cecilia bartoli

cecilia bartoliNo cenário da ópera, são poucas as vozes verdadeiramente reconhecíveis. Luciano Pavarotti era uma delas. Cecilia Bartoli é outra. A mezzo-soprano italiana é a grande cantora rossiniana e mozartiana do momento. O seu admirável virtuosismo triunfou também na ópera barroca, sobretudo em Vivaldi e Haendel. A sua interpretação de ‘La Cenerentola’ de Rossini é considerada como um dos clássicos modernos da ópera. Ao longo de mais de duas décadas, Cecília permaneceu como uma referência da música erudita. Por todo o mundo, os seus novos desempenhos, os seus programas de concerto e suas gravações, exclusivas da editora Decca, são aguardados com expectativas. Depois de lançados são excepcionais os números de vendidos, numerosos são os discos de ouro e também são numerosas as premiações: quatro Grammys (EUA), sete Echos e um Bambi (Alemanha), dois Classical Brit Awards (Reino Unidio), Victoire de la Musique (França) e muitos outros. Cecília aproxima a música erudita do grande público e contribui para a redescoberta de compositores negligenciados e repertório esquecido.

Maestros como Herbert von Karajan, Daniel Barenboim e Nikolaus Harnoncourt notaram o grande talento de Cecília assim que ela concluiu os estudos de canto com os pais em Roma, sua cidade natal. Desde então, Cecília tem trabalhado com grandes maestros, pianistas e orquestras de instrumentos de época e canta nas principais salas de concerto da Europa, dos EUA e do Japão e nos mais prestigiados palcos de ópera e festivais. Para além do reconhecimento popular e da crítica, Cecília coleciona inúmeras distinções institucionais, tais como o grau de ‘Cavalieri’, atribuído pelo governo italiano ou o título de ‘Chevalier des Arts et des Lettres’, pelo governo francês. E foi nomeada ‘accademico effettivo’ da ‘Academia de Santa Cecília’ de Roma e membro honorário da ‘Royal Academy of Music’ de Londres.

    

Nascida em 1966, Cecilia Bartoli herdou dos pais, Silvana Bazzonni e Angelo Bartoli, intérpretes líricos, o interesse pelo bel canto. E os estudos no Conservatório de Santa Cecilia fizeram dela uma das vozes mais expressivas e poderosas. Mais do que isso, o repertório é escolhido através de sua incansável pesquisa e os projetos orientados por um tema. Ela transforma cada CD em projeto de marketing. Por isso é o maior best-seller de discos clássicos do planeta. Em ‘Maria’, um tributo à célebre soprano Maria Malibran, além de gravar as suas árias montou um trailer que percorreu a Europa e deixou-se fotografar com roupas e adereços da lendária cantora. Transformou ‘Sacrificium’, CD dedicado aos ‘castrati’, em algo atualíssimo. Nele, ela gravou, pela primeira vez, 11 árias de compositores italianos desconhecidos. São árias mais complexas e difíceis para a voz feminina. Tinha tudo para dar errado. Mas Cecília, nas entrevistas enfatizava sempre a atualidade do sofrimento dos 'castrati'. Nápoles era uma fábrica de ‘castratis’, castrava anualmente 4 mil crianças e fornecia andróginos sopranos e contraltos para as cortes de toda a Europa. E Cecília Bartoli foi capaz de enfrentar este repertório impossível de ser cantado por uma mulher. Um mês antes do lançamento, ‘Sacrificium’ já era um dos dez mais vendidos do site Amazon. Cecilia Bartoli é uma artista genial capaz de produzir música de altíssima qualidade.

cecilia bartoli - usignolo sventurato


Em ‘Maria’, Cecília Bartoli evoca Maria Malibran, uma das maiores cantoras da história. Tendo falecido com apenas 28 anos por consequências de uma queda de cavalo, e não deixando nenhum registro sonoro tornou-se um mito e seu nome resisti ao passar dos séculos. É um daqueles seres que a humanidade não se resigna a esquecer, como se expressou o escritor e poeta Jorge Luis Borges em uma nota musical. Era considerada também uma atriz particularmente convincente e emocionante nos palcos e dona de uma personalidade magnética que atraía a platéia onde cantasse. Sobre sua atuação no palco e presença, a novelista George Sand disse após vê-la: ‘Ela me fez chorar, estremecer - em uma palavra, sofrer -, como se eu tivesse testemunhado uma cena da vida real. Essa mulher é o principal gênio da Europa, tão bonita quanto uma das Virgens de Rafael, simples, vigorosa e sem afetações’. O mito em torno de Maria Malibran também deriva de seus múltiplos talentos e grande energia, além da sua personalidade intrigante e forte, beleza e comportamento incomum para a época, o que aumentou a sua aura de lenda da ópera.

maria malibranMaria Malibran, nascida María Felicia García Sitches foi uma cantora lírica (mezzosoprano) francesa, mas de ascendência espanhola, que se tornou a diva mais famosa, ainda atualmente, da primeira metade do século XIX e pertencia à talentosa família musical dos García, da qual fez parte a também célebre cantora, e sua irmã, Pauline Viardot-García. Maria Malibran cantou uma protagonista de ópera pela primeira vez aos 17 anos, em 1825, em Londres, como Rosina de ‘O Barbeiro de Sevilha’, substituindo outra célebre cantora da época, Giuditta Pasta. Durante sua curta carreira, cantou e se radicou freqüentemente na Inglaterra. Apesar dos vários elogios de compositores e artistas da época, alguns a acusavam de não ter classe e refinamento e de tentar agradar às massas que não têm gosto artístico nenhum.

Em 2007, a mezzosoprano italiana Cecilia Bartoli lançou o álbum intitulado 'Maria', em homenagem à também mezzosoprano franco-espanhola, iniciando também uma turnê em vários locais do mundo acompanhada de um museu móvel com pertences de Maria Malibran e informações sobre ela, o que atraiu nova atenção para essa legendária diva. Em ‘Maria’ encontram-se algumas das peças interpretadas durante o período de 1825 a 1936 por Maria Malibran em Londres, casos de ‘La Sonnambula’ de Bellinni, ‘Air à La Tirolienne avec Variations’ de Hummel, uma versão de ‘Infelice’ de Mendelssohn ou, ainda, ‘La Figlia Dell'aria’, de El Poeta Calculista, apelido do famosíssimo tenor e professor Manuel Garcia, pai de Maria Malibran, conhecido pela dureza com que comandou o aprendizado de canto da filha. Maria Malibran é recordada por Cecilia Bartoli, acompanhada pela Orchestra La Scintilla, dirigida por Adam Fisher.

cecilia bartoli - maria (2006)

Maria (2006)

Tracklist
01. Irene: Se un mio desir...Cedi al duol
02. Irene: Ira del ciel
03. Ines de Castro: Cari Giorni
04. Infelice, Op. 94
05. El poeta calculista: Yo que soy contrabandista
06. La sonnambula: Ah! Non credea mirarti
07. La sonnambula: Ah! Non giunge
08. Air à la tirolienne, Op. 118
09. La figlia dell'aria: E non lo vedo...Son Regina
10. Rataplan
11. Tancredi: Dopo tante e tante pene
12. I Puritani: O Rendetemi la speme...Qui la voce
13. I Puritani: Vien, diletto
14. L'éclair: Come dolce a me favelli
15. Amelia: Scorrete, o lagrime
16. L'elisir d'amore: Prendi, per me sei libero
17. Norma: Casta diva

‘Opera Proibita’ é um projeto que traz canções religiosas proibidas para mulheres. Cecilia Bartoli cantando repertório pouco conhecido da época barroca faz-se acompanhar por uma orquestra de câmara que utiliza instrumentos de época, ‘Les Musiciens du Louvre’ de Grenoble, fundada em 1982 pelo fagotista e temível maestro Marc Minkowski e considerada como uma das melhores da música barroca e clássica na França. Em ‘Opera Proibita’, Cecília incluiu árias de Alessandro Scarlatti, Antonio Caldara e George Frideric Händel, do século XVIII, época em que a Santa Sé proibiu qualquer representação de óperas em Roma devido à sua suposta promoção de comportamento lascivo e libidinoso na sociedade italiana. Contudo, esse gênero era apresentado em salões para a audiência de príncipes e cardeais, sob a forma de oratórios, uma grande composição musical, que como na ópera, incluía orquestra, coro e solistas, mas sem qualquer interação entre os personagens, e sem adereços e trajes. Os oratórios tornaram-se populares e a principal escolha para o público da ópera. Outra característica desta época era a proibição, também pela Santa Sé, das mulheres atuarem em palco, sendo substituídas pelos ‘castrati’.

cecilia bartoli em opera proibita

Cecilia Bartoli Cecilia Bartoli acompanhada por ‘Les Musiciens du Louvre’

Foi esse período, de truculência religiosa na sua cidade natal, que Cecília enaltece neste disco. As árias são estupendas como em ‘Un Pensiero Nemico di Pace’, escrita por um jovem Händel, então com dezenove anos de idade, ‘All’arme Sì Accesi Guerrieri’, de Alessandro Scarlatti, considerado o pai da escola napolitana de ópera, ou ‘Sì Piangete Pupille Dolenti’, de Antonio Caldara, compositor de óperas, cantatas e oratórios, e importante influência, raramente reconhecida, em Haydn e Mozart. O ponto de ‘Opera Proibita’ é a paixão, a paixão reprimida pela proibição da performance teatral em Roma. E os compositores eram obrigados a encontrar nos oratórios a intensidade operática e a música soa mais secular do que sagrada. Embora Cecília não seja considerada uma especialista, em ‘Opera Proibita’ ela encontrou um lugar como intérprete da música antiga. Com uma mistura de piedade e drama sua voz interage com os oboés em sintonia. Ouvir ‘Opera Proibita’ é imensamente gratificante para qualquer ouvinte que aprecia a voz humana como instrumento.

cecilia bartoli - opera proibita (2005)

Opera Proibita (2005)

Tracklist
01. Alessandro Scarlatti - All’arme si accesi guerrieri
02. Alessandro Scarlatti - Mentre io godo
03. Georg Friedrich Haendel - Un pensiero nemico di pace
04. Antonio Caldara - Vanne pentita a piangere
05. Antonio Caldara - Sparga il senso lascivo veleno
06. Alessandro Scarlatti - Caldo Sangue
07. Georg Friedrich Haendel - Come nembo che fugge col vento
08. Alessandro Scarlatti - Ecco negl’orti tuoi...Che dolce simpatia
09. Alessandro Scarlatti - Qui resta...L’alta Roma
10. Georg Friedrich Haendel - Lascia la spina cogli la rosa
11. Alessandro Scarlatti – Ahi! qual cordoglio...Doppio affetto
12. Antonio Caldara - Si piangete pupille dolente
13. Antonio Caldara - Ahi quanto cieco...Come foco allo splendore
14. Georg Friedrich Haendel - Disserratevi oh porte d’Averno
15. Georg Friedrich Haendel - Notte funesta...Ferma l’ali

