sonny rollins

sonny rollinsSonny Rollins é uma lenda do jazz. Ele tocou com todos os gigantes da era moderna - Thelonious Monk, Clifford Brown, Max Roach, Miles Davis -, e estabeleceu-se como uma das vozes essenciais do saxofone tenor em 1950 e 1960. Assegurou o seu lugar no panteão do jazz com a sua rica, quase metálica sonoridade e sua técnica incrível. A suas músicas ‘Airegin’, ‘Pent-Up House’, ‘Oleo’, ‘St. Thomas’, tornaram-se clássicos. Sonny Rollins vai ficar na história não só como o único e mais duradouro saxofonista tenor da era do ‘bebop’, uma das correntes mais influentes do jazz cujo nascimento nos anos 40 é geralmente considerado um marco do começo do jazz moderno; e do ‘hard bop’, que sob certos aspectos, pode ser entendido como um desenvolvimento e uma radicalização do bebop, mas também o maior saxofonista de jazz contemporâneo de todos eles. Suas idéias harmonicamente inovadoras e o som facilmente identificável e acessível além de terem influenciado gerações de artistas, também alimentou a noção de que o jazz pode ser apreciado por todos.

Amplamente reconhecido como um dos músicos de jazz mais importantes e influentes da era pós-bebop, Theodore Walter Rollins nasceu em Nova York, em 1930, e tinha um irmão mais velho que tocava violino. Aos nove anos tinha aulas de piano, mas desistiu quando conheceu o saxofone e migrou para o tenor ainda na escola. A sua carreira começou com 11 anos tocando em locais públicos e antes de atingir os 20 anos já tocava com o legendário pianista Thelonious Monk. Encantado com a música de Charlie Parker e Coleman Hawkins, comprou seu primeiro sax tenor em 1946. Em 1948 gravou com o vocalista Babs Gonzales, em seguida, com o pianista Bud Powell e o trompetista Fats Navarro, e sua primeira composição, ‘Audubon’ foi gravada pelo trombonista Jay Jay Johnson. Em 1950, foi preso por roubo, cumpriu dez meses de uma sentença de três anos. Dois anos depois, foi preso ao usar heroína, violando os termos da sua liberdade condicional. Freqüentou uma instituição para viciados até que sanasse completamente o seu vício. Logo depois, Rollins fez parte dos grupos liderados pelo baterista Art Blakey, pelo pianista Tadd Dameron, pelo baterista de Chicago, Ike Day. E começou a construir seu próprio nome quando gravou com Miles Davis em 1951 seguido por suas próprias gravações com o trompetista Kenny Dorham e os pianistas Kenny Drew e Thelonious Monk.

sonny rollins e coleman hawkins

Sonny Rollins e Coleman Hawkins

Em 1956, Sonny Rollins fez o seu maior movimento dentro do cenário musical, juntando-se ao famoso conjunto do baterista Max Roach e do trompetista Clifford Brown. No mesmo ano, gravou seu aclamado álbum ‘Saxophone Colossus’ com talvez o seu maior sucesso, ‘St. Thomas’, música baseada numa canção em estilo caribenho, o calipso, que a sua mãe costumava cantar quando o compositor era criança. Em 1957 formou o seu próprio trio sem piano com os baixistas Wilbur Ware ou Donald Bailey e com os bateristas Elvin Jones ou Pete La Roca. Ele foi pioneiro ao usar somente baixo e bateria como acompanhamento para seus solos de saxofone, textura que veio a ser conhecida como ‘strolling’. E gravou nesse formato os álbuns ‘Way Out West’ e ‘A Night at the Village Vanguard’. Os prêmios vieram pelas revistas ‘Down Beat’ e ‘Playboy’ e as gravações foram feitas principalmente para os rótulos ‘Prestige’ e ‘Riverside’, mas também para outras gravadoras coincidindo com o aumento da sua popularidade. John Coltrane ainda não era uma figura notória e Rollins era o principal saxofonista de jazz moderno existente. Em 1958 gravou uma extensa peça para saxofone, baixo e bateria: ‘The Freedom Suite’ deixando explícita a intenção sócio-política da peça. Entre 1959 e 1961, ele procurou um caminho mais espiritual ao visitar o Japão e a Índia.

sonny rollins

Em 1962 o maior saxofonista tenor vivo retornou e gravou até 1964 algumas de suas mais emocionantes canções, mas estranhamente negligenciadas. Era um tempo incrivelmente experimental em jazz e as sondagens de Rollins foram intensas. Apenas alguns anos antes, Miles Davis tinha quebrado a opressão do seu mentor Charlie Parker, John Coltrane orbitando em reflexões vasculhou cada acorde para alguma nova expressão e Ornette Coleman soprou e estabeleceu a estrutura completamente nova. Houve empolgação e o estilo de Coleman de free jazz foi chamado de ‘the new thing’. E uma súbita mania de ritmos latinos foi apelidada de ‘bossa nova’. Nesta atmosfera de laboratório, no auge de sua força e popularidade, Sonny Rollins, frustrado com o que ele concebia como limitação musical devido à pressão da indústria fonográfica, desistiu. E o seu exílio assumiu uma aura mística depois que um repórter de uma revista, em uma noite, o viu na ponte Williamsburg tocando o seu saxofone e publicou um artigo sobre o espetáculo. Enquanto preparava o seu regresso à cena do jazz, a RCA ofereceu-lhe um contrato com a condição de que seu primeiro álbum chamasse ‘The Bridge’ que gravou com o guitarrista Jim Hall. Alguns consideraram esse novo Rollins conservador, até mesmo indigesto.

sonny rollins

Gravou com o seu herói Coleman Hawkins, e mais uma vez frustrado saiu de cena novamente em 1968 para estudar yoga, meditação e filosofia oriental. Em 1971 ele voltou com um renovado sentimento de vigor e orgulho e aproximou-se dos estilos do R&B, do pop e do funk. Ao longo das décadas de 70, 80 e 90 os seus grupos possuíam guitarra e baixo elétricos e as bateristas orientadas ao pop ou ao funk. Durante esse período Rollins tornou-se notório por seus solos de saxofone sem acompanhamento. Embora suas gravações nestas décadas não fossem aclamadas quanto as primeiras Sonny Rollins continuou famoso por suas apresentações ao vivo. Em 2004 foi premiado com um Grammy pelo conjunto de sua obra. Em 2005, após cinco anos, voltou ao estúdio para gravar ‘Sonny, Please’, título que advém de uma das frases favoritas de sua última esposa.

sonny rollins - blue seven


‘Saxophone Colossus’ é um dos mais aclamados álbuns de Sonny Rollins. Gravado e lançado em 1956, é considerado uma obra prima, um dos maiores álbuns lançados pela ‘Prestige Records’ e foi premiado pela ‘The Penguin Guide to Jazz’. Uma obra de referência acompanhada pelo pianista Tommy Flanagan, do baixista Doug Watkins, e do baterista Max Roach. Com cinco faixas, três das quais são creditadas a Rollins: a versão de ‘St. Thomas’, uma música tradicional que já tinha sido gravado por Randy Weston, em 1955, sob o título ‘Fire Down There’ e que se tornou um standard do jazz, e é a mais famosa versão gravada; ‘You Don't Know What Love Is’ que foi dado um tratamento lírico por Rollins; ‘Strode Rode’ num dueto notável entre Rollins e Doug Watkins no baixo. A música tem o nome do Hotel Strode em Chicago, em homenagem ao trumpetista Freddie Webster, que morreu ali. O segundo lado do disco original tem: ‘The Threepenny Opera’ de Bertolt Brecht e Kurt Weill, mais conhecida como ‘Mack the Knife’ e aqui chamada de ‘Moritat’; e por fim, ‘Blue Seven’ cujo desempenho é uma das mais aclamadas de Sonny Rollins e que praticamente define o seu estilo musical. Também é extraordinário o solo de Max Roach, mais tarde imitado pelo saxofonista. Sonny Rollins gravou muitas sessões memoráveis durante 1954-1958, mas ‘Saxophone Colossus’ é indiscutivelmente o melhor deles.

