos Leo White e Bud Jamison. Imigrantes de todos os lugares chegavam à América, e os filmes mudos eram capazes de transpor as barreiras da linguagem, sendo compreendidos por todos. Nesse contexto, Chaplin tornou-se o expoente máximo do cinema mudo.

Em 1916, a 'Mutual Film Corporation' pagou a Chaplin para produzir uma dúzia de comédias com controle artístico quase total. Praticamente todos os filmes de Chaplin produzidos na Mutual são clássicos. Edna Purviance continuou sendo a protagonista, e Chaplin adicionou Eric Campbell, um veterano nas óperas, Henry Bergman e Albert Austin ao seu elenco. Com o fim do contrato, em 1917, Chaplin assinou com a 'First National' que deu-lhe total controle criativo sobre a produção, para que ele pudesse se concentrar na qualidade. Chaplin foi ambicioso e expandiu alguns de seus projetos em longa-metragens, como o clássico ‘The Kid’ (1921), baseado em sua própria experiência quando ele e seu irmão foram mandados para um orfanato quando a mãe foi internada numa instituição mental.

Em 1919, Chaplin co-fundou a distribuidora 'United Artists' junto com a atriz e produtora Mary Pickford, com o ator Douglas Fairbanks e o diretor D. W. Griffith. O controle total da produção de seus filmes no seu próprio estúdio assegurou a independência de Chaplin como cineasta. Apesar dos filmes falados tornarem-se o modelo dominante logo após serem introduzidos em 1927, Chaplin resistiu a fazer um filme assim durante toda a década de 1930. Ele considerava o cinema uma arte essencialmente pantomímica. A ação é geralmente mais entendida do que palavras, ele dizia. Durante o avanço dos filmes sonoros, Chaplin produziu ‘City Lights’ (1931) e ‘Modern Times’ (1936) antes de se converter ao cinema falado. Esses filmes foram essencialmente mudos, porém possuíam música sincronizada e efeitos sonoros.

Charlie Chaplin e Albert Einstein

Charlie Chaplin e Albert Einstein

‘City Lights’ contém o mais perfeito equilíbrio entre comédia e drama. Apesar de ‘Modern Times’ ser um filme mudo, ele contém falas, geralmente provenientes de objetos inanimados, como rádios ou monitores de TV. Isto foi feito para o público da década de 30, que já não tinhal o hábito de assistir os filmes mudos. Além disso, foi o primeiro filme em que a voz de Chaplin é ouvida, no final do filme, a canção ‘Smile’, composta e cantada por ele próprio num dueto com Paulette Goddard. No entanto, para a maioria é considerado um filme mudo e o fim de uma era. O primeiro filme falado de Chaplin, ‘The Great Dictator’ (1940) foi um ato de rebeldia contra o ditador alemão Adolf Hitler e o nazismo, e foi lançado nos Estados Unidos um ano antes do país abandonar sua política de neutralidade e entrar na Segunda Guerra Mundial. Chaplin interpretou um papel duplo, de Adenoid Hynkel, ditador da ‘Tomânia’, e de um barbeiro judeu perseguido por nazistas. O filme também contou com a participação do comediante Jack Oakie no papel de Benzino Napaloni, uma sátira ao ditador italiano Benito Mussolini e do fascismo; e com Paulette Goddard, no papel de uma mulher no gueto. O filme foi visto como um ato de coragem no ambiente político da época.

O posicionamento político de Chaplin sempre foi de esquerda. Durante a era do macarthismo, Chaplin foi acusado de atividades anti-americanas como um suposto comunista, e J. Edgar Hoover tentou acabar com sua residência nos EUA. A pressão do FBI sobre Chaplin cresceu e alcançou um nível crítico no final da década de 40, quando ele lançou o filme de humor negro ‘Monsieur Verdoux’ (1947), considerado uma crítica ao capitalismo. O filme foi mal recebido e boicotado em várias cidades dos EUA, obtendo, no entanto, êxito na Europa. O Congresso ameaçou chamá-lo para um interrogatório público. Isso nunca aconteceu, provavelmente, devido à possibilidade de Chaplin satirizar os investigadores. Por seu posicionamento político, Chaplin foi incluído na lista negra de Hollywood. Em 1952, Chaplin deixou os EUA para o que pretendia ser uma breve viagem para a estréia do filme ‘Limelight’ em Londres. Hoover soube da viagem e negociou com o Serviço de Imigração para revogar o visto de Chaplin, exilando-o do país. Chaplin decidiu então permanecer na Europa, escolhendo morar em Vevey, Suíça.