‘Sacrificium’ é um disco dedicado ao repertório dos ‘castrati’, cantores que sofriam mutilação para que sua voz se conservasse aguda. Os ‘castrati’ representam um episódio lamentável da história da música e mais uma da Igreja. A palavra designa os cantores que, na infância, tinham os testículos removidos. Para que? Para que não ocorressem as mudanças hormonais que tornam a voz grossa. Por quê? Os ‘castrati’ eram destinados aos corais das igrejas católicas devido às interdições religiosas que impediam as mulheres de cantar. O auge dessa prática ignóbil se deu na Itália, na segunda metade do século XVIII. Nas óperas, os ‘castrati’ desempenhavam tanto personagens masculinos quanto femininos. Os notáveis da música barroca valeram-se desses cantores. Nicola Porpora (1686-1768), professor de Haydn, um dos mais importantes compositores do período clássico, foi instrutor de ‘castrati’, dono de uma fábrica de máquinas cantantes. O alemão George Handel (1685-1759) escreveu o papel-título de sua ópera Giulio Cesare para o castrato Senesino. Em 1870, a igreja católica proibiu a castração para fins artísticos, e oito anos depois o papa Leão XIII baniu os ‘castrati’ dos coros das igrejas, embora Alessandro Moreschi, tido como o último castrato, tenha permanecido no coro da Capela Sistina até 1913.

O repertório desses cantores de potência única foi revisado por uma mulher, Cecilia Bartoli. ‘Sacrificium’ é inteiramente dedicado aos ‘castrati’. Uma história estarrecedora. Boa parte dos castrati é originária de Nápoles, no sul da Itália, e segundo estimativas, nesse tempo, mutilavam-se 4.000 meninos por ano. Os meninos vinham da rua ou de famílias muito pobres e eram enviados para conservatórios mantidos pela Igreja, nos quais tinham aulas de canto, música e literatura. O mais famoso entre os castrati foi Carlo Broschi (1705-1782), também conhecido como Farinelli (leia mais...). Aluno de Porpora, cantou para monarcas como Luís XV, da França, e Felipe V, da Espanha. O rei espanhol, aliás, recorreu aos serviços de Farinelli para tratar sua depressão crônica. O castrato cantou para Felipe todas as noites, durante dez anos. Mas foram poucos os que chegaram às cortes. Um cantor competente poderia arranjar emprego nos corais de igreja e nas casas de ópera da Europa. Muitos, porém, não vingavam na carreira musical e acabavam ganhando a vida na prostituição. Exagero ou não, a cantora vê alguns paralelos desse tipo de sacrifício no século XX. Compara a mutilação dos ‘castrati’ às fábricas atuais de modelos anoréxicas e também lembra Michael Jackson, uma vítima de si mesmo. Mutilou a sua pele, e com todas as plásticas desfigurou o seu rosto.

cecilia bartoli na ópera sacrificium

Cecilia Bartoli acompanhada pelo grupo ‘Il Giardino Armonico’ em ‘Sacrificium’

A voz de um castrato combinava versatilidade e potência e os compositores do período exploraram essas possibilidades em peças que apresentam dificuldades para uma cantora. Cecilia sabe das suas limitações, sabe que não tem uma grande voz, mas uma voz maravilhosa, que usa com sabedoria. Jamais cantaria uma ópera de Wagner, porque sabe que não tem tanto alcance, ela mesma reconhece. No entanto, é perfeita nos desafios do repertório dos ‘castrati’, como se pode constatar nas árias ‘Cadrò, Ma Qual Si Mira’, de Francesco Araia, ou ‘Usignolo Sventurato’, de Porpora, na qual ela imita o canto de um rouxinol. O projeto ‘Sacrificium’ nasceu durante as gravações de um dos últimos discos da cantora, ‘Opera Proibita’, que trazia canções religiosas proibidas para mulheres. Cecilia resolveu pesquisar a vida dos jovens castrados que interpretavam essas peças. Segundo a meio-soprano, foi chocante saber do sofrimento desses meninos e encontrar forças para interpretar essas canções. A edição de luxo de ‘Sacrificium’ vem acompanhada de um CD-bônus e de um livro com a biografia dos principais ‘castrati’. Quando lançado pela gravadora Decca nos Estados Unidos e na Europa, ‘Sacrificium’ teve milhares de cópias vendidas. Um êxito inimaginável para os pobres mutilados do século XVIII. (fonte: Revista Veja)

cecilia bartoli - sacrificium (2009)

Sacrificium (2009)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Come nave in mezzo all'onde [Siface] from Act II of Siface
02. Profezie, di me diceste [Sedecia] from Sedecia
03. Cadrò, ma qual si mira [Demetrio] from Berenice
04. Parto, ti lascio, o cara [Arminio] from Act II of Germanico in Germania
05. Usignolo sventurato [Siface] from Act II of Siface
06. Misero pargoletto [Timante] from Act III of Demofoonte
07. In braccio a mille furie [Mirteo] from Act III of Semiramide riconosciuta
08. Qual farfalla [Decio] from Act II of Zenobia in Palmira
09. Nobil onda [Adelaide] from Adelaide
10. Deh, tu bel Dio d'amore...Ov`è il mio bene? [Farnaspe] from Act II of Adriano in Siria
11. Chi temea Giove regnant [Berenice] from Farnac
12. Quel buon pastor son io [Abel] from Act I of La Morte d'Abel

Tracklist CD 2
01. Son qual nave [Arbace] from Act III of Artaserse (Pasticcio)
02. Ombra mai fu [Serse] from Act I of Serse
03. Sposa, non mi conosci [Epitide] from Act III of Merope

carol kaye

carol kayeMesmo que você nunca tenha ouvido falar de Carol Kaye, provavelmente, ouviu o trabalho desta veterana baixista e guitarrista em inúmeras gravações, incluindo muitos hits pops como: ‘Good Vibrations’ (Beach Boys); ‘You Lost That Lovin’ Feelin’ e ‘Soul and Inspiration’ (The Righteous Brothers); ‘The Beat Goes On’ e ‘I Got You Babe’ (Sonny e Cher); ‘Feelin’ Alright’ (Joe Cocker); ‘Scarborough Fair/Canticle’ (Simon and Garfunkel) e o tema do seriado ‘Mission Impossible’ para TV. E era a única mulher instrumentista de estúdio trabalhando com um lendário grupo de músicos de Los Angeles como os bateristas Earl Palmer e Hal Blaine, e os guitarristas Tommy Tedesco e Barney Kessel.

Considerada a primeira-dama do baixo, no entanto, ela ainda é praticamente desconhecida. Carol Kaye começou como guitarrista em uma carreira de sucesso que inclui participações em trilhas sonoras gravadas para televisão, cinema e publicidade, bem como mais de 10.000 gravações de estúdio. A partir de 1969, Kaye escreveu e publicou muitos livros e tutoriais, e vídeos com instruções de como tocar o baixo. Também ensinou muitos baixistas, hoje bem conhecidos. Carol Kaye, nasceu em 1935, em Everett, Washington, em uma família pobre. Seis anos mais tarde a família se mudou para a Califórnia. Aos 13 anos, Kaye teve aulas de violão por três meses com Horace Hatchett e em um ano, em 1949, ela estava ensinando. Aos 14, era guitarrista de jazz profissional e fazia o circuito de clubes de jazz.

Com 20 anos de idade estava tocando jazz com as big bands. Fortemente influenciada pelos pais Clyde e Dot Smith, as outras influências incluem Ray Charles, Charlie Christian, Duke Ellington, Miles Davis, Hampton Hawes, Ralph Pena, Howard Roberts, Artie Shaw, Horace Silver e Sonny Stitt. Entre 1956 e 1963 fez parte de grupos de jazz mais populares de Los Angeles. Em 1957 conheceu Bumps Blackwell, que era o gerente de Little Richard e produtor de Sam Cooke com quem gravou. Em 1963, quando um baixista não apareceu para uma gravação na ‘Capitol Records’, Carol entrou em cena e iniciou sua carreira como baixista criando um som totalmente novo usando palheta.

carol kaye    carol kaye

Carol Kaye durante a era do bebop em 1955 e no estúdio em 1974

Após a sua iniciação acidental no baixo elétrico, rapidamente se tornou a mais popular, posição que manteve durante a década de 60. Ela tocou com Ritchie Valens em ‘La Bamba’, em várias faixas de Simon & Garfunkel e entre seus trabalhos mais citados está o álbum ‘Pet Sounds’ da banda californiana ‘Beach Boys’. E trabalhou com a maioria dos principais produtores e diretores musicais de Los Angeles naquela época, inclusive Quincy Jones, Michel Legrand, Elmer Bernstein e Lalo Schifrin. Tocou baixo em várias faixas do grupo de pop rock ‘The Monkees’ e na trilha sonora para um jovem Steven Spielberg. Com Frank Zappa tocou violão de 12 cordas no inovador álbum ‘Freak Out!’ e tocou em algumas músicas para o álbum seguinte, mas recusou-se a continuar, devido a algumas letras que considerou ofensivas.