Um dos grandes tenores do jazz, é ouvido no seu auge em ‘A Night At The Village Vanguard’ com Ware Wilbur ou Donald Bailey no baixo e Elvin Jones ou Pete La Roca na bateria, em versões criativas.

sonny rollins - saxophone colossus (1956)    sonny rollins - a night at the village vanguard (1957)

Saxophone Colossus (1956)

A Night at the Village Vanguard (1957)
CD 1    CD 2

Saxophone Colossus
Personnel: Sonny Rollins (tenor sax); Tommy Flanagan (piano); Doug Watkins (bass); Max Roach (drums)
Tracklist: 01. St. Thomas 02. You Don't Know What Love Is 03. Strode Rode 04. Moritat 05. Blue Seven

A Night at the Village Vanguard
Personnel: Sonny Rollins (tenor sax); Donald Bailey (bass - on CD1 track 1); Wilbur Ware (bass); Pete La Roca (drums - on CD1 track 1); Elvin Jones (drums)Tracklist CD 1: 01. A Night In Tunisia 02. I've Got You Under My Skin 03. A Night in Tunisia (Evening Take) 04. Softly As In A Morning Sunrise (Alternate Take) 05. Four 06. Introduction 07. Woody 'N' You 08. Introduction 09. Old Devil Moon
Tracklist CD 2: 01. What Is This Thing Called Love 02. Softly As In A Morning Sunrise 03. Sonnymoon For Two 04. I Can't Get Started 05. I'll Remember April 06. Get Happy 07. Striver's Row 08. All The Things You Are 09. Get Happy (Short Version)

Em ‘Complete Capitol, Savoy & Blue Note Feature Recordings’, Sonny Rollins é um sideman desde 1949, antes de sua estréia como líder. Os três grupos exibidos aqui são do vocalista de bebop Babs Gonzales, do trombonista JJ Johnson e do pianista Bud Powell. O mais incrível é que Rollins foi capaz de passar de uma banda para outra em apenas um ano. Bud Powell contou com um saxofonista jovem dando peso à sua banda e tocando em seus solos. Com Johnson, a interação harmônica foi brilhante e com Gonzales, a confiança de Rollins nos solos começou a crescer a ponto dos outros instrumentos serem meros coadjuvantes. Um belo álbum com todas as etapas de desenvolvimento em sua carreira.

‘East Broadway Run Down’ é o último álbum de Sonny Rollins antes que as pressões da indústria o levassem a tomar a decisão de ficar sem gravar por seis anos. O álbum representa uma de suas mais notáveis experiências no estilo free jazz.

Sonny Rollins - Complete Capitol, Savoy & Blue Note Feature Recordings (2001)    sonny rollins - east broadway run down (1966)

Complete Capitol, Savoy & Blue Note Feature Recordings (2001)

East Broadway Run Down (1966)

Complete Capitol, Savoy & Blue Note Feature Recordings
Tracklist: 01. Capitolizing (B. Gonzales) 02. Professor Bop (B. Gonzales) 03. Audobon (Audobahn) (S. Rollins) 04. Don't Blame Me (Fields-McHugh) 05. Goof Square (S. Rollins) 06. Bee Jay (J.J. Johnson) 07. St. Louis Blues (W.C. Handy) 08. Real Crazy (B. Gonzales) 09. Then You'll Be Boppln' Too (B. Gonzales) 10. When Lovers They Lose (B. Gonzales) 11. Bouncing with Bud (B. Powell) 12. Wail (B. Powell) 13. Dance of the Infidels (B. Powell) 14. 52nd Street Theme (T. Monk) 15. Audobon (alt.-1) 16. Goof Square (alt.-2) 17. Goof Square (alt.-4) 18. Bee Jay (alt.-3) 19. Bouncing with Bud (alt.-0) 20. Bouncing with Bud (alt.-1) 21. Wail (alt.-0) 22. Dance of the Infidels (alt.-0)

East Broadway Run Down
Personnel: Sonny Rollins (tenor sax); Freddie Hubbard (trumpet); Jimmy Garrison (bass); Elvin Jones (drums)
Tracklist: 01. East Broadway Run Down 02. Blessing in Disguise 03. We Kiss in a Shadow

Sete CDs em ordem cronológica de todas as gravações de Sonny Rollins para a ‘Prestige Record’, uma influente gravadora de jazz fundada em 1949, pelo ainda adolescente Bob Weinstock. As gravações são a partir de 1951-1956, com desempenhos valiosos que se tornaram essenciais no jazz. Além de suas próprias sessões a coleção contém a única gravação que Sonny Rollins fez com John Coltrane, ‘Tenor Madness’. Entre os músicos participantes estão o vocalista Earl Coleman; os trombonistas JJ Johnson e Bennie Green; os trompetistas Kenny Dorham e Clifford Brown, os pianistas John Lewis, Kenny Drew, Horace Silver, Elmo Hope, Ray Bryant, Red Garland, e Tommy Flanagan; os bateristas Max Roach, Roy Haynes, Art Blakey e Philly Joe Jones; o ‘Modern Jazz Quartet’; Julius Watkins na trompa; Jackie McLean no sax alto, e até mesmo Charlie Parker. Entre os muitos destaques estão as versões originais das composições ‘Airegin’, ‘Oleo’, ‘Doxy’, ‘St. Thomas’ e ‘Blue 7’, músicas essenciais no jazz.

The Complete Prestige Recordings (1992)

The Complete Prestige Recordings (1992)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4    CD 5    CD 6    CD 7

Tracklist CD 1
01. Elysee 02. Opus V 03. Hilo 04. Fox Hunt 05. Morpheus 06. Down 07. Blue Room (take 1) 08. Whispering 09. I Know 10. Conception 11. Out of the Blue 12. Denial 13. Bluing 14. Dig 15. My Old Flame 16. It's Only a Paper Moon

Tracklist CD 2
01. Time on My Hands 02. Mambo Bounce 03. This Love of Mine 04. Shadrack 05. On a Slow Boat to China 06. With a Song in My Heart 07. Scoops 08. Newk's Fadeaway 09. Compulsion 10. Serpent's Tooth, The (take 1) 11. Serpent's Tooth, The (take 2) 12. 'Round About Midnight 13. In a Sentimental Mood 14. Stopper 15. Almost Like Being in Love 16. No Moe 17. Think of One (take 1) 18. Think of One (take 2)

Tracklist CD 3
01. Let's Call This 02. Friday the 13th 03. Soft Shoe 04. Confab in Tempo 05. I'll Take Romance 06. Airegin 07. Oleo 08. But Not For Me (take 1) 09. But Not For Me (take 2) 10. Doxy 11. Movin' Out 12. Swingin' For Bumsy 13. Silk 'N' Satin 14. Solid

Tracklist CD 4
01. I Want to Be Happy 02. Way You Look Tonight 03. More Than You Know 04. There's No Business Like Show Business 05. Paradox 06. Raincheck 07. There Are Such Things 08. It's All Right With Me 09. In Your Own Sweet Way 10. No Line 11. Vierd Blues

Tracklist CD 5
01. I Feel a Song Coming On 02. Pent-up House 03. Valse Hot 04. Kiss and Run 05. Count Your Blessings 06. My Reverie 07. Most Beautiful Girl in the World 08. Paul's Pal 09. When Your Lover Has Gone 10. Tenor Madness

Tracklist CD 6
01. You Don't Know What Love Is 02. St. Thomas 03. Strode Rode 04. Blue 7 05. Moritat 06. I've Grown Accustomed to Her Face 07. Kids Know 08. House I Live In

Tracklist CD 7
01. I Remember You (I) 02. My Melancholy Baby (II) 03. Old Folks (III) 04. They Can't Take That Away From Me (IV) 05. Just Friends (V) 06. My Little Suede Shoes (VI) 07. Star Eyes (VII) 08. B. Swift 09. My Ideal 10. Sonny Boy 11. Two Different Worlds 12. Ee-Ah 13. B. Quick

Depois de várias gravações incríveis para a ‘Prestige Records’, Rollins passou a utilizar a ‘Blue Note’ para uma série de gravações de estúdio e ao vivo. Embora não tão inovadores quanto seus trabalhos anteriores, os álbuns Volume 1 e 2 gravados no estúdio de Rudy Van Gelder, engenheiro de gravação especializado em jazz, ainda se destacam entre as muitas versões hard bop.

sonny rollins - blue note volume one (1956)    sonny rollins - blue note volume two (1957)

Volume One (1956)    |    Volume Two (1957)

Volume One
Personnel: Sonny Rollins (tenor sax); Donald Byrd (trumpet); Wynton Kelly (piano); Gene Ramey (bass); Max Roach (drums)
Tracklist: 01. Decision 02. Bluesnote 03. How Are Things In Glocca Morra 04. Plain Jane 05. Sonnysphere

Volume Two
Personnel: Sonny Rollins (tenor sax); J.J. Johnson (trombone); Horace Silver (piano); Thelonious Monk (piano); Paul Chambers (bass); Art Blakey (drums)Tracklist: 01. Why Don't I? 02. Wail March 03. Misterioso 04. Reflections 05. You Stepped Out Of A Dream 06. Poor Butterfly

lost in translation

lost in translation (2003) ‘Lost in Translation’ é um filme de Sofia Coppola sobre o desencanto que com suavidade vai dando lugar ao encantamento. Um filme sensível que nos leva a refletir sobre a solidão e o amor repentino. ‘Lost In Translation’ é sobre estar sozinho em meio à multidões. O filme explora temas como a solidão, a alienação, a insônia, o tédio existencial, e choque cultural no contexto de uma paisagem urbana moderna. Tal é o caso de Bob Harris (Bill Murray) e Charlotte, ilhados em Tóquio, e que formam uma aliança inesperada. Bob e Charlotte se sentem à deriva na cidade cheia de neon. Sozinhos em seus respectivos quartos de hotel perguntam-se por que estão ali. Através de amplas janelas envidraçadas do hotel, Charlotte, casada com John (Giovanni Ribisi), um fotógrafo bem sucedido, observa a selva de pedra e busca conforto, imersa no silêncio solitário que é a sua vida. Recém formada e frustrada com o casamento recente encontra Bob Harris (Bill Murray), um conhecido ator em crise da meia idade, mergulhado em um casamento emocionalmente atrofiado e que está em Tóquio para um comercial do uísque ‘Suntory’. Cada um é percebido pelo outro sem o saber, e quando se encontram, entre diferenças e semelhanças, se identificam e a harmonia é fácil e imediata. São duas almas perdidas com quase o mesmo temperamento e nível de depressão, e eles se atraem instintivamente e com alívio. E começam um laço de amizade através de aventuras pela cidade, enquanto experimentam as diferenças entre a cultura japonesa e a americana, e entre as suas próprias gerações. E a solidão é compartilhada em meio ao caos de belas imagens de Tóquio, megalópole invadida por McDonald's, cassinos e Coca-Cola.