charlie chaplin 1965Em 1972, Chaplin ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora pelo filme ‘Limelight’. Também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Ator em ‘The Great Dictator’ e novamente por Melhor Roteiro Original em ‘Monsieur Verdoux’. Durante seus anos ativos como cineasta, Chaplin expressava desprezo pelos Oscars; seu filho descreve que ele provocou a ira da Academia ao deixar seu Oscar de 1929 ao lado da porta, para não deixá-la bater. Isto talvez explique porque ‘City Lights’ e ‘Modern Times’, considerados por várias enquetes como dois dos melhores filmes de todos os tempos, nunca foram indicados a um único Oscar. Os últimos dois filmes de Chaplin, ‘A King in New York’ (1957) e ‘A Countess from Hong Kong’ (1967), foram produzidos em Londres. O último filme foi estrelado por Sophia Loren e Marlon Brando, e Chaplin fez uma pequena ponta no papel de mordomo, sendo esta a sua última aparição nas telas. Ele também compôs a trilha sonora de ambos os filmes, assim como a canção-tema, ‘This is My Song’ de ‘A Countess from Hong Kong’, cantada por Petula Clark, chegando a ser a canção mais popular do Reino Unido.

A saúde de Chaplin começou a declinar lentamente no final da década de 60. Por volta de 1977, já tinha dificuldade para falar, e começou a usar uma cadeira de rodas. Chaplin morreu dormindo aos 88 anos de idade em consequência de um derrame cerebral, na Suíça. Em 1978, seu cadáver foi roubado da sepultura por um pequeno grupo de mecânicos suíços, na tentativa de extorquir dinheiro da família. O corpo foi recuperado onze semanas depois. No cemitério, há uma estátua de Chaplin em sua homenagem. Em 1991, Oona O'Neill, sua quarta e última esposa, faleceu e foi sepultada ao lado do cineasta.

mildred harris  peggy hopkins joyce lita grey paulette goddard joan barry oona o'neill
Mildred Harris | Peggy Hopkins Joyce | Lita Grey | Paulette Goddard | Joan Barry | Oona O'Neill

Controverso, na vida pessoal Chaplin em nada se assemelhava ao delicado vagabundo de atitudes angelicais. Chaplin orgulhava-se de ser bem-dotado sexualmente considerando-se uma máquina sexual e a seu pênis se referia como a oitava maravilha do mundo. Fascinado por mocinhas bem mais novas teve dezenas de mulheres. Em 1918, casou-se aos 28 anos de idade com Mildred Harris, que tinha então 16 anos. Tiveram um filho nascido deformado, que morreu três dias após o nascimento. O divórcio foi inevitável. Mais tarde, namorou por anos Peggy Hopkins Joyce. O relacionamento inspirou Chaplin a fazer o filme ‘A Woman of Paris’. Aos 35 e sozinho, apaixonou-se por Lita Grey, que tinha apenas 16 anos. Mesmo ela sendo muito jovem, casaram-se em 1924, no México, quando ela ficou grávida. Tiveram dois filhos, Charles Chaplin Júnior e Sydney. Divorciaram-se em 1926, por causa de brigas. Em 1936, aos 47 anos casou-se secretamente com Paulette Goddard, de 25 anos. Depois de alguns anos felizes, este casamento também terminou. Após a separação, Chaplin namorou Joan Barry, atriz de 22 anos. Esta relação durou anos e terminou quando Barry começou a perturbá-lo por ciúmes. Tempos depois, conheceu Oona O'Neill, filha do dramaturgo Eugene O'Neill. Casaram-se em 1943, ele tinha 54 anos enquanto ela somente 17. Este casamento foi longo e feliz. Oona, mesmo sendo ainda muito jovem, deu oito filhos a Charlie, o que o deixou em completa felicidade. O amor era tão grande que Oona cuidou dele até a sua morte.

charlie chaplin - suite (the kid)


charlie chaplin - the essential film music collection (2006)

Charlie Chaplin Essential Film Music Collection(2006)
CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II

Personnel: Charlie Chaplin (Composer); Carl Davis (Composer); Carl Davis (Conductor); Wihan Quartet (Performer); Gareth Williams (Performer); City of Prague Philharmonic Orchestra (Orchestra); Jaromir Klepac (Performer); Lucie Svelhová (Performer)

CD 1: Chaplin by Chaplin
01. The Reel Chaplin (Part 1)
02. The Kid (1921)
03. Pay Day (1922)
04. The Gold Rush (1925)
05. The Circus (1928)
06. City Lights (1931)
07. Modern Times (1936)
08. The Great Dictator (1940)
09. Monsieur Verdoux (1940) Paris Boulevard
10. Monsieur Verdoux (1940) Bitter Tango
11. A king in New York (1957) Mandolin Serenade
12. A king in New York (1957) Weeping Willow
13. A Countess from Hong Kong (1967)
14. The Reel Chaplin (Part 2)