A vida como performer de estúdio de gravação era tudo menos glamoroso. O ritmo era frenético e apesar da camaradagem entre os músicos, a competição era acirrada. A única coisa que importava era conseguir o cheque. Naquela época, os músicos não eram reconhecidos. Durante o tempo em que Kaye trabalhou como artista de gravação de estúdio nos anos 60 e início dos anos 70 havia cerca de 17.000 outros músicos fazendo um trabalho semelhante. E todos eram artistas independentes. Brancos e negros que trabalhavam em conjunto com uma loira no baixo no momento em que ocorriam os distúrbios raciais. Vários destes artistas, que estiveram por trás de discos de sucesso, morreram sem serem conhecidos pelo público. Carol Kaye se afastou do trabalho em estúdio durante os anos 70 por causa da artrite. Mais tarde, tornou-se ativa novamente como intérprete de jazz ao vivo e professora de baixo e guitarra, dando seminários e entrevistas.

picking up on the e-string (1974)

Picking up on the E-string (1974)


Personnel: Carol Kaye (bass fender); Ray Brown (bass double); Earl Palmer (drums tracks: 2, 4, 8), John Guerin (drums tracks: 1, 3, 5), Paul Humphrey (drums tracks: 6, 7); Joe Sample (electric piano tracks: 1, 3, 5); Howard Roberts (guitar tracks: 1, 3, 5), Joe Pass (guitar tracks: 2, 4, 6 e 8); Joe Sample (piano tracks: 2, 4, 8); Tom Scott (saxophone, flute tracks: 2, 4, 8); J.J. Johnson (trombone tracks: 2, 4, 8); Conte Condoli (trumpet tracks: 2, 4, 8)
Tracklist: 01. Bass Catch 02. Burning Spear 03. Greenapple Quickstep 04. Better Days 05. Moke & Poke Stomp 06. Boogaloo 07. Slick Cat 08. Free Sample

carol kaye - slick cat



ABC of the blues 43: big mama thornton & rosetta tharpe

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big mama thorntonWillie Mae Thornton (1926-1984) percorreu o sul dos EUA na década de 40, então se estabeleceu no Texas. Ela escreveu e cantou canções de blues, tocava gaita e aprendeu sozinha a tocar bateria. Em 1953 ela gravou o hit ‘Hound Dog’, que mais tarde tornou-se ainda mais famoso com Elvis Presley. Na década de 60 mudou-se para a Califórnia e continuou a se apresentar na América e na Europa. Em 1984 foi introduzida no 'Blues Hall of Fame’. Willie Mae Thornton, conhecida popularmente como Big Mama por causa de seu corpanzil, não era apenas uma cantora e compositora de sucesso em seu próprio tempo, mas também influenciou artistas posteriores, como Elvis Presley e Janis Joplin. Ela mesma foi influenciada por cantoras famosas dos anos 20 e 30. Ela não recebeu nenhum treinamento formal, tanto para voz quanto para os instrumentos que ela tocou, foi capaz de aprender ouvindo os outros tocarem. Leia mais...

sister rosetta tharpeSister Rosetta Tharpe (1915-1973) foi pioneira da música gospel americana com uma longa lista de gravações no gênero. Ela foi a primeira artista gospel a alcançar popularidade. Uma cantora e guitarrista cuja poderosa e única musicalidade e carismática presença de palco inspirou músicos contemporâneos, religiosos ou não. Aclamada entre os maiores cantores gospel de sua geração como uma extravagante artista, cuja música muitas vezes flertou com o blues e o swing, ela também foi um dos talentos mais controversos de sua época, chocando os puristas ao tocar em casas noturnas e teatros, um processo pioneiro na ascensão do pop-gospel. Nascida Rosetta Nubin era filha de um missionário e de Katie Bell Nubin, chamada como ‘Mãe Bell’, que viajavam para a Igreja ‘Deus em Cristo’. Katie cantava e tocava bandolim, e sua filha, muitas vezes a acompanhava. Rosetta era um prodígio da guitarra e começou a tocar publicamente com seis anos de idade, e era conhecida como ‘Little Sister Nubin’. A família se mudou para Chicago em 1920 e fez várias turnês entre 1923 e 1934, como parte do grupo itinerante do Reverendo F.W. McGee. Além de contar com a influência formidável da sua mãe, Rosetta foi profundamente influenciada por outro músico do grupo: Arizona Dranes, um pianista cego, que foi bem conhecido por suas apresentações.

Na década de 30, foi para o Harlem, filiando-se a outra igreja e se casou com o pastor Thomas J. Thorpe, que supostamente não pode aceitar o desejo de Rosetta continuar a cantar fora da Igreja e o casamento não durou muito. Ela manteve o seu nome, mas mudou a sua ortografia para ‘Tharpe’. Rosetta assinou com a gravadora ‘Decca’ em 1938, e seus primeiros registros, incluindo ‘Rock Me’ e ‘This Train’ foram sucessos instantâneos o que a levou a apresentar-se nos lendários Cotton Club e Carnegie Hall de New York. Apesar de sua formação em música religiosa, que claramente a induzia a cantar apenas para o Senhor e não para o mundo, Rosetta Tharpe também abraçou a música ‘mundana’ e cantou em clubes e teatros, cantou os perigos da transmissão das doenças venéreas e inventou o evangelho pop. Ela também foi extremamente corajosa como Bessie Smith e Billie Holiday, mulheres que também tiveram de enfrentar a desaprovação social pelas escolhas musicais e para o seu desenvolvimento social. Rosetta Tharpe vestia-se como uma animadora de uma evangelização missionária, tingia os cabelos ou usava perucas vivas e enfeites em seus vestidos que lembravam prostíbulos e botecos. Sister Rosetta Tharpe foi a primeira cantora a fazer do evangelho um teatro.

Os anos 40 foram considerados a ‘era de ouro’ para o evangelho. E a popularidade de Rosetta foi tal que durante a Segunda Guerra Mundial, ela e o ‘Golden Gate Quartet’ foram os únicos do black gospel a gravarem e seus discos enviados para os soldados americanos no exterior. E formou uma parceria com Samuel ‘Sammy’ Price, pianista e arranjador, com quem trabalhou até 1951. E também se casou com Forrest Allen, um agente do evangelho. E continou com a sua carreira eclética por 25 anos, tocando para platéias brancas e negras, estritamente segregados, com os brancos de um lado e os negros do outro, e com o xerife na porta da Igreja para garantir a paz e a ordem e reprimir um possível motim. Rosetta Tharpe casou-se pela terceira vez, com Russell Morrison, empresário do grupo vocal ‘The Ink Spots’, em uma cerimônia elaborada, onde os hóspedes pagaram para participar, e o evento contou com um show gospel que foi gravado e lançado em disco. E ela embarcou para uma extensa turnê durante os anos seguintes e foi a primeira artista gospel a se apresentar pela Europa. No início de 1950 decidiu gravar várias faixas de blues, fato que indignou os fãs do evangelho e a sua credibilidade e popularidade foram seriamente danificados. Para os puristas foi uma afronta pessoal. Não só as vendas caíram como também seus compromissos ao vivo tornaram-se escassos. Ao mesmo tempo, deixou uma profunda impressão em jovens músicos, de diversos estilos e gêneros musicais, tais como: Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Sleepy LaBeef, e BB King. A situação só melhorou em 1960, e Rosetta apareceu em um concerto no lendário Teatro Apollo e no prestigiado Newport Folk Festival em 1967.

Apesar desta aparente calmaria, os últimos anos de vida de Rosetta Tharpe foram pessoalmente difíceis. Sua mãe morreu em 1969 enquanto estava em turnê pela Europa. Em 1970 sofreu um derrame, mas continuou a turnê. Complicações resultaram na amputação de uma perna, mas ela continuou em turnê. Em 1972, morreu Mahalia Jackson, outra lenda do evangelho e sua amiga pessoal. Em seguida teve outro derrame pouco antes de uma sessão de gravação e faleceu em 1973, na Filadélfia, Pensilvânia. A partir do final dos anos 90, houve uma retomada do interesse por Rosetta Tharpe e sua música. Ela foi citada por músicos de blues contemporâneo, em especial por Maria Muldaur, como uma influência considerável. E as gravadoras aproveitaram esse interesse, provocando uma onda de relançamentos e gravações de tributo, como ‘Shout, Sister, Shout’ produzido por Muldaur.


Tracklist
01. Big Mama Thornton - Partnership Blues
02. Big Mama Thornton - I'm All Fed Up
03. Big Mama Thornton - Let Your Tears Fall Baby
04. Big Mama Thornton - They Call Me Big Mama
05. Big Mama Thornton - Hound Dog
06. Big Mama Thornton - Walking Blues
07. Big Mama Thornton - I've Searched the World Over
08. Big Mama Thornton - I Smell a Rat
09. Big Mama Thornton - Nightmare
10. Big Mama Thornton - I Ain't No Fool Neither
11. Sister Rosetta Tharpe - Let That Liar Alone
12. Sister Rosetta Tharpe - Sit Down
13. Sister Rosetta Tharpe - What's the News
14. Sister Rosetta Tharpe - Singin' in My Soul
15. Sister Rosetta Tharpe - The Natural Facts
16. Sister Rosetta Tharpe - Two Little Fishes and Five Loaves
17. Sister Rosetta Tharpe - Nobody's Fault but Mine
18. Sister Rosetta Tharpe - Nobody Knows, Nobody Cares
19. Sister Rosetta Tharpe - All Over This World
20. Sister Rosetta Tharpe - Four or Five Times



ABC of the blues volume 43

parte I    parte II



ABC of the blues 44: sonny terry & eddie taylor

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ABC of the blues

sonny terrySonny Terry (1911-1986) foi um dos mais famosos e queridos cantores de blues no estilo 'piedmont', comum no sudeste dos Estados Unidos. O gaitista cego é mais conhecido por sua longa parceria com o guitarrista Brownie McGhee, mas ele também teve uma longa carreira como solista e como músico de estúdio. A influência musical de Terry se estende além do mundo folk dos anos 60 e inclui artistas contemporâneos de blues como Cephas & Wiggins e o harpista Norton Buffalo. Saunders Terrell nasceu na zona rural da Carolina do Norte de uma família de agricultores, e ficou cego por dois acidentes na infância. Seu pai havia lhe ensinado os rudimentos da gaita, ciente de que a sua cegueira iria impedi-lo de seguir carreira na fazenda. Tocando nas esquinas, por volta de 1934, Terry foi ajudado por Blind Boy Fuller, um dos guitarristas e intérprete mais populares do piedmont blues. E Terry se tornou integrante do trio de Fuller, e viajaram para Nova York em 1937. Um ano depois, Terry apareceu como parte do primeiro concerto ‘From Spirituals to Swing’ de John H. Hammond tocando sua música ‘Mountain Blues’ para o público no Carnegie Hall. Em algum momento durante o final dos anos 1930, Fuller apresentou a Terry o guitarrista Brownie McGhee, e assim, acidentalmente foi criada uma das duplas mais duradouras e populares da história do blues. Terry e McGhee tocaram juntos com freqüência, e após a morte de Fuller, em 1941, a parceria tornou-se mais ou menos permanente. E se tornaram populares entre os jovens brancos e fãs de música folk e, nos anos 60, eram convidados para as festas folclóricas nos ‘campus’ universitários até a dissolução da dupla no final dos anos 70. Um artista de talento aparentemente inesgotável, Terry também esteve envolvido com o cantor Harry Belafonte, e apareceu em vários comerciais de televisão. Em 1975, encontrou tempo para escrever ‘The Harp Styles of Sonny Terry’, um manual de instrução para a gaita. Em 1984, a Alligator Records lançou o álbum final de estúdio de Terry produzido pelo guitarrista de rock-blues Johnny Winter, que também emprestou seu talento de seis cordas para o álbum. Leia +...