Depois de fazer uma estréia surpreendente na direção com sua adaptação para as telas de ‘The Virgin Suicides’, Sofia Coppola oferece uma história de amor e amizade que floresce em circunstâncias improváveis neste drama e comédia. Uma história discreta, ao mesmo tempo delicada e tranqüila, mas emocionalmente penetrante que contém uma infinidade de sentimentos que revelam a profundidade da infelicidade. ‘Lost in Translation’ recebeu elogios da crítica e Bill Murray foi indicado ao Oscar. Sofia Coppola também recebeu uma indicação de melhor diretor e recebeu o prêmio de melhor roteiro original. Além de ser um excelente filme, ‘Lost in Translation’ é famoso por sua trilha sonora. A música serve como a terceira estrela da imagem que define a atmosfera e os sentimentos de saudade que elas evocam, juntamente com a beleza da tristeza. Refletem as emoções e estados de espírito ao longo do filme e essas emoções estão preservadas na trilha sonora. Com uma excelente coleção de músicas, ‘Lost in Translation’ prova mais uma vez que o talento considerável de Coppola se estende além de roteirista e da cadeira de diretora. E como Tarantino, o que ela tem é um ouvido extraordinário para a música e como pode trabalhar em conjunto com o filme.

lost in translation (2003)lost in translation (2003)lost in translation (2003)lost in translation (2003)lost in translation (2003)

the jesus and mary chain - just like honey


lost in translation (2003)

Lost in Translation (2003)

Tracklist
01. Yellow Generation - Intro - Tokyo
02. Kevin Shields - City Girl
03. Sebastian Tellier - Fantino
04. Squarepusher - Tommib
05. Death In Vegas - Girls
06. Kevin Shields - Goodbye
07. Phoenix - Too Young
08. Happy End - Kaze Wo Atsumete
09. Brian Reitzell & Roger J. Manning Jr. - On The Subway
10. Kevin Shields - Ikebana
11. My Bloody Valentine - Sometimes
12. Air - Alone In Kyoto
13. Brian Reitzell & Roger J. Manning Jr. - Shibuya
14. Kevin Shields - Are You Awake?
15. The Jesus And Mary Chain - Just Like Honey

hubert sumlin

posts relacionados
howlin’ wolf

hubert sumlinExtremamente modesto, seu estilo é original e pessoal e imediatamente reconhecível. E somente nos últimos anos permitiu que seu talento vocal brilhasse. Um vocalista discreto diante da força de comunicação da sua guitarra. Hubert Sumlin foi, por mais de duas décadas, o guitarrista da banda de Howlin’ Wolf e seu estilo foi suficiente para torná-lo imortal como o seu mentor em uma relação, que apesar de tempestuosa foi mutuamente benéfica. Sumlin manteve-se fiel ao grande gigante do blues até a sua morte em 1976 e a sua guitarra cortante foi um componente de destaque na maioria das gravações de Wolf. Depois, a sua reputação impulsionou uma carreira por conta própria nos círculos do blues e rock. Mas antes, houve uma série de sessões solo quando excursionou com Wolf pela Europa em 1964, entre elas uma em Berlim Oriental, que foi produzida por Horst Lippmann sob o patrocínio do ‘American Folk Blues Festival’ que também contou com o pianista Sunnyland Slim e o baixista Willie Dixon.

Sua única sessão de blues acústico marcou também o primeiro lançamento na histórica gravadora ‘Blue Horizon’, na Inglaterra. Nos anos posteriores, gravou álbuns para selos na França, Alemanha, Argentina e Estados Unidos. Ele influenciou e inspirou muitos dos guitarristas mais famosos. Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan são dois dos muitos guitarristas que tiveram Hubert Sumlin como favorito. Afirma-se frequentemente que a sua influência foi um catalisador importante para o crescimento do blues britânico, fornecendo uma ligação a partir do blues do delta do Mississippi que era mais acessível a guitarristas como Eric Clapton, Jimmy Page, Keith Richards e Jeff Beck. Ao longo da carreira desses artistas, canções de Howlin’ Wolf foram regravadas e o estilo de guitarra de Sumlin imitado. Os exemplos são: ‘Goin' Down Slow’ de Clapton, a versão de ‘Little Red Rooster’ com os ‘Rolling Stones’, ‘Smokestack Lightnin’ dos ‘The Yardbirds’, ‘Spoonful’ com Cream e ‘The Lemon Song’, mais um plágio descarado do Led Zeppelin da música ‘Killing Floor’.

hubert sumlin & howlin wolf (1971)

Hubert Sumlin & Howlin' Wolf (1971)

Hubert Sumlin nasceu na fazenda ‘Pillow’ em Greenwood, Mississippi, e cresceu em Hughes, Arkansas, com a sua mãe, uma devotada freqüentadora da igreja, a proibí-lo de tocar a ‘música do diabo’, o blues. Mas ele descobriu, depois de ouvir os mestres Charlie Patton, Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Sonny Boy Williamson, Lonnie Johnson, Robert Johnson, Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell, e Son House, que o blues poderia conquistar até mesmo a sua mãe e que ele nasceu para tomar o seu lugar entre esses mestres. E aprendeu a tocar com arames pregados na parede de onde arrancou música. Aos dez anos, ele saiu furtivamente para uma apresentação de blues e ficou em cima de uma pilha de caixas de Coca-Cola encostadas na janela para ver Howlin’ Wolf. Desequilibrando-se ele caiu e o dono do clube tentou enxotar o menino menor de idade, mas Wolf insistiu que ele ficasse e o colocou no palco enquanto tocava. Mais tarde, ele levou Hubert para casa e pediu que sua mãe o punisse.

hubert sumlin, twist, willie kent (1978)

Hubert Sumlin, Twist & Willie Kent (1978)

Alguns anos mais tarde, Hubert Sumlin se juntou ao jovem de futuro promissor, o gaitista James Cotton, e começaram uma banda com o pianista e baterista Pat Hare. E tocavam por centavos de moedas antes de Sumlin receber uma intimação para se juntar em Chicago ao poderoso Howlin’ Wolf, que ouviu falar deles em West Memphis, em 1954. Junto com outros grandes guitarristas nos anos 50, Willie Johnson e Jody Williams, Hubert Sumlin contribuiu para alguns clássicos do blues. E assim foi desenvolvendo seu estilo próprio, mas ainda tinha um longo caminho a percorrer. Wolf uma vez ordenou que ele se retirasse do palco, reclamando que ele estava se sobrepondo à sua voz e sugeriu que Hubert deixasse de usar as palhetas para tocar com mais suavidade e com maior expressão. Envergonhado e ferido Hubert foi para casa, mas era talentoso o suficiente para transformar a derrota em uma oportunidade para a grandeza e forte o suficiente para retornar. E assim Hubert Sumlin, para se enquadrar aos urros e gemidos de Wolf, mesmo solando com dor e dificuldade, desenvolveu um estilo de guitarra a base do toque humano sobre o aço. E foi com Howlin’ Wolf até o início da década de 60 que ele participou das gravações pela ‘Chess Records’.