CD 2: Chaplin by Davis
01. The Floorwalker (1916)
02. The Fireman (1916)
03. The Vagabond (1916)
04. One A.M. (1916)
05. The Count (1916)
06. The Pawnshop (1916)
07. Behind the Screen (1916)
08. The Rink (1916)
09. Easy Street (1917)
10. The Cure (1917)
11. The Immigrant (1917)
12. The Adventurer (1917)

chrissie hynde = the pretenders

mulheres no rock'n'roll
crucified-barbara
dolores o'riordan = the cranberries
doro pesch = warlock
girlschool
imelda may
janis joplin
joan jett | lita ford = the runaways
siouxsie and the banshees
wendy o williams = plasmatics

the pretendersEm um gênero dominado por homens, Christine Ellen Hynde, conhecida pelo nome artístico de Chrissie Hynde, guitarrista, vocalista e fundadora do grupo ‘The Pretenders’ foi capaz de se estabelecer também como compositora competente e não ser vista como um mero símbolo sexual ou uma mulher com peitos enormes a saltitar no palco. Seus ataques sobre o machismo predominante nas letras do rock são memoráveis, não apenas pela forma hábil dos riffs, mas também pela descrição do sexo do ponto de vista de uma mulher com apetite e vontade próprias. Como outras figuras fundamentais na música popular, Hynde inicialmente não se encaixava perfeitamente na cena musical contemporânea, e mesmo em sua própria banda, enquanto os demais integrantes eram Ingleses, ela nasceu em Akron, Ohio, EUA. Hynde incluiu como ídolos, Iggy Pop, ídolo do proto-punk; os guitarristas Jeff Beck e Jimi Hendrix; os pioneiros do rock Inglês ‘The Kinks’, e Brian Jones dos Stones, em seu mundo de fantasia, que se tornou o seu refúgio em vista à vida monótona de Ohio e onde prevalecia o seu desejo de fazer parte de uma banda de rock. No entanto, apesar de sua devoção, Hynde teve que lutar e lentamente abrir caminho para o mundo da música real. Enquanto os amigos do sexo masculino tocavam em bandas de garagem em Akron e Cleveland, Hynde não tinha audiência para as suas canções. E a timidez a limitava ainda mais. Hynde teve apenas uma oportunidade de tocar com uma banda nos EUA e foi somente por uma noite.

Depois de alguns anos passou a estudar arte na ‘Kent State University’, em Ohio, e testemunhou o infame incidente de 1970, onde quatro estudantes foram mortos pela Guarda Nacional durante uma manifestação anti-guerra. Depois de tentar, por vários anos, fazer parte do círcuito de rock de Cleveland, decidiu tentar a sorte em Londres ao invés de sentar-se e assistir televisão ou ir ao shopping de Akron. Os seus primeiros anos em Londres foram tão cruéis que praticou pequenos furtos para sobreviver. Em 1973, se tornou famosa como repórter da revista NME (New Musical Express), especializada em bandas de rock. Participou de vários projetos roqueiros com Malcolm McLaren, figura proeminente do movimento punk-rock no final dos anos 1970, uma das personalidades mais importantes do rock e empresário da banda ‘Sex Pistols’ e de outras bandas, precursoras do punk rock na Inglaterra.

Entre 1973 e 1978, no entanto, a determinação de Hynde para se tornar parte de uma banda de rock resultou em apenas decepção. Apesar de vários convites para shows, durante os quais seus colegas a reconheciam como uma forte vocalista, guitarrista e compositora, nenhum deles aceitavam Hynde como membro efetivo. Depois de uma fracassada tentativa de começar uma banda com o guitarrista Mick Jones, mais tarde guitarrista e vocalista da banda ‘The Clash’, ela se reconectou com McLaren, que a convidou para participar do ‘Masters of the Backside’, um dos primeiros grupos britânicos de punk rock. Hynde foi membro desse grupo o tempo suficiente para ensaiar com eles, mas não o suficiente para desfrutar do sucesso. Em 1975 fez parte da notória banda punk ‘The Moors Murderers’. Mick Jones então pediu para Hynde tocar em turnê com sua nova banda, ‘The Clash’, mas a associação temporária provou ser frustrante.

the pretenders

Peter Farndon, James Honeyman-Scott, Martin Chambers, Chrissie Hynde (1979)

Uniu-se então ao baixista Peter Farndon sobre quem ouviu falar através de uma amigo. Farndon estava em Sidney, Austrália, e com Hynde, ele encontrou o primeiro projeto musical de sua vida e, por um tempo, um relacionamento romântico. E Farndon trouxe um guitarrista excepcional, James Honeyman-Scott, e mais tarde o baterista irlandês Jerry Mcleduff. Com a supervisão do produtor Nick Lowe, os quatro montaram uma demo com músicas que se tornariam clássicos da banda: ‘Precious’, ‘The Wait’ e ‘Stop Your Sobbing’. Finalmente, os anos de dedicação de Hynde, começaram a dar frutos em 1979, quando foi lançado o primeiro single, ‘Stop Your Sobbing’, uma versão cover da banda ‘The Kink’, e foi um sucesso instantâneo no Reino Unido. E o baterista Martin Chambers veio para substituir Jerry Mcleduff.

