stan getz

Um dos maiores saxofonistas de todos os tempos o grande tenor Stan Getz era conhecido como ‘the sound’, por ter um dos tons mais bonitos já ouvidos. Getz, cuja principal influência foi Lester Young, cresceu para ser uma grande influência para si mesmo e nunca parou de evoluir. Getz teve a oportunidade de tocar em uma variedade de principais e grandes bandas de swing, enquanto adolescente durante a II Guerra Mundial. Esteve com Jack Teagarden, quando tinha apenas 16 anos, e também tocou com Nat King Cole e Lionel Hampton. Seguiu com Stan Kenton, Jimmy Dorsey e Benny Goodman com quem solou em alguns registros. Getz, que teve sua primeira gravação como líder em 1946 tornou-se famoso durante esse período com o clarinetista Woody Herman, onde recebeu grande atenção como um dos saxofonistas conhecidos coletivamente como ‘The Four Brothers’, sendo os outros Serge Chaloff, Zoot Sims e Herbie Steward.

Depois de deixar o Woody Herman, Getz foi, com a exceção de algumas apresentações com ‘Jazz at the Philharmonic’, um líder para o resto de sua vida. Durante o início dos anos 50, Getz rompeu com o estilo de Lester Young para formar a sua própria identidade musical e logo estava entre os mais populares jazzistas. Nesta época, na Escandinávia, tornou-se popular tocando cool jazz com Horace Silver, Johnny Smith, Oscar Peterson e outros. Seus dois primeiros quintetos eram notáveis por seu pessoal, que incluía na seção rítmica o saxofonista Charlie Parker, o baterista Roy Haynes, o pianista Al Haig e o baixista Tommy Potter. O pianista Bob Brookmeyer também fez parte do seu quinteto. Após uma turnê na Suécia, em 1951, ele formou um emocionante quinteto com o guitarrista Jimmy Raney; cuja interação e mistura de tons em baladas foram memoráveis. Tocou com o guitarrista Johnny Smith, em seu álbum mais aclamado ‘Moonlight in Vermont’, considerado pela revista ‘Down Beat’, como um dos melhores discos de jazz de 1952. Em 1953 o line-up do Dizzy Gillespie/Stan Getz Sexteto era composto por Oscar Peterson, Herb Ellis, Ray Brown e Max Roach. E, apesar de alguns problemas com drogas durante a década, Getz era o vencedor nas pesquisas constantes. Getz envolveu-se com drogas e álcool, ainda enquanto adolescente. Em 1954, foi preso por tentar roubar uma farmácia para obter morfina. Getz tentou escapar de seu vício em narcóticos mudando-se para Copenhague, Dinamarca. Em 1956, casou-se com Monica Silfverskiöld, filha do médico sueco e ex-medalhista olímpico Nils Silfverskiöld.

Stan Getz (New York - 1949)

Depois de passar 1958-1960 na Europa, voltou para os EUA e gravou seu álbum pessoal favorito, ‘Focus’, com o arranjador de orquestra Eddie Sauter. E em 1961, Getz tornou-se a figura central na introdução da bossa nova para o público norte-americano. A parceria com o guitarrista Charlie Byrd, que tinha acabado de voltar de uma turnê ao Brasil, resultou no álbum ‘Jazz Samba’, em 1962, e tornou-se um sucesso. E Getz ganhou o Grammy com ‘Desafinado’, do mesmo álbum e foi premiado com um disco de ouro. Em seguida, gravou o álbum, ‘Samba Jazz Encore!’, com a big band de Gary McFarland e com os brasileiros Laurindo Almeida e o guitarrista brasileiro Luiz Bonfá, um dos criadores da bossa nova, recebendo o seu segundo disco de ouro.

Mas, foi o álbum ‘Getz/Gilberto’ com colaboração de Antonio Carlos Jobim e João Gilberto, o seu maior sucesso, graças em grande parte à ‘Garota de Ipanema’ com os vocais de Astrud e João Gilberto. O álbum recebeu dois Grammys, melhor álbum e melhor single. Com a sua versão de ‘Garota de Ipanema’ recebeu um Grammy Award. E a música se tornou uma das mais conhecidas faixas do jazz latino. Um caso de amor com Astrud Gilberto trouxe um fim à sua parceria musical com o casal, e Getz começou a se afastar da bossa nova e voltar ao jazz cool. Seu grupo regular durante esta época era um quarteto com o vibrafonista Gary Burton, e gravou com Bill Evans e com Eddie Sauter a trilha sonora para o filme noir ‘Mickey One’, e fez o clássico álbum ‘Sweet Rain’ (1967), com Chick Corea.

Embora nem todas as gravações de Getz do período 1966-1980 sejam essenciais, ele provou que não tinha medo de arriscar: ‘Dynasty’ com o organista Eddie Louiss (1971), ‘Captain Marvel’ com o pianista Chick Corea (1972), e ‘The Peacocks’ com o pianista Jimmy Rowles (1975) são os pontos altos. Depois de utilizar a pianista Joanne Brackeen em seu quarteto de 1977, Getz explorou alguns aspectos do fusion com o tecladista Andy Laverne. Getz ainda usou em um par de músicas um Echoplex no seu saxofone, mecanismo usado pelos mais notáveis guitarristas da época, que permitia um efeito repetitivo. No entanto, os puristas ficaram aliviados quando ele assinou com a ‘Concord’ em 1981 e começou a usar um trio de backup puramente acústico na maioria das gravações. Getz como sidemen em anos posteriores incluiu os pianistas Lou Levy, Mitchel Forman, Jim McNeely e Kenny Barron. Sua última gravação de 1991, ‘People Time’, apesar de sua falta de fôlego, é um brilhante dueto com Kenny Barron. Ao longo de sua carreira Getz gravou como líder para as mais renomadas gravadoras para não mencionar sessões com Lionel Hampton, Dizzy Gillespie e Gerry Mulligan.