De 1954 a 1976, Howlin’ Wolf foi para Hubert Sumlin tanto uma figura paterna como o seu empregador musical. E foi um disciplinador severo, mandou-o embora várias vezes apenas para recontratá-lo o tempo todo. Numa dessas ocasiões, Hubert entrou para a banda do principal rival de Wolf, Muddy Waters. Ele também tocou em discos de Muddy, Chuck Berry, Jimmy Reed, Willie Dixon, Sonny Boy Williamson, Eddie Taylor, Slim Sunnyland, Carey Bell, Eddie Shaw, James Cotton e muitos outros. Com a morte de Howlin’ Wolf a banda ‘The Wolf Gang’ continuou sob a liderança de seu grande saxofonista e gaitista Eddie Shaw, com Detroit Junior no piano, Shorty Gilbert no baixo e Chico Chism na bateria. Hubert Sumlin deixou a banda para uma carreira solo em 1980, sendo substituído por Vaan Shaw Jr., filho de Eddie.

hubert sumlin

Ajudado e inspirado por seu amigo Clifford Antone, proprietário do clube de Austin, que construiu a cena do blues dos anos 70 trazendo Stevie Ray Vaughan e ‘The Fabulous Thunderbirds’, Hubert construiu o seu legado como líder de banda. Ainda assim, os seus álbuns e apresentações trouxeram mais respeito do que fama e fortuna. Mais de 50 anos após a sua carreira musical começar, Hubert Sumlin é uma das grandes estrelas do blues. Com musicalidade inovadora e cativante personalidade ganhou muitos admiradores nas décadas seguintes. Seu parceiro de infância, o lendário gaitista James Cotton, manteve-se um amigo ao longo da sua vida. Nos anos posteriores Sumlin construiu reputação e era procurado como convidado especial ou solista por uma ampla gama de músicos, proprietários de clubes, promotores e produtores. Ele é freqüentemente convidado a fazer parte de tributos à Howlin’ Wolf, e a conexão direta com Wolf parece ainda continuar.

Em 2002, Hubert Sumlin enfrentou o maior desafio de sua vida. Ele foi diagnosticado com câncer de pulmão e teve um deles retirado em 2004. Ele não recuperou sua força jovem, mas parou de fumar e beber e foi lhe dado a oportunidade de continuar a fazer a sua música. Em 2003 a revista ‘Rolling Stone’ o incluiu entre os 100 maiores guitarristas de todos os tempos. Em 2008 foi introduzido ao ‘Blues Foundation’s Blues Hall of Fame’. Em dezembro de 2011, a Hubert Sumlin, um dos últimos ícones da guitarra blues, morreu aos 80 anos em Nova Jersey. Ao ouvir ‘Built For Comfort’, ‘Shake For Me’, ‘300 Pounds of Joy’, ‘Louise’, ‘Goin’ Down Slow’, ‘Killing Floor’ e ‘Wang Dang Doodle’, temos a certeza que a guitarra de Hubert Sumlin cruzou a linha da imortalidade.

hubert sumlin - come home baby
(com o pianista sunnyland slim e sendo apresentados por sonnyboy)



‘Hubert Sumlin’s Blues Party’ foi gravado em Boston, 11 anos após a morte de Howlin’ Wolf. E embora Hubert Sumlin já tivesse alguns álbuns europeus, este era para ser seu primeiro álbum solo nos EUA. As sessões foram iniciadas e montadas pelo guitarrista Ronnie Earl, que providenciou a presença de uma banda de grandes estrelas, e trazia Mighty Sam McClain para a maioria dos vocais, já que Sumlin era notoriamente reticente sobre ocupar o centro do palco. O resultado foi mais uma ‘jam session’ do que qualquer outra coisa. E realmente Sumlin não firmou-se como vocalista em qualquer uma das faixas, embora sua voz hesitante, suave e frágil em ‘How Can You Leave Me, Little Girl?’ dá á música uma pungência real que consegue superar a letra banal. O que prova que Sumlin ainda não estava completamente pronto para uma carreira solo. Mighty Sam McClain, entretanto, aparece em quatro das canções, incluindo a forte faixa de abertura, ‘Hidden Charms’, uma versão de Willie Dixon.

Hubert Sumlin provavelmente fez o melhor trabalho durante os 23 anos em que ele era o guitarrista de Howlin’ Wolf. E como ‘sideman’ (músico profissional que é contratado para se apresentar ou gravar com um grupo a qual ele não integra) também foi perfeito. Tímido e reticente em ser o centro das atenções no palco, ‘Healing Feeling’, o seu segundo álbum pela ‘Black Top Records’, bem como o seu primeiro, ‘Hubert Sumlin’s Blues Party’, é também mais uma ‘jam session’ de grandes estrelas do que um projeto totalmente realizado. Gravado na ‘Southlake Recording Studios’, em Louisiana, com duas faixas adicionais provenientes de um show ao vivo no Tipitina's, em Nova Orleans, as sessões foram mais uma vez organizadas pelo guitarrista Ronnie Earl. Os vocais foram compartilhados por James ‘Thunderbird’ Davis e Darrell Nulisch, com a abordagem vocal um tanto frágil, como um sussurro, de Sumlin em ‘Come Back Little Girl’, ‘Honey Dumplins’ e ‘Blues for Henry’. Um dos destaques é a versão de Sumlin no solo de ‘Down the Dusty Road Dusty’. O som do álbum é um pouco mais encorpado do que de ‘Blues Party’, mas mais uma vez Sumlin assume tarefa de um sideman em seu próprio álbum. Nos dois álbuns Hubert Sumlin ainda estava tentando descobrir como fazer a transição de ‘sideman’ para um bandleader reverenciado.

hubert sumlin - blues party (1987)    hubert sumlin - healing feeling (1990)

Hubert Sumlin’s Blues Party (1987)    |    Healing Feeling (1990)

Tracklist: Hubert Sumlin’s Blues Party
01. Hidden Charms 02. West Side Soul 03. A Soul That’s Been Abused 04. Letter to My Girlfriend 05. How Can You Leave Me, Little Girl? 06. Can’t Call You No More 07. Blue Guitar 08. Down in the Bottom 09. Poor Me, Pour Me 10. Living the Blues

Tracklist: Healing Feeling
01. I Don’t Want to Hear About Yours 02. Healing Feeling 03. Just Like I Treat You 04. Come Back Little Girl 05. Play It Cool 06. Without a Friend Like You 07. I Don’t Want No Woman 08. Blue Shadows 09. Down the Dusty Road 10. Honey Dumplins 11. Blues for Henry

‘I Know You’ é sem dúvida o primeiro álbum indispensável que Hubert Sumlin gravou desde a morte de Howlin’ Wolf. Isso não quer dizer que ele não tenha feito alguns bons álbuns antes deste, é claro que ele nunca seria um vocalista como Wolf, mas ele fez o melhor com uma voz limitada e é magnífico na guitarra. Quem o acompanha é Sam Lay na bateria e Carrie Bell na harpa, com Jimmy D. Lane na segunda guitarra e David Krull no piano e órgão.

Um dos principais arquitetos do som do blues de Chicago, Hubert Sumlin é provavelmente mais conhecido tocando com Howlin' Wolf nos clássicos como ‘Smokestack Lightnin’ e ‘I Asked for Water’. Mas Sumlin também trabalhou com Muddy Waters, e ‘About Them Shoes’ é uma evidente homenagem ao filho de Chicago com canções originais de Waters e melodias escritas por Willie Dixon, o grande compositor e baixista de Chicago. E Sumlin trouxe uma lista distinta de convidados, o baterista Levon Helm, o gaitista James Cotton, o vocalista David Johansen, e as divindades das seis cordas, Eric Clapton e Keith Richards. Sete músicas foram escritas por Waters, quatro por Willie Dixon, uma por Carl C. Wright, e ‘Little Girl, This Is the End’, por Sumlin e sem percussão para fechar o álbum. ‘Little Girl’ traz um duelo entre Keith Richards e Sumlin, enquanto Paul Nowinski adiciona um baixo cheio de encanto. A música é só Hubert Sumlin. ‘Come Home Baby’ é impressionante e é um dos destaques do disco com David Maxwell no piano por trás das guitarras de Sumlin e Bob Margolin, e na gaita Paul Oscher. David Johansen ao incorporar Howlin' Wolf em ‘Walkin 'Thru the Park’ é especialmente notável, mas neste álbum, Sumlin tem os holofotes sobre si. O veterano guitarrista goteja em nossos ouvidos a essência do blues. O resultado final é um belo tributo à Muddy Waters. ‘About Them Shoes’ é um daqueles CDs para ser executado sem parar.

hubert sumlin - I know you (1998)    hubert sumlin - about them shoes (2003)

I Know You (1998)    |    About Them Shoes (2003)

Tracklist: I Know You
01. I’m Coming Home 02. Howlin’ for My Darlin’ 03. That’s Why I’m Gonna Leave You 04. How Many More Years 05. Don’t Judge a Book by the Cover 06. I Got It Where I Want It 07. I’m Not Your Clown 08. Smokestack 09. I’ve Been Hurt 10. Mind Is Rambling 11. You My Best 12. Good Bye

About Them Shoes
Line Up: Hubert Sumlin (guitar); George Receli (vocals, drums); David Maxwell (piano); Paul Oscher (vocals, harmonica); Michael "Mudcat" Ward (bass guitar); Nathaniel Peterson (vocals); Paul Nowinski (Bass); Paul Oscher (harmonica)
Also: Eric Clapton, Keith Richards, Levon Helm, James Cotton, Bob Margolin, David Johansen
Tracklist: 01. I’m Ready 02. Still A Fool 03. She’s Into Something 04. Iodine In My Coffee 05. Look What You’ve Done 06. Come Home Baby 07. Evil 08. Long Distance Call 09. The Same Thing 10. Don’t Go No Farther 11. 11. I Love the Life I Live, I Live the Life I Love 12. Walkin’ Thru The Park 13. This Is The End, Little Girl