Os singles lançados depois de ‘Stop Your Sobbing’ foram recebidos com aclamação. ‘Brass in Pocket’ chegou a ficar em primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e construiu assim uma base segura para o lançamento em 1980, do primeiro álbum, intitulado simplesmente ‘Pretenders’, na capa a foto de Hynde, Farndon, Honeyman-Scott, e Chambers vestidos com jaquetas de couro, e sem sorrir. O álbum instantaneamente foi para o primeiro lugar. E o sucesso levou a um disco de ouro e a uma turnê promocional nos EUA, onde a reputação da banda cresceu de forma gradual. Críticos e fãs receberam o álbum com entusiasmo considerável. ‘Pretenders’, mais tarde, foi colocado no número 20 da revista ‘Rolling Stone’ na lista ‘Top 100 Albums of the Decade’. Fãs norte-americanos imediatamente saudaram a banda como a personificação da rebeldia. Nos bastidores, o tom da turnê foi rebelde também. Enquanto colhiam os benefícios de suas fortunas em expansão, bebiam, e Farndon e Honeyman-Scott entraram no vício da heroína e Hynde se tornou famosa por conduta desordeira.

Sem descanso, retornaram a Londres para começar imediatamente a gravar material para o próximo álbum. ‘Pretenders II’ cimentou a reputação da banda. E o teor da turnê de 1981 foi marcadamente diferente. A música foi genial como sempre, mas o estilo de vida estava mudando. Martin Chambers se casou e Hynde conheceu Ray Davies dos ‘Kinks’, o que levou a uma relação de compromisso. No entanto, a turnê pressagiava dificuldades por vir. Chambers cortou a mão e ele não pode tocar por semanas. A banda decidiu adiar a turnê, em vez de substituí-lo. Enquanto isso, Farndon e Honeyman-Scott continuaram no vício e Farndon tornou-se tão irascível que mesmo Honeyman-Scott se recusou a trabalhar com ele. Quando a banda retornou a Londres, Hynde tomou a difícil decisão de demitir Farndon que foi substituído por Robbie McIntosh. Mas a banda foi devastada quando Honeyman-Scott morreu de insuficiência cardíaca devido à cocaína. O grupo que vinha em um ritmo notável, fez uma pausa de três anos.

the pretenders

A tragédia os atingiu novamente quando em 1983, Pete Farndon morreu afogado na banheira, resultado de uma overdose de heroína. Apesar do duro golpe, o trabalho de preparar um novo álbum já estava em andamento. ‘Back on the Chain Gang’ e ‘My City Was Gone’ tornaram-se hits de sucesso nos EUA. Hynde, no entanto, não era mais a punk desafiadora. Após seu rompimento com Ray Davies, ela conheceu e se casou com Jim Kerr, vocalista do ‘Simple Minds’. E a reputação de Hynde foi crescendo como porta-voz de causas políticas liberais e como um músico que exigia qualidade. E entre muitas desavenças, desencontros, mortes e tal, manteve a linha e liderança e predominou como a única pessoa permanente e em controle no decorrer da história da banda ‘The Pretenders’.

Hynde permanece uma raridade como mulher líder de um grupo com origem nos primórdios da história do movimento punk rock e new wave. Sempre assertiva acabou obtendo o respeito de músicos e mesmo de críticos, e mesmo a admiração de milhares de meninas que, inspiradas, seguiram seus passos. Em 2004 Hynde mudou-se para a cidade de São Paulo, Brasil, para poder tocar por algum tempo com Moreno Veloso, que estudou Física, mas atua como músico no Brasil e no exterior e é filho de Caetano Veloso. Em São Paulo, Hynde fixou residência em um apartamento no famoso edifício Copan. Nos últimos anos Chrissie Hynde tem se tornado mais e mais uma notável ativista e tenaz defensora dos direitos dos animais a um tratamento digno e ético por parte dos seres humanos. Em 2008, foi lançado o álbum ‘Break Up The Concrete’.