Stanley Gayetsky nasceu na Filadélfia, Pensilvânia, em 1927. Seus pais eram judeus ucranianos, que emigraram de Kiev em 1903. A família mudou-se para Nova York para melhores oportunidades de emprego. Getz trabalhou duro na escola, e terminou no topo da sua classe. O grande interesse de Getz sempre foram os instrumentos musicais, e ele sentiu a necessidade de tocar todos que via. E tocou vários deles antes que seu pai lhe comprasse o seu primeiro saxofone aos 13 anos de idade. Mesmo que seu pai também lhe tenha dado um clarinete, Getz imediatamente caiu de amores pelo saxofone e começou a praticar oito horas por dia. Ele frequentou a ‘James Monroe High School’ no Bronx e em 1941, foi aceito na orquestra da ‘All City High School’ de New York. Isso lhe deu a oportunidade de receber aulas particulares de Simon Kovar que tocava fagote na Filarmônica de Nova York, mas continuou a tocar saxofone. E finalmente saiu da escola a fim de prosseguir na carreira musical. Getz morreu de câncer de fígado em 1991.


Stan Getz & Dizzy Gillespie

Stan Getz & Chet Baker

Stan Getz & João Gilberto

    

Diz and Getz (1954)    |    Getz Meets Mulligan in Hi-Fi (1957)

Diz and Getz
Personnel: Dizzy Gillespie (trumpet); Stan Getz (sax tenor); Hank Mobley (sax tenor); Herb Ellis (guitar); Oscar Peterson (piano); Wade Legge (piano); Ray Brown (bass); Lou Hackney (bass); Charlie Persip (drums); Max Roach (drums)
Tracklist: 01. It Don't Mean A Thing (If It Ain't Got That Swing) 02. I Let A Song Go Out Of My Heart 03. Exactly Like You 04. It's The Talk Of The Town 05. Improptu 06. One Alone 07. Girl Of My Dreams 08. Siboney (Part I) 09. Siboney (Part II)


Getz Meets Mulligan in Hi-Fi
Personnel: Gerry Mulligan (tenor saxophone, baritone saxophone); Stan Getz (tenor saxophone, baritone saxophone); Lou Levy (piano); Ron Carter (bass); Stan Levy (drums)
Tracklist: 01. Let's Fall in Love 02. Anything Goes 03. Too Close for Comfort 04. That Old Feeling 05. This Can't Be Love 06. A Ballad 07. Scrapple from the Apple (bonus track) 08. I Didn't Know What Time It Was (bonus track)


‘Jazz Samba’ é, historicamente, o primeiro disco nos Estados Unidos a se dedicar exclusivamente a bossa nova. Quando Charlie Byrd voltou de uma viagem que fez pelo Brasil em 1961 ele já era um reconhecido guitarrista de jazz da cidade de Washington, com três discos gravados e já chamava a atenção da critica especializada pelo fato de introduzir técnicas de guitarra acústica ao jazz. De volta de sua viagem o que Charlie Byrd conheceu no Brasil chamaria mais ainda a atenção da crítica americana. Ao chegar aos EUA ligou para seu amigo saxofonista em New York, Stan Getz, e anunciou que conheceu no Brasil um tipo de música mágica, cheia de sinuosidade, chamada Bossa Nova. E assim o jazz acariciou o samba e em 1962, Charlie Byrd e Stan Getz lançaram o disco ‘Samba Jazz’. Eles se juntaram a dois baixistas, Keter Betts e Gene Byrd irmão de Charlie Byrd, e dois bateristas, Buddy Deppenschmidt e Bill Reichenbach para a gravação na igreja ‘All Souls, Unitarian’ em Washington, DC. A participação é apenas de músicos americanos que aprenderem as músicas brasileiras através dos discos que Charlie Byrd trouxera. Das sete músicas gravadas apenas ‘Samba Dees Days’ é de autoria de Charlie Byrd, as restantes são de Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça, Ari Barroso, Baden Powell e Billy Blanco. O disco foi um sucesso e ganhou o Grammy de melhor disco de jazz de 1963 e Stan Getz ganhou o Grammy de melhor performance de jazz com a faixa ‘Desafinado’. ‘Jazz Samba’ abriu as portas dos Estados Unidos para a Bossa Nova e para vários músicos brasileiros. Mais tarde, Stan Getz e Charlie Byrd trabalharam diretamente com João Gilberto, Tom Jobim e Astrud Gilberto, e a música mais famosa foi ‘The Girl From Ipanema’, daquilo que se denominou pelos norte-americanos como samba jazz.

    

Jazz Samba (1962)    |    Getz/Gilberto (1963)

Jazz Samba
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Charlie Byrd (guitar); Keter Betts (bass); Buddy Deppenschmidt (drums); Gene Byrd (guitar, bass); Bill Reinchenbach (percussion)
Tracklist: 01. Desafinado 02. Samba Dees Days 03. O Pato 04. Samba Triste 05. Samba de uma Nota Só 06. E Luxo So 07. Baia


Getz/Gilberto
Personnel: Stan Getz (tenor sax); Joao Gilberto (guitar, vocal); Antonio Carlos Jobim (piano); Tommy Williams (bass); Milton Banana (drums); Astrud Gilberto (vocal)
Tracklist: 01. The Girl from Ipanema 02. Doralice 03. Para Machuchar Meu Coracao 04. Desafinado (Off Key) 05. Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars) 06. So Danco Samba 07. O Grande Amor 08. Vivo Sonhando (Dreamer) 09. The Girl from Ipanema 10. Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars)


    

Jazz Samba Encore! (1963)    |    Stan Getz & Bill Evans (1973)

Jazz Samba Encore!
Personnel: Stan Getz (saxophone tenor); Don Payne, George Duvivier, Tommy Williams (bass); Dave Bailey, Jose Carlos, Paulo Ferreira (drums); Antonio Carlos Jobim, Luiz Bonfa (guitar); Maria Toledo (vocal)
Tracklist: 01. Sambalero 02. So Danco Samba (I Only Dance Samba) 03. Insensatez (How Insensitive) 04. O Morro Nao Tem Vez 05. Samba de Duas Notas (Two Note Samba) 06. Menina Flor 07. Mania de Maria 08. Saudade Vem Correndo 09. Um Abraco no Getz (A Tribute to Getz) 10. Ebony Samba (second version) 11. Ebony Samba (first version)