Em ‘Heart & Soul’, o veterano guitarrista acompanhado pelo gaitista James Cotton junto com ‘Little Mike & The Tornadoes’ soa mais expressivo e confiante no vocal do que em qualquer outra das suas gravações.

hubert sumlin - heart & soul (1989)

Heart & Soul (1989)
(with James Cotton)

Tracklist
01. Your Foxy Self 02. Chunky 03. Sitting OnTop Of The World 04. I Want You 05. Bring Your Love To Me 06. The Red Rooster 07. Juke 08. No Time For Me 09. Got The Blues 10. Old Friends

hubert sumlin - my guitar and me (1975)    hubert sumlin - blues guitar boss (1994)

My Guitar and Me (1975)    |    Blues Guitar Boss (1994)

Tracklist: My Guitar and Me
01. Happy With My French Friends 02. Broke and Hungry 03. Give the Name Jacquot 04. My Guitar and Me 05. Groove 06. Easy, Hubert, Easy 07. Don’t Forget 08. I Wonder Why 09. Boogin’ All Alone 10. The Last Boogie 11. I’ll Be Home on Tuesday

Tracklist: Blues Guitar Boss
01. All I Can Do 02. You Got to Help Me 03. Blues Is Here to Stay 04. Sometimes I’m Right 05. Spanish Greens 06. Still Playing the Blues 07. I Could Be You 08. Pickin’ 09. Look Don’t Touch 10. I’ve Stopped Crying

nick drake

nick drakeUm talento singular que passou quase despercebido durante sua breve vida, Nick Drake foi um cantor e compositor britânico de folk-rock. Às vezes comparado a Van Morrison, expoente da chamada celtic soul e ao músico do folk inglês Donovan, Nick Drake com seu vocal sussurrado e melodias fortes, e com a depressão a espreitar o que compunha, tinha uma visão muito mais obscura, com temas perturbadores e melancólicos. Produziu apenas três álbuns, de beleza arrepiante e sombria. Sua vida foi cheia de mistério, mantendo-se em relativa obscuridade durante seus 26 anos de vida, tornando-se a Emily Dickinson de nossos dias, poetisa norte-americana que viveu reclusa a vida toda ou quem sabe a poetisa Sylvia Plath igualmente atormentada. Os anos levaram Nick Drake a um túmulo de depressão, empurrando-o para o vício da maconha e LSD. Parte do seu fracasso foi atribuído a sua relutância quase patológica para se apresentar ao vivo. Esta percepção de incapacidade social gerou até especulações sobre a sua sexualidade.

No entanto, foi em um festival anti-guerra em Cambridge, que o baixista Ashley Hutchings da banda britânica de rock folk ‘Fairport Convention’ viu Drake e o recomendou ao produtor Joe Boyd, famoso por suas produções, que soube desde o início que Nick era algo especial e lhe ofereceu contrato em 1968 com a ‘Island Records’. A estréia de Nick foi em 1969 com o álbum ‘Five Leaves Left’, o primeiro de uma série de três igualmente impressionantes e muito díspares. Com o apoio discreto do baixista Danny Thompson do grupo ‘Pentangle’ e do guitarrista Richard Thompson do ‘Fairport Convention’, Nick Drake criou uma atmosfera misteriosa, melancólica, com letras desesperadas que foram atenuadas e embelezadas pelos arranjos complexos de cordas em estilo barroco do amigo Robert Kirby. ‘Bryter Later’ de 1970 foi talvez o seu esforço mais otimista e com mais influências de jazz. Nick introduziu instrumentos de sopro às melodias e também foi acompanhado por ‘Fairport Convention’, John Cale, membro do ‘Velvet Underground’ e ‘Beach Boys’.

Nenhum dos dois álbuns teve sucesso e Nick, já solitário, mergulhou em grave depressão que muitas vezes o impossibilitou para a música, ou até mesmo para andar e falar. Nick viveu com muita parcimônia, a fonte dos seus rendimentos era de 20 libras esterlinas, enviadas semanalmente pela gravadora. Durante algum tempo viveu tão mal, que não tinha dinheiro para comprar sapatos novos. Os dois anos seguintes foram marcados por crescentes dificuldades psiquiátricas. Muitas vezes ele desaparecia por alguns dias, vagando de um amigo para outro sem dizer uma palavra. Sentava-se, ouvia música, fumava, dormia, e dois ou três dias depois ele desaparecia para voltar três meses depois. Muitas vezes pegava o carro da mãe e dirigia por horas em torno do bairro, sem qualquer rumo, até o combustível acabar. Nos períodos mais difíceis da sua doença, ele não prestava atenção na sua aparência, não cortava as unhas, não tomava banho. Mesmo assim ele conseguiu produzir um trabalho final em 1972, ‘Pink Moon’, um álbum desolado e classificado como uma das declarações mais nuas e tristes da música. Após o lançamento de ‘Pink Moon’, Nick tornou-se mais deprimido e solitário, recusando-se a falar com as pessoas. No mesmo ano, sofreu um colapso nervoso e foi hospitalizado durante semanas em um hospital psiquiátrico e não quis gravar novamente, mas continuar a escrever canções para outros. Em 26 de novembro de 1974, ele morreu em casa de seus pais de uma overdose de medicamentos antidepressivos. O suicídio tem sido especulado, embora alguns de seus familiares e amigos contestem esta versão.

nick drake

Nick Drake nasceu em 1948 na Birmânia, onde seu pai Rodney trabalhava como diplomata. Depois a família mudou-se para Tamworth-in-Arden. Ainda criança, aprendeu a tocar piano, graças à mãe, Molly Drake, pianista, violoncelista, cantora e compositora. De família rica, estudou nos melhores colégios da Inglaterra onde tocava piano na orquestra, e aprendeu clarinete e saxofone, mas logo desenvolveu interesse pelo violão ensinado por um amigo de colégio. Começou a compor com dezenove anos. Sua paixão pela lingüística, o fez estudar literatura inglesa na Universidade de Cambridge. E ler uma grande quantidade de poesias o que fortemente influenciou a sua abordagem lírica. Cada palavra tinha um propósito e ele permitiu que as palavras escorregassem em forma de música e definissem o seu próprio e distinto estilo vocal. Em 1967, conheceu Robert Kirby, estudante de música que orquestraria muitos arranjos de corda para os seus dois primeiros discos. Por este tempo, Drake tinha descoberto o folk inglês e outros compositores.

Enquanto estudava literatura inglesa tocava em clubes locais e cafés de Londres. Muito tímido, sua música era muito individual e diferente de tudo. Com mãos muito grandes e fortes, ele tinha o comando total do violão, usando afinações incomuns que ele inventou para si mesmo. Além da sua elegância, era uma pessoa calma e introvertida. Sensível, magoava-se com facilidade. Não tinha muitos amigos e ninguém sabia o que se passava na sua mente. Costumava ficar muito tempo sozinho, onde aproveitava para melhorar as suas técnicas com a guitarra. Obsessivo na prática tocava até a madrugada, experimentava afinações e compunha. Segundo algumas fontes, o cantor nunca teve um relacionamento amoroso, o que fez com que alguns dos seus amigos suspeitassem de uma possível homossexualidade. Após sua morte, mais pessoas começaram a descobrir a sua música. A primeira biografia de Drake surgiu em 1997, e foi seguido em 1998 pelo documentário ‘A Stranger Among Us’. O nome de Nick Drake, agora, está listado por muitos como um dos artistas mais influentes nos últimos 50 anos.

Da mesma forma que os jovens poetas românticos do século 19 morreram antes do tempo, Nick Drake é reverenciado hoje, e sua música fala diretamente aos roqueiros contemporâneos que compartilham seu sentimento de solidão. Enquanto praticamente esquecido como uma figura importante no movimento folk britânico da década de 60, o relançamento de seus álbuns gerou um novo interesse pela sua carreira, ainda que tantos anos após sua morte. Suas músicas combinam letras impressionantes com arranjos musicais que são simultaneamente acolhedores e assustadores. A falta de sucesso comercial flagelou seu frágil ego, mas sua música continua a viver.

‘Five Leaves Left’, é descrito como melódico e sofisticado com claras referências à música clássica e inspirado no primeiro álbum de Leonard Cohen. Um clima triste e bucólico acompanha clássicos como ‘River Man’, ‘Way To Blue’ e ‘Time Has Told Me’. Em 1993, a revista ‘TIME’ colocou ‘Five Leaves Left’ entre os 100 melhores álbuns de todos os tempos.