Chrissie Hynde canta a belíssima ‘I wish you love’ no thriller ‘Eye of the Beholder’ de 1999, onde Ewan McGregor e Ashley Judd fazem parte deste jogo de gato-e-rato entre um agente da inteligência britânica e uma sedutora chantagista.



the pretenders - precious


the pretenders - the best of-break up the concrete (2009)

The Best Of/Break Up The Concrete (2009)
CD 1    CD 2

CD 1: The Best of
01. Talk of The Town 02. Kid 03. Back on The Chain Gang 04. Brass in Pocket 05. Message of Love 06. Night in My Veins 07. Don’t Get Me Wrong 08. Middle of The Road 09. I’ll Stand By You 10. Stop You Sobbing 11. Hymn to Her 12. Precious 13. Thumbelina 14. Cuban Slide 15. My City Was Gone 16. Day After Day 17. I Go To Sleep 18. Thin Line Between Love And Hate 19. Fools Must Die 20. Up The Neck 21. Miles 22. Tattooed Love Boys

CD 2: Break Up the Concrete
01. Boots of Chinese Plastic 02. The Nothing Maker 03. Don’t Lose Faith In Me 04. Don’t Cut Your Hair 05. Love’s A Mystery 06. The Last Ride 07. Almost Perfect 08. You Didn’t Have To 09. Rosalee 10. Break Up The Concrete 11. One Thing Never Changed

13 de julho: dia mundial do rock

Sabemos que o Dia Mundial do Rock foi instituído em 1985, com o lendário festival ‘Live Aid’, que aconteceu na Inglaterra e Estados Unidos, e que foi idealizado por Bob Geldof para arrecadar fundos para as vítimas da fome na Etiópia. Sabemos também que além dos fundos arrecadados, o concerto produziu a música ‘Do They Know It's Christmas Time at All’ tendo-se tornado o single mais vendido em toda a história do Reino Unido, e que a idéia foi copiada uns meses mais tarde nos EUA com a música ‘We Are The World’ de autoria de Michael Jackson, Stevie Wonder e Lionel Richie.

Mas, a grande pergunta de hoje é: quem é o pai do rock, afinal?

Para os raivosos é o diabo. Fartos estudos apontam para alguns jovens transgressores dos anos 50 que viraram de pernas para o ar os costumes no planeta. Há aqueles que vêem somente no blues a raiz do rock. E os que dizem entender, verdadeiramente, do babado afirmam que o bom e velho rock nada mais é que a fusão de vários outros estilos musicais: dos banjos e violinos do country, dos pianos e palmas dos negros das igrejas sulistas ou dos acordes tristes da gaita e violão do escravo das fazendas de algodão. Sabe-se até que os termos ‘rock’, ‘roll’ e ‘rock and roll’ eram utilizados como referência a relações sexuais em diversas letras de blues e quem batizou o estilo foi o disc jockey Alan Freed, da cidade de Cleveland, nos EUA. Foi ele que pela primeira vez utilizou o termo “rock and roll” para se referir ao ritmo que fazia uso da guitarra elétrica e letras voltadas aos jovens. Isso em 1951.

Tanta discussão, e até hoje o rock continua bastardo, mas a lista de pretensos pais é extensa:
- A gravação de ‘Rocket 88’ em 1951 do músico Jackie Brenston é apontada, por muitos, como a primeira canção de rock da história e contou com o apoio da banda de Ike Turner, futuro marido da cantora Tina Turner.

- Outros citam as músicas como 'Roll 'Em Pete', de Big Joe Turner (1939), 'Move It On Over', de Hank Williams (1947), 'Rock the Joint', de Jimmy Preston (1949), 'The Fat Man', de Fats Domino (1949) e 'How High the Moon', de Les Paul e Mary Ford.

- A revista norte-americana 'Rolling Stone', aponta a gravação 'That's All Right (Mama)', de Elvis Presley (1954), como a primeira música de rock da história. E a controvérsia se instalou: que o topetudo de Memphis seja considerado o Rei do Rock tudo bem, mas dar a ele o crédito de pai do rock? Aí já é demais!

- Um dos possíveis pais do rock é o guitarrista Chuck Berry, cuja primeira gravação no estilo foi 'Maybellene', em 1955. O músico também é responsável por um dos passos mais conhecidos do início do rock, o duck walking, que foi reinterpretado por nomes de peso como Angus Young, do AC/DC. Usando as palavras do Beatle John Lennon: 'Se você tentasse dar outro nome ao rock 'n' roll, você o chamaria de Chuck Berry'.

- Junto com Berry, entra o selvagem pianista Little Richard, autor de 'Tutti Frutti' (1955). Com ele, o estilo ganha gritos agudos e um indefectível 'A-wop-bop-a-loo-mop-a-whop-bam-boom!', que logo se tornou sua marca registrada. Controverso, o homossexual Richard foi roqueiro e pastor.

