lady sings the blues

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lady sings the blues movieVagamente baseado na autobiografia ‘Lady Sings the Blues’ de 1956, escrita por Billie Holiday e William Dufty, o filme foi anunciado em 1971 pela ‘Motown Productions’ que o produziu e o inglês Sidney J. Furie dirigiu. O filme tem boa música e bom desempenho, mas se afasta de qualquer tipo de narrativa sensível depois de um tempo e também tem pouca ou nenhuma relação com a história real. O filme em si foi criticado por sua falta de autenticidade em determinados momentos, e pelo embelezamento da vida turbulenta e da carreira de Billie. Embora o filme não seja historicamente exato sobre sua vida foi eficaz em atrair toda uma nova geração de fãs de Billie Holiday, a cantora mais influente, criativa e emocional dos anos 1930 até o início dos anos 1950. Mesmo assim, é um filme que deve ser assistido pelos fãs de Diana Ross, os de Billie Holiday não devem desperdiçar seu tempo. A infância de Billie foi muito mais desesperada e os homens em sua vida, incluindo Louis McKay, interpretado por Billy Dee Williams, eram muito mais abusivos e covardes do que eles são retratados aqui.

Billie Holiday, aliás, Eleonor Gough Mckay, seu nome verdadeiro, nasceu em uma favela do gueto negro de Baltimore, e era filha de pais adolescentes: Sadie Fagan, uma empregada doméstica de 13 anos de idade e de Clarence Holiday, 15 anos, guitarrista da orquestra famosa de Fletcher Henderson, um dos reis do swing. Billie sofreu tudo o que se poderia esperar na vida de uma menina americana negra e pobre. Se Billie Holiday viveu momentos intensos, como grande cantora de jazz, trabalhando com orquestras marcantes e ao longo de sua carreira teve sempre os melhores instrumentistas de jazz a acompanhá-la, a sua vida nunca foi fácil. Nas páginas da autobiografia ela falou da miséria na infância, do choque que teve ao ver sua avó morrendo em seus braços, seu trabalho como faxineira num bordel e, aos 10 anos, violentada e, como era negra foi levada a um reformatório como ‘corrupta’. De castigo, foi obrigada a passar a noite ao lado de uma menina morta no reformatório. Adolescente, prostituiu-se e viciou-se em drogas que a levariam inúmeras vezes à prisão.

billie holidayNenhum de seus amores deu certo, mesmo quando o homem a adorava como foi o caso do magnífico saxofonista Lester Young, que, dizem, amou-a até o fim e foi marcante para a definição do seu estilo vocal. Poucos negros americanos sofreram como Billie Holiday a discriminação racial. Uma de suas canções mais famosas, ‘Strange Fruit’, fala de estranhos frutos pendentes das árvores do sul. As árvores têm sangue nas folhas e nas raízes. Os frutos são cadáveres de negros linchados, que balançam ao vento. Billie Holiday também foi linchada, só que a sua agonia durou 44 anos. Billie foi vítima das drogas, dos homens, da polícia e quando faleceu, no Metropolitan Hospital de Nova Iorque, alguém disse em relação à causa mortis: - Ela morreu de tudo! Cumpria-se, assim, uma profecia que saira de seus próprios lábios: - Tudo o que as drogas podem nos trazer é a morte e a morte rude e lenta. Todo este sofrimento Billie Holiday foi capaz de canalizá-lo muito bem através de sua música e não impediu que deixasse um repertório imenso, que nos EUA é reeditado em inúmeros álbuns.