‘Bryter Layter’, é um álbum mais comercial do que ‘Five Leaves Left’, numa tentativa de ampliar seu público, sem comprometer a sua música. O álbum aclamado pela crítica, não vendeu bem, e Nick ficou deprimido e fisicamente doente, pela falta de sucesso. ‘Northern Sky’ é uma bela canção de amor.

‘Pink Moon’, é o álbum mais depressivo contando apenas com Nick e seu violão, com exceção da faixa-título, onde acrescentou uma parte de piano. Para a gravação do álbum, Nick chegou, sem aviso prévio, ao escritório da ‘Island Records’ e entregou as fitas para a recepcionista, e desapareceu. O álbum invade um mundo de sonhos privados em que até um murmúrio é indiscreto. ‘Place To Be’ demonstra bem o espírito atormentado de Nick Drake. A canção ‘Pink Moon’, foi usada em um comercial da Volkswagen em 2000 e em um mês Nick Drake vendeu mais álbuns do que em todos os anos anteriores.

Após sua morte foram lançados a compilação ‘Time Of No Reply’ com dez faixas inéditas acompanhadas apenas pela beleza do violão e ‘Way To Blue’.

nick drake - pink moon


nick drake - five leaves left (1969)    nick drake - bryter layter (1970)    nick drake - pink moon (1972)

Five Leaves Left (1969)    |    Bryter Layter (1970)    |    Pink Moon (1972)

Tracklist: Five Leaves Left
01. Time Has Told Me 02. River Man 03. Three Hours 04. Way To Blue 05. Day Is Done 06. ‘Cello Song 07. The Thoughts Of Mary Jane 08. Man In A Shed 09. Fruit Tree 10. Saturday Sun

Tracklist: Bryter Layter
01. Introduction 02. Hazey Jane II 03. At The Chime Of A City Clock 04. One Of These Things First 05. Hazey Jane I 06. Bryter Layter 07. Fly 08. Poor Boy 09. Northern Sky 10. Sunday

Tracklist: Pink Moon
01. Pink Moon 02. Place To Be 03. Road 04. Which Will 05. Horn 06. Things Behind The Sun 07. Know 08. Parasite 09. Free Ride 10. Harvest Breed 11. From The Morning

nick drake - time of no reply (1986)    nick drake - way to blue (1994)    nick drake - made to love magic (2004)

Time Of No Reply (1986)    |    Way To Blue (1994)    |    Made to Love Magic (2004)

Tracklist: Time Of No Reply
01. Time Of No Reply 02. I Was Made To Love Magic 03. Joey 04. Clothes Of Sand 05. Man In A Shed 06. Mayfair 07. Fly 08. The Thoughts Of Mary Jane 09. Been Smoking Too Long 10. Strange Meeting II 11. Rider On The Wheel 12. Black Eyed Dog 13. Hanging On A Star 14. Voice From The Mountain

Tracklist: Way To Blue
01. Cello Song 02. Hazey Jane I 03. Way to Blue 04. Things Behind the Sun 05. River Man 06. Poor Boy 07. Time of No Reply 08. From the Morning 09. One of These Things First 10. Northern Sky 11. Which Will 12. Hazey Jane II 13. Time Has Told Me 14. Pink Moon 15. Black Eyed Dog 16. Fruit Tree

Tracklist: Made to Love Magic
01. Rider On The Wheel 02. Magic 03. River Man 04. Joey 05. Thoughts Of Mary Jane 06. Mayfair 07. Hanging On A Star 08. Three Hours 09. Clothes Of Sand 10. Voices 11. Time Of No Reply 12. Black Eyed Dog 13. Tow The Line

sidney bechet

sidney bechetSidney Bechet foi o primeiro solista importante nos registros da história do jazz. O primeiro músico de jazz internacional, Bechet era praticamente desconhecido na América. Um saxofonista soprano e clarinetista brilhante, cujo estilo não evoluíu muito ao longo dos anos, mas ele nunca perdeu o entusiasmo e a criatividade. Um mestre na improvisação individual e coletiva dentro do gênero de jazz de Nova Orleans. Sidney Bechet foi tão dominante que os trompetistas achavam muito difícil tocar com ele e os demais músicos tinham problemas por ele sempre querer ser a voz principal. Ao longo de sua vida, ele nunca teve a disciplina necessária para tocar em uma banda normal, ele sempre preferiu ser um solista e trabalhou em várias bandas. Sidney Bechet estudou clarinete em Nova Orleans com Lorenzo Tio, talvez o único instrumentista de jazz de Nova Orleans a tocar o oboé; com ‘Big Eye’ Luís Nelson, um dos pioneiros do jazz e auto-didata no clarinete que também tocava acordeão, guitarra, banjo, violino e contrabaixo; e com Baquet George, uma influência importante sobre Sidney Bechet.

sidney bechet & charlie parkerSidney Bechet, o imortal quase esquecido, nasceu em 1897, apenas três anos antes de seu compatriota Louis Armstrong, o mais lembrado músico de jazz de Nova Orleans. Embora os dois meninos crescessem na mesma cidade, os ambientes de suas casas eram mundos separados. Armstrong cresceu em extrema pobreza, vivendo alternadamente com a mãe e uma sucessão de padrastos e sua avó, e passou grande parte num reformatório. Sidney Bechet, que era de ascendência crioula, cresceu em um ambiente de classe média. Seu pai, Omar, que era sapateiro, tocava flauta como hobby. Na verdade, a música teve um papel importante na família Bechet, como Sidney quatro irmãos também tocavam instrumentos. Seu irmão, Leonard, tocava clarinete e trombone, e foi pelo primeiro instrumento que Sidney de oito anos de idade, foi atraído. Leonard, cujo interesse principal era o trombone, passou o clarinete para seu irmão mais novo. E Sidney tocava valsas e quadrilhas, as únicas músicas toleradas na classe média. Mas, na adolescência, Sidney foi atraído pela música sincopada tocada nos salões de dança e bordéis no distrito de Storyville de Nova Orleans. E como ele se tornou um prodígio no clarinete, passou a tocar em bandas de jazz locais. E seu modo de tocar impressionou Bunk Johnson, o lendário trompetista, que o convidou a participar de sua banda, a ‘Eagle Band’. E sua mãe lhe deu permissão para tocar nos clubes de Storyville, desde que Bunk Johnson, que atuou como uma espécie de guardião, o trouxesse para casa a cada noite.

sidney bechet & django & benny goodmanEm 1915 fez uma turnê no Texas, em uma banda liderada por Clarence Williams. Em 1917, com 19 anos, deixou Nova Orleans viajando para Chicago com o pianista Clarence Williams e seu show de variedades e tocou com King Oliver e depois com Freddie Keppard. E sua grande chance veio em 1919 quando o compositor regente Will Marion Cook pediu-lhe para se juntar à sua ‘Southern Syncopated Orchestra’ para uma apresentação em Londres onde Bechet chamou a atenção do notável maestro suíço, Ernst Ansermet, que conduziu a música de Stravinsky para o Ballet Russo. E Ansermet escreveu em um jornal musical suíço sobre o extraordinário virtuosismo de Bechet e sua genialidade no clarinete. Mais tarde, Sidney Bechet, eventualmente, se tornou ainda mais conhecido como um virtuoso do saxofone soprano. Primeiro ele tentou tocar um sax soprano que comprou em uma loja de penhores, mas tal era a dificuldade do instrumento, que Bechet desistiu e obteve seu dinheiro de volta. No último ano em Londres, comprou um instrumento novo e tentou novamente. Desta vez ele foi bem sucedido e conseguiu fazer do sax soprano uma voz importante no jazz. Voltou para os EUA, e fez sua primeira gravação em 1923, com Clarence Williams e durante os próximos dois anos, ele interagiu com Louis Armstrong e tocaram alguns solos impressionantes. Depois foi para a orquestra de Duke Ellington por um período. No entanto, a partir de 1925 foi para o exterior.

Grande parte da carreira de Sidney Bechet foi no exterior. Em 1925 tocou na banda do pianista Claude Hopkins, que estava acompanhando a célebre cantora e dançarina norte-americana, naturalizada francesa Josephine Baker, considerada como a primeira grande estrela negra das artes cênicas. Bechet também tocou em Londres e Paris nas bandas lideradas pelo compositor, maestro, cantor e dramaturgo Noble Sissle e, posteriormente, nos Estados Unidos. Em 1932, Bechet e seu amigo trompetista Tommy Ladnier, formaram a banda ‘New Orleans Feetwarmers’. Quando as apresentações para a banda tornaram-se escassas os dois abriram uma alfaiataria no Harlem. E Bechet se tornou um especialista em roupas. No entanto, em 1938, ele gravou o hit ‘Summertime’, com Meade ‘Lux’ Lewis e Bunn Teddy. Ele também gravou com Jelly Roll Morton. E logo ele assinou contrato com a ‘Bluebird’, onde gravou alguns clássicos durante os próximos três anos.

sidney bechet

Sidney Bechet e sua banda em 1920. Sidney Bechet fez algumas gravações com Louis Armstrong e estas constituem um dos mais importantes registros do jazz de Nova Orleans.

