ABC of the blues 42: sunnyland slim & johnny shines

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sunnyland slimSunnyland Slim (1907-1995) com seu poderoso e imponente porte físico ostentava o status de o patriarca do piano de Chicago. Amado por todos, resistiu muito tempo depois que a maioria de seus colegas havia perecido. Por mais de 50 anos dedilhou o seu teclado em torno de Windy City, o mais reconhecido apelido de Chicago dentre os vários que existem. Sunnyland Slim tocou em todos os locais possíveis e imagináveis e uma vez ou outra nos estúdios. Ele nasceu Albert Luandrew no Delta do Mississipi. Sua formação musical inicial foi em um órgão e fez de Memphis, Tennessee, a sua base durante os anos 20 tocando com o cantor e pianista de jazz e blues Little Brother Montgomery e a cantora Ma Rainey em Beale Street, uma rua do centro de Memphis que vai do rio Mississippi até East Street. E adotou o seu nome artístico a partir do título de uma de suas canções mais conhecidas, a triste ‘Sunnyland Train’ que imortalizou o poder letal da locomotiva que ia de Memphis a St. Louis, Missouri, e ceifou a vida de inúmeras pessoas que atravessaram os trilhos na hora errada. Em 1942, Sunnyland Slim seguiu a grande migração de trabalhadores do sul para o norte industrial de Chicago e tocou com o gaitista John Lee, o primeiro Sonny Boy Williamson, antes de gravar para a RCA Victor em 1947 com o apelido ‘Doctor Clayton Buddy’. O blues elétrico estava tomando forma, e ao longo dos anos Sunnyland Slim tocou com músicos como Muddy Waters, Howlin' Wolf, Robert Lockwood, Jr. e Little Walter. E gravou o angustiante ‘Johnson Machine Gun’ para a ‘Aristocrat Records’, que mais tarde foi comprada pelos irmãos Chess. Se não fosse pela ajuda de Sunnyland, Muddy Waters não teria encontrado o seu caminho para a ‘Chess Records’.

Entre 1948 e 1956, gravou para vários rótulos além de participar de sessões de outros artistas durante o mesmo período. Em 1960, viajou para Englewood Cliffs, New Jersey, para gravar com o saxofonista King Curtis, o álbum ‘Slim's Shout’, considerado um dos melhores da sua carreira, com as clássicas ‘The Devil Is a Busy Man’, ‘Shake It’, ‘Brownskin Woman’ e ‘It's You Baby’. Sua voz era potente e ele cantou em um estilo declamatório. Como uma árvore de raízes profundas, Sunnyland Slim perseverou através das décadas. Por um tempo, ele dirigiu seu próprio selo, ‘Airway Records’. No final de 1985, por 12 anos se apresentou no clube ‘B.L.U.E.S’ com a sua banda que contava com o guitarrista Steve Freund, que ajudava nos vocais, e o baterista Robert Covington. Neste mesmo ano, com o mesmo elenco, gravou o álbum ‘Chicago Jump’. Houve momentos em que o pianista ficou gravemente doente, mas ele sempre desafiou a morte e retornava à ação, com sua gargalhada e iniciando mais um exultante e lento blues como sempre tinha feito. Finalmente, após uma queda devido a um escorregão no gelo quando voltava de um show para casa o levaram a inúmeras complicações. Sunnyland Slim finalmente morreu de insuficiência renal em 1995, com 88 anos.

johnny shinesJohnny Shines (1915-1992), no início da carreira, era mais conhecido como companheiro de viagem de Robert Johnson. As suas próprias contribuições para o blues eram injustamente negligenciadas, simplesmente pelo motivo de viver à ‘sombra’ de Johnson. Em seus primeiros dias, Shine foi um guitarrista slide do Delta blues, com seu próprio estilo distinto que pode ter tido a influência de Johnson, mas nunca foi uma imitação. Quando finalmente tomou o caminho para o norte de Chicago, fez, com facilidade, a transição para o blues urbano eletrificado ajudado em parte pelo seu forte vocal apaixonante. Mesmo ao deixar a música por um tempo, foi redescoberto no final dos anos 60 e gravou e excursionou constantemente por algum tempo. Um acidente vascular cerebral em 1980 roubou-lhe parte de sua destreza na guitarra, mas sua voz continuou a ser um instrumento forte, e atuou até sua morte em 1992. John Ned Shines nasceu em Frayser, Tennessee, e cresceu em Memphis. Aprendeu a tocar guitarra com sua mãe, e tocou pelas ruas de Memphis com vários amigos, inspirado por Charley Patton, Blind Lemon Jefferson, Lonnie Johnson, e o jovem Howlin' Wolf.