Tão logo foi anunciado que Diana Ross iria retratar a vida desta que é uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, os críticos ironizaram e duvidaram que ela pudesse realmente levar a cabo esta tarefa desafiadora pelo seu estilo vocal e aparência. Linda, habitualmente vestida de branco e a rigor, com uma gardênia também alva enfiada no cabelo, Billie Holiday marcava intensamente suas apresentações. Vocalmente também há diferenças abismais entre Billie Holiday e Diana Ross. Billie Holiday tinha uma voz profunda, rouca, enquanto Diana Ross tem uma voz suave, às vezes melosa demais. Além do mais era vocalista pop e nunca tinha realmente se aventurado no jazz e no blues antes. Diana Ross, certamente agradou a alguns e desagradou a muitos outros. Uma das principais queixas era de que ela com 28 anos de idade simplesmente não tinha vivido o suficiente para sequer ousar pisar em território de Lady Day.

diana rossDestemida, Ross mergulhou na música e na história de vida de Billie. Diana Ross na verdade sabia pouco sobre ela e não era fã de jazz em geral. Com a estréia do filme foi reconhecida por outros tantos como uma grande atriz, ao mostrar a vulnerabilidade de Billie de forma pungente e principalmente, por não tentar imitá-la. Em vez disso, ela criou novas interpretações dos clássicos. No que eu discordo, para mim houve a intenção de imitação, e isso ficou claro em algumas canções. Lançado em 1972, ‘Lady Sings the Blues’ foi um sucesso fenomenal e em 1973, Diana Ross foi indicada para o Globo de Ouro e para o Oscar de melhor atriz. Venceu na primeira premiação como revelação, mas perdeu a segunda para a amiga Liza Minnelli por seu papel em Cabaret.

Muitos dos músicos que tocavam com Billie foram convocados para realizar o filme e isso explica a riqueza da trilha sonora. A orquestra foi conduzida pelo lendário Gil Askey, que trabalhou com Diana desde o seu tempo das ‘Supremes’. Depois de várias sessões de gravação, os músicos, espontaneamente, irromperam em aplausos, devido a performance de Ross. São músicas conhecidas, standards, na linguagem jazzística que adquirem personalidade própria quando a intérprete é Billie Holiday. Mas, Diana canta com paixão e sentimento. Em ‘Strange Fruit’, uma canção muito profunda sobre os horrores do abuso racial e de como Billie viu pela primeira vez um negro ser enforcado em uma árvore, a dicção de Diana é cristalina. ‘Love Theme’ escrita pelo compositor francês Michael Le Grand é um belo instrumental. O álbum ficou durante semanas nas paradas de sucesso e o porquê de Diana, Gil Askey e Michel Le Grand não receberem um Grammy é um mistério.

Lady Sings The Blues (1992)

Lady Sings the Blues (1992)

Tracklist
01. The Arrest 02. Lady Sings The Blues 03. Baltimore Brothel 04. Billie Sneaks Into Dean & Dean's / Swingin' Uptown 05. T'Ain't Nobody's Bizness If I Do (Blinky Williams) 06. Big Ben / C.C. Rider 07. All Of Me (Lady Sings The Blues/Soundtrack Version With Dialogue) 08. The Man I Love 09. Them There Eyes 10. Gardenias From Louis 11. Cafe Manhattan / Had You Been Around / Love Theme 12. Any Happy Home 13. I Cried For You (Now It's Your Turn To Cry Over Me) 14. Billie & Harry / Don't Explain 15. Mean To Me 16. Fine And Mellow (Lady Sings The Blues/Soundtrack Version) 17. What A Little Moonlight Can Do 18. Louis Visits Billie On Tour / Love Theme 19. Cafe Manhattan Party 20. Persuasion/ T'Ain't Nobody's Bizness If I Do 21. Agent's Office 22. Love Is Here To Stay 23. Fine And Mellow (Lady Sings The Blues/Soundtrack Version) 24. Lover Man (Oh, Where Can You Be) 25. You've Changed 26. Gimme A Pigfoot (And A Bottle Of Beer) 27. Good Morning Heartache 28. All Of Me (Lady Sings The Blues/Soundtrack Version Without Dialogue) 29. Love Theme (Michel Legrand) 30. My Man (Mon Homme) 31. Don't Explain 32. I Cried For You (Now It's Your Turn To Cry For Me) 33. Strange Fruit 34. God Bless The Child 35. Closing Theme (Michel Legrand)

lady sings the blues
(diana ross - the man I love)



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