Eddie Taylor Eddie Taylor (1923-1985) foi um dos arquitetos do Chicago blues da pós-segunda guerra mundial e é reverenciado como um dos guitarristas mais influentes da história do blues de Chicago, conhecido por sua versatilidade, timing impecável e musicalidade. Nascido Edward Taylor em Benoit, Mississippi, quando criança aprendeu sozinho o violão influenciado pelo blues do Delta de Charley Patton, Son House, Big Joe Williams e Robert Johnson, mais tarde teve aulas com um músico chamado ‘Popcorn’. Ele passou seus primeiros anos a tocar em locais de Leland, Mississipi, onde ensinou e moldou o som característico de Jimmy Reed, um amigo de infância. Com um estilo profundamente enraizado na tradição do blues do Delta do Mississipi, na década de 40 ele se mudou para Memphis e depois para Chicago, onde ele ajudou a construir um novo estilo de blues elétrico. Era famoso por seu trabalho, tanto como líder de banda quanto acompanhante de outros artistas. ‘Big Town Playboy’ e ‘Bad Boy’ gravadas por ele na ‘Vee Jay Records’ tornaram-se hits na década de 50 e colaborou em dezenas de sessões de Jimmy Reed na mesma gravadora. E apesar de nunca ter conseguido o estrelato como alguns de seus compatriotas na cena do blues em Chicago, ele, no entanto, era parte integrante da sua época e é especialmente conhecido como o principal acompanhante de Jimmy Reed, bem como de John Lee Hooker, Big Walter Horton, Elmore James, Carey Bell, Slim Sunnyland e outros. Na década de 60 começou a se apresentar internacionalmente e manteve-se ativo até a sua morte. A sua esposa Vera Taylor (1943-1999) era vocalista de blues e muitas vezes acompanhou Eddie Taylor no palco. Seus filhos são músicos, Taylor Jr. é um guitarrista de blues, seu enteado Larry Taylor é baterista e vocalista de blues, e sua filha Demetria é uma cantora de blues, todos em Chicago. Eddie Taylor morreu no dia de Natal em 1985, em Chicago, aos 62 anos, e foi enterrado em uma vala comum. Eddie Taylor deixou um vazio no circuito de Chicago. Embora nunca tenha sido muito conhecido do público, foi postumamente incluído no ‘Blues Hall of Fame’ em 1987.


Tracklist
01. Sonny Terry - Bye Bye Baby Blues
02. Sonny Terry - I Don't Care How Long
03. Sonny Terry - Blues and Worried Man
04. Sonny Terry - Harmonica Blues
05. Sonny Terry - Somebody's Been Talkin'
06. Sonny Terry - Harmonica Stomp
07. Sonny Terry - Twelve Gates to the City
08. Sonny Terry - You Got to Have Your Dollar
09. Sonny Terry - Don't Want No Skinny Woman
10. Sonny Terry - Blowing the Blues
11. Eddie Taylor - Bad Boy
12. Eddie Taylor - Big Town Playboy
13. Eddie Taylor - Find My Baby
14. Eddie Taylor - Stroll Out West
15. Eddie Taylor - E.T. Blues
16. Eddie Taylor - Don't Knock at My Door
17. Eddie Taylor - I'm Gonna Love You
18. Eddie Taylor - Leave This Neighborhood
19. Eddie Taylor - I'm Sitting Here
20. Eddie Taylor - Ride'em On Down



ABC of the blues volume 44

parte I    parte II



RCA Victor

RCA VictorA ‘Radio Corporation of America’, também conhecida como RCA, é uma empresa pioneira no setor de telecomunicações criada em 1919. E o judeu russo David Sarnoff foi nomeado gerente geral. Ele também fundou a ‘National Broadcasting Company’ (NBC) e em quase toda sua carreira liderou a RCA, desde a sua fundação até a sua aposentadoria em 1970. A ele é creditada a ‘lei de Sarnoff’, que afirma que o valor de uma rede de difusão é proporcional ao número de espectadores. Em 1929 foi formada a subsidiária ‘RCA Victor’ após a compra da ‘Victor Talking Machine Company’ fundada em 1900.

O mais antigo selo fonográfico era facilmente identificado pelo famoso logotipo do cão chamado ‘Nipper’, que olha atentamente para uma concha acústica de um fonógrafo e escuta a chamada ‘His Master's Voice’. O logotipo foi inspirado na famosa obra do pintor britânico Francis James Barraud que a pintou em 1899 quando o seu irmão morreu e deixou-lhe um fonógrafo e vários cilindros gravados com a sua voz. Nipper, o seu cãozinho de estimação, também foi herdado pelo pintor. E sempre que o fonógrafo era ligado com as gravações, Nipper aproximava-se do aparelho para ouvir a voz do dono o que inspirou Francis a pintar o quadro que foi aproveitado pela RCA.

Francis James Barraud    Nipper. logotipo da RCA

A RCA Victor lançou o primeiro toca-discos em 1930, criou novas técnicas para adicionar som aos filmes e desenvolveu os primeiros registros 33 ⅓ rpm em 1931. Em 1939, a RCA demonstrou um sistema de televisão totalmente eletrônico na Feira Mundial de Nova York e a Comissão Federal de Comunicações autorizou o início da transmissão comercial de televisão em 01 de julho de 1941. Mas, a II Guerra Mundial retardou a implantação da televisão nos EUA. O nome da RCA Victor fez sua estréia como gravadora em 1945. Em 1949, introduziu os primeiros discos 45 rpm que nas décadas seguintes foram o formato padrão. Um ano depois, para competir com a rival Columbia Records, começou a emitir registros em LP. Em 1953, o lançamento do primeiro rótulo estéreo foi ‘The Damnation of Faust’ de Hector Berlioz, com Charles Munch conduzindo a ‘Boston Symphony Orchestra’. No mesmo ano, a TV em cores foi adotada como padrão. De muitas maneiras, a história da RCA é a história de David Sarnoff. Sua visão de negócios levou a RCA a tornar-se uma das maiores empresas do mundo.

david sarnoff

Em 1955, a RCA Victor foi responsável pela mais famosa transação comercial da história da música, quando adquiriu da ‘Sun Records’ o contrato de exclusividade de Elvis Presley por 35 mil dólares. Outros artistas famosos, como Enrico Caruso, Little Richard, Jefferson Airplane, David Bowie, Sam Cooke, Foo Fighters, entre outros também foram exclusivos da gravadora. A RCA foi uma das oito grandes empresas de computadores juntamente com a IBM e a Burroughs, durante a maior parte da década de 60, mas abandonou os computadores em 1971. Nos anos 60 e 70 a empresa enfrentou vários problemas. Para começar, decidiu demolir o armazém de Camden, Nova Jersey. Poucos dias antes de destruir o prédio e todo o seu conteúdo, permitiu a um punhado de coletores que percorressem o edifício e levassem o que pudessem com eles. O edifício foi demolido em seguida, com arquivos de gravações originais ainda lá dentro. A destruição do armazém era mais do que simbólico, significou a destruição física dos laços com a velha ‘Victor Talking Machine Company’ que em 1929 era o rótulo de maior registro nos Estados Unidos.

RCA Victor em Camden, Nova Jersey  RCA Victor em Cuba
RCA Victor em Camden, Nova Jersey e em Cuba

Em 1970, com 69 anos, David foi sucedido por seu filho Robert. David Sarnoff morreu no ano seguinte, e muito do sucesso da RCA morreu com ele. Robert Sarnoff foi deposto por Anthony Conrad, que em seguida, renunciou após admitir ter deixado de declarar o imposto de renda durante seis anos. E várias mudanças ocorreram em termos de propriedade durante os anos 80 e 90. A ‘General Electric’ comprou a RCA em 1985, em seguida, vendeu para a Bertelsmann, que rapidamente formou a ‘Bertelsmann Music Group’ (BMG) que trouxe de volta o logotipo do raio que havia desaparecido em 1969. Em 2004, houve a fusão da BMG com a gravadora japonesa ‘Sony Music’, formando assim a ‘Sony-BMG Music Entertainment’. Em 2008, o grupo Bertelsmann vendeu a sua parte.

Para comemorar o 80º aniversário da primeira gravação de jazz, a RCA lançou um disco para cada uma das últimas oito décadas. A gravadora foi uma das etiquetas de jazz mais importantes entre as décadas de 20 e 40 e mesmo gravando o bebop um pouco mais tarde, em 1946, ainda assim documentou muitos clássicos. Na década de 50, a atenção da gravadora estava em outro estilo e quase perdeu completamente o free jazz nos anos 60. E nas últimas três décadas, só teve alguns importantes artistas. Para alguns críticos de jazz esta reedição mostra pontos fortes e fracos da RCA como uma etiqueta de jazz. O primeiro disco, lançado 80 anos após o original da Dixieland Jazz Band é o mais forte de todos eles. O produtor da série, Steve Gates, fez um trabalho grandioso ao escolher as 25 das melhores gravações nos cofres da RCA, que são reeditados aqui em ordem cronológica. Todas, menos as três primeiras são de 1926-29, período em que a RCA Victor foi o rótulo líder do jazz. O segundo dos oito CDs traça a longa associação do rótulo com o jazz da década de 30 com as big-band e pequenos grupos. O destaque é uma versão de ‘Honeysuckle Rose’ por um quinteto de estrelas que inclui Bunny Berigan, Tommy Dorsey e Fats Waller.