Stan Getz & Bill Evans
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Bill Evans (piano); Richard Davis (bass); Ron Carter (bass); Elvin Jones (drums)
Tracklist: 01. Night and Day 02. But Beautiful 03. Funkallero 04. My Heart Stood Still 05. Melinda 06. Grandfather's Waltz 07. Carpetbagger's Theme 08. Wnew (Theme Song) 09. My Heart Stood Still (alternate take) 10. Grandfather's Waltz (alternate take) 11. Night and Day (alternate take)


        

Focus (1961)    |    Sweet Rain (1967)    |    Captain Marvel (1975)

Focus
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Steve Kuhn (piano); John Neves (bass); Roy Haynes (drums); Alan Martin, Norman Carr, Gerald Tarack (violin); Jacob Glick (viola); Bruce Rogers (cello); Eddie Sauter (arranger); Hershy Kay (conductor)
Tracklist: 01. I'm Late, I'm Late 02. Her 03. Pan 04. I Remember When 05. Night Rider 06. Once Upon A Time 07. A Summer Afternoon 08. I'm Late, I'm Late Stan 09. I Remember When


Sweet Rain
Personnel: Stan Getz (tenor sax); Chick Corea (piano); Ron Carter (bass); Grady Tate (drums)
Tracklist: 01. Litha 02. O Grande Amor 03. Sweet Rain 04. Con Alma 05. Windows


Captain Marvel
Personnel: Stan Getz (tenor saxophone); Chick Corea (electric piano); Stanley Clarke (acoustic bass); Tony Williams (drums); Airto Moreira (percussion)
Tracklist: 01. La Fiesta 02. Five Hundred Miles High 03. Captain Marvel 04. Times Lie 05. Lush Life 06. Day Waves


insensatez (how insensitive)
Stan Getz (saxophone tenor); Antonio Carlos Jobim (piano), Luiz Bonfa (guitar);
Maria Toledo (vocal); Tommy Williams (bass); Jose Carlos (drums);

virgin steele

‘Virgin Steele’ pode ser classificada como uma das melhores bandas de metal vindas dos EUA nos anos 80. ’Virgin Steele’ toca o que eles chamam de ‘barbaric romanticism‘, uma mistura de música sinfônica, romântica e bombástica com muitos elementos retirados da música clássica e fantasias mitológicas. Normalmente, durante os shows da banda uma espada é queimada no palco. Fãs consideram ‘The Burning of Rome (Cry for Pompeii)’ e ‘Emalaith’ como algumas das canções mais representativas da banda. A banda de New York, se formou no início da década de 80, quando Jack Starr, um guitarrista de origem francesa, estava procurando os elementos certos para formar uma banda de heavy metal. O primeiro a responder ao seu chamado foi o baterista Joey Ayvazian e juntos fizeram testes com 40 vocalistas antes de David DeFeis ser apresentado por um amigo de Joey. Com uma interpretação surpreendente de ‘No Quarter’, de Led Zeppelin, ‘Child in Time’, de Deep Purple e ‘Catch the Rainbow’, de Rainbow, David conseguiu o lugar trazendo com ele o baixista Joe O'Reilly. No final de 1981, o primeiro line-up estava pronto e ’Virgin Steele’ estreou em 1982 com a música ‘Children of the Storm’. Um pouco mais tarde, lançou seu auto-intitulado primeiro álbum. Seu estilo era e continua sendo muito original, uma fusão de heavy metal e a atmosfera épica de ‘Rainbow’. E cartas de fãs foram chegando, duas em particular se destacaram, uma de uma banda jovem de Seattle, chamada ‘Queensryche’ e outra da Califórnia, também de uma banda, ‘Metallica’. No ano seguinte o segundo álbum ‘Guardians Of The Flame’ foi lançado e Jack Starr começou a gravar seu primeiro álbum solo. Enquanto isso DeFeis continuou a banda com Edward Pursino. Depois de uma ação judicial ganha por Starr sobre o nome ‘Virgin Steele’, ele a vendeu para DeFeis.

Com Pursino, cujo estilo se encaixava perfeitamente com o de DeFeis, ‘Virgin Steele’ gravou ‘Noble Savage’, que mistura música clássica e épica. Por fim, a banda conseguiu ir para a Europa em turnê, apoiando a banda dos Estados Unidos de heavy metal ‘Manowar’ e receber grande aprovação por onde passou por causa de suas apresentações ao vivo. No entanto, o álbum seguinte ‘Age of Consent’, acabou como um completo fracasso comercial. Neste ponto, a banda se encontrava em seu período mais negro: Joe O'Reilly decidiu sair, forçando a banda a parar por um tempo. Durante este intervalo, David DeFeis formou-se em piano e composição e tocou ao vivo com uma banda semi-improvisada chamada ‘Lightning Smoke Stark’, com alguns músicos famosos, como seu velho companheiro Jack Starr e o baterista Bobby Rondinelli.

Em 1993, Rob DeMartino foi escolhido como o novo baixista e ‘Virgin Steele’ voltou com ‘Life Among the Ruins’, um álbum com influências de ‘Whitesnake’ e blues. A música ‘Last Rose of Summer’ é o destaque do álbum. Com nenhuma marca épica e mitológica, elementos básicos da banda, ‘Life Among the Ruins’ é provavelmente o álbum mais atípico na discografia e não agrada à maioria dos fãs. Um ano depois, a banda voltou para o som original com ‘The Marriage of Heaven and Hell Part I’, um álbum de metal épico cheio de influências sinfônicas e progressivo. E ‘Virgin Steele’ voltou para a Europa para apoiar mais uma vez ‘Manowar’ e a banda britânica de hard rock ‘Uriah Heep’. No final de 1995 lançou ‘The Marriage of Heaven and Hell Part II’, seguindo o conceito e o estilo do primeiro. Os dois álbuns mostram um heavy metal tradicional com letras abordando diversas mitologias, tais como a grega, nórdica e também os mitos cristãos. Os álbuns são considerados até hoje pelos fãs como os melhores da banda. Os ‘Marriages’ também marcaram a saída do baterista Joey Avayzian. Para seu lugar, foi chamado Frank Gilchriest, que continua até os dias atuais. Depois de mais uma turnê européia, um novo álbum foi lançado em 1998, ‘Invictus’, o terceiro e último capítulo da saga ‘Marriage’. Este foi o álbum mais pesado e também o mais épico. Liricamente, é um álbum conceitual sobre a rebelião da humanidade contra deuses indiferentes. O baixista Rob Demartino deixou a banda após o ‘Invictus’.