Quando em 1945 se mudou para o Brooklyn, para aumentar a sua renda instável de um músico de jazz, começou a ensinar música. O adolescente que se tornou seu pupilo e discípulo foi Bob Wilber, a quem Bechet ensinou os rudimentos do clarinete e saxofone soprano. Hoje, Bob Wilber é um expoente nos dois instrumentos, e com seu próprio grupo, o ‘Bechet Legacy’, ele toca na tradição de Sidney Bechet. Em 1949, Bechet foi convidado para o ‘Salle Pleyel Jazz Festival’, em Paris, onde causou sensação, e decidiu mudar-se definitivamente para o exterior. Grande parte da sua vida, Bechet passou na França onde era uma grande celebridade e um herói nacional onde o chamavam carinhosamente de ‘Le Dieu’. Sua música foi elogiada pelos existencialistas de Jean Paul Sartre. E muitas de suas composições são inspiradas por seu amor a este país, a França, onde seus talentos especiais foram plenamente reconhecidos, enquanto nos EUA nem sabiam quem ele era. Em 1952 a canção ‘Petite Fleur’ se tornou um sucesso mundial. Sidney Bechet morreu em Paris, em 1959 de câncer. Em 1997, foi criado ‘The Sidney Bechet Society’ para perpetuar o nome de Sidney Bechet, e patrocinar shows, simpósios, estudos e boletins informativos sobre este grande pioneiro do jazz.

sidney bechet - I got the right to sing the blues


‘The Legendary’ traz faixas entre 1932 e 1941, e a inclusão de ‘The Sheik of Araby, a gravação de uma banda de um homem só, o primeiro exemplo conhecido de ‘overdubbing’, técnica de gravação que consiste em adicionar novos sons a uma gravação já anteriormente realizada. Em ‘The Sheik of Araby’ Bechet é um multi-instrumentista, gravou em diferentes instrumentos: clarinete, sax tenor, piano, baixo e bateria. Cada versão tinha que ser gravada em um disco mestre novo, juntamente com o desempenho anterior. A novidade foi divulgada como ‘Sidney Bechet One Man Band’. A Federação Americana de Músicos protestou contra a gravação, pondo fim às experiências com ‘overdubbing’ comercial nos Estados Unidos durante anos. Neste álbum, as músicas foram brilhantemente capturadas com uma fidelidade extraordinária, com exceção de ‘The Sheik of Araby’ devido à sessão de ‘overdub’ houve perda de qualidade do som.

As faixas de ‘High Society’ foram gravadas em 1955 em um concerto em Paris. Sidney Bechet, no auge de sua fama, diante de uma platéia entusiasmada, executa músicas com as bandas do clarinetista francês Claude Luter, mais conhecido por ser acompanhante para Sidney Bechet, quando ele estava em Paris e Andre Reweliotty, outro clarinetista e maestro que acompanhava Sidney Brechet, tanto em concertos como em diferentes discos.

sidney bechet - the legendary (1988)    sidney bechet - high society (1998)

The Legendary (1988)    |    High Society (1998)

The Legendary
01. Maple Leaf Rag 02. I've Found a New Baby 03. Weary Blues 04. Really the Blues 05. High Society 06. Indian Summer 07. Sidney's Blues 08. Shake It and Break It 09. Wild Man Blues 10. Save It, Pretty Mama 11. Stompy Jones 12. Muskrat Ramble 13. Baby Won't You Please Come Home 14. The Sheik of Araby 15. When It's Sleepy Time Down South 16. I'm Coming Virginia 17. Strange Fruit 18. Blues in the Air 19. The Mooche 20. Twelfth Street Rag 21. Mood Indigo 22. What Is This Thing Called Love?

High Society
01. Presentation 02. Blues In The Air 03. Wild Man Blues 04. Everybody Loves My Baby 05. Wild Cat Rag 06. I Don't Know Where I'm Going 07. Viper Mad 08. Halle Hallelujah 09. Kansas City Man Blues 10. Les Oignons 11. Old Fashioned Love 12. Charleston 13. Swanee River 14. Southern Sunset 15. Ol' Man River 16. High Society 17. Dans Les Rues D'Antibes 18. Panama Rag 19. Royal Garden Blues

sidney bechet - petite fleur (2004)

Petite Fleur (2004)

Tracklist
01. Petite fleur 02. Dans les rues d'Antibes 03. Marchand de poissons 04. Buddy Bolden story 05. Egyptian fantasy 06. Lastic 07. En attendant le jour 08. Les oignons 09. Si tu vois ma mère 10. Madame Bécassine 11. Bechet creole blues 12. Mon homme 13. Ce môssieur qui parle 14. Moulin à café 15. Promenade aux Champs-Élysées 16. September song 17. Summertime 18. Blues in Paris

sidney bechet - tresors (2006)

Tresors (2006)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4

CD 1
01. Ce Mossieu Qui Parle 02. Buddy Bolden Story 03. Bechet Creole Blues 04. Anita's Birthday 05. Les Oignons 06. Ridin' Easy Blues 07. Blues In Paris 08. Panter Dance (Tiger Rag) 09. Orphan Annie's Blues 10. Happy Go Lucky Blues 11. Klook's Blues 12. American Rhythm 13. Out Of Nowhere 14. Mon Homme 15. Temptation Rag 16. Riverboat Shuffle 17. Sobbin' And Cryin' 18. Everybody Loves My Baby 19. Struttin' With Some Barbecue 20. Sawmill Blues 21. Ni Queue Ni Tete

CD 2
01. Moulin A Cafe 02. Maryland My Maryland 03. Careless Love Blues 04. Moustache Gauloise 05. Francis Blues 06. Casey Jones 07. Blues In My Heart 08. Lastic 09. Madame Becassine 10. Down Home Rag 11. Society Blues 12. Bill Bailey Won't You Please Come Home 13. Royal Garden Blues 14. In The Groove 15. Promenade Aux Chamips-Elysees 16. En Attendant Le Jour 17. Wolverine Blues 18. Egyptian Fantasy 19. Blues In The Cave

CD 3
01. Kansas City Man Blues 02. Togetherim 03. Apex Blues 04. Sleepy Time Gal 05. Of All The Wrongs You've Done To Me 06. Darling Nelly Gray 07. Put On Your Old Grey Bonnet 08. Sidneys Wedding Day 09. Ghost Of The Blues 10. Strike Up The Band 11. Si Tu Vois Ma Mere 12. Wabash Blues 13. Pattes De Mouche (Mouche A Miel) 14. Le Marchand De Poissons 15. As-Tu Lecafard? 16. Dans Les Rues D'antibes 17. That Old Black Magic 18. Because Of You (Sans Ton Amour) 19. Petite Fleur 20. I Get A Kick Out Of You 21. Blues 22. Girl's Dance 23. It's No Sin (Est-Ce Un Peche?) 24. You're Lucky To Me

CD 4
01. Milenberg Joys 02. Blue Room 03. Rockin Chair 04. Big Butter And Eggman 05. My Melancholy Baby 06. Limehouse Blues 07. I Got The Right To Sing The Blues 08. Black Bottom Stomp 09. Baby's Prayer 10. Lazy River 11. Stars Fell On Alabama/Lazy River 12. Twelfth Street Rag 13. Au Clair De La Lune 14. Porter's Love Song 15. Embraceable You 16. Ol' Man River 17. Show Boat Medley 18. You, Rascal You 19. Le Loup, Ta Biche Et Le Chevalier

wendy o. williams = plasmatics

mulheres no rock'n'roll
chrissie hynde = the pretenders
crucified-barbara
crucified-barbara
dolores o'riordan = the cranberries
doro pesch = warlock
girlschool
imelda may
janis joplin
joan jett | lita ford = the runaways
siouxsie and the banshees

plasmatics Um capítulo da história do punk foi fechada para sempre quando Wendy Orlean Williams optou por acabar com a sua vida. Wendy foi uma das personagens mais intrigantes da cena musical, e suas gravações com ‘Plasmatics’ e a carreira solo ficarão para sempre na história da música. Wendy O. Williams era um fenômeno. De 1978 a 1988, a ‘Rainha do Punk’, ‘Rainha do Shock Rock’, ‘Dominatrix dos Decibéis’ e ‘Sacerdotisa do Metal’, como ela mais tarde veio a ser conhecida, agrediu a cultura conformista, radicalizou e transformou a cultura de massa e a música muito mais que os ‘Sex Pistols’. Nascida em Rochester, New York em 1949, Wendy era filha de um fazendeiro e com sete anos já aparecia em shows executando coreografias de Shirley Temple. Aos 16 anos saiu da escola e foi para o Colorado e depois para a Flórida ganhar dinheiro com a venda de biquinis de crochê e peças de artesanato para a multidão de turistas, antes de ir para a Europa em 1972 para trabalhar como cozinheira macrobiótica em Londres, ou se apresentando com um grupo de dança cigana ou de stripper nas boates. Ao voltar para casa em Nova York um par de anos mais tarde, no momento em que chegou ao terminal de ônibus ela estava convencida de que a única forma autêntica de viver estava na completa oposição à banalidade, letargia e hipocrisia da época.