Esta enorme coleção começa com a primeira gravação de jazz, ‘Livery Stable Blues’ feita em 1917 pela ‘Original Dixieland Jazz Band’. E termina com ‘Uptown Traveler’ gravada em 1994. Em menos de uma década o jazz avançou da primitiva ‘Livery Stable Blues’ para a sofisticação do violino de Joe Venuti e da banda de Jean Goldkette. Em mais dez anos, as sementes do bebop tinham sido plantadas. Desenvolvimento que na música clássica levou um par de séculos. Seria impossível pintar um retrato do jazz, no entanto, as faixas foram bem escolhidas e incluem a maioria dos grandes artistas da música e surpresas como a ‘Paradise Band’ de Charlie Johnson e ‘Missourians’ junto com dezenas de músicos menos conhecidos. A etiqueta nunca abandonou o jazz, mas a sua lista de artistas foi diluindo na década de 70, 80 e 90 ao ponto que deve ter sido um desafio para os produtores preencherem os discos que representam a época. São estranhas as escolhas. O fusion é representado por ‘Brecker Bros’ e outros. Não há nada para refletir o free jazz, apesar de Steve Coleman. Além disso, um ‘bônus’ disco que tem dois números da Original Dixieland ‘Jazz’ Band, com o segundo tempo da ‘Livery Stable Blues’ e a inédita e dramática ‘Colloquial Dream’ de Charles Mingus.

original dixieland jazz band - livery stable blues


RCA Victor 80th Anniversary (1997)

RCA Victor 80th Anniversary (1997)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4    CD 5    CD 6    CD 7    CD 8    CD Bônus

CD 1 (1917-1929)
01. Livery Stable Blues - Original Dixieland "Jazz" Band
02. Meanest Blues - Original Memphis Five
03. She's Crying for Me - New Orleans Rhythm Kings
04. Smoke-House Blues - Jelly Roll Morton
05. Kansas City Shuffle - Bennie Moten
06. Doctor Jazz - Jelly Roll Morton
07. My Pretty Girl - Jean Goldkette
08. Davenport Blues - Red Nichols
09. St. Louis Shuffle - Fletcher Henderson
10. Wolverine Blues - Jelly Roll Morton
11. Clementine (From New Orleans) - Jean Goldkette
12. Feelin' No Pain - Red Nichols
13. Black and Tan Fantasy - Duke Ellington
14. San - Paul Whiteman Orchestra
15. Doin' Things - Joe Venuti's Blue Four
16. Four or Five Times - McKinney's Cotton Pickers
17. South - Bennie Moten
18. The Boy in the Boat - Charlie Johnson
19. I'm Gonna Stomp Mr. Henry Lee - Eddie Condon
20. Everybody Loves My Baby - Earl Hines
21. Ozark Mountain Blues - Missourians
22. It Should Be You - Henry Allen
23. Ain't Misbehavin' - Fats Waller
24. Too Late - King Oliver
25. Hello Lola! - Mound City Blue Blowers

CD 2 (1930-1939)
01. Rockin' Chair - Hoagy Carmichael
02. Mood Indigo - Duke Ellington
03. Sugar Foot Stomp - Fletcher Henderson
04. Heebie Jeebies - Mills Blue Rhythm Band
05. Lafayette - Bennie Moten
06. St. Louis Blues - Louis Armstrong
07. Minnie the Moocher - Cab Calloway
08. Jazznocracy - Jimmie Lunceford
09. After You've Gone - Benny Goodman
10. Swing Is Here - Gene Krupa
11. King Porter Stomp - Teddy Hill
12. Honeysuckle Rose - RCA All Stars
13. Jivin' the Vibes - Lionel Hampton
14. I Can't Get Started - Bunny Berigan
15. Don't Be That Way - Benny Goodman
16. Begin the Beguine - Artie Shaw
17. Boogie Woogie - Tommy Dorsey
18. Really the Blues - Tommy Ladnier
19. Limehouse Blues - Wingy Manone
20. Cherokee - Charlie Barnet
21. In the Mood - Glenn Miller
22. Hot Mallets - Lionel Hampton
23. Body and Soul - Coleman Hawkins
24. You're Lettin' the Grass Grow Under Your Feet - Fats Waller
25. Relaxin' at the Touro - Muggsy Spanier

CD 3 (1940-1949)
01. The Sheik of Araby - Coleman Hawkins
02. Cotton Tail - Duke Ellington
03. Summit Ridge Drive - Artie Shaw
04. Blues in TSidney hirds - Sidney Bechet Trio
05. All of Me - Benny Carter
06. One O'Clock Jump - Metronome All Stars
07. Yes, Indeed! - Tommy Dorsey
08. Things Ain't What They Used to Be - Johnny Hodges
09. St. Louis Blues - John Kirby
10. Stormy Monday Blues - Earl Hines
11. A Night in Tunisia (Interlude) - Dizzy Gillespie
12. Spotlite - Coleman Hawkins
13. Allen's Alley - Fifty Second Street All Stats
14. Cadillac Slim - Benny Carter
15. Epistrophy - Kenny Clarke
16. Buckin' the Blues - Esquire All American Award Winners
17. Out of Nowhere - Art Tatum
18. Blues After Hours - Jack Teagarden
19. Erroll's Bounce- Erroll Garner
20. Ain't Misbehavin' - Louis Armstrong
21. (I Don't Stand a) Ghost of a Chance - Lennie Tristano
22. Your Red Wagon - Count Basie
23. Algo Bueno (Woody'n You) - Dizzy Gillespie
24. Overtime - Metronome All-Stars
25. My Heart Stood Still Oscar Peterson Trio

CD 4 (1950-1959)
01. Roses of Picardy - Red Norvo
02. Tijuana Gift Shop - Charles Mingus
03. Two Degrees East, Three Degrees West - John Lewis
04. Chiquito Loco - Shorty Rogers
05. Crimea River - Al Cohn, Zoot Sims
06. Love Me or Leave Me - Henry Allen
07. Concerto for Billy the Kid - George Russell, Bill Evans
08. Sunday Afternoon - Benny Carter
09. Let Me Love You - Lena Horne
10. Coschrane - Bud Powell
11. Perdido - Duke Ellington
12. Moanin' - Art Blakey
13. I Love Paris - Manny Albam

CD 5 (1960-1969)
01. Without a Song - Sonny Rollins
02. All the Things You Are - Paul Desmond
03. Hello, Young Lovers - Gary Burton
04. After All - Duke Ellington
05. Sounds of the Night - Clark Terry
06. The Very Thought of You - Johnny Hodges
07. So What - J.J. Johnson
08. Imagination - Paul Desmond
09. Star Eyes - Chet Baker
10. Old Folks - Jackie McLean
11. One O'Clock Jump - Lambert, Hendricks & Bavan
12. 'Round Midnight - Sonny Rollins
13. Turn Me Loose - Lionel Hampton

CD 6 (1970-1979)
01. Quadrille, Anyone? - Toshiko Akiyoshi
02. Four Brothers - Woody Herman
03. The Pusher - Nina Simone
04. Dancing Men - Buddy Rich
05. Up from the Skies - Gil Evans
06. Good Medicine - Doc Severinsen
07. Ridin' High - Cleo Laine
08. Inside Out - Brecker Bros
09. Expansions - Lonnie Liston Smith
10. What a Wonderful World - Louis Armstrong

CD 7 (1980-1989)
01. Whisper Not - Roy Hargrove
02. The Truth Is Spoken Here - Marcus Roberts
03. 'Round Midnight - Carmen McRae
04. Uptownship - Hugh Masekela
05. Imagination - Chet Baker
06. I'll Be Around - Cleo Laine, Dudley Moore
07. Jacknife - Brecker Bros
08. Blue Monk - Marcus Roberts
09. Tschanz - Steve Coleman
10. Almost Blue - Chet Baker

CD 8 (1990-1997)
01. Pinocchio - Roy Hargrove
02. Cherokee - Marcus Roberts
03. Winelight - Don Braden
04. I'll Be Seeing You - Carmen McRae
05. Labyrinth - Tom Harrell
06. Just A-Sittin' and A-Rockin' - Cleo Laine
07. Drop Kick Live - Steve Coleman
08. Moonray - Dominique Eade
09. The Voyage - Danilo Perez
10. Love Is Here to Stay - Vanessa Rubin
11. Uptown Traveler - Antonio Hart

CD bonus tracks
01. Livery Stable Blues - Original Dixieland "Jazz" Band
02. Dixieland "Jass" Band One Step - Original Dixieland "Jazz" Band
03. Colloquial Dream (Scenes in the City) - Charles Mingus

ABC of the blues 45: big joe turner & eddie cleanhead vinson

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big joe turnerJoseph Vernon Turner Jr. (1911-1985), mais conhecido como Big Joe Turner, e também como ‘The Boss of the Blues’, foi sem dúvida o maior expoente do ‘blues shouter’, muito popular antes do advento do microfone, quando o cantor, muitas vezes do sexo masculino, era capaz de cantar com uma banda e ser ouvido acima da bateria e dos outros instrumentos. Nascido em Kansas City, Missouri, descobriu a paixão pela música através da igreja. Apesar da fama nos anos 50 com seu rock pioneiro ‘Shake, Rattle and Roll’, a carreira de Turner se estendeu desde a década de 20 até os anos 80. Aos 15 anos de idade, quando o pai morreu, foi obrigado a deixar a escola e sustentar a família. Ele e sua irmã mais velha trabalhavam como engraxates de rua, onde ele aproveitava e cantava por trocados. Depois trabalhou como cozinheiro em um hotel, mais tarde como garçom e cantor. Começou a freqüentar o ‘Backbiter's Club’, onde assistia aos músicos que admirava. Certo dia pediu a Pete Johnson, um pianista de boogie-woogie, que o deixasse cantar. Johnson gostou do que ouviu e formaram uma dupla. Turner tinha apenas 18 anos.

Joe Turner e Pete Johnson passaram a tocar no ‘Black & Tan Club’, onde Turner atendia no bar e a noite tocava com Johnson. E assim, ficou conhecido como ‘The Singing Barman’. A parceria mostrou-se positiva e juntos viajaram para Chicago, St. Louis e Omaha. De volta a Kansas City, apresentaram-se no ‘Sunset Club’, gerenciado pelo cantor de blues Piney Brown para quem Turner escreveu ‘Piney Brown Blues’ em sua homenagem. Partiram para Nova York, em 1936, onde se apresentaram com Benny Goodman, mas Nova York ainda não estava pronta para eles, então voltaram novamente para Kansas City. Em 1938 foram descobertos pelo caçador de talentos, John H. Hammond, uma das figuras mais influentes na música popular do século 20, que os convidou a voltarem à Nova York para um de seus concertos ‘From Spirituals to Swing’ no Carnegie Hall, que foram fundamentais na introdução do blues e do jazz para um público branco e tentar apresentar a música negra como uma expressão artística e cultural legítima nos Estados Unidos.

Turner e Johnson fizeram sucesso com o hit ‘Roll 'Em Pete’, gravação considerada como uma das mais importantes precursoras do que mais tarde ficou conhecido como rock’n’roll. Uma música que Turner gravou dezenas de vezes, com várias combinações de músicos, ao longo dos anos seguintes. Em 1939, juntamente com os pianistas de boogie Albert Ammons e Meade Lux Lewis eram as principais atrações do clube ‘Café Society’ em Nova York, onde também se apresentaram com Billie Holiday. No ano seguinte gravaram ‘Piney Brown Blues’. Em 1941, Turner foi para Los Angeles, onde atuou com Duke Ellington em ‘Jump for Joy’ e apareceu como um policial cantor na comédia ‘He's on the Beat’. Los Angeles se tornou a sua base por um tempo. E em 1941 trabalhou com o pianista Meade Lux Lewis em ‘soundies’, as primeiras versões de vídeos de música produzidas entre 1940 e 1946. Em 1945, Turner e Pete Johnson abriram o seu próprio bar em Los Angeles, o ‘The Blue Moon Club’.