Com o guitarrista Edward Pursino gravando os baixos em estúdio, assim como nos ‘Marriages’, entre os anos de 1999 e 2000, a banda lançou o projeto nunca feito antes de uma ópera metal, compondo os álbuns ‘The House of Atreus Act I’ e ‘The House of Atreus Act II’, destinados a serem cantados por atores em teatros. O assunto da ópera metal é Oresteia ou ‘A Trilogia de Orestes’, uma trilogia de peças teatrais de autoria do dramaturgo grego Ésquilo, muito familiares para David DeFeis, por causa de seu pai. Todos os vocais e orquestrações são gerenciados por David DeFeis e esses álbuns são a obra mais complexa do ‘Virgin Steele’. Cheios de variações e complexidade musical mostra o lado mais progressivo da banda, com grande influência de música clássica misturada aos elementos heavy metal.

O'Reilly, Edward Pursino, David DeFeis and Joey Ayvazian

Em 2002, foi lançada a coletânea ‘Hymns to Victory’ e também ‘The Book of Burning’. Após esses lançamentos, o baixista Josh Block se juntou à banda. Entre os anos de 2002 e 2005, a banda se apresentou em um grande número de festivais de heavy metal. David DeFeis também criou o seu próprio estúdio de gravação chamado ‘The Hammer of Zeus’ às vezes também chamado de ‘The Wrecking Ball Of Thor’. Em 2006, depois de seis anos sem um álbum de estúdio a banda lançou ‘Visions of Eden’, um álbum que gira em torno de crenças gnósticas e criticamente revisita a tradicional mitologia cristã com relação à criação da Terra e os relatos bíblicos de Adão e Eva. Um ainda mais sombrio drama, mais melancólico do que a saga ‘House of Atreus’, a história gira em torno de Lilith, a primeira mulher de Adão e símbolo da força feminina e da independência. Representando a verdade maior do lado feminino ela sofre sob a cobiça e ciúmes de Demiurge que representa o deus cristão, e como uma mulher emancipada que não podia conviver com o dominante Adão está em contraste gritante com Eva, segunda esposa de Adão retratada como uma parceira dócil e subserviente criada por Demiurge, a pedido de Adão, que não poderia lidar com uma mulher independente e em pé de igualdade com ele. ‘Visions of Eden’ (A Barbaric Romantic Movie Of The Mind) apelidado de ‘The Lilith Project’ é baseado na lenda suméria de Lilith e é destinado como trilha sonora para um filme imaginário. A banda está realmente à procura de um produtor para trazer a história deste álbum conceitual para as telas. Em 2010 foi lançado o seu último álbum, ‘The Black Light Bacchanalia’.

    

The Marriage of Heaven & Hell Part I (1994)    |    The Marriage of Heaven & Hell Part II (1995)

The Marriage of Heaven & Hell Part I
01. I Will Come for You 02. Weeping of the Spirits 03. Blood and Gasoline 04. Self Crucifixion 05. Last Supper 06. Warrior's Lament (instrumental) 07. Trail of Tears 08. The Raven Song 09. Forever Will I Roam 10. I Wake Up Screaming 11. House of Dust 12. Blood of the Saints 13. Life Among the Ruins 14. The Marriage of Heaven and Hell (instrumental)

The Marriage of Heaven & Hell Part II
01. A Symphony of Steele 02. Crown of Glory 03. From Chaos to Creation (instrumental) 04. Twilight of the Gods 05. Rising Unchained 06. Transfiguration 07. Prometheus the Fallen One 08. Emalaith 09. Strawgirl 10. Devil / Angel 11. Unholy Water 12. Victory Is Mine 13. The Marriage of Heaven and Hell Revisited (instrumental)

virgin steele - victory is mine



alabama shakes

Lançado no início do ano, ‘Boys & Girls’, o álbum de estréia do grupo deu a partida em uma onda de aclamação poucas vezes vista. Com resultados comerciais consideráveis, na semana de lançamento, desbancou Adele do primeiro lugar da parada britânica de discos independentes. Da cantora Adele ao ator Russell Crowe, não houve quem não se deixasse encantar pelo rock retrô e sulista do ‘Alabama Shakes’, e principalmente por Brittany Howard, vocalista que combina o melhor de Janis Joplin e Aretha Franklin. E ‘Boys & Girls’ revelou um quarteto composto por Brittany Howard (canto e guitarra), Heath Fogg (guitarra), Zac Cockrell (baixo) e Steve Johnson (bateria).

A história do ‘Alabama Shakes’ começa em uma escola de Athens, uma cidade de 20 mil habitantes no norte do Alabama, estado que Brittany tem, com muito orgulho, tatuado no braço. Brittany Howard que com o tédio na pacata Athen, ainda na adolescência, se refugiou na música se aproximou de Zac Cockrell e perguntou se ele queria tocar com ela. Sobre Zac, Brittany só sabia que ele tocava baixo e que usava camisetas com bandas que ninguém tinha ouvido falar. Eles começaram a se encontrar depois das aulas e escrever canções. E o fato de estarem a apenas uma hora do ‘Muscle Shoals’, estúdio conhecido por sua banda, de craques do soul e rock, que acompanhou em discos artistas como Wilson Pickett, Aretha Franklin, Elton John e os Rolling Stones, teve influência sobre a música, além de AC/DC e Led Zeppelin e a música mágica de James Brown.

Steve Johnson trabalhava na loja de música da cidade, e Howard sabia que ele tocava bateria e o convidou. A influência de Steve era o punk-metal. E com o guitarrista Heath Fogg eles formaram o ‘The Shakes’, logo ampliado para ‘Alabama Shakes’, porque havia outra banda com o mesmo nome. Uma das primeiras músicas que o grupo fez foi ‘Hold on’, atualmente o seu grande sucesso, com uma letra confessional, em que Brittany diz que não achava que fosse chegar aos 22 anos de idade, mas foi convencida a esperar um pouco mais aqui nesta dimensão. A tentativa de gravar suas canções com qualidade sonora na casa de Howard não funcionou, já que ela vivia ao lado de trilhos de trem. E finalmente encontraram o caminho para um estúdio de Nashville, no início de 2011, onde as músicas ‘You Ain't Alone’ e ‘I Found You’ foram gravadas e assim que apareceram em uma loja de discos de Nashville, as pessoas começaram a tomar conhecimento do incansável grupo e da presença magnética de Howard. Um fã ardoroso mencionou a banda a seus amigos, que incluía Justin Gage, o fundador do blog ‘Drunkard Aquarium’. Gage escreveu para Howard, pedindo permissão e postou a música ‘You Ain't Alone’ chamando-a de uma fatia do real. E, literalmente, durante a noite, o mundo desabou.