E assinou contrato com Rod Swenson, o maior promotor de shows de sexo na época, com mestrado em arte pela Universidade de Yale, onde se especializou em performance conceitual e arte neo-dadaísta, uma combinação de pessimismo irônico, ceticismo absoluto e improvisação cuja principal estratégia era mesmo denunciar e escandalizar. Wendy realizava apresentações dez vezes por dia, em vários teatros e apareceu em alguns filmes pornôs realizados pelo próprio Rod Swenson. O mesmo Swenson começou a gravação de vídeos musicais para artistas como Patti Smith e os Ramones. E em 1978, fascinado pela cena punk de Nova York e apaixonado pela presença de Wendy no palco, Swenson montou uma banda em torno de Wendy, com os guitarristas Richie Stotts e Wes Beech, o baixista Chosei Funahara e o baterista Stu Deutsch. Rod e Wendy tiveram a idéia de criar uma banda de punk como nenhuma outra e assim nasceu o ‘Plasmatics’. E os alvos preferidos eram a hipocrisia, o sexismo, e mais particularmente o consumismo americano cujos ícones, TVs e automóveis, geralmente um cadillac, Wendy simbolicamente destruía no palco.

Wendy O. Williams A banda fez sua estréia no CBGB em 1978, e foi um impacto. O CBGB é um clube de música localizado em Manhattan, New York, e o nome completo é CBGB & OMFUG que significa: ‘Country, Bluegrass, and Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers’. No começo do clube o público era realmente de country e blues assim como as bandas que se apresentavam. E desde 1965 havia o ‘Max's Kansas City’, o primeiro lugar de shows punks. Então em 1973, Hilly Kristal, proprietário do CBGB, abriu espaço também para o público do punk rock, e o lugar tornou-se muito conhecido como o berço do punk. E desde Alice Cooper e Kiss não tinha surgido uma banda teatral de rock como ‘Plasmatics’ com uma cantora sexy em calças apertadas de pele de leopardo e topless. Seu single de estréia ‘Butcher Baby’ foi gravada e vendeu bem, assim como 'Dream Lover’. A explosiva 'Butcher Baby’ foi definitivamente a coisa mais ruidosa que a gravadora ‘Stiff Records’ lançou no Reino Unido quando assinaram com a banda em 1980. Neste mesmo ano Wendy cortou seu cabelo em estilo moicano, algo que ela queria fazer muito antes da formação da banda, e não havia bandas com moicanos e nunca ninguém tinha visto uma mulher com este corte, e o resultado foi chocante. E seguiu-se uma entrevista muito divulgada em que Wendy disse: Eu quero dizer 'fuck you!’ a todas as empresas de cosméticos.

Wendy O. Williams Onde se apresentavam, o sucesso era garantido, mas alguns shows eram cancelados como o de Londres pois considerou-se perigoso o desejo da banda em detonar um carro no palco. Depois do fiasco de Londres, o grupo voltou para Nova York onde conseguiu explodir um Cadillac. No espaço de um ano, o ‘Plasmatics’ era cultuado nas apresentações em clubes de NY. Nem todos, contudo, apreciavam a fase em que Wendy cobrindo-se de creme simulava estar se masturbando. Em 1981 Wendy foi presa e brutalmente espancada por policiais depois de uma performance na boate ‘The Palms’ em Milwaukee. Arrancada do palco sob a acusação de obscenidade, por supostamente simular um ato sexual, uma vez fora do clube foi atirada ao chão e espancada até a inconsciência. Rod Swenson também foi arrastado atrás de um carro e espancado quando veio em seu auxílio. No prazo de 12 dias, ainda se recuperando de uma fratura no nariz, seios machucados e outras lesões, Wendy e a banda se apresentou para uma multidão em Milão.

plasmaticO ‘Plasmatics’ se separou em 1983 com quatro álbuns lançados: 'New Hope For The Wretched', 'Beyond The Valley of 1984', 'Metal Priestess', 'Coup d'Etat' e 'Maggots: The Record'. E Wendy seguiu carreira solo e sua estréia foi com o álbum ‘W.O.W’ de 1984 e produzido por Gene Simmons do Kiss. Paul Stanley é creditado na guitarra na faixa 6. Eric Carr na bateria da faixa 8. E Gene toca baixo no disco creditado como Reginald Van Helsing. Em 1985 a sua popularidade estava no auge e foi nomeada para um Grammy na categoria de melhor vocalista feminina de rock. Wendy também embarcou em uma carreira de atriz aparecendo em 'Macgyver', um seriado de TV. Em 1991 se aposentou da música, tornando-se uma proeminente defensora da saúde, trabalhando para uma cooperativa de alimentos naturais.

No mesmo ano Rod Swenson, que tornou-se seu companheiro, quando voltava para casa encontrou notas de suicídio e o corpo de Wendy na mata adjacente em uma área onde ela gostava de alimentar os animais selvagens. Varios esquilos ainda estavam em uma rocha próxima, onde ela tinha aparentemente os alimentado. Wendy morreu com um tiro na cabeça. Em uma das notas Wendy escreveu: ‘O ato de tomar a minha própria vida não é algo que eu estou fazendo sem muito ter pensado. Eu acredito que as pessoas não devem tomar suas próprias vidas sem uma reflexão profunda e ponderada ao longo de um período considerável de tempo. Eu acredito fortemente, porém, que o direito de fazê-lo é um dos direitos mais fundamentais que qualquer pessoa em uma sociedade livre deve ter. Para mim grande parte do mundo não faz sentido, mas meus sentimentos sobre o que estou fazendo me dizem alto e em bom som que estou indo para um lugar onde exista apenas calma. Amor para sempre, Wendy’.

club CBGBRod Swenson esclareceu: ‘Não foi um ato em um momento irracional, ela estava falando sobre tirar a própria vida por quase quatro anos. Ela estava no auge de sua carreira, mas descobriu que com a hipocrisia era dolorosamente difícil de lidar. Num certo sentido, ela era a pessoa mais forte e em outro a mais vulnerável. Ela atingiu o pico e não se importava mais de viver em um mundo em que ela estava desconfortável. Eu a amava além da imaginação. Ela era era a minha fonte de força, inspiração e coragem. A dor neste momento em perdê-la é inexplicável. Mal posso imaginar um mundo sem Wendy Williams. Para mim, esse mundo foi profundamente diminuído.’ Seu último comentário sobre Wendy foi um sentimento compartilhado por milhares de fãs ao redor do mundo. Uma noite de homenagem foi realizada no CBGB, o local onde tudo começou 20 anos atrás. Em uma época, final dos anos 70, e em um local, a cena punk de Nova York, onde chocar o público muitas vezes era a ordem do dia, poucas bandas tiveram o poder de indignar como os ‘Plasmatics’.

wendy o. williams

wendy o. williams - ready to rock


plasmatics - new hope for the wretched (2001)    plasmatics - beyond the valley of 1984 (1981)

New Hope for The Wretched (1980)    |    Beyond The Valley (1981)

Tracklist: New Hope for The Wretched
01. Tight Black Pants 02. Monkey Suit 03. Living Dead 04. Test Tube Babies 05. Won't You 06. Concrete Shoes 07. Squirm (Live) 08. Wan't You Baby 09. Dream Lover 10. Sometimes I 11. Corruption 12. Butcher Baby

Tracklist: Beyond The Valley
01. Incantation 02. Masterplan 03. Head Banger 04. Summer Nite 05. Nothing 06. Fast Food Service 07. Hit Man (live Milan) 08. Living Dead 09. Sex Junkie 10. Plasma Jam (live Milan) 11. Pig Is A Pig

plasmatics - metal priestess (1981)    plasmatics - final days (1982)

Metal Priestess (1981)    |    Final Days: Anthems for the Apocalpse (2003)

Tracklist: Metal Priestess
01. Lunacy 02. Doom Song 03. Sex Junkie (Live) 04. Black Leather Monster 05. 12 Noon 06. Masterplan (Live)

Tracklist: Final Days: Anthems for the Apocalpse
01. The Doom Song 02. Stop 03. Brain Dead 04. Masterplan05. Just Like On TV
06. Propagators 07. Uniformed Guards 08. Opus In Cm7 09. Lies 10. The Damned 11. A Pig Is A Pig 12. 12 Noon 13. Finale

plasmatics - WOW (1984)

W.O.W. (1984)

Tracklist
01. I Love Sex (And Rock and Roll) 02. It's My Life 03. Priestess 04. Thief in the Night 05. Opus in Cm7 06. Ready to Rock 07. Bump 'N' Grind 08. Legends Never Die 09. Ain't None of Your Business

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...