- Outro possível pai do rock é Jerry Lee Lewis, que apesar de só ter gravado a clássica 'Great Balls of Fire' em 1957, excursionou por anos com outros nomes que deram voz ao rock, como Carl Perkins, da famosa 'Blue Suede Shoes' (1955).

- Além destes, outro nome que sempre é lembrado é o de Bill Haley, o dono do topete 'pega rapaz' que visava, na verdade, desviar a atenção das pessoas para seu olho cego. É dele a famosa gravação da canção 'Rock Around the Clock' (1954), um dos pilares da história do rock.

- Não esquecendo também do guitarrista Bo Didley com a sua 'Bo Didley', de 1956. Didley é apontado como figura responsável pela transição do blues para o rock por conta da sua maneira de tocar a guitarra e construí-la, tendo em vista que seu instrumento era retangular.

E para você, quem é o pai do rock?


Bob Geldof é um cantor, compositor e humanista irlandês, foi vocalista do grupo irlandês ‘Boomtown Rats’ foi o idealizador do lendário festival "Live Aid", que arrecadou fundos para as vítimas da fome na Etiópia. No festival estavam: BB King, Phil Collins, Dire Straits, Queen, David Bowie, Black Sabbath e U2. A intenção de Geldof era juntar 70.000 libras, no entanto o lucro foi de muitos milhões tendo-se tornado o single mais vendido em toda a história do Reino Unido. Geldof chegou a desafiar Margaret Thatcher, primeira ministra inglesa para que fizesse uma grande reavaliação da política do governo britânico em relação à eliminação da fome no mundo. Em reconhecimento do seu trabalho, Geldof recebeu uma nomeação para o Prêmio Nobel da paz e o título honorário de cavaleiro atribuído pela rainha Isabel II, não tendo o título de Sir, título exclusivo para britânicos, devido à sua condição de irlandês.

ABC of the blues 35: charlie patton & snooky pryor

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charlie pattonCharlie Patton (1891-1934) mais conhecido como Charley Patton é considerado o músico mais importante que os Estados Unidos já produziram no século XX e considerado por muitos como o ‘pai do delta blues’ e por isso uma das figuras mais antigas da música popular dos Estados Unidos. Patton nasceu em Hinds County, Mississipi, mas viveu grande parte de sua vida em Sunflower County, no Delta do Mississipi. Em 1900, entretanto, sua família viajou para a legendária Dockery Plantation, uma fazenda perto de Ruleville, Mississipi. Foi lá que John Lee Hooker e Howlin’ Wolf aprenderam com Patton. Lá também Robert Johnson tocou sua primeira guitarra. Na Dockery, Charlie ficou sob a tutela de Henry Sloan, que tinha um novo e incomum estilo de tocar música o qual hoje seria considerado o blues primitivo. Charlie aprendeu com Sloan, e por volta dos 19 anos ele era um talentoso artista e compositor, tendo escrito ‘Pony Blues’, música que iria ser um ícone de uma era. Ele era extremamente popular no sul dos Estados Unidos, e em contraste dos músicos itinerantes da sua época foi convidado para tocar em plantações e tavernas. Muito antes de Jimi Hendrix impressionar sua platéia com seu modo de tocar guitarra, Patton ganhou notoriedade por ser um showman, frequentemente tocando de joelhos, com a guitarra atrás da cabeça e nas costas. Apesar de ser um homem de pequena estatura, sua voz, carregada de bebida e cigarros, era potente e influenciou um de seus alunos, Howlin’ Wolf. Embora fosse considerado afro-americano, houve rumores de que ele era mexicano, ou possivelmente de sangue cherokee, uma teoria apoiada por Howlin’ Wolf. Na realidade, Patton era uma mistura de brancos, negros e cherokee, por parte de uma de suas avós. Patton se estabeleceu em Holly Ridge, Mississipi com sua esposa e sua parceira de gravações Bertha Lee em 1933 e morreu do coração em 1934. Sua morte não foi relatada nos jornais. Uma lápide foi posta sobre o túmulo em 1990 e foi paga pelo músico John Fogerty. Leia +...