Em 1932, mudou-se para Hughes, Arkansas, para trabalhar como meeiro, mantendo a sua atividade musical de lado. Em 1935, decidiu ser um músico profissional e teve seu primeiro encontro com Robert Johnson em Memphis e passou a acompanhá-lo em suas andanças pelo sul e norte até chegarem a Windsor, Ontário, onde apareceram em um programa de rádio. Após três anos na estrada juntos seguiram caminhos separados em 1937, um ano antes da morte de Johnson. Shines continuou a se apresentar pelo Sul por alguns anos, e em 1941 decidiu fazer o seu caminho para o norte, na esperança de encontrar trabalho no Canadá, e de lá pegar um barco para a África. Em vez disso, quando parou em Chicago, seu primo lhe ofereceu um emprego na construção civil, e acabou ficando e se apresentando em clubes de blues. Em 1946 foram feitas as suas primeiras gravações, quatro faixas que a Columbia não quis liberar. Em 1950 ressurgiu pela Chess enquanto apoiava outros cantores em shows e gravações. De 1952 a 1953, se estabeleceu na gravadora ‘J.O.B Records’, onde gravou suas melhores obras com a parceria de Big Walter Horton na gaita. Subestimados comercialmente, Shines voltou ao seu papel de apoio. Em 1958, farto da união de músicos na disputa financeira abandonou a música, penhorou todo o seu equipamento, e continuou apenas com o trabalho na construção civil que tinha mantido durante todo o tempo.

Johnny Shines, no entanto, ficou ligado à cena do blues local, como fotógrafo em eventos ao vivo, e vendia as fotos como lembranças. Procurado por historiadores de blues, gravou para a série ‘Chicago/The Blues/Today!’ pela ‘Vanguard Records’ onde apareceu no terceiro volume, reacendendo assim a sua carreira. Gravou novamente com Big Walter Horton e depois com Willie Dixon, entretanto, sua filha faleceu inesperadamente, deixando para Shines a responsabilidade de cuidar dos netos; preocupado em criá-los em um ambiente urbano, ele mudou com toda a família para Tuscaloosa, Alabama. Em 1975, gravou um dos seus lançamentos mais aclamados, ‘Too Wet to Plow’, enquanto dava aulas de violão. Apesar da alta qualidade do seu próprio trabalho, Shines era uma figura fascinante para muitos fãs de blues simplesmente pela parceria com Robert Johnson e, várias vezes, em entrevistas, perguntava-se sobre essa sua experiência, excluindo-se a discussão sobre a sua carreira e sua música, que, compreensivelmente, o frustravam. No entanto, isso não o impediu de redescobrir suas raízes no delta blues. Infelizmente, em 1980, Johnny Shines sofreu um derrame que afetou muito sua maneira de tocar violão, que nunca mais voltaria à sua antiga glória. Entretanto, ele era capaz de cantar de forma tão eficaz como antes, e ajudado por alguns de seus alunos continuou em turnê pela América e Europa. No início dos anos 90, apareceu em um documentário sobre Robert Johnson, e gravou um último álbum, o premiado ‘Back to the Country’, com o gaitista Snooky Pryor. Johnny Shines faleceu em 1992, em um hospital de Tuscaloosa.


Tracklist
01. Sunnyland Slim - Mud Kicking Woman
02. Sunnyland Slim - Brown Skin Woman
03. Sunnyland Slim - I'm Just a Lonesome Man
04. Sunnyland Slim - Back to Korea Now
05. Sunnyland Slim - You've Got to Stop This Mess
06. Sunnyland Slim - Sunnyland Special
07. Sunnyland Slim - Leaving Your Town
08. Sunnyland Slim - I Done You Wrong
09. Sunnyland Slim - Orphan Boy Blues
10. Sunnyland Slim - When I Was Young (Shake It Baby)
11. Sunnyland Slim - Hit the Road Again
12. Johnny Shines - Ramblin'
13. Johnny Shines - Fishtail
14. Johnny Shines - Cool Drive
15. Johnny Shines - Ain't Doin' No Good
16. Johnny Shines - Evening Shuffle
17. Johnny Shines - Evening Sun
18. Johnny Shines - No Name Blues
19. Johnny Shines - Brutal Hearted Woman
20. Johnny Shines - Gonna Call the Angel



ABC of the blues volume 42

parte I    parte II



4 comentários:

Borboletas de Jade disse...

"Tem gente que pensa que se voce é um cantor de Blues, voce tem de ser um cara sentado num banquinho olhando para o Norte, com um boné na cabeça virado para o Sul, um cigarro pendurando no canto da boca para o Leste e uma garrafa de uísque aos seus pés para o Oeste. Sua guitarra tem de ser velha e caindo aos pedaços. Se voce toca contrabaixo, ele tem de ser feito com uma vassoura e uma banheira de lata. Mas isto não funciona mais.Se o Blues ficasse só nisso, já teria morrido. Se voce é um músico de Blues, tem de preparar uma boa embalagem para vender. Alguns puristas partiram contra mim, dizendo que me vendi. Eu não, estou apenas sobrevivendo."
B.B. King - 1979

Edison Junior disse...

Oba!

mara* disse...

Mais uma magnífica frase para a coleção. Obrigada Mr. B.

mara* disse...

Tem muito mais Junior...beijão.

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