Turner gravou uma grande quantidade de registros, não só com Johnson, mas com os pianistas de blues e jazz Art Tatum e Sammy Price. Em sua carreira liderou a transição das grandes bandas de jump blues e de rhythm and blues para o rock’n’roll. Turner era um mestre do ‘traditional blues verses’, músicas do folclore do blues que foram cantadas várias vezes por diversos artistas. E nas lendárias ‘jam sessions’ de Kansas City ele acompanhava os solistas instrumentais por horas. Em 1951, enquanto se apresentava com a orquestra de Count Basie no ‘Apollo Theater’ do Harlem como substituto de Jimmy Rushing, outro cantor de blues shouter e swing jazz, ele foi contratado pelos irmãos Ahmet e Nesuhi Ertegün proprietárias da nova gravadora ‘Atlantic Records’.

E a dupla iria caminhar por estradas musicais diferentes: Pete Johnson continuou com o boogie-woogie e jazz, enquanto Joe Turner preferiu o gênero que seria futuramente chamado de rock 'n' roll. Em 1951, Turner já era conhecido por Big Joe Turner, devido ao seu corpo grande e obeso e uma voz volumosa e ressonante que sacudia qualquer casa sem precisar de um microfone. Quando lhe perguntavam a respeito de ser precursor de um estilo novo, ele dizia apenas: rock 'n' roll não é nada mais do que um nome diferente para o mesmo tipo de música que ando cantando por toda a minha vida. Turner alcançou o sucesso em 1954 com ‘Shake, Rattle and Roll’ escrita por Jesse Stone que fez mais sucesso com ‘Bill Haley & His Comets’ e também gravada por Elvis Presley. De repente, com 43 anos, Turner era uma estrela do rock. Após uma série de hits neste sentido, Turner deixou a música popular para trás e voltou às suas raízes.

Ele continuou a gravar até 1961, embora o público não estivesse mais interessado, ou sequer se lembrasse mais dele, jamais parou de cantar ou de se apresentar. Na década de 60 apareceu em muitos festivais de música e gravações para o empresário de jazz Norman Granz, com o seu rival, o cantor de blues Jimmy Witherspoon. Turner também se apresentou com o pianista alemão de boogie-woogie, Axel Zwingenberger e com T-Bone Walker. Nas décadas de 70 e 80, Turner era ouvido em qualquer palco, mesmo de bengala. E a sua carreira se estendeu desde as ruas de Kansas City em 1920 quando ele se apresentava, aos doze anos, com um bigode de lápis e um chapéu de seu pai, para os festivais de jazz europeus. Em 1983, apenas dois anos antes de sua morte, Turner foi introduzido no ‘Blues Hall of Fame’. Ele morreu com 74 anos, sem deixar herdeiros, de um ataque cardíaco, tendo sofrido os efeitos anteriores da artrite, derrame e diabetes. E foi, postumamente, incluído no ‘Rock and Roll Hall of Fame’, em 1987. Ao anunciar a sua morte, a revista de música britânica NME, descreveu Turner como ‘o avô do rock and roll’.

eddie cleanhead vinsonEddie ‘Cleanhead’ Vinson (1917-1988) foi um saxofonista de jazz, bebop e R&B; de blues shouter e jump blues, um blues tocando em andamento acelerado, normalmente desempenhado por pequenos grupos e apresentando metais que foi muito popular na década de 40 e foi chamado de rock’n’roll na década de 50; o saxofone é o instrumento mais importante do estilo. Eddie Vinson foi apelidado como ‘cleanhead’ após um incidente no qual seu cabelo foi acidentalmente destruído por soda cáustica contida em um produto de alisamento. Vinson nasceu em Houston, Texas, e foi um dos membros da seção de metais da orquestra do trompetista de jazz Milton Larkin, onde ingressou no final de 1930. Em vários momentos, ele se sentou ao lado dos saxofonistas tenores Arnett Cobb, Illinois Jacquet e Tom Archia, enquanto outros membros da banda eram os pianistas Cedric Haywood e Wild Bill Davis. Em 1941 aprendeu alguns truques como vocalista com bluesman Big Bill Broonzy e partiu para New York e entrou na orquestra do trompetista Cootie Williams onde ficou até 1945 quando formou a sua própria banda e assinou com uma gravadora lançando os hits ‘Old Maid Boogie’ e ‘Kidney Stew Blues’ que se tornaria a sua marca registrada. Durante os anos 52-53 suas inclinações foram para o jazz quando a sua banda incluía o jovem saxofonista John Coltrane. No final dos anos 1960, quando excursionou com a big band de Jay McShann e a sua carreira progrediu mudou-se para Los Angeles e começou a trabalhar com o cantor de blues e rhythm and blues, pianista, compositor, vibrafonista, baterista, maestro e empresário Johnny Otis. A sua aparição em 1970 no 'Monterey Jazz Festival' com Otis estimulou mais ainda a sua carreira. Ele também compôs de forma constante, incluindo ‘Tune Up’ e ‘Four’, as quais têm sido incorretamente atribuídas a Miles Davis. Eddie ‘Cleanhead’ Vinson morreu em 1988, de um ataque cardíaco enquanto submetido à quimioterapia.


Tracklist
01. Big Joe Turner - Blues in the Night
02. Big Joe Turner - Sun Risin' Blues
03. Big Joe Turner - S.K. Blues Part 1
04. Big Joe Turner - Nobody in Mind
05. Big Joe Turner - Blues on Central Avenue
06. Big Joe Turner - Ice Man
07. Big Joe Turner - Cry Baby Blues
08. Big Joe Turner - Rebecca
09. Big Joe Turner - It's the Same Old Story
10. Big Joe Turner - Chewed Up Grass
11. Eddie Cleanhead Vinson - Too Many Women Blues
12. Eddie Cleanhead Vinson - Just a Dream
13. Eddie Cleanhead Vinson - King for a Day Blues
14. Eddie Cleanhead Vinson - Railroad Porter's Blues
15. Eddie Cleanhead Vinson - Gonna Send You Back...
16. Eddie Cleanhead Vinson - When I Get Drunk
17. Eddie Cleanhead Vinson - Oil Man Blues
18. Eddie Cleanhead Vinson - Ever-Ready Blue
19. Eddie Cleanhead Vinson - I've Been So Good
20. Eddie Cleanhead Vinson - Bonus Pay



ABC of the blues volume 45

parte I    parte II



ABC of the blues 46: t-bone walker & jimmy witherspoon

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t-bone walkerO multi-instrumentista Aaron Thibeaux Walker (1910-1975) foi um guitarrista de blues aclamado pela crítica, foi também cantor, compositor e um dos mais influentes pioneiros e inovadores do blues elétrico. Em 2003, a Rolling Stone classificou-o na posição 47 da sua lista dos ‘100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos’. T-Bone Walker é o seu nome artístico, uma corruptela do seu nome do meio. De descendência afro-americana e cherokee nasceu em Linden, Texas. Os pais, Movelia Jimerson e Rance Walker, foram músicos. Além da sua habilidade natural para cantar, o seu padrasto Marco Washington lhe ensinou a tocar violão, cavaquinho, banjo, violino, bandolim e piano. Walker tinha deixado a escola aos 10 anos de idade e no início de 1920, adolescente ainda, aprendeu a sua arte entre as ruas de Dallas. Aos 15 anos ele já era um artista profissional tendo como mentor, Charlie Christian, um dos primeiros artistas importantes na guitarra elétrica. Sua mãe e seu padrasto, membro do ‘Dallas String Band’, eram amigos da família, do cantor e guitarrista Blind Lemon Jefferson. Inicialmente, ele foi pupilo de Jefferson, que era cego, e o guiou em torno da cidade para as suas apresentações.

Em 1929, Walker fez sua primeira gravação, ‘Wichita Falls Blues’ / ‘Trinity River Blues’, tendo o pianista Douglas Fernell como seu parceiro musical para o registro. Com 26 anos estava se apresentando nos clubes de Los Angeles. Muitas de suas produções foram gravadas entre 1946 e 1948, pela ‘Black & White Records’, incluindo a sua mais famosa canção de 1947, ‘Call It Stormy Monday (But Tuesday Is Just as Bad)’. Outras canções notáveis foram ‘Bobby Sox Blues’ e ‘West Side Baby’. Ao longo de sua carreira ele trabalhou com grandes músicos. Até o início dos anos 60, a carreira de Walker começou a decrescer, e ressurgiu com a sua aclamada aparição no ‘American Folk Blues Festival’ em 1962 com Memphis Slim e Willie Dixon, entre outros. E vários álbuns se seguiram. Problemas de saúde desaceleraram a sua carreira até a sua morte com 64 anos. T-Bone Walker foi uma das principais influências de Chuck Berry assim como foi inspiração para BB King começar a tocar a guitarra elétrica. Walker também foi o herói da infância de Jimi Hendrix, e Hendrix o imitou ao longo de sua vida. Anos antes de Hendrix, T-Bone Walker já tocava a guitarra com os dentes ou em posições estranhas. leia mais...

jimmy witherspoonJimmy Witherspoon (1920-1997) nasceu em Gurdon, Arkansas. Ele primeiro atraiu a atenção ao cantar na banda do pianista de jazz Teddy Weatherford em Calcutá, na Índia, nas apresentações regulares no rádio transmitidas pela ‘Armed Forces Radio Service’ dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Witherspoon fez sua primeira gravação com a banda do maestro, pianista e cantor de blues e jazz Jay McShann em 1945. Em 1949, a gravação em seu próprio nome com a banda de McShann, do hit ‘Ain't Nobody's Business’ é considerada a sua marca registrada. Em 1950, ele teve sucesso com duas canções mais estreitamente identificadas com ele: ‘No Rollin' Blues’ e ‘Big Fine Girl’, assim como ‘Failing By Degrees’ e ‘New Orleans Woman’ gravadas com a orquestra de Gene Gilbeaux a partir de uma apresentação ao vivo em 1949. Outra composição clássica de Witherspoon é ‘Times Gettin' Tougher Than Tough’. O seu estilo ‘blues shouter’, muito popular antes do advento do microfone, quando o cantor, muitas vezes do sexo masculino, era capaz de cantar com uma banda e ser ouvido acima da bateria e os outros instrumentos, ficou fora de moda em meados da década de 50, mas retornou à popularidade com o seu álbum de 1959, ‘Jimmy Witherspoon at the Monterey Jazz Festival’, que contou com as participações do trompetista Roy Eldridge, do clarinetista Woody Herman, dos saxofonistas Ben Webster e Coleman Hawkins, do pianista Earl Hines e do baterista Mel Lewis. Mais tarde, ele gravou com o saxofonista e clarinetista Gerry Mulligan, com o baixista Leroy Vinnegar, com o organista Richard ‘Groove’ Holmes e com o guitarrista texano T-Bone Walker. Em 1961, Jimmy Witherspoon excursionou pela Europa com o trompetista de jazz Buck Clayton e voltou para o Reino Unido, em muitas ocasiões. Nos anos 60 esteve lá para uma gravação ao vivo de ‘Spoon Sings and Swings’ com o quarteto do saxofonista britânico Dick Morrissey. Na década de 1970 ele também gravou o álbum ‘Guilty!’, chamado ‘Black & White Blues’ em re-lançamento, com Eric Burdon depois que este deixou sua banda ‘War’. Witherspoon morreu de câncer na garganta, em Los Angeles.