snooky pryorSnooky Pryor (1921-2006) foi gaitista e um dos pioneiros do blues de Chicago do pós-guerra. Nascido em Lambert, Mississippi, James Pryor Edwart aprendeu, contra a vontade de seu pai, a gaita aos 14 anos ouvindo os discos de Sonny Boy Williamson com quem tocou nos fins de semana durante a Segunda Guerra Mundial, e também com o guitarrista Homesick James na Maxwell Street, uma das ruas mais antigas de Chicago. Na década de 30 e 40, quando muitos músicos negros vieram do Sul segregado para Chicago trouxeram com eles a música ao ar livre e começaram a tocar em Maxwell Street, o lugar onde poderiam ser ouvidos pelo maior número de pessoas. E perceberam que precisavam de um padrão mais alto de guitarra e amplificadores a fim de serem ouvidos. Durante várias décadas, o uso destes novos instrumentos, e a interação entre os músicos da cidade já estabelecidos e os recém-chegados do Sul, produziu um novo gênero musical, o eletrificado blues urbano, mais tarde, cunhado de Chicago Blues. A carreira de Snooky Pryor começou realmente em 1945 e gravou seus primeiros sucessos em 1948: ‘Telephone Blues’, que é considerada um clássico do pós-guerra, e ‘Boogie Snooky & Moody’, que é de importância histórica considerável, com o guitarrista Moody Jones, e ‘Blues Stockyard’ e ‘Keep What You Got’ com o cantor e guitarrista Jones Floyd, mas o sucesso comercial nunca se materializou. Snooky Pryor sempre alegou que foi pioneiro no método agora comum de tocar gaita amplificada juntamente com um pequeno microfone nas mãos. Armado com um amplificador primitivo, no final de 1945, ele deslumbrou as pessoas na Maxwell Street com a sua gaita maciçamente amplificada. Durante os 50 anos ele gravou em vários rótulos. Um homem de princípios, que decepcionado com o show business se aposentou na década de 60 e 70, em Illinois. Por um longo tempo, o paradeiro de Snooky Pryor ficou desconhecido. Na década de 80 em turnês européias encontrou o sucesso. E o álbum ‘Blind Pig’ de 1987, produzido pelo guitarrista Steve Freund, anunciou ao mundo que o veterano harpista estava vivo e bem, e a gaita ainda afiada. Pryor se apresentou até a sua morte em 2006.


Tracklist
01. Charley Patton - High Water Everywhere Pt. 1
02. Charley Patton - Hang It on the Wall
03. Charley Patton - Prayer of Death Pt. 1
04. Charley Patton - Sic em Dogs On
05. Charley Patton - Watch and Pray
06. Charley Patton - Snatch and Grab It
07. Charley Patton - M and O Blues
08. Charley Patton - Dark Road Blues
09. Charley Patton - Country Farm Blues
10. Charley Patton - Forty Four
11. Snooky Pryor - Snooky and Moody's Boogie
12. Snooky Pryor - Telephone Blues
13. Snooky Pryor - Boogy Fool
14. Snooky Pryor - Stop the Train, Conductor
15. Snooky Pryor - Walking Boogie
16. Snooky Pryor - Uncle Sam, Don't Take My Man
17. Snooky Pryor - Rough Treatment
18. Snooky Pryor - Stockyard Blues
19. Snooky Pryor - Keep What You Got
20. Snooky Pryor - Let Me Ride Your Mule



ABC of the blues volume 35

parte I    parte II



ABC of the blues 36: professor longhair & junior parker

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professor longhairProfessor Longhair(1918-1980), também conhecido como Roy ‘Bald Head’ Byrd ou como ‘Fess’, foi cantor e como pianista se destacou como o principal expoente do estilo de New Orleans. Absorveu influências do barrelhouse, uma forma primitiva de jazz para piano; as batidas acentuadas do boogie-woogie e ritmos caribenhos como a rumba, mas a maneira como ele junto esses elementos é o que fez o seu estilo ser único. Ele foi saudado como o ‘Picasso do teclado funk’ e ‘o Bach do rock’. Professor Longhair também serviu para influenciar profundamente uma geração de pianistas de Nova Orleans, que vieram depois e interligaram o rhythm & blues ao rock’n’roll. Alguns de seus mais proeminentes herdeiros musicais foram Mac Rebennack, mais conhecido pelo nome artístico de Dr. John, Fats Domino, Huey ‘Piano’ Smith, James Booker e Allen Toussaint. Ele nasceu Henry Roeland Byrd em Bogalusa, Louisiana, e viveu em New Orleans a partir dos dois anos de idade. Quando criança aprendeu a tocar em um velho piano que tinha sido deixado em um beco. E começou a dominar seriamente o instrumento, em 1937, enquanto trabalhava em um acampamento da ‘Civilian Conservation Corps’, um programa governamental para dar trabalho em propriedades rurais do governo federal, estaduais e locais para desempregados e jovens que tinham dificuldade em encontrar emprego durante a grande depressão.