Heath Fogg | Zac Cockrell | Brittany Howard | Steve Johnson

No dia seguinte choveram e-mails de gravadoras, gestores e editoras para Howard, que pensou que todos estivessem cometendo um erro. Gage também tinha falado da banda para o ‘Drive-By Truckers’, uma outra banda de southern rock, que encantados ofereceram ao ‘Shakes’ um slot de abertura. Contudo, mesmo com a atenção e a pressão a banda continuou a inovar musicalmente e fizeram uma apresentação no CMJ Festival em New York, que ganhou um brilhante comentário do New York Times. Jon Pareles descreveu a banda como ‘um raio vestido de jeans’. A NPR (National Public Radio) nomeou ‘Alabama Shakes’ como uma das melhores bandas de 2011 e a MTV, banda revelação de 2012. E mais ofertas para turnês surgiram e os membros da banda foram finalmente capazes de deixar os seus trabalhos. Howard deixou de ser carteira e Johnson de ser vigia noturno em uma usina nuclear.

Com as expectativas no auge, o ‘Alabama Shakes’ gravou ‘Boys & Girls’, com seis músicas da sessão inicial em Nashville, e outras cinco registradas durante o resto do ano. E o álbum demonstra como a banda aprendeu com seus ídolos, juntamente com uma força de sentimentos e emoção que simplesmente não podem ser aprendidas.

Boys & Girls (2012)

Tracklist
01. Hold On 02. I Found You 03. Hang Loose 04. Rise To The Sun 05. You Ain’t Alone 06. Goin’ To The Party 07. Heartbreaker 08. Boys & Girls 09. Be Mine 10. I Ain’t The Same 11. On Your Way

alabama shakes - I found you



the ultimate jazz archive: blues 14



Memphis Slim (1915-1988), nascido como John Len Chatman, seguramente faz parte da lista dos maiores pianistas de blues de todos os tempos. Um artista incrivelmente produtivo, que trouxe um ar de sofisticação urbana às mais de 500 gravações. E foi inteligente o suficiente para seguir o conselho do guitarrista Big Bill Broonzy sobre o desenvolvimento de um estilo próprio em vez de imitar o ídolo, o pianista Roosevelt Sykes. Em pouco tempo, outros estavam copiando o seu estilo e sua voz trovejante, que possuía uma autoridade de comando, o distinguia da maioria de seus contemporâneos. Como convém ao seu nome artístico, Memphis Slim nasceu e cresceu em Memphis. Em algum momento no final dos anos 30, ele foi para Chicago e começou a gravar em 1939, como líder de bandas. Na mesma época, Slim juntou-se a Broonzy, e transformaram-se na força dominante da cena do blues local. Depois Slim emergiu como artista independente. Após o término da Segunda Guerra Mundial, liderou uma série de bandas de ‘jump blues’, um blues tocado em andamento acelerado, normalmente desempenhado por pequenos grupos e apresentando metais. Em 1945, Slim atuou com trios para depois introduzir saxofone alto, sax tenor, piano, cordas e baixo, e gravou as clássicas ‘Lend Me Your Love’ e ‘Rockin' the House’. Em 1949, expandiu o seu grupo para um quinteto, adicionando um baterista. Mais tarde, recrutou o seu primeiro guitarrista permanente, o estimável Matt ‘Guitar’ Murphy. Slim deixou os EUA, em 1962 pois quando participou da turnê pela Europa em parceria com o baixista Willie Dixon em 1960, tinha intrigado o pianista. E mudou-se definitivamente para Paris onde as possibilidades de gravação e turnê pareciam ilimitadas e o veterano pianista era tratado com respeito muitas vezes negado em seu próprio país. Ali, Slim permaneceu até a sua morte em 1988, desfrutando de sua estatura como realeza do blues.



Muddy Waters (1915-1983) nasceu entre o algodão, no Mississipi, como McKinley Morganfield e aprendeu sozinho a tocar a gaita, ainda quando criança. O nome artístico Muddy Waters (águas lamacentas) ele ganhou devido ao costume de brincar no rio. Mais tarde, trocou a gaita pelo violão, avidamente absorvendo o delta blues, estilo clássico de Robert Johnson e Son House. Ele foi o primeiro a ser gravado, em 1941, por Alan Lomax, professor e pioneiro musicólogo e folclorista, que fez muito para a preservação da música popular americana como arquivista da Biblioteca do Congresso de Música Folk Americano. Quando Muddy Waters mudou para Chicago rompeu com o estilo country e trocou o violão pela guitarra elétrica e adicionou piano e bateria ao blues. O resultado veio a ser conhecido como blues urbano. Muddy é, portanto, considerado o pai do Chicago blues. Atribui-se também a ele, a idéia de invenção da guitarra elétrica. Uma onda de interesse pelas raízes da música popular no início dos anos 60 trouxe fama a ele, que se apresentou internacionalmente em 1970. De 1950 até sua morte, Muddy Waters governou literalmente Chicago com uma presença de palco que combinava dignidade e um estilo forte e emocional de tocar guitarra slide. leia mais...