Tracklist
01. T-Bone Walker - They Call It Stormy Monday
02. T-Bone Walker - It's a Low Down Dirty Deal
03. T-Bone Walker - Bobby Sox Blues
04. T-Bone Walker - Mean Old World
05. T-Bone Walker - Evening
06. T-Bone Walker - Long Skirt Baby Blues
07. T-Bone Walker - Midnight Blues
08. T-Bone Walker - I'm Still in Love with You
09. T-Bone Walker - Low Down Dirty Shame
10. T-Bone Walker - T-Bone Jumps Again
11. Jimmy Witherspoon - I'm Just a Lady's Man
12. Jimmy Witherspoon - Love My Baby
13. Jimmy Witherspoon - Love and Friendship
14. Jimmy Witherspoon - Geneva Blues aka Evil Woman
15. Jimmy Witherspoon - I'm Just Wandering (Part 1)
16. Jimmy Witherspoon - I'm Just Wandering (Part 2)
17. Jimmy Witherspoon -Good Jumping aka Jump Children
18. Jimmy Witherspoon - Thelma Lee Blues
20. Jimmy Witherspoon -Slow Your Speed



ABC of the blues volume 46

parte I    parte II



fats waller

fats waller Embora seu nome não seja conhecido entre os leigos do jazz, Fats Waller é considerado, por muitos críticos, como o mais completo pianista de jazz, acima de Duke Ellington, Jelly Roll Morton, e até mesmo de Erroll Garner. De 1934, quando assinou contrato com a RCA Victor até 1942 foram gravadas 300 peças. E os seus registros e o nome de Fats Waller, no curto espaço de tempo em que viveu, tornaram-se um dos maiores tesouros da história do jazz. Pianista, organista, vocalista e compositor tocava o estilo ‘stride’ de piano, estilo que foi desenvolvido nas grandes cidades da Costa Leste, principalmente em Nova York, durante 1920 e 1930. E com sofisticação influenciou pianistas estilisticamente diferentes como Art Tatum, Thelonious Monk, Bud Powell e Joe Zawinul.

Fats Waller foi um pianista de um impressionante talento que chamou a atenção dos ricos e famosos. Em Chicago, no ano de 1926, foi seqüestrado por quatro capangas do famoso gangster Al Capone e levado para uma festa em andamento e com uma arma nas costas foi ordenado que tocasse. A festa era o aniversário de Capone e Fats Waller tocou durante três dias. Quando deixou o prédio estava muito bêbado, extremamente cansado e com milhares de dólares nos bolsos. Inimitável e com um incansável senso de humor, Fats Waller e sua personalidade efervescente eram maiores que a vida. Ele espremeu cada gota de vida, e, aparentemente, cada garrafa que ele pode colocar em suas mãos. Foram anos de vida dura e uma rigorosa agenda de shows, que terminou em uma pneumonia brônquica.

Fats Waller

Thomas Wright Waller nasceu em New York, em 1904, e era filho de um pastor de Igreja, seu avô era violinista e aprendeu a tocar órgão na igreja com sua mãe. Sua importância é também como o primeiro grande organista do jazz. Aos 15 anos já era organista do Lincoln Theater, fato que irritou o seu pai que queria que ele seguisse o seu caminho, o caminho de Deus. Em 1918, Fats ganhou um concurso de talentos tocando ‘Carolina Shout’ do pianista James P. Johnson que ele aprendeu ouvindo em uma pianola que tocava a música. Mais tarde, ele viria a ter aulas de piano com o próprio Johnson que o ensinou como fazer rolos para piano. E depois estudou com o pianista e compositor polonês naturalizado estadunidense, Leopold Godowsky, e teve aulas na ‘Juilliard School’.

Fats Waller começou a sua carreira em 1922, animando festas, como organista nos cinemas e como acompanhante em várias apresentações de ‘vaudeville’ - um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930 que tornou-se um dos mais populares tipos de empreendimento dos Estados Unidos; a cada anoitecer, uma série de números era levada ao palco, sem nenhum relacionamento direto entre eles. As suas primeiras gravações foram ‘Muscle Shoal Blues’ e ‘Birminham Blues’, em 1922. E colaborou depois com Alberta Hunter, Sidney Bechet, Jack Teagarden e Fletcher Henderson. Em 1927, co-escreveu algumas músicas com seu velho professor de piano James P. Johnson. Dois anos mais tarde escreveu a trilha sonora para o sucesso da Broadway, ‘Hot Chocolates’, com as letras fornecidas pelo seu amigo poeta e compositor Andy Razaf. Além das mais famosas composições dos dois, ‘Ain't Misbehavin' e ‘Honeysuckle Rose’, que se tornaram populares nas interpretações de Cab Calloway e Louis Armstrong.

Fats Waller

No final de 1932, Fats Waller contratou Phil Ponce como gerente que prontamente negociou um contrato com a WLW, uma poderosa estação de rádio de Cincinnati. Seu show, ‘Fats Waller Rhythm Club’, foi um sucesso instantâneo. Quando terminou o contrato, em 1934, Waller voltou para Nova York onde ele transmitiu o show pela rede CBS para um público ainda maior. O grande sucesso de Fats, no entanto, ocorreu em uma festa dada por George Gershwin, neste mesmo ano, onde ele encantou o público tocando o seu piano e cantando. Um executivo da ‘Victor Records’, que estava na festa ficou tão impressionado que indicou Fats para a gravadora que precisava de uma grande estrela para substituir Jelly Roll Morton que já não atendia o gosto do público.

Fats Waller decidiu manter a associação com o nome ‘Clube Rhythm’ e a maioria dos registros foi lançada sob o nome de ‘Fats Waller and his Rhythm’. E este contrato com a gravadora durou até a sua morte em 1943. ‘Rhythm’ era uma banda de estúdio, com diferentes músicos, de acordo com as datas e horários das gravações. Raramente os membros da banda sabiam de antemão quais músicas seriam gravadas e o talento coletivo do grupo conseguia fazê-las sem ensaio. Esta abordagem caótica foi um sucesso em parte por causa da consistência do pessoal de base, que incluía: Fats Waller no piano, Herman Autrey no trompete, Cedric Wallace no baixo, o saxofonista Eugene Sedric, o baterista Jones Slick e o guitarrista Albert Casey. O caos sem dúvida contribuiu para a espontaneidade que caracterizavam muitas das gravações.

Jones Slick, Herman Autrey,Fats Waller , Cedric Wallace, Albert Casey, Eugene Sedric

‘Fats Waller and his Rhythm’ (1938)
Jones Slick, Herman Autrey,Fats Waller , Cedric Wallace, Albert Casey, Eugene Sedric

O grupo era sempre composto por cerca de meia dúzia de músicos que trabalharam com ele regularmente, inclusive Zutty Singleton, um dos bateristas mais influentes do jazz que popularizou o uso de escovas e solos de bateria no jazz e teve algumas das melhores técnicas da época. Ao longo dos anos 30 e 40 Fats Waller era uma estrela do rádio e dos clubes, e excursionou pela Europa. E atuou em três filmes, inclusive ‘Stormy Weather’ tendo como parceira uma jovem Lena Horne e o cantor de jazz Cab Calloway. Ele morreu a bordo de um trem perto de Kansas City, Missouri, de pneumonia em 1943.

fats waller - georgia rockin' chair


fats waller - sugar blues (1935)

Sugar Blues (1935)
parte I    parte II

Tracklist
01. You're the Picture (I'm the Frame) 02. My Very Good Friend the Milkman 03. Blue Because of You 04. There's Going to Be the Devil to Pay 05. Twelfth Street Rag 06. There'll Be Some Changes Made 07. Somebody Stole My Gal 08. Sweet Sue, Just You 09. Truckin' 10. Sugar Blues 11. Just as Long as the World Goes Round and Round 12. Georgia Rockin' Chair 13. Brother, Seek and Ye Shall Find 14. The Girl I Left Behind Me 15. You're So Darn Charming 16. Woe! Is Me 17. Rhythm and Romance 18. Loafin' Time 19. (Do You Intend to Put an End To) A Sweet Beginning Like This 20. Got a Bran' New Suit 21. I'm on a See-Saw 22. Thief in the Night

The Very Best of Fats Waller (1940)

The Very Best of Fats Waller (1940)


Personnel: Fats Waller (vocal, piano, orgão); Bunny Berigan (trompete); Dick McDonough (guitarra); Rudy Powell (saxophone alto, clarinete); Slick Jones (bateria)
Tracklist: 01. Ain't Misbehavin' 02. Honeysuckle Rose 03. Handful of Keys 04. I'm Crazy 'Bout My Baby (And My Baby's Crazy 'Bout Me) 05. Smashin' Thirds 06. The Joint Is Jumpin' 07. Keeping Out Of Mischief Now 08. Squeeze Me 09. The Minor Drag 10. All That Meat And No Potatoes 11. The Jitterbug Waltz 12. I Ain't Got Nobody (And Nobody Cares For Me) 13. Lulu's Back In Town 14. I'm Gonna Sit Right Down (And Write Myself A Letter) 15. Somebody Stole My Gal 16. A Good Man Is Hard To Find 17. The Sheik Of Araby 18. Two Sleepy People 19. Your Feet's Too Big