Depois de uma temporada trabalhando durante a Segunda Guerra Mundial, ele retornou a Nova Orleans e começou a tocar em clubes como o ‘Caledônia’, um bar nos arredores do bairro francês, onde o proprietário, Mike Tessitore, concedeu o seu nome artístico. Ele gravou em 1949 e seu primeiro hit foi ‘Bald Head’. Como vocalista, Professor Longhair era um ‘blues shouter’, um gritador de blues, em tradução literal, e como pianista, era uma força única em New Orleans, cidade que celebrou com hinos como ‘Tipitina’, que se transformou no nome de um clube onde Longhair se apresentou até a sua morte em 1980; ‘Mardi Gras in New Orleans’ e ‘Big Chief’, uma canção composta por Earl Rei no início dos anos 60 que se tornou sucesso em Nova Orleans com Longhair e um refrão assoviado e com letra em dialeto crioulo. Longhair permaneceu em New Orleans desde o final dos anos 40 ao início dos anos 60, raramente se aventurando fora de sua própria casa. No entanto, ele não tinha o apelo de Fats Domino com as platéias brancas. Na década de 60 a sua carreira vacilou e ele foi trabalhar como faxineiro para se sustentar, e caiu no vício do jogo. Abandonou a música em 1964 para trabalhar no mercado de seguros de vida. Depois de definhar na obscuridade foi redescoberto e pediu para se apresentar no segundo ‘New Orleans Jazz & Heritage Festival’, em 1971. Seu retorno incluiu excursões pela Europa e álbuns em grandes gravadoras e com uma nova geração que descobriu o seu inimitável estilo ‘mambo-rumba-boogie’. Todo o tempo, nos festivais, ele encerrava os show de cada ano até sua morte em 1980 de um ataque cardíaco enquanto dormia.

junior parkerJunior Parker (1932-1971) foi influente gaitista e cantor de Memphis. Ele é mais lembrado por sua voz única, que tem sido descrita como doce e suave como veludo. Junior Parker, cujo estilo discreto de gaita foi pessoalmente orientado por ninguém menos do que Sonny Boy Williamson, um dos ícones regionais, foi um produto do pós-guerra no fértil circuito de Memphis. Quando criança cantou em grupos de gospel e se apresentou em clubes no início de sua adolescência. Herman Parker Jr., desde o início, viajou apenas nos melhores círculos de blues. Trabalhou com Sonny Boy Williamson antes de ir trabalhar para Howlin’ Wolf, em 1949. Por volta de 1950 era membro, junto com Bland 'Blue' Bobby e BB King, de Street Beale, principal área de entretenimento de Memphis. Em 1951 ele formou sua própria banda, o ‘Blue Flames’, com o guitarrista Auburn 'Pat' Hare. Como tantos outros jovens artistas de blues, Little Junior, como era conhecido na época, teve sua primeira oportunidade de gravação em 1952, através do caçador de talentos Ike Turner, que o contratou para a gravadora ‘Modern Records’ onde gravou a solitária ‘You're My Angel’ que chamou a atenção de Sam Phillips, da 'Sun Records' onde assinaram contrato em 1953. Lá foram produzidas três canções de sucesso: ‘Feelin 'Good’, ‘Love My Baby’ e ‘Mystery Train’, com Floyd Murphy na guitarra. Mais tarde, ‘Mystery Train’ foi gravada por Elvis Presley em cuja versão, Scotty Moore tomou ‘emprestado’ o riff de guitarra de Parker da canção ‘Love My Baby’. Em 1953, Parker excursionou com Bobby Bland e Johnny Ace, e também se juntou à gravadora ‘Duke Records’. Ele continuou a ter uma seqüência de hits na parada. Seu sucesso foi limitado após ter deixado a gravadora ‘Duke’ em 1966. Junior Parker morreu aos 39 anos, durante a cirurgia de um tumor cerebral que tragicamente calou a sua voz.

Junior Parker, Elvis, Bobby Blue Bland


Tracklist
01. Professor Longhair - Go to the Mardi Gras
02. Professor Longhair - In the Night
03. Professor Longhair - Hey Little Girl
04. Professor Longhair - Walk Your Blues Away
05. Professor Longhair - Willie Mae
06. Professor Longhair - Professor Longhair Blues
07. Professor Longhair - Misery
08. Professor Longhair - Looka, No Hair
09. Professor Longhair - Cuttin' Out
10. Professor Longhair - Baby, Let Me Hold Your Hand
11. Junior Parker - Feelin' Good
12. Junior Parker - Mystery Train
13. Junior Parker - Sittin' at the Bar
14. Junior Parker - Sittin' at the Window
15. Junior Parker - Sittin', Drinkin' and Thinkin'
16. Junior Parker - Dirty Friend Blues
17. Junior Parker - Backtracking
18. Junior Parker - I Wanna Ramble
19. Junior Parker - There Better Be No Feet
20. Junior Parker - Fussin' and Fightin' Blues



ABC of the blues volume 36

parte I    parte II



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