Big Boy Crudup (1905 - 1974) foi guitarrista, cantor e compositor do estilo delta blues. Ele é mais conhecido fora dos círculos de blues por compor as canções ‘That's All Right’, ‘My Baby Left Me’ e ‘So Glad You're Mine’, gravadas por Elvis Presley e dezenas de outros artistas. Crudup era o bluesman favorito de Elvis Presley. Nascido em Forest, Mississippi, como Arthur Crudup, por um tempo foi um trabalhador migrante. Ele e sua família retornaram ao Mississipi em 1926. Primeiramente, Crudup cantou gospel para em seguida começar a sua carreira como cantor de blues em Clarksdale, Mississippi. Como membro do grupo ‘Harmonizing Four’, visitou Chicago em 1939 permanecendo aí como cantor de rua. Lester Melrose, um dos primeiros produtores de gravações de blues, encontrou Crudup vivendo em um caixote, apresentou-o a Tampa Red e assinou com ele um contrato de gravação. E Crudup excursionou por todo o país, especialmente pelo Sul, com Sonny Boy Williamson II e James Elmore. Parou de gravar em 1950, por causa dos royalties. Ao longo deste tempo trabalhou como operário para aumentar a renda devido aos pequenos salários que recebia como cantor. Crudup retornou ao Mississipi após uma disputa com Lester Melrose, sobre os royalties, em seguida, entrou para o contrabando, e depois mudou-se para Virgínia, onde vivia com a sua família, incluindo três filhos e vários de seus próprios irmãos. Enquanto viveu na pobreza relativa como trabalhador agrícola, ele ocasionalmente cantava. Ele voltou a gravar em 1965. No início dos anos 70, duas ativistas locais Celia Santiago e Margaret Carter ajudaram-no na tentativa de receber mais royalties, mas com pouco sucesso. Em uma viagem em 1970 para o Reino Unido, gravou com músicos locais e finalmente Crudup começou a ganhar algum dinheiro decente, tocando blues em várias festas populares para multidões que apreciavam o blues antes de sua morte de ataque cardíaco em 1974. Seus últimos compromissos profissionais foram com Bonnie Raitt. Às vezes rotulado como o ‘pai do rock’n’roll’, ele aceitou esse título com algum espanto.



Big Joe Turner (1911 - 1985) nasceu em 1911 na cidade de Kansas City como Joseph Vernon Turner. Aos 15 anos de idade, quando o pai morreu, foi obrigado a deixar a escola e sustentar a família. Ele e sua irmã mais velha trabalhavam como engraxates de rua, onde ele aproveitava e cantava por trocados. Durante a manhã trabalhava como cozinheiro em um hotel. Começou a freqüentar o ‘Backbiter's Club’, onde assistia aos músicos que admirava. Certo dia pediu a Pete Johnson, um pianista de boogie-woogie, que o deixasse cantar. Johnson gostou do que ouviu e passaram a formar uma dupla. Turner tinha apenas 18 anos. Joe Turner e Pete Johnson passaram a tocar no ‘Black & Tan Club’, onde Turner atendia no bar e a noite tocava com Johnson, o pianista residente da casa. Saíram de Kansas City e visitaram Chicago, St. Louis e Omaha, já de volta a Kansas City, apresentaram-se no ‘Sunset Club’, onde conheceram John Hammond. Joe Turner foi imediatamente convidado a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, no espetáculo de Hammond, o primeiro show montado para um público branco a tentar apresentar a música negra como uma expressão artística e cultural legítima nos Estados Unidos. A apresentação rendeu um convite para uma gravação. A dupla então iria caminhar por estradas musicais diferentes; Pete Johnson continuou com o boogie-woogie e jazz, enquanto Joe Turner preferiu o gênero que seria futuramente chamado de rock 'n' roll. Em 1951, Turner, já estava devidamente apelidado de Big Joe Turner, devido ao seu corpo grande e obeso e uma voz volumosa e ressonante que sacudia qualquer casa sem precisar de um microfone. Quando lhe perguntavam a respeito de ser precursor de um estilo novo, ele dizia apenas: rock'n'roll não é nada mais do que um nome diferente para o mesmo tipo de música que ando cantando por toda a minha vida. Ele continuou a gravar até 1961, e jamais parou de cantar ou de se apresentar embora o público não estivesse mais interessado, ou sequer se lembrasse mais dele. Na década de 70 e 80, Turner era ouvido em qualquer palco, mesmo de bengala. Em 1985, com complicações no fígado, Big Joe Turner morreu sem deixar herdeiros.




14.1 Memphis Slim (1940-1941)

Tracklist
01. The Jive Blues 02. Diggin' My Potatoes N°2 03. Last Pair Of Shoes Blues 04. Miss Ora Lee Blues 05. Blue Evening Blues 06. Blues At Midnight 07. Beer Drinking Woman 08. You Didn't Mean Me No 09. Grinder Man Blues 10. Empty Room Blues 11. Shelby County Blues 12. I See My Great Mistake 13. Old Taylor 14. I Believe I'll Settle Down 15. Jasper' Gal 16. You Got To Help Me Some 17. Two Of A Kind 18. Whiskey Store Blues 19. Maybe I'll Loan A Dime 20. Me, Myself, And I 21. You Gonna Worry Too 22. This Life I'm Living 23. Caught The Old Coon Last Night 24. Lend Me Your Love


14.2 Muddy Waters (1941-1942)

Tracklist
01. Country Blues 02. I Be's Troubled 03. Burr Clover Farm Blues 04. Take A Walk With Me 05. Burr Clover Blues 06. Walkin' Blues 07. Can't Be Satisfied 08. Gypsy Woman 09. Mean Red Spider 10. I Feel Like Going Home 11. Little Anna Mae 12. Train Fare Home Blues 13. Little Geneva 14. Rollin' And Tumblin' 15. Steeamline 16. Rolling Stone 17. You Gonna Miss Me


14.3 Arthur 'Big Boy' Crudup (1941-1946)

Tracklist
01. Black Pony Blues 02. Death Valley Blues 03. If I Get Lucky 04. Kind Lover Blues 05. Standing At My Window 06. Mean Old 'frisco Blues 07. Gonna Follow My Baby 08. Give Me a 32-20 09. My Mama Don't Allow Me 10. Raised To My Hand 11. Who's Been Foolin' You 12. Cool Disposition 13. Rock Me Mama 14. Keep Your Arms Around Me 15. I'm In The Mood 16. That's Your Red Wagon 17. Dirt Road Blues 18. She's Gone 19. Boy Friend Blues 20. No More Lovers


14.4 Big Joe Turner (1941-1946)

Tracklist
01. Nobody In My Mind 02. Somebody Got To Go 03. Ice Man 04. Chewed Up Grass 05. Rocks In My Bed 06. Blues On Central Avenue 07. Goin' To Chicago Blues 08. Sun Risin' Blues 09. Blues In The Night 10. Cry Baby Blues 11. It's The Same Old Story 12. Rebecca 13. Little Gal's Blues 14. I Got A Gal (For Every Day In The Week) 15. S. K. Blues Part 1 16. S. K. Blues Part 2 17. Johnson And Turner Blues 18. Watch That Jive 19. Howlin' Winds 20. Doggin' The Blues (Low Dog Blues) 21. I Got My Discharge Papers


gloomy sunday: a música do suicídio

Não há dúvida de que algumas músicas podem ter um grande impacto emocional sobre as pessoas. A questão é: há música que afeta alguém tão fortemente que iria influenciá-la a cometer suicídio? Algumas pessoas pensam que há. O suicídio é um tema que se encontra em várias letras de diferentes tipos de música. Heavy metal, country, folk, pop exploraram esse tema. No entanto, para a maioria das pessoas é somente o heavy metal que está associado aos temas obscuros de suicídio e morte.

Em 1985, dois dias antes do Natal, dois jovens norteamericanos, Raymond Belknap, de 18 anos, e James Vance, de 20, juntaram-se para ouvir alguns álbuns do ‘Judas Priest’, ao beberem cerveja e fumarem maconha, fizeram um pacto de suicídio. Um par de horas mais tarde, cada um deles deu um tiro na cabeça. Raymond morreu instantaneamente, enquanto James sobreviveu, mas tinha destruído a maior parte de seu rosto. Ele retornou às drogas e morreu em 1988. Antes de morrer, James afirmou que o álcool e o heavy metal levaram-no a acreditar que ‘a resposta para a vida era a morte’. Ele disse acreditar que ‘Judas Priest’ assassinou seu amigo Ray. Os familiares dos dois então acusaram a banda de tê-los conduzido ao suicídio e decidiram processá-la em 1990 alegando que tinham incorporado mensagens subliminares em várias de suas gravações, inclusive em seu álbum ‘Stained Class’ de 1978. As gravações, supostamente, quando tocadas de trás para frente, contêm as frases ‘do it’, ‘I took my life’ e ‘fuck the lord’, entre outras coisas. A acusação era de que estas mensagens incitaram os seus filhos a cometerem suicídio. O caso foi indeferido após a evidência de que os meninos tiveram uma educação violenta e apresentavam indícios de depressão. O advogado que representava ‘Judas Priest’ descreveu suas vidas como ‘triste e miserável’.

    


Ozzy Osbourne também foi acusado pelo mesmo motivo, de incitar as pessoas a tirarem as suas próprias vidas. Ozzy disse em uma entrevista que foi acusado e processado em 25 casos de suicídio. Em todas as circunstâncias, a música ‘Suicide Solution’, é que foi responsabilizada. Na verdade, em vez de defender o suicídio, a música é uma declaração contra o abuso de álcool. A ‘solução’ não significa uma resposta para um problema, mas sim, a mistura de uma bebida alcoólica. Em 1984, Ozzy Osbourne foi acusado pela morte de John McCollum, de 19 anos, que se suicidou ao ouvir o álbum ‘Blizzard of Ozz’, que contém a música ‘Suicide Solution’. Seus pais entraram com uma ação, afirmando que existem mensagens escondidas na música que exortam as pessoas a cometer suicídio, apesar do fato de que seu filho sofria de depressão e consumia drogas e álcool. O advogado da família afirmou que havia na música os chamados ‘hemi-sync’ (sincronização hemisférica) que é uma marca comercial de um processo desenvolvido pelo Instituto Monroe, que faz a sincronização das ondas elétricas cerebrais dos dois hemisférios, através do áudio de um CD, o que faria com que uma pessoa fosse incapaz de resistir ao que estava sendo dito na música. O caso também foi indeferido quando se decidiu que o seu suicídio não foi devido à música. Ozzy foi novamente processado, pelo mesmo motivo, em 1991, pelos pais de Michael Waller que alegaram que foram as mensagens subliminares contidas na canção que influenciaram suas ações.

Os pais dos que se mataram não são as únicas pessoas que acreditam que Ozzy foi o responsável por suas mortes. Muitos líderes religiosos e conservadores também o culpam. O fanático religioso, David J. Stewart, que está por trás do site ‘jesus-is-savior.com’, afirmou que ‘a música de Ozzy entrega uma arma carregada para as pessoas se suicidarem. A música em si é um meio através do qual os demônios entram em suas mentes e alma’. Mais recentemente, em 2008, o ‘My Chemical Romance’ se tornou a mais recente banda acusada de incentivar o suicídio através de sua música, quando Hannah Bond, de 13 anos de idade, que viveu na Inglaterra, enforcou-se. Hannah era supostamente obcecada pela música da banda, e já tinha comentado com seus amigos sobre o glamour do suicídio, o que foi suficiente para as pessoas concluírem que a música do ‘My Chemical Romance’ foi o motivo que tirou a sua vida.

    

Embora a controvérsia gire em torno, principalmente, do heavy metal ou rock’n’roll, a música country também foi acusada de incentivar o suicídio. Há alegações de que os temas encontrados em várias músicas country promovem um estado de espírito suicida entre aquelas pessoas que já estão deprimidas e em risco de suicídio devido à crises conjugais, problemas financeiros e abuso de álcool e drogas. Um estudo sobre ‘The Effects of Country Music on Suicide’, de Steven Stack da Wayne University, e Jim Gundlach da Auburn University, mostrou alguns resultados surpreendentes: os resultados de uma análise de 49 áreas metropolitanas mostram que quanto maior o tempo dedicado à música country, maior a taxa de suicídio. O efeito é independente do divórcio, do grau de pobreza e a disponibilidade de alguma arma. Então por que apenas o heavy metal e o rock’n'roll são acusados pelos pais pelo suicídio de seus filhos? Apesar do resultado desses estudos feitos sobre os efeitos da música country, provavelmente nunca se ouvirá de um pai a queixa de que seu filho foi influenciado a se matar por ouvir a cantora e compositora Dolly Parton, eventualmente reconhecida como a ‘rainha da música country’. Ninguém fará acusações de que a música do cantor e compositor country Garth Brooks é satânica, ou que ele é o anti-cristo, apesar de sua canção ‘The Night Will Only Know’, ser sobre uma mulher que comete suicídio.

Se a música em si não causa o suicídio, o que dizer quando acontece com a pessoa que cria a música? Foi o que aconteceu no caso do ícone grunge Kurt Cobain. Em abril de 1994, o mundo da música ficou chocado quando ele foi encontrado morto. Vocalista da banda amplamente bem-sucedida ‘Nirvana’, Kurt Cobain foi usuário pesado de heroína e lutou contra a depressão. A música do 'Nirvana' pode ser descrita como sombria e depressiva, e Cobain até escreveu a canção ‘I Hate Myself and I Want to Die’. O que foi ainda mais chocante depois foi a onda generalizada de suicídios ao redor do mundo por seus fãs. Nos dias seguintes a sua morte, não só houve um aumento nos relatos de suicídio, como também houve um aumento significativo de chamadas para linhas diretas de suicídio. É fácil especular que as pessoas que tiraram suas próprias vidas provavelmente já eram suicidas, e que a morte de Cobain apenas as empurrou para o precipício.

E tais suicídios apenas fortalecem a crença de que a música pode ter um impacto emocional negativo sobre seus ouvintes, ao ponto de influenciá-los a querer morrer. O óbvio, é que alguém que já está deprimido e lutando contra pensamentos de suicídio pode ser atraído para um tipo de música de um tom mais sombrio. Caso contrário, todos que ouvissem a mesma música se matariam. Desde que isso não está acontecendo, a idéia de alguém que está deprimido busca relação com a música mais triste faz muito mais sentido. A verdade é que todos nós procuramos músicas que refletem nossos humores, emoções e sentimentos. Quando alguém está apaixonado pode passar a noite toda ouvindo canções sentimentais de amor, ou se está passando por uma má fase em algum relacionamento e estão tristes, ou se estão irritados com isso, ouvem canções amargas sobre amor perdido. A música é uma parte importante na vida de muitas pessoas, e está em nossas memórias e refletem experiências de vida. Infelizmente, os pais que processaram as bandas simplesmente não quiseram assumir qualquer responsabilidade pessoal para a depressão óbvia e o desespero de seus filhos que viram a morte como a única saída. Não querem reconhecer que eles poderiam de alguma forma, terem contribuído para o estado depressivo de seus próprios filhos. É muito mais fácil encontrar um bode expiatório, do que enfrentar a realidade.

‘Gloomy Sunday’, ‘Szomorú Vasárnap’ no original, é uma canção composta em 1933 pelo pianista e compositor húngaro Rezső Seress. A letra original de Seress, carregada de amargo desespero foi substituída pelos versos tristes e melancólicos do poeta László Jávor em que lamenta a morte prematura de uma amante e contempla o suicídio. Em 1936, finalmente, a canção chega aos Estados Unidos com o nome ‘Gloomy Sunday’, e devido a infundadas lendas urbanas sobre ser inspiradora de centenas de suicídios, foi apelidada de ‘a música húngara do suicídio’.

Rezső Seress, o compositor, realmente cometeu suicídio. Em 1968, ele pulou para a morte de seu apartamento pouco depois de seu 69º aniversário. Seu obituário no New York Times mencionou a notória reputação da canção. Seress queixou-se de que o sucesso de ‘Gloomy Sunday’ na verdade aumentou a sua infelicidade, porque ele sabia que nunca mais seria capaz de escrever um segundo hit. Mas, a maioria dos outros rumores sobre a música, de ter sido banida do rádio ou ter sido a ignição para outros suicídios, são infundados, e foram usados como propagada de marketing. Possivelmente devido ao contexto da Segunda Guerra Mundial, a versão de Billie Holiday, contudo, foi banida pela BBC. A hipótese mais conhecida para Seress ter escrito esta poderosa canção foi o término de um romance. Quando ‘Szomorú Vasárnap’ se tornou um sucesso, o compositor ao procurar a ex-amante para reatar o namoro descobriu que ela havia se suicidado com veneno, deixando a seu lado um papel contendo duas palavras: szomorú vasárnap. Mais uma lenda?

Apesar de gravada por vários cantores, ‘Gloomy Sunday’ está intimamente associada à Billie Holiday, que gravou uma versão da música em 1941. Há duas versões da letra em idioma Inglês. A primeira, por Desmond Carter, foi usada em 1935 na gravação do cantor e ativista político Paul Robeson e alguns outros. A maioria tem usado a versão de Sam Lewis que ficou famosa com Billie Holiday. Por cerca de sete décadas consecutivas essa triste canção tem sido revista, regravada e reinterpretada por músicos dos mais diversos estilos e nacionalidades. Sua letra foi adaptada para o francês, sueco, chinês, japonês e até esperanto. Estima-se que existam mais de 80 versões diferentes gravadas de ‘Gloomy Sunday’. ‘Gloomy Sunday’ também marcou presença nas telas do cinema. Aparece no início de ‘Schindler’s List’ e inspirou pelo menos outros três filmes.

Situado na Hungria, durante a Segunda Guerra Mundial, e baseado no romance de Nick Barkow, o filme alemão ‘Gloomy Sunday’, título original ‘Ein Lied von Liebe und Tod’, dirigido por Rolf Schübel em 1999, e interpretado pela atriz húngara Erika Marozsan e o ator italiano Stefano Dionisi (pianista), embora gire em torno de um triângulo amoroso com consequências trágicas, narra a criação da música ‘Gloomy Sunday'.



Entre as várias gravações de 'Gloomy Sunday' de vários artistas, no jazz, além da gravação mais famosa da canção com Billie Holiday (1941), também gravaram Hal Kemp (1936), Paul Whiteman (1936), Mel Tormé (1958), Sarah Vaughan (1961), Artie Shaw & His Orchestra com a vocalista Pauline Byrne (1940) e Branford Marsalis (2004). Também foi gravada por Ray Charles em 1969. No pop, a versão de 'Gloomy Sunday' foi gravada pela cantora islandesa Björk e pela irlandesa Sinéad O'Connor.



A versão que eu mais gosto, com a banda inglesa 'Portishead' da vocalista Beth Gibbons



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