ABC of the blues 47: muddy waters & junior wells

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muddy watersMcKinley Morganfield (1915-1983) nasceu entre o algodão, no Mississipi, e aprendeu sozinho a tocar a gaita, ainda quando criança. O nome artístico Muddy Waters (águas lamacentas) ele ganhou devido ao costume de brincar no rio. Mais tarde, trocou a gaita pelo violão, avidamente absorvendo o delta blues, estilo clássico de Robert Johnson e Son House. Ele foi o primeiro a ser gravado, em 1941, por Alan Lomax, professor e pioneiro musicólogo e folclorista, que fez muito para a preservação da música popular americana como arquivista da Biblioteca do Congresso de Música Folk Americano. Quando Muddy Waters mudou para Chicago rompeu com o estilo country e trocou o violão pela guitarra elétrica e adicionou piano e bateria ao blues. O resultado veio a ser conhecido como blues urbano. Muddy é, portanto, considerado o pai do Chicago blues. Atribui-se também a ele, a idéia de invenção da guitarra elétrica. Uma onda de interesse pelas raízes da música popular no início dos anos 60 trouxe fama a ele, que se apresentou internacionalmente em 1970. De 1950 até sua morte, Muddy Waters governou literalmente Chicago com uma presença de palco que combinava dignidade e um estilo forte e emocional de tocar guitarra slide. leia mais...

junior wellsNascido Amos Blackmore (1934-1998), em Memphis, Tennessee, Junior Wells foi criado em uma fazenda perto de Marion, Arkansas. Durante sua juventude, sua família fixou residência no gueto de West Memphis onde recebeu suas primeiras aulas sobre gaita de Herman ‘Little Junior’ Parker. Começando sua carreira no início dos anos 50 como discípulo musical de John Lee Williamson, o primeiro Sonny Boy Williamson, Junior Wells entrou na década seguinte como um dinâmico intérprete do blues de Chicago. Quando o também gaitista Little Walter deixou Muddy Waters em 1952 na esteira de seu sucesso instrumental ‘Juke’, Junior Wells tomou o seu lugar. E Wells já exibia seu lado tempestuoso, ele teria sido desertor do Exército na época. No início dos anos 60 o estilo de Wells foi uma forte influência no cantor de soul James Brown. Depois de décadas tocando nos bares e clubes Junior Wells emergiu como grande atração em festivais de música em todo o mundo. Mais conhecido pela associação de longa data com o guitarrista Buddy Guy ele continuou a aparecer tanto como músico solo quanto em colaborações com a guitarra de Buddy ao longo de 40 anos, apresentando aos músicos brancos de rock os sons do blues de Chicago e fascinando o público com sua arrogante figura a comandar a atenção de todos com o uivo ameaçador de sua gaita amplificada até ser diagnosticado com câncer linfático em 1997. Ele sofreu um ataque cardíaco durante o tratamento, que o deixou em coma até a sua morte em 1998.


Tracklist
01. Muddy Waters - Country Blues
02. Muddy Waters - I Be's Troubled
03. Muddy Waters - Burr Clover Farm Blues
04. Muddy Waters - Take a Walk with Me
05. Muddy Waters - Burr Clover Blues
06. Muddy Waters - Walking Blues
07. Muddy Waters - I Can't Be Satisfied
08. Muddy Waters - Gypsy Woman
09. Muddy Waters - I Feel Like Going Home
10. Muddy Waters - Little Anna Mae
11. Junior Wells - Hoodoo Man
12. Junior Wells - Junior's Wail
13. Junior Wells - Tomorrow Night
14. Junior Wells - Please Throw This Poor Dog a Bone
15. Junior Wells - Blues Hit Big Town
16. Junior Wells - Bout the Break of Day
17. Junior Wells - So All Alone
18. Junior Wells - Cut That Out
19. Junior Wells - Ways Like an Angel
20. Junior Wells - Lord Lord



ABC of the blues volume 47

parte I    parte II



ABC of the blues 48: sippie wallace & peetie wheatstraw

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sippie wallaceSippie Wallace (1898-1996), ‘O Rouxinol do Texas’, está entre as clássicas cantoras de blues. Também compositora, suas músicas ‘Lovin' Sam’, ‘I'm a Mighty Tight Woman’ e ‘Up the Country’ estão entre as mais populares durante a década de 20, e ela passou a ganhar popularidade renovada entre as gerações subseqüentes de fãs. Entre 1923 e 1927, gravou mais de 40 canções para a ‘Okeh Records’, muitas compostas por ela ou por seus irmãos, George e Hersal Thomas. Seus acompanhantes foram Louis Armstrong, Johnny Dodds, Sidney Bechet, King Oliver, e Clarence Williams. Sippie Wallace está entre as vocalistas importantes da sua época como: Ma Rainey, Ida Cox, Alberta Hunter, e Bessie Smith. Nascida Beulah Thomas, em Houston, em uma família musical, cantava e tocava piano na Igreja onde seu pai era diácono, seu irmão George W. Thomas tornou-se um notável pianista, maestro, compositor e produtor musical, e seu outro irmão Hersal Thomas era pianista e compositor. Realizando vários shows no Texas, Sippie Wallace construiu uma sólida carreira como cantora de blues. Em 1915, Wallace se mudou para New Orleans, Louisiana, com o irmão Hersal, dois anos mais tarde ela se casou com Matt Wallace, e mudou seu nome. Depois foi para Chicago em 1923 onde assinou contrato.

Seu irmão mais novo Hersal morreu de intoxicação alimentar em 1926. Sippie então se mudou para Detroit em 1929. Seu marido Matt e o irmão George morreram em 1936. Ela deixou o ‘show business’ para se tornar uma organista de igreja e cantora e regente do coro em Detroit. Em 1966 sua amiga de longa data Victoria Spivey a persuadiu voltar a se apresentar nos circuitos de festivais de folk e blues. Ela apareceu no Newport Folk Festival, excursionou pela Europa com a American Folk Blues Festival e em Copenhague gravou o álbum ‘Women Be Wise’, compartilhando o banquinho do piano com Roosevelt Sykes e Little Brother Montgomery. O álbum ajudou a inspirar a cantora pop Bonnie Raitt a assumir o blues no final de 1960. Sippie Wallace foi indicada para um Grammy Award em 1982, e introduzida no ‘Michigan Women's Hall of Fame’. Em 1986, após um concerto no Jazz Festival na Alemanha sofreu um grave acidente vascular cerebral e morreu no seu aniversário de 88 anos em Detroit.

peetie wheatstrawPeetie Wheatstraw (1902-1941) foi o nome adotado por William Bunch, influente cantor de blues dos anos 30. Embora a única fotografia conhecida de Bunch mostre-o segurando uma guitarra, ele tocou piano na maioria das suas gravações. Presume-se que tenha nascido no Tennessee, mas acredita-se ter vindo de Arkansas. Em 1920, em St Louis, já era um guitarrista competente, mas um pianista limitado. O que distingue as sua gravações acima de tudo é a qualidade de suas letras e o seu estilo vocal. Em 1929, ele chegou em East St. Louis, já usando o nome Peetie Wheatstraw e espalhando o boato de que tinha, em uma encruzilhada, vendido a sua alma para o príncipe das trevas, em troca de sucesso como músico. Em 1930 era tão popular que continuou a gravar mesmo sendo o pior ano da grande depressão quando as gravações de blues foram drasticamente reduzidas. Ele foi um dos cantores mais gravados, sua produção total de 161 músicas foi superada por apenas quatro cantores do pré-guerra: Tampa Red, Big Bill Broonzy, Lonnie Johnson e Bumble Bee Slim (Amos Easton). Entre os clubes de St Louis sua popularidade foi excelente, só rivalizando com Walter Davis.

Há pouca evidência de que ele se apresentava fora de St Louis, onde descartou seu nome e criou a sua nova identidade: 'Peetie Wheatstraw, The Devil's Son-in-Law' ou 'Peetie Wheatstraw, The High Sheriff from Hell'. Há alguma evidência de que o escritor Ralph Ellison poderia tê-lo conhecido pessoalmente e ter usado tanto o nome 'Peetie Wheatstraw’ quanto a sua personalidade demoníaca para criar um personagem em seu famoso romance ‘Invisible Man’. Alguns críticos sugerem que Wheatstraw pode ter sido a inspiração para Robert Johnson criar a lenda de sua associação com o diabo. Peetie Wheatstraw construiu um personagem machista que fez dele predecessor dos cantores de rap. Como outros artistas de sucesso, ele cantou as preocupações das populações afro-americanas removidas de suas raízes rurais para as grandes cidades. Suas letras, apesar de parecerem às vezes improvisadas, eram sobre questões sociais como o desemprego, sobre a morte e o sobrenatural. Suas músicas sobre temas mais mundanos são variadas.

A influência de Wheatstraw foi enorme durante a década de 30. Talvez o exemplo mais óbvio do seu impacto pode ser visto nas letras e estilo vocal de Robert Johnson, muitas vezes considerado a figura mais importante do blues da época. Muitas das gravações do próprio Johnson eram, na verdade re-trabalhos de outros artistas populares da época. 'Police station blues’ do repertório de Peetie Wheatstraw constitui a base para ‘Hellhound On My Trail’ de Johnson, tanto quanto o seu apelido ‘Devil's son in law’ imagem semelhante copiada por Johnson. Muitos elementos do estilo de Peetie Wheatstraw podem ser visto em artistas posteriores como Champion Jack Dupree, Moon Mullican e Jerry Lee Lewis. Wheatstraw também fez muitas gravações com o muito influente cantor e guitarrista Kokomo Arnold, que escreveu o blues standard ‘Milk Cow Blues’. Peetie Wheatstraw ainda estava no auge do seu sucesso quando encontrou a morte no dia do seu aniversário de 39 anos. Ele e alguns amigos decidiram dar um passeio quando o Buick sofreu um acidente matando instantaneamente seus ocupantes da frente, Wheatstraw morreu de ferimentos na cabeça algumas horas mais tarde.


Tracklist
01. Sippie Wallace - I'm a Mighty Tight Woman
02. Sippie Wallace - Murder's Gonna Be My Crime
03. Sippie Wallace - Suitcase
04. Sippie Wallace - Special Delivery Blues
05. Sippie Wallace - The Flood Blues
06. Sippie Wallace - Dead Drunk Blues
07. Sippie Wallace - A Man for Every Day in the Week
08. Sippie Wallace - Jack of Diamond Blues
09. Sippie Wallace - A Jealous Woman
10. Sippie Wallace - The Mail Train Blues
11. Peetie Wheatstraw - Devil's Son-In-Law
12. Peetie Wheatstraw - Shake That Thing
13. Peetie Wheatstraw - Gangster's Blues
14. Peetie Wheatstraw - Come Over and See Me
15. Peetie Wheatstraw - Cake Alley
16. Peetie Wheatstraw - Shack Bully Stomp
17. Peetie Wheatstraw - Tight Time Project
18. Peetie Wheatstraw - Working on the Project
19. Peetie Wheatstraw - Weeping Willow Blues
20. Peetie Wheatstraw - Peetie Wheatstraw Stomp



ABC of the blues volume 48

parte I    